Capítulo 65: Cuide de si mesmo, Bo
Um pequeno grupo de pessoas saiu um após o outro, concluindo definitivamente o exame de artes deste ano. Os exames das disciplinas acadêmicas seriam só dali a alguns meses, então não havia motivo para ansiedade agora. Assim que passaram pela porta, todos estavam radiantes de felicidade; só pela reação dos examinadores já era possível perceber que a apresentação coletiva do grupo tinha sido um sucesso.
E todo esse mérito era de Hao Yun.
— Que tal irmos comer juntos? — sugeriu um colega, vestido com roupas elegantes, claramente de família abastada.
Hao Yun recordava vagamente que seu nome era Sajie.
— Melhor não, meus familiares vieram comigo — respondeu Ru Wenfeng, balançando a cabeça.
Embora a apresentação coletiva lhes garantisse uma boa nota, ele não tinha tido um desempenho tão bom nas outras etapas do exame, e comemorar agora parecia prematuro.
Com isso, os outros também perderam a empolgação. Se todos fossem aprovados, aí sim seria motivo de festa; quem sabe até formariam um pequeno círculo de amizade ao ingressar na Academia de Artes de Pequim. Mas com dez pessoas, se metade conseguisse passar já seria ótimo — e isso depois de um desempenho brilhante no coletivo.
— Minha mãe está me chamando. Desculpem, adorei trabalhar com vocês. Se tivermos oportunidade, eu os convido para jantar — despediu-se An Xiaoxi, a primeira a sair.
Do outro lado da rua, ao lado de uma van branca, uma mulher chamava por Xiaoxi. Usava óculos escuros e chapéu, o rosto não era visível, mas seu porte e elegância eram notáveis. Considerando a beleza de An Xiaoxi, sua mãe certamente não seria menos atraente.
Os demais também começaram a se dispersar.
A música terminou, a plateia se foi.
— Pare de olhar, a moça já está bem crescida — Huang Bo cutucou Hao Yun com o cotovelo.
Desta vez ele havia se superado, seu ânimo era outro. Mesmo que não fosse aprovado, não teria do que se lamentar. Se não passasse, paciência; dedicaria-se a aprimorar a técnica, pois até quem vem de baixo pode brilhar um dia.
Ele era especialmente grato a Hao Yun. Se não fosse por ele lhe explicar os papéis e motivá-lo, aquele desempenho jamais teria acontecido. Esse tipo de gratidão não se expressa com um simples obrigado. Não importava se Hao Yun o considerava amigo ou não, para Huang Bo essa amizade já estava selada.
— Que bobagem, eu só... — Hao Yun ia responder que estava olhando para a filha, mas logo percebeu o equívoco. A senhora era mais velha, então encará-la não seria estranho. Mas An Xiaoxi era de 1987; nesse caso, seria mais do que estranho, talvez até criminoso.
Na verdade, Hao Yun apenas se distraiu por um instante, não fixou o olhar em ninguém. Tudo não passava de um mal-entendido.
O que o distraíra, na verdade, era Huang Bo. Durante a apresentação coletiva, ao esbarrar nele, o sistema lhe indicou que havia 80 pontos de técnica interpretativa para absorver.
Ao ajudar An Xiaoxi, ele tinha conseguido 60 pontos em dança — o que fazia sentido. Mas de Huang Bo, um colega considerado "peso morto", vinha técnica interpretativa? Normalmente, só se consegue absorver de quem tem mais talento que você.
E há uma regra absoluta: só se pode absorver pontos que o outro realmente possua — observe, pontos próprios, não os que Hao Yun transferiu. Ou seja, Huang Bo tinha pelo menos 80 pontos nesse quesito.
Que ironia do destino.
Da última vez, Hao Yun tinha absorvido 90 pontos de Wang Shunliu, agora 80 de Huang Bo. Será que o verdadeiro peso morto era ele mesmo?
— Estou brincando! Eu te convido para comer, vamos? — Huang Bo riu, vendo Hao Yun meio distraído, achando que ele estava cansado demais.
— Vamos! — respondeu Hao Yun sem cerimônias.
Ele havia transferido 100 pontos de atributo para Huang Bo, e felizmente o colega era grato. Do contrário, teria sido como jogar carne para cachorro. Hao Yun não era contra fazer o bem, mas só fazia esperando retorno — de que serviria fazer o bem sem nada em troca?
A atitude de Huang Bo o fazia sentir-se à vontade. Esse era um amigo que valia a pena cultivar.
Hao Yun chamou Wu Lao Liu, Huang Bo trouxe a namorada, e foram todos a um restaurante.
A namorada de Huang Bo chamava-se Xiao Ou. O curioso era que Xiao Ou e Huang Bo se pareciam fisicamente, tinham mesmo ares de casal.
— Acho que desta vez vai dar certo. Formei dupla com Hao Yun, ele me ajudou muito e me deu o papel mais importante — Huang Bo, diante da preocupação da namorada, não poupou elogios ao amigo.
Talvez pela idade, Huang Bo tinha uma boa inteligência emocional. Enquanto outros achavam desnecessário comemorar sem o resultado, ele via o potencial de se aproximar de alguém como Hao Yun. Com o desempenho que teve, mesmo que tirasse só cem pontos na prova teórica, a Academia não o rejeitaria. E com aquela aparência, o futuro era promissor.
Xiao Ou era muito atenciosa e agradeceu a Hao Yun diversas vezes.
— O mérito é todo do Bo, ele é talentoso. Ainda falta a prova teórica, não adianta passar na prática e cair na teoria — lembrou Hao Yun.
Ele jamais transferiria pontos de inteligência para Huang Bo — nem para si mesmo tinham sobrado muitos. Cada um que cuidasse de si.
A conversa à mesa foi agradável. Hao Yun também teve a chance de conhecer as dificuldades de Huang Bo nos últimos anos. Nos primeiros tempos em Pequim, ele sobrevivia cantando nas ruas, recebendo cinquenta yuans por apresentação, morando em porões e comendo pão duro. A vida era dura.
Os amigos sugeriam que desistisse do sonho incerto, mas felizmente tinha Xiao Ou, que o apoiava incondicionalmente. Não só emocionalmente: quando Huang Bo não tinha renda, era ela que sustentava a casa. O salário dela, de oitocentos a novecentos yuans por mês, era o que mantinha ambos na capital.
Hao Yun até invejava Huang Bo por isso, mas logo pensou que tinha Wu Lao Liu como empresário, e ele era bem mais generoso. Comprava carro, pagava hotel, dava salário quando queria e, se não quisesse, também não cobrava. Até a mensalidade da Academia, Wu Lao Liu se ofereceu para adiantar, caso Hao Yun não tivesse dinheiro.
Fora dos cursos de literatura, a mensalidade da Academia de Artes de Pequim era de dez mil yuans por ano. Cursos técnicos ou de extensão, dezenove mil. Instituições de arte em geral seguiam esse padrão. Universidades públicas convencionais custavam entre cinco e seis mil, e as de excelência, três ou quatro mil por ano.
Enquanto Hao Yun e os colegas jantavam, o exame de artes da Academia também chegava ao fim. Os examinadores se reuniam para resolver as últimas pendências, principalmente divergências nas notas.
A avaliação tinha seis níveis: A, B, C, D, E, F. Se houvesse diferença de duas ou mais notas — por exemplo, um examinador dava A, outro C ou D —, era considerado divergência e o caso ia para análise especial, organizada pelo coordenador principal.
Naquele turno, o coordenador era Wang Jinsong. Os quatro examinadores que aplicaram a prova se abstinham, sendo substituídos por outros quatro, que assistiam aos vídeos das apresentações na sala de análise.
A principal divergência estava em Huang Bo. Mas ao rever o vídeo, não era necessário cortar as partes dos outros candidatos; todos podiam ser avaliados.
— Aquela é An Xiaoxi, não? De fato, tem traços delicados, uma beleza nata — comentou um dos avaliadores, descontraído, agora que o exame era menos rigoroso.
— A voz é um pouco fraca, mas tem alguma base de dança — comentou outro. Na Academia de Artes de Pequim nunca faltavam mulheres bonitas, mas nem toda turma tinha alguém tão marcante.
Logo, apareceu o vídeo de Hao Yun: "Canção de Outono", "A Espada do Portão Celestial" e o original "O Charme do Outono".
— Este deve ser o mais completo do grupo, não é à toa que se destacou em todas as etapas — comentou um avaliador curioso, que nunca tinha participado da banca.
— Não acha que a dicção dele lembra Jiang Wen? — observou outro.
O avaliador congelou, surpreso. Não era à toa que o rosto lhe parecia tão familiar.