Capítulo 0060: Casar-se no campo para colher espigas de milho
Quando a época do exame de artes estava prestes a chegar, Hao Yun foi novamente visitar Jiang Wen.
Jiang Wen estava naquele ano passando o Ano Novo na capital com os pais.
Hao Yun ligou para ele, e Jiang Wen aceitou prontamente; afinal, tinha muita simpatia por aquele jovem que, após alguns dias de aprendizado, já imitava com perfeição as técnicas de atuação.
Em pleno Ano Novo, claro que não se podia chegar de mãos vazias.
Os feijões secos ele já tinha presenteado à família Pu Shu, então comprou outros presentes e foi até lá.
Jiang Wen tinha sua própria casa na capital, provavelmente por não aguentar as constantes reclamações dos pais, pois no terceiro dia do ano já havia saído para morar sozinho.
“Você não voltou para casa?”, perguntou Jiang Wen, abrindo a porta para Hao Yun entrar.
Hao Yun sacudiu a neve do casaco, tirou o sobretudo novo do exército e, depois de trocar os sapatos, entrou na pequena e aquecida casa.
O inverno do norte, na verdade, não era tão difícil, pelo menos dentro de casa era bem quente.
“Vou fazer o exame de artes, então precisei chegar mais cedo. Não conheço muita gente por aqui, mas lembrei que o tio Jiang estaria na capital”, disse Hao Yun, aceitando o chá quente que Jiang Wen lhe ofereceu, sentindo-se agraciado com um toque de habilidade em caligrafia.
Isso não servia.
Ele não fora até Jiang Wen porque havia desenvolvido sentimentos pelo convívio, sentindo falta como se anos tivessem se passado em um dia.
O que ele queria era absorver um pouco das habilidades de interpretação.
Afinal, estava em falta disso.
E certamente precisaria dessas habilidades para o exame de amanhã.
“Ah, a propósito, saiu a brochura de divulgação do filme, dê uma olhada”, disse Jiang Wen, pegando o livreto na mesa de centro e entregando-o a Hao Yun.
Ao receber, Hao Yun viu que a primeira página era o pôster do filme.
Seu lugar não era dos mais destacados, mas sua imagem estava nítida, um tanto diferente do visual habitual. Não sabia se, depois de verem o filme, as pessoas iriam reconhecê-lo.
No comercial com Zhou Xun, o pessoal da vila o reconheceu.
Mas, fora isso, ninguém reagiu.
Afinal, ninguém assiste a um comercial repetidas vezes; no máximo, pensariam que o rapaz que aparecia ao lado de Zhou Xun era bonito ou ficariam curiosos com a cena do botão aberto.
Ao folhear o livreto, Hao Yun encontrou fotos de cena com ele e Jiang Wen, e até algumas só dele, ocupando um bom espaço.
Com closes tão nítidos, certamente seria reconhecido.
Hao Yun sentiu aquele frio na barriga de quem está prestes a se tornar famoso: se muitas garotas se declarassem, qual ele escolheria?
Ah, precisava perguntar também se estariam dispostas a ir para o campo colher milho.
“Em maio haverá o Festival de Cinema Universitário. Se você estiver na capital, venha junto, arrume um terno”, sugeriu Jiang Wen, disposto a apadrinhar Hao Yun.
“Claro! Ah, tio Jiang, você viu algum filme durante o Ano Novo?”, Hao Yun teve uma ideia.
“Vi sim”, respondeu Jiang Wen assentindo.
Falar sobre cinema era o assunto favorito de Jiang Wen; questões familiares não lhe interessavam.
“O novo filme de Ge Daye foi muito elogiado, a base dele com as falas é realmente fantástica.”
Hao Yun referia-se ao filme “O Magnata”.
Estreou em 21 de dezembro do ano passado, ficou um mês em cartaz e ainda estava em exibição.
Com pouco mais de dez dias, já havia superado a marca dos dez milhões de ingressos vendidos, facilmente batendo o recorde anterior de “Sem Fim”, e o valor já tinha ultrapassado trinta milhões.
“Eu ainda prefiro as falas dele em ‘De Parte a Parte’”, Jiang Wen discordou; que falta de tato, elogiar a fala de outro ator na presença de um.
“Com certeza. No próprio lançamento de ‘O Magnata’, Ge Daye comentou que o filme não era melhor que ‘Viver’ ou ‘De Parte a Parte’”, Hao Yun concordou.
“Tudo o que Ge You faz, eu também faço. Pena que não me deixaram atuar em ‘Viver’”, lamentou Jiang Wen.
Ele queria mais do que atuar em “Viver”; queria também um papel em “Adeus, Minha Concubina”.
“Senhor e senhora, o aluguel da família Zhang ainda não foi pago!”, Hao Yun achou que era o momento de citar uma fala de “De Parte a Parte”.
Aquilo era pura provocação.
Jiang Wen não deixaria barato, então respondeu na hora: “Isso não pode, tem que seguir o contrato, os donos de terra também não têm reservas.”
Hao Yun pegou a xícara da mão de Jiang Wen para servi-lo com chá.
[Extração bem-sucedida!
Falas +100 (utilizáveis)
Duração: 10 minutos.
Prazo de validade: 24 horas]
Ah, isso sim era uma surpresa; Hao Yun ficou satisfeito com sua manobra.
Mas, acha que parou por aí?
Claro que não.
Táticas de amador não satisfaziam alguém como Hao Yun.
“Tio Jiang, tem bebida por aqui? Eu vi uma loja de carnes cozidas na porta do condomínio, vou lá buscar alguma coisa.”
“Claro que tem, pega lá. Vamos comer e conversar.” Jiang Wen tirou cem yuan do bolso e colocou sobre a mesa.
Sabia que Hao Yun estava começando na indústria do entretenimento e ainda não ganhava dinheiro, então não queria que ele gastasse.
Hao Yun, sem cerimônia, pegou o dinheiro e desceu para comprar uma porção generosa de comida. Naqueles tempos, cem yuan tinham um poder de compra incrível: pegou dois pratos de carne, dois de legumes, um grande pacote de amendoins e flores de feijão.
Ainda sobrou dinheiro.
Comprou também um saco de ensopado fumegante.
Ao voltar, arrumou tudo na mesa, e Jiang Wen colocou duas garrafas de baijiu no centro. Pronto, o banquete estava servido.
“Acho que sua narração em ‘Dias de Sol Pleno’ enriqueceu muito o filme, tio Jiang. Minha parte favorita é aquela: ‘Eu vagueio o dia inteiro ao redor deste prédio, como um gato sobre o telhado quente de zinco’, é simplesmente perfeita.”
Hao Yun não estava bajulando; queria mesmo era ouvir Jiang Wen recitar.
“Aquela fala é meio dramática demais, haha!”
Jiang Wen, embalado pela boa conversa, logo disse: “Na gravação, a parte que mais gostei foi a do cheiro de capim queimado. Quando você era pequeno, já queimou mato seco?”
“Claro, no inverno todo lugar queimava, o chefe da vila corria atrás da gente. Tio Jiang, recite aquela fala de novo.”
“Ainda me lembro de como o cheiro de capim queimado era gostoso, mas no verão, onde encontrar mato seco?”, Jiang Wen bebeu um gole de baijiu, fechou os olhos e recitou, imerso na lembrança.
“Perfeito!”, Hao Yun também tomou um gole.
Falas +150!
Sensacional!
“Esses dias revisitei as falas de Morgan Freeman, e toda vez que leio, tem uma nuance diferente”, comentou Jiang Wen, sem precisar de incentivo. Quando o tema era esse, principalmente depois de beber um pouco, não parava mais.
“Preciso me lembrar: alguns pássaros não podem ser mantidos em gaiolas...”
Falas +120!
Mais uma para a coleção.
Hao Yun não era egoísta; as habilidades que absorvia, também as usava.
Elas só podiam ser guardadas por 24 horas.
E, para o exame, usaria no máximo uma ou duas.
O restante, para não vencer, precisava pôr em prática. Usando, seu próprio nível de interpretação melhorava.
Raro era encontrar alguém tão habilidoso em diálogos para interagir.
Por fim, Hao Yun guardou apenas três habilidades de fala.
Como Jiang Wen, animado, às vezes improvisava uma cena, Hao Yun também conseguiu absorver algumas habilidades de atuação.
No exame de artes do dia seguinte, seria fácil como tirar doce de criança.
Não pensem que ele estava tirando vantagem de novatos.
Dizem que o candidato mais jovem era de 1987, só quinze anos.
No torneio Zhi Cheng, contra crianças de sete ou oito, ele já dava tudo de si, imagine então no exame de artes.
Quinze anos já não era pouca coisa.
Rivais de peso, afinal.