Capítulo 0086: Wu Jing se torna tio-mestre
— Você? Vai lançar um EP? — Li Meng era, na verdade, uma professora muito gentil.
Muitos alunos escolhiam suas aulas de guitarra não apenas pelo estilo peculiar com que ela tocava ou pelo seu nível técnico, mas também pela personalidade afável, que contava muitos pontos a seu favor.
Mesmo assim, ela não conseguiu evitar de questionar Hao Yun.
Você acabou de dizer que começou a estudar guitarra há pouco tempo, que vai participar de uma competição para iniciantes, e agora afirma que gravou um EP? Isso é pura contradição.
— Você vai entender quando sair, te entrego uma cópia assim que estiver pronto.
Hao Yun desligou o telefone e começou a entrar em contato com Guo Degao, o diretor de produção de “Os Oito Dragões Celestes”.
Era a segunda tarefa do dia.
Ele e Guo eram velhos conhecidos. Já se encontraram nos tempos de “O Arqueiro”, quando Hao Yun ajudou a conseguir um bastão especial como lembrança.
Guo Degao era bastante influente no meio; frequentemente dirigia produções de séries de artes marciais e já trabalhava nisso há mais de dez anos, com conexões em todos os grupos e escolas de artes marciais.
Já teve contato com muitos atores formados na Escola de Esportes de Shichahai.
Foi por isso que facilitou o caminho para que Hao Yun pudesse treinar por um tempo na turma amadora.
— O que você quer aprender? — Hao Yun foi levado a um escritório, onde encontrou um senhor de idade.
Hao Yun acabou de tirar dele pouco mais de cem pontos de atributos de artes marciais.
Mas, considerando a idade avançada do homem, esse valor era prova de sua competência — seja como lutador ou como teórico.
O senhor Wu Bin era um especialista em teoria, responsável por formar várias estrelas do esporte.
Em 1986, Wu Bin deixou a equipe de artes marciais da capital para assumir um cargo no Instituto Nacional de Pesquisas de Artes Marciais; sem ele, a equipe perdeu o título nacional. Em 1993, Wu Bin voltou como técnico principal. No ano seguinte, a equipe recuperou o troféu de campeão coletivo perdido há anos.
Era realmente um mestre.
Após a candidatura bem-sucedida aos Jogos Olímpicos, Wu Bin e outros trabalharam para que as artes marciais fossem incluídas como modalidade olímpica.
Guo Degao fez a ponte com um dos alunos de Wu Bin.
Além disso, Wu Bin era o maior defensor de promover as artes marciais por meio do cinema e da televisão — talvez não fosse o melhor lutador, mas como divulgador era insuperável.
Por isso, Hao Yun, um ator sem grande destaque, teve a oportunidade de conhecê-lo.
— Professor Wu, o papel que me foi atribuído no grupo é de um especialista em técnicas de leveza. Essa técnica pode ser aprendida? — Hao Yun não era ingênuo, mas mantinha certa fascinação pelo mistério das artes tradicionais.
— Com treino, saltar mais alto ou mais longe não é problema — Wu Bin respondeu com seriedade.
Na sua idade, não se irritava facilmente com as perguntas dos jovens.
— Existe kung fu verdadeiro? — Hao Yun, vendo a disposição do mestre, decidiu saciar ainda mais sua curiosidade.
— Existe, mas não é prático. Se perder, vai parar no hospital; se vencer, vai para a cadeia. Se aprender bem demais e acabar matando alguém, é fuzilamento. E, de qualquer forma, ninguém vai te ensinar isso — Wu Bin aproximou-se e colocou uma garrafa de água mineral diante de Hao Yun.
— O senhor conhece alguém realmente poderoso? — Hao Yun insistiu.
— Conheço alguns. No Templo do Céu se aprende Chuo Jiao, Tai Chi, Baguazhang; em Niujie ensinam Tongbei Quan; em Beishatan tem um mestre de Fanzi Quan; no Jardim Ocidental há quem ensine Xingyiquan autêntico... — Wu Bin pensou um pouco e acrescentou: — Mas hoje em dia, não sei se ainda tem.
— Não tem problema, pode falar devagar, adoro ouvir histórias assim — Hao Yun estava com os olhos brilhando.
Anotou tudo cuidadosamente.
— Jovem... esse chamado mundo das artes marciais... está cheio de charlatães, muitos dos ditos mestres... nem vale a pena comentar — Wu Bin achou que Hao Yun era meio tolo.
Mas, já que o rapaz gostava de ouvir, continuou conversando, dando uma visão geral do círculo marcial da capital.
No fim, quando achava que Hao Yun ia procurar esses verdadeiros mestres para aprender, o rapaz perguntou:
— Professor Wu, se eu quiser ganhar prêmios em competições, o que devo aprender?
— Basta entrar no curso de artes marciais!
Por sorte, Wu Bin era forte e saudável, ou teria ficado furioso.
Depois de tanto papo, no fim das contas, Hao Yun só queria aprender as rotinas para competições. Pra que perguntar sobre artes marciais tradicionais, então?
Se não fosse pela idade, Wu Bin teria arrastado o rapaz para um duelo.
Bateria até a mãe dele não reconhecê-lo.
— É verdade, tantos campeões saíram desse curso. Posso aprender com o senhor? — Hao Yun, percebendo a gentileza de Wu Bin, quis se tornar um discípulo como Li Lianjie.
— Já não dou mais aulas. Se quer conquistar prêmios, procure o treinador Lu Jinming, meu aluno, especialista em duelos, bastão e punhos longos. Foi campeão nacional de duelos cinco vezes seguidas, vice-campeão de punhos longos, quarto colocado em bastão, recebeu o título de Mestre Marcial em 1985... — Wu Bin decidiu dispensar Hao Yun.
Ao conhecer Hao Yun, achou que podia ser um bom talento, útil para divulgar as artes marciais.
Afinal, o rapaz era mais bonito que Li Lianjie ou Wu Jing.
Mas descobriu que não era muito esperto.
— Obrigado, professor Wu. Onde posso encontrar o treinador Lu...? — Hao Yun aceitou a sugestão.
Wu Bin estava mesmo velho, não podia ensiná-lo.
Hao Yun não desistiu das artes marciais tradicionais, nem estava só por curiosidade.
Era um “cheat”, daqueles que buscam atributos.
Não importa com quem treinasse, bastava ganhar atributos.
Mesmo temporários, serviriam para aprender rápido e bem.
Se ganhasse prêmios, ainda receberia recompensas, talvez até manuais secretos de artes marciais.
“Flor do Girassol”, “Expulsar Demônios”...
Com um manual desses, poderia buscar novamente atributos com os mestres.
E quanto a ser enganado...
Isso não existia: ninguém enganaria Hao Yun.
Nem precisava desafiar charlatães.
Bastava absorver atributos; se não conseguisse, especialmente após várias tentativas, era quase certo que era um impostor.
Só precisava saber onde estavam os verdadeiros mestres.
Wu Bin, experiente, forneceu informações valiosas.
Hao Yun encontrou o treinador Lu Jinming e logo absorveu atributos.
Artes Marciais +180.
Isso sem que o treinador desse o máximo; já era muito acima dos outros, um bom professor.
Só era uma pena que, em questão de geração, Hao Yun ficava abaixo. Se fosse comparar com Li Lianjie, Wu Jing ou Zhen Kung Fu, teria de chamá-los de tios.
O treinador avaliou o nível de Hao Yun.
Sem usar atributos, Hao Yun demonstrou com destreza Tai Chi e a Espada da Porta Misteriosa de Taiyi.
Nestes meses, acumulou alguns pontos de artes marciais.
Ao aplicá-los, concentrou-se nessas duas técnicas. No processo, absorvia não só os pontos, mas também experiências e sensações dos mestres, o que fazia sua habilidade crescer lentamente.
Para Lu Jinming, Hao Yun mostrava um bom nível, ao menos uma base sólida.
Mas era autodidata.
Por isso, começou a ensinar fundamentos: posturas, bases do Tai Chi. Hao Yun escolheu a postura Wuji do Tai Chi, planejando buscar mais atributos com mestres dessa arte.
Como aluno amador, podia treinar a qualquer momento.
Na capital, cursos de Sanda, boxe, judô, taekwondo e luta livre custavam a partir de 3800 yuan por ano.
A Escola de Shichahai era a melhor, e Hao Yun era treinado por um técnico com título de Mestre Marcial, então três meses de aula custaram impressionantes 5000 yuan.
O grupo de produção era realmente generoso.
Mas ao saber que o cachê por “Os Oito Dragões Celestes” seria apenas dez ou vinte mil yuan, Hao Yun suspeitou que já haviam incluído o custo do treinamento.
Já que o grupo pagou, Hao Yun aproveitou ao máximo.
Sempre que podia, estava lá.
Encontrando qualquer um, até atletas, absorvia atributos.
Por exemplo, certa vez encontrou Zhang Yining, que estava ali a negócios, e, sem vergonha, fingiu ser fã para apertar sua mão.