Capítulo Doze: Desvendando o Mistério
— Que tipo de reação? — perguntei.
Tio Zhong respondeu: — Uma reação que vem do além. Lin Cong, sua principal tarefa agora é entrar em contato com Wang Yue, ajudá-la a superar os obstáculos no Reino Intermediário e encontrar o pai dela. Assim, todos sairemos bem, você, eu e ela. Não permita que nada dê errado.
Não me restou alternativa senão sentar novamente diante do espelho. Tio Zhong, mais uma vez, escreveu algo na minha nuca. Depois de uma sensação de formigamento, caí de novo em um estado de torpor.
Foi então que ouvi uma voz: — Lin Cong.
Era Wang Yue falando. Ela disse: — Lin Cong, eu sabia que você viria. Não decepcionou minhas expectativas.
Fiquei surpreso; era a segunda vez que escutava essa frase. Logo entendi: aquilo era uma gravação. Sempre que eu entrava, tudo começava do início.
— Lin Cong, não me culpe. Passei três anos procurando alguém como você, até finalmente escolhê-lo. Você é bondoso, inteligente e parece predestinado...
Aguentei, ouvindo tudo até o fim, quando ela disse: — Preciso de sua ajuda. Levante-se agora.
Desta vez, não me atrevi a interromper. Se saísse e voltasse, a gravação recomeçaria, e eu, com meu temperamento e paciência, não suportaria. Obedeci e me levantei, cabeça baixa, olhos semicerrados. Tudo ao redor era escuro, nebuloso. Uma coisa era certa: não estava mais no quarto original, mas ao ar livre, embora impossível saber exatamente onde.
A voz de Wang Yue me guiava: — Caminhe para frente, dez passos.
Respirei fundo, tentando manter o estado, e comecei a mover o pé direito, avançando com dificuldade. Após cerca de dez passos, senti uma parede à minha frente. Parei.
— Tire a pulseira — ordenou ela.
Pressionei as laterais da pulseira; ouvi um clique e ela se soltou do pulso. Segurei-a e ergui. Wang Yue disse: — Coloque-a no encaixe à sua frente.
Tateando, encontrei um nicho na parede e coloquei a pulseira ali. Imediatamente, ouvi a voz de Wang Yue, agora animada: — Lin Cong!
Estremeci, compreendendo que, desta vez, não era uma gravação; era Wang Yue em pessoa.
— Wang Yue — respondi.
Não conseguia erguer a cabeça, nem abrir os olhos; só os ouvidos captavam o ambiente. Wang Yue chorava de alegria, soluçando: — Lin Cong, você realmente veio.
— Onde está? — indaguei, sério.
— Se conseguiu chegar até aqui, deve saber muitas coisas — respondeu ela. — Estou no Reino Intermediário. Tio Zhong já deve ter explicado o que é esse lugar.
— Não explicou muito bem. Falou de um território entre luz e sombra, governado por Meng Po, e mencionou o corpo intermediário — relatei.
A voz de Wang Yue vinha da parede: — Saber isso já basta, não precisa ir mais fundo. Estou aqui.
— E eu? Também estou no Reino Intermediário? — perguntei.
— Não, você está dentro do espelho. Este espelho é um artefato mágico que procurei por anos, justamente para este dia. Ele serve como estação de passagem entre o mundo dos vivos e o Reino Intermediário. Você, com a alma projetada no espelho, pode se comunicar comigo. Vou pedir a ajuda de que preciso nesse lugar.
Perguntei, confuso: — Por que não posso entrar diretamente no Reino Intermediário? Não é possível?
— Não, você pode entrar — respondeu Wang Yue. — Mas este lugar é muito complexo. Simplificando, o Reino Intermediário é um espaço relacionado ao estado mental e ao karma das pessoas. Todos que morrem vêm para cá e são julgados. O processo de atravessar esse purgatório não é algo que alguém comum possa imaginar. Agora que você está envolvido, o ambiente interno muda, surgem variáveis, e tudo fica mais complicado.
Não consegui assimilar tudo o que dizia, nem compreender, mas respondi, irritado: — Você me colocou numa cilada!
— Fique tranquilo — ela disse suavemente. — Tenho confiança de que conseguirei resgatar meu pai. Este é o acordo que fiz com Meng Po. Ao retornar à vida, cumprirei minha promessa: serei sua melhor namorada!
Ri com sarcasmo: — Você é implacável, entregou minha alma aos servos dos mortos. Se não fosse por Tio Zhong, já teria perdido a razão.
Wang Yue hesitou, não continuou nesse assunto, apenas falou em tom baixo: — Não vou prejudicá-lo. Venha me ajudar a passar pelo primeiro obstáculo.
Fiquei em silêncio; ela, talvez sentindo culpa, prosseguiu devagar: — Tenho uma sequência de números para decifrar. Aqui neste purgatório, também estou em estado de alma, sem o suporte do cérebro físico. Muitas memórias e habilidades foram removidas. Preciso que você decifre esse enigma numérico. Os números são: 612, 601, 620, um espaço em branco, 529, 617... Você deve encontrar o número que falta ali no meio...
Sua voz começou a soar distante, um pouco assustadora: — Agora iniciarei o processo de purgatório. Só tenho sete dias. Se não sair em sete dias, ficarei presa aqui para sempre! Presa para sempre... O cronômetro já começou.
Minha testa estava coberta de suor; não tinha tempo para pensar em enigmas, nem consegui memorizar os números.
— Preciso decifrar agora? — perguntei aflito.
— Você deve sair, encontrar Tio Zhong, e juntos desvendar o enigma. Depois volte, e retorne para cá. Espero por você! Aqui, sua alma está instável; precisa se reunir ao corpo para ficar seguro. Vá logo, o tempo está acabando.
Pedi que repetisse os números. Wang Yue repetiu, e desta vez gravei-os na memória. Levantei a cabeça de repente e abri os olhos, voltando ao quarto.
Sentia a cabeça pesada, as pernas trôpegas, quase caí. Tio Zhong e Li Damin correram para me segurar; minhas pernas mal sustentavam o peso, o suor escorria. Sentaram-me.
Olhei ao redor; o quarto estava tomado por uma fumaça negra, tão densa que só enxergava o espaço próximo. Não via um palmo diante do nariz. Só então me lembrei: a pulseira ficou no nicho da parede do espelho. Sem ela, fui envolvido pela fumaça negra.
Tio Zhong segurava uma vela, agachado ao meu lado. A luz revelava seu rosto envelhecido, tremulando levemente, como se houvesse vento, embora nada se sentisse.
— Como foi? — perguntou em voz grave.
Respirei fundo e relatei tudo o que havia acontecido. Tio Zhong refletiu por um instante: — O teste começou. Só temos sete dias.
— Sete dias para decifrar esses números? — Li Damin comentou ao lado. — Não parece difícil.
Tio Zhong balançou a cabeça: — Não subestimem o Reino Intermediário; lá tudo é imprevisível. Não podemos aplicar a lógica do mundo dos vivos. O espaço lá é diferente do que imaginam.
Li Damin piscou: — Pode haver mais de uma resposta?
Tio Zhong olhou para ele com apreço e assentiu: — É possível.
Li Damin voltou-se para mim: — Lin Cong, sua mente está funcionando?
— Não me subestime — respondi. — Me formei numa das melhores universidades.
Li Damin sorriu e não respondeu. Cada um encontrou um lugar, papel e caneta em mãos, e começou a analisar os números. Parecia fácil, mas ao tentar, logo percebi a dificuldade. Os números não estavam em ordem crescente ou decrescente. Talvez houvesse uma diferença comum? 612 menos 601 dá 11; 620 menos 601 dá 19; 617 menos 529... Franzi a testa, não encontrei nenhum padrão.
O comportamento deles era diferente. Li Damin usava a calculadora do celular, enquanto Tio Zhong, sentado num canto, observava os números murmurando como se recitasse um mantra, pensando em algo.
O papel já estava cheio de números, e a conta ficava cada vez mais complexa. Sentia, por intuição, que o método estava errado. Havia ali um segredo que ninguém imaginava.