Capítulo Dezesseis: Irmãos
— Como você sabe que temos dinheiro? — perguntou Li Damin, com interesse.
O garoto fungou duas vezes e respondeu: — Ouvi você dizer para o meu pai que ia ter um grande presente em dinheiro.
— Você quer? — perguntou Li Damin.
— Se quiserem saber alguma coisa, posso contar, mas quero dinheiro — disse o garoto.
Nós três trocamos olhares.
Li Damin estava se divertindo com ele: — Certo, quanto você quer?
— Se me comprarem um celular, eu conto — respondeu o garoto.
Não aguentei e ri, indignado: — Um celular? Sabe quanto custa? Você é pequeno, mas sua ambição é enorme. E afinal, quanto você sabe?
— Não importa quanto eu saiba — disse ele, com um olhar astuto —, mas eu sei, com certeza. Me dêem o celular e eu conto.
Eu ia dizer algo, mas Li Damin fez um gesto para que eu me calasse, deixando a negociação com ele.
— Que celular você quer? — perguntou.
Apesar de tão pequeno, os olhos do garoto brilhavam de ganância: — Quero um da Maçã. Antes o Chen Haoyang, da minha turma, tinha um. O pai dele é o chefe da vila, tem dinheiro, comprou um e ficava exibindo todo dia. Quero um igual.
Quase bati na mesa, soltando um palavrão: — Porra... Sabe quanto custa um da Maçã? Sua ambição não é pequena, não.
Li Damin me lançou um olhar, pedindo que eu não explodisse, e falou calmamente ao garoto: — Qual é o seu nome?
O garoto ficou cauteloso, semicerrou os olhos e deu um passo atrás, assumindo uma postura defensiva.
— Não precisa ter medo — disse Li Damin —, não vamos te fazer mal. Somos negociantes, viemos da cidade procurar seu pai para tratar de negócios. Mas seu pai não liga para dinheiro, não aceita nada. Estamos com dinheiro e não conseguimos gastar...
Ao ouvir isso, o garoto mexeu a boca, engoliu saliva duas vezes: — Meu pai é um idiota, um grande idiota. Eu sei tudo o que você quiser, mas só se me comprar o celular!
— E como vamos saber se você realmente sabe? — provocou Li Damin. — Se comprarmos o celular e você não souber nada, nos enganou.
— Não vai acontecer, eu sei! — insistiu o garoto, repetindo a mesma coisa, incapaz de fazer jogos mentais.
Li Damin me olhou: — Lin Cong, desembolsa aí. É para resolver o seu problema.
A raiva subiu até minha cabeça. Um celular da Maçã custa pelo menos cinco ou seis mil. Que beleza, ainda nem começou o trabalho e já perdi cinco mil com o tio Zhong, agora mais cinco mil com esse garoto. Em dois dias, quase dez mil foram embora.
Todos me olharam. Eu fiquei sentado, pensando se deveria mesmo pagar. Li Damin disse: — Você não vai valorizar dinheiro mais do que a vida, né? Comparado à sua vida, um celular da Maçã não vale nada.
Eu estava muito irritado, mas não podia brigar com Li Damin. Depois de muito pensar e lutar comigo mesmo, finalmente cedi: — Tá bom, eu pago.
Peguei o celular, abri o aplicativo da loja da Maçã e disse: — Vou fazer o pedido agora. Qual é o endereço? Vou enviar para sua casa.
Os olhos do garoto brilharam: — Não mande para minha casa, mande para o supermercado na entrada da vila, endereçado para "Cai Youhai".
Eu ia fazer o pedido, mas Li Damin me segurou. Ele tirou duzentos reais do bolso e entregou ao garoto chamado Cai Youhai: — Somos negociantes, temos nossas regras. Antes de resolver tudo, o celular não será entregue. Esses duzentos são um adiantamento. Quando tudo estiver feito, o celular será comprado.
Cai Youhai pensou um pouco e concordou. Pegou o dinheiro e perguntou: — O que vocês querem saber?
Li Damin o convidou para se sentar à mesa. Para minha surpresa, o garoto era um pequeno beberrão; só de ver a cerveja, já engolia saliva. Li Damin pediu uma caixa, deixando-o beber à vontade. Eu, ainda irritado, fiquei calado ao lado, e o tio Zhong, com seu ar de sábio, também não disse nada, apenas observava Li Damin conversar com o garoto, bebendo juntos.
Percebi que Li Damin era realmente versátil, capaz de conversar até com um moleque, e sua conversa era envolvente, deixando o garoto completamente enredado.
Depois de beber bastante, Cai Youhai, com a língua enrolada, disse: — Sobre Wang Yue, eu não sei muito, mas sei um grande segredo do meu pai.
Ele falava com dificuldade, mas seu rosto ainda era astuto. Os dois filhos de Cai Cheng eram mesmo figuras: o que foi espancado era cruel e violento, e esse, Cai Youhai, era cheio de artimanhas, com jeitão de adulto apesar da pouca idade.
— Que segredo? — perguntou Li Damin.
Cai Youhai disse: — Minha mãe fugiu faz tempo, mas meu pai tem outra mulher.
— Ter mulher é normal, deve ser alguma das senhoras da vila — respondeu Li Damin, distraído.
— Nada disso, é uma garota — disse Cai Youhai, misterioso —, da minha idade, conhecida na escola como "ônibus público". Meu pai deu dinheiro para ela, bem na casa de lenha atrás da nossa casa.
Troquei olhares com meus companheiros. Fiquei muito desconfortável, principalmente por ouvir isso de um garoto. O fato em si já era repugnante, e ao contar, Cai Youhai não mostrava nenhum receio, incompreensão ou confusão infantil. Pelo contrário, estava invejoso, quase babando.
— Você viu? — perguntou Li Damin.
— A casa de lenha fica ao lado do banheiro — respondeu Cai Youhai —, eu e meu irmão subimos no ombro um do outro, ficamos em cima do banheiro espiando...
— Chega, chega — interrompi, não suportando mais ouvir. Cai Cheng era um criminoso habitual, e ainda estava solto, o que era um verdadeiro milagre.
De repente, o tio Zhong abriu os olhos e disse: — Garoto, se você ajudar em uma coisa, além do celular, te dou também um tablet.
O rosto de Cai Youhai se iluminou, radiante, e ele apressou o tio Zhong a falar.
Tio Zhong explicou: — Hoje à noite, quando escurecer, você nos leva furtivamente para dentro de sua casa, depois nos guia até a porta do quarto do seu pai. Essa missão estará cumprida.
Cai Youhai assentiu: — Fácil. Mas vocês têm que tomar cuidado, não deixem ele perceber. Meu pai é violento, se der problema, vou me ferrar junto.
— Quando der certo, celular e tablet — reforçou tio Zhong.
— Eu confio em vocês, são boas pessoas — Cai Youhai apertou os duzentos reais com força —, depois de hoje à noite quero meu presente.
Tio Zhong assentiu: — Pode confiar.
Cai Youhai passou a tarde conosco. Eu tinha muitas dúvidas, mas não conseguia falar ao lado dele. Tio Zhong parecia tranquilo, e eu suspirei, pensando em deixar as coisas acontecerem, torcendo por um bom resultado.
À tarde, Cai Youhai nos levou ao cybercafé. Todas as despesas eram por minha conta. Lá, ele jogava com microfone, gritava, e o bar inteiro só ouvia sua voz. Alguns clientes ficaram incomodados e queriam brigar, mas tio Zhong impediu.
Tio Zhong, com seu rosto cheio de marcas e roupa preta de cetim, ao olhar era intimidador, com um ar tão feroz que ninguém ousava enfrentá-lo.
Ao nosso redor não havia ninguém sentado. Cai Youhai jogou a tarde toda. Por indicação de Li Damin, comprei um maço de cigarros para ele, e o moleque fumava melhor que eu, até fazia anéis de fumaça.
Perguntei se não seria melhor chamar o irmão dele.
— É meu irmão, Cai Youshan — disse Cai Youhai —, mas não precisa, só me agradando já está bom.
Li Damin e eu trocamos olhares. O garoto era astuto até com o próprio irmão. Se crescer assim, vai ser um tipo perigoso.
Só saímos quando anoiteceu. Eu estava exausto; além de jogar, ele me fez comprar skins, uma coleção comemorativa do Ano do Dragão, mais quinhentos reais gastos.
Depois do anoitecer, comemos algo simples. O vilarejo ficou mergulhado na escuridão. Havia poucas lâmpadas na rua, por volta das sete só se via o brilho das casas. As estradas estavam tão escuras que só quem era de lá conseguia andar sem bater nas paredes.
Cai Youhai, soluçando, nos guiou de volta. Ao chegar perto da casa, pediu que esperássemos do lado de fora enquanto ele entrava para verificar, e depois voltaria para nos chamar.
Eu, segurando a raiva, disse: — Não vai nos deixar esperando em vão, hein?
— Pode confiar — respondeu, limpando a boca —, ainda quero o celular e o tablet. — E sumiu no pátio.
A casa tinha três grandes quartos, dois iluminados. Ele, feito uma enguia, foi até a casa principal e entrou num instante.
Suspirei: — Tio Zhong, tem alguma estratégia?
— Vamos tentar — respondeu ele —, gente como Cai Cheng, ignorante e cruel, não adianta conversar. Só resta tentar outros métodos.
Ele não disse mais nada, e eu também não perguntei. Só nos restava esperar. O garoto demorou a sair, e eu pensava em dar-lhe uns tapas quando tudo terminasse, para educá-lo. Mas seu pai também não prestava.
Então, dois vultos negros saíram do pátio: Cai Youhai e Cai Youshan, irmãos. Cai Youshan nos olhou de cima a baixo, desconfiado: — Vocês vão comprar um celular para meu irmão?
Li Damin sacudiu o celular: — O pedido já está feito. Em três ou quatro dias chega.
— Eu também quero — disse Cai Youshan, feroz —, se não me derem, vou atrapalhar tudo. Ninguém vai se dar bem!
Minha cabeça quase explodiu. Olhei fixo para ele: — Isso não faz parte do acordo.
Cai Youhai, ao lado, com ar de malandro, cutucou o nariz: — Não posso fazer nada. Não sabia que meu irmão estaria em casa, então comprem para ele também. Eu já prometi.
Eu explodi, rosnando: — Prometeu o quê? Isso não existe! Está criando maus hábitos.
No escuro, os olhos de Cai Youshan brilhavam, cruel: — Não vão comprar? Então vou gritar, e meu pai mata vocês! Ninguém escapa! — E abriu a boca para gritar.