Capítulo Oito: A Pulseira

O Código do Além O programador audacioso 3205 palavras 2026-02-09 14:06:07

Apesar de estar com uma lanterna nas mãos, de pouco adiantava, pois não se via absolutamente nada na névoa negra. Só me restava tentar localizar o caixão pela memória, avançando devagar até encontrá-lo, tateando nervosamente a sua borda. Deitei-me junto à beirada, iluminei o interior, mas lá dentro o nevoeiro era tão denso que mal dava para distinguir qualquer figura humana.

Contendo o medo, hesitei por um longo tempo antes de enfiar a mão lá dentro. Já tinha ido longe demais para voltar atrás. Tateando de um lado para outro, acabei por tocar em uma mão, de textura viscosa. Quando namorava com Wang Yue, também já havia segurado sua mão, que me parecera então delicada; naquele momento, porém, a sensação era apenas repugnante e assustadora.

Respirei fundo e continuei a buscar, mas naquela mão não havia nada. Passei para a outra. De repente, estremeci: realmente encontrei uma pulseira, bem presa ao pulso direito de Wang Yue, com textura claramente metálica. Tentei deslizar com cuidado para removê-la, mas a pulseira estava firme demais.

Depois de várias tentativas infrutíferas, não ousei forçar, temendo machucar o pulso de Wang Yue. No escuro, Li Damin perguntou se eu já tinha encontrado. Respondi: “Encontrei, mas não consigo tirar, está apertada demais.” Li Damin não se aproximou, permaneceu na escuridão, ponderando antes de sugerir: “Tente outro método.”

Insisti mais um pouco, começando a suar. Foi então que percebi um pequeno entalhe na parte inferior da pulseira; meu coração disparou. Será que ela não era simplesmente colocada, mas travada ali? Toquei o entalhe — era fino como um fio de aranha. Apliquei uma pressão suave, e no silêncio ouvi um estalido nítido, como se tivesse destravado algum mecanismo. A pulseira soltou-se do pulso de Wang Yue!

Apressei-me em retirá-la do caixão. Nesse instante, o áudio do celular voltou a tocar: “Lin Cong, coloque-a!” Senti um nó na garganta, todos os pelos do corpo se eriçaram. Como Wang Yue sabia que eu removeria a pulseira exatamente naquele momento? Era preciso admitir que ela era impressionante.

“Li Damin, foi você quem fez isso?” perguntei. “O quê? Está falando da gravação?” respondeu ele. “Juro por tudo o que é mais sagrado, não mexi no telefone.” “Então… como ela sabia que eu ia tirar a pulseira agora?” um calafrio percorreu minha nuca. “Deixa isso pra lá. Coloca logo a pulseira”, apressou Li Damin.

Eu, por dentro, sentia uma repulsa. Que segredo esconderia aquela pulseira? Ela não parecia nada benéfica. Hesitei longamente antes de prender a peça no meu pulso direito, pressionando suas extremidades até ouvir um clique. Ficou perfeitamente encaixada, sem qualquer folga.

No mesmo instante, tudo diante dos meus olhos clareou; meu olhar atravessava a névoa. Via, com nitidez, Li Damin sentado ao fundo, de pernas cruzadas, encarando o celular no chão, a testa franzida. Voltei-me para o caixão e para a figura mascarada ali dentro — tudo estava visível.

Li Damin perguntou: “Já colocou?” Ele continuava fitando o telefone, sem me olhar, pois provavelmente não conseguia me ver. De repente compreendi: aquela pulseira era realmente mágica, capaz de dissipar a névoa e ampliar minha visão.

Nesse momento, a voz de Wang Yue continuou a soar no telefone: “Você colocou a pulseira, muito bem! Ela é o primeiro objeto. Ande com ela diante das paredes e encontrará o segundo.” Comecei a achar curioso; a engenhosidade de Wang Yue era admirável, um segredo levando ao outro.

Com a lanterna em punho, percorri as paredes do cômodo, erguendo o pulso e observando atentamente a reação da pulseira. Passei por uma parede sem notar nada, mas ao me aproximar da próxima, as inscrições do metal brilharam por um instante. Arqueei as sobrancelhas: o bracelete estava repleto de inscrições bizarras, cujo significado era indecifrável — mas naquele momento, as linhas pareciam eletrificadas.

Examinei a parede: havia uma estranha pintura, mostrando uma pessoa sobre um tronco solitário à beira de um precipício, cercado por fumaça negra. Esse tronco era parte de um elaborado labirinto que pairava sobre um abismo; a figura ali parecia vulnerável e solitária.

Olhei de novo, sem entender o significado, enquanto a luz da pulseira continuava a pulsar. Levantei o braço, comparando as inscrições ao mural, quando uma ideia me ocorreu: será que os traços na pulseira eram um fragmento do labirinto da pintura?

O coração acelerou, a garganta subia e descia, entre confusão e compreensão. Quando ia examinar melhor, Li Damin interrompeu: “Já achou?” Virei-me e vi que ele se levantara, indo em direção ao caixão com a lanterna. Talvez pensasse que eu ainda estava lá.

Apressado, respondi: “Encontrei. Mas algo estranho aconteceu.” Via claramente Li Damin tateando o interior do caixão. Senti-me incomodado com sua atitude precipitada.

“Damin, o que está fazendo?”, gritei. Ele parou de repente, retirou a mão do caixão e riu sem graça: “Cheguei aqui, mas você não está?” “Estou junto à parede”, respondi. Ele parecia não me ver; então, de perfil, perguntou: “Você consegue me enxergar?”

“Sim”, respondi. “Depois que coloquei a pulseira, a névoa sumiu diante de mim. Com a lanterna, vejo tudo claramente.” Li Damin murmurou algo inaudível, como se dissesse que agora fazia sentido.

Depois, em tom mais alto: “E o que descobriu aí?” “Achei uma pintura”, expliquei. “A pulseira reage diante dela, emite luz. Espere…” Notei algo intrigante: as inscrições do bracelete coincidiam com um trecho do labirinto pintado. Aproximei-me e comparei, linha por linha. Então, tracei com os dedos o mesmo caminho brilhante indicado pela pulseira.

Segui o trajeto até o fim e ouvi a parede ranger; de repente, uma sombra se abriu. Reagi rápido e me afastei, escapando de ser atingido. Uma janela havia se aberto na parede, e nela aparecia, nitidamente, uma pessoa. Fiquei atônito — era eu mesmo. Ou seja, havia ali um espelho.

Embora soubesse disso, ver o próprio reflexo naquele contexto não era agradável; desviei depressa o olhar. Nesse momento, nova mensagem soou no celular: “Lin Cong, você encontrou os dois objetos, muito bem. Agora precisa encontrar uma pessoa; só com ele poderemos ser ajudados.”

Enfurecido, protestei: “Ajudar você… Estou completamente envolvido nessa armadilha.”

“Ouça com atenção”, disse Wang Yue no áudio. “Ele está na sala 506 do quinto andar do Edifício Jingming. É melhor você visitá-lo amanhã de manhã. Procure o senhor Zhong, e mostre-lhe a pulseira. Ele saberá o que fazer.”

Ouvi com atenção. A gravação terminou. Apressei-me, peguei o celular do chão; só havia aqueles arquivos de áudio. Isso era tudo de que dispunha.

Li Damin veio tateando: “Lin Cong, está aí?” “Ouviu as gravações?”, perguntei. “Agora só podemos prosseguir encontrando esse senhor Zhong.” Li Damin suspirou: “Que pena. Amanhã de manhã preciso voar para Fujian.”

Para ser sincero, sua atitude de antes, mexendo no caixão, já me incomodava. Não queria envolver mais pessoas nisso, então não o convidei a permanecer.

“Vai ficar uma semana fora?” perguntei. Li Damin assentiu mecanicamente, esfregando as mãos: “Vou tentar voltar o quanto antes; isso tudo está interessante demais.”

“Damin”, falei, “isso não é um jogo. Tudo aqui é complexo e estranho. Para mim, é algo muito sério. Por favor, mantenha segredo, não conte a ninguém.” Li Damin, esperto como era, percebeu o tom e resmungou: “Só me preocupo é com você, desde que não chame a polícia toda hora.”

Disse-lhe que não havia mais nada a descobrir ali; só restava encontrar a pessoa indicada no dia seguinte.

Fomos até a porta do quarto — surpreendentemente, agora estava destrancada, como se Wang Yue controlasse tudo nos bastidores. Isso significava que eu havia concluído as tarefas dela, e o próximo passo só seria revelado em breve.

Saímos para a sala. Damin comentou, intrigado, que a fumaça negra não escapara pela porta, como se estivesse confinada ao quarto. Na sala, sob a luz, ele segurou meu pulso, examinando a pulseira atentamente. Após um momento de reflexão, disse devagar: “Acho que entendi o que era aquela fumaça.”

Perguntei como assim.

Ele explicou: “Quando acendemos a lamparina, sentimos um cheiro estranho; provavelmente caímos sob algum tipo de ilusão. Aquela fumaça fazia parte do feitiço. Só a pulseira permite dissipar a ilusão. Por isso você está bem, e eu fiquei perdido na névoa.” Pensou um instante. “Talvez seja uma forma de Wang Yue se proteger.”

“Damin, melhor não se envolver mais daqui em diante”, pedi, depois de muito hesitar.

Li Damin fitou-me, o olhar sombrio, visivelmente contrariado.

Sentia, vagamente, que o que viria a seguir tocaria nos segredos mais íntimos de Wang Yue. Não era certo envolver mais ninguém.