Capítulo Quarenta e Um: Descendo à Gruta

O Código do Além O programador audacioso 3095 palavras 2026-02-09 14:07:16

Esperei no quarto, mais uma hora se passou sem qualquer sinal de movimento. A inquietação me consumia; andava de um lado para o outro, até que decidi perambular pelo apartamento alugado por Tranca de Bronze. Ficava nítido que ele não pretendia morar ali por muito tempo: não havia móveis, apenas uma cama de campanha e alguns utensílios para higiene. Vasculhando debaixo da cama, encontrei uma lanterna comum. Não era tão potente quanto uma profissional, mas serviria ao propósito.

Fui até a sala e circulei ao redor do buraco no chão, em dúvida se deveria descer. Não tinha luvas, e escorregar por aquela corda fina certamente machucaria minhas mãos. Além disso, não havia nenhum parceiro por perto; se me perdesse lá dentro, seria meu fim. Mas ficar ali, inquieto, olhando para aquele buraco escancarado diante de mim, a mente fervilhando de especulações, era insuportável.

Após muito pensar, desisti de me aventurar sozinho naquele momento. Qualquer problema só traria mais complicações para os outros. Melhor esperar. Arrastei a cama de campanha para perto do buraco, deitei-me nela e iluminei o fundo do poço com a lanterna. A luz apenas revelava as velhas paredes abandonadas, manchadas e assustadoras; nada mais podia ser visto.

Desliguei a lanterna, abracei os ombros tentando cochilar, atento a qualquer ruído vindo de baixo. Não lembro quando adormeci. Ao acordar, a luz do sol invadia o cômodo. Senti uma forte tontura e fiquei um tempo sentado, tentando me situar. Diante daquele cenário estranho, por um momento esqueci onde estava.

A memória retornou aos poucos; recordei a noite anterior, olhei o relógio: eram seis horas da manhã. A casa permanecia em silêncio, sem vestígio de ninguém além de mim.

Um zumbido percorreu minha mente: os três que desceram ao buraco durante a noite não haviam voltado! Levantei-me e fui procurar os sapatos, mas logo percebi algo estranho: uma fileira de pegadas leves começava na saída do buraco e serpenteava até a porta.

Enquanto eu dormia, alguém saiu do buraco e passou rente a mim, deixando a casa. Por causa das obras, uma fina camada de cimento cobria o chão. Quem saiu dali não percebeu que deixava rastros, preocupado apenas em não me acordar.

Enxuguei o suor frio da testa e segui cuidadosamente as pegadas até a porta. Do lado de fora, o cimento sumia e as marcas desapareciam, como se a pessoa tivesse evaporado no corredor.

Voltei à sala, peguei um martelo para me defender e revirei todo o apartamento. Não havia ninguém, apenas eu. Só restava uma possibilidade: quem saiu do buraco foi embora pela porta principal.

Raciocinei friamente. Não podia ser nenhum dos três — Damião, Li Yang ou Tranca de Bronze. Se fossem eles, teriam me acordado para contar o que se passou lá embaixo, não sairiam em silêncio. Isso significava que, nos andares subterrâneos, havia mais alguém.

No fundo, isso era esperado. Não acreditava que um espaço tão grande permanecesse fechado e vazio por tantos anos. Pelo menos o administrador do edifício e a construtora deviam conhecer o segredo; certamente aquele espaço era utilizado. Uma ideia terrível me ocorreu: e se alguma organização criminosa usasse o local para fins ilícitos, como produção de entorpecentes? Se, ao entrarem, os três tivessem sido descobertos, certamente seriam eliminados.

Um calafrio percorreu meu corpo. Senti-me perdido, impotente. Permanecer ali se tornava cada vez mais desconfortável, como se estivesse sendo vigiado. Imaginava os criminosos torturando os três companheiros, arrancando-lhes informações, podendo chegar até mim a qualquer instante...

O medo tomou conta. E agora? Chamar a polícia? Afastei logo essa ideia. Se estivesse enganado, Damião nunca me perdoaria. Depois de muito pensar, decidi: era melhor descer e averiguar. Ficar esperando seria torturante; arriscar era mais digno.

Fui ao quarto, peguei um caderno e uma caneta, arranquei uma folha e deixei um bilhete: avisava que iria ao subterrâneo e relatava a entrada misteriosa de alguém na noite anterior. Se eles voltassem, saberiam o que fiz.

Sem luvas não dava. Lembrei de uma loja de ferragens fora do condomínio, onde poderia comprar luvas de proteção. Melhor que nada. Sem chave para a porta, não tranquei ao sair, apenas encaixei um pedaço de madeira no canto para evitar que a trancassem do lado de fora. Era de manhã, com sorte não entraria nenhum ladrão.

Peguei o elevador até o térreo e saí para a rua; o sol ardente quase me fez desmaiar. Mal dormira à noite, a cabeça girava. Encontrei a loja, comprei dois pares de luvas e, aproveitando a ida ao supermercado, comprei um conjunto de canetas hidrográficas.

Ao retornar ao edifício e me preparar para entrar no elevador, ouvi alguém chamar: “Ei, espere um pouco.” Um homem de aparência comum se aproximou correndo. Segurei o elevador para ele. Só estávamos nós dois. Fui apertar o botão do nono andar, mas ele foi mais rápido e fez isso antes. Por algum motivo, um pressentimento ruim me invadiu. Hesitei e acabei apertando o botão do décimo terceiro andar.

Subimos em silêncio. Eu o observava de esguelha, perguntando-me se era morador do nono. Estaria relacionado ao que eu procurava? Não estaria sendo paranoico?

Quando o elevador chegou ao nono andar, a porta se abriu, mas o homem não saiu. Fiquei paralisado, sem saber o que pensar.

“Tem coisas”, disse ele de repente, “que é melhor não saber. Viva sua vida tranquilamente, está bem?” Antes que eu pudesse reagir, ele deu um passo para fora. A porta se fechou devagar.

Um arrepio percorreu meu corpo. Impulsivamente, segurei a porta do elevador antes que ela se fechasse de todo. Ela se abriu novamente e vi o homem já de costas, dobrando o corredor.

Aquelas palavras eram nitidamente para mim. Tive a forte intuição de que ele era o mesmo que saíra furtivamente do buraco. Abri a porta do elevador e corri atrás, mas ao chegar ao corredor, ele já desaparecera — devia ter entrado em algum apartamento.

Andei cautelosamente, examinando o chão diante das portas, buscando algum indício, mas nada encontrei. Por fim, cheguei ao apartamento de Tranca de Bronze. Meu coração disparou: será que ele entrou ali?

A porta estava apenas encostada. Entrei, retirei a madeira do canto e tranquei por dentro, sentindo o coração martelar no peito.

O silêncio reinava. Os três não haviam retornado. O ar parecia carregado, como se um pântano sombrio se espalhasse lentamente. Na sala, examinei o chão de cimento; as marcas eram as mesmas da manhã, o que significava que ninguém entrara desde então.

Massageei as têmporas, perguntando-me se não estava ficando paranoico. Olhei o relógio: passava das sete. Eles haviam descido por volta das nove da noite anterior — já faziam dez horas. Mesmo se movessem como lesmas, já era tempo de voltarem. Algo estava errado.

Liguei a lanterna e iluminei o interior do buraco. Respirei fundo, calcei as luvas e testei a corda. As luvas eram resistentes, quase não sentia a fricção da corda nas mãos. Com um último fôlego, entrei cautelosamente no buraco, sustentando todo o corpo na corda, descendo oscilante até tocar o solo com os pés, os ombros doloridos.

Ao meu redor, tudo era escuridão. Rapidamente liguei a lanterna; a luz revelou paredes manchadas pelo tempo, com o cimento à mostra. Seguindo pela lanterna, aproximei-me da esquina do corredor. O ar estava surpreendentemente fresco, o que era estranho para um espaço fechado por tanto tempo: se tudo estava lacrado, o ar deveria ser pesado e abafado, mas não havia odor algum.

Ao dobrar a esquina, tirei uma caneta hidrográfica e desenhei uma seta na parede, como meu pai ensinara: em ambientes desconhecidos, marque sempre o caminho. Continuei pelo corredor, ladeado por paredes sem portas ou janelas, sem sinais de residências, formando um corredor sombrio.

Relembrei a planta do edifício — pelo desenho original, eu deveria estar dentro de um apartamento, mas não havia vestígio de divisões. Concluí que o espaço fora remodelado, todas as divisórias removidas, reorganizado de forma diferente.

Caminhei longamente pelo corredor, marcando setas a cada cinco metros, mas ele parecia não ter fim. O cenário não mudava: paredes altas de ambos os lados, um corredor sombrio ao centro, iluminado apenas pelo facho trêmulo da minha lanterna.