Capítulo 0046 - O diretor não é nem um pouco profissional (Peço que continue lendo)

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 3002 palavras 2026-01-30 12:15:45

— Me acompanhe numa gravação de comercial, são só uns dez segundos em cena — pediu Xun Zhou, visivelmente satisfeita com a aparência de Hao Yun.

Nos traços do rosto, Hao Yun superava de longe Li Guanpeng. Só não sabia até que ponto...

Que absurdo! Você me pede isso na frente do seu namorado? Que tipo de enredo japonês é esse?

Ao ver o olhar de Hao Yun deslizar até Li Guanpeng, Xun Zhou entendeu na hora o motivo da hesitação e se apressou em explicar:

— É um comercial do H&S. Ele está com planos de aceitar esse tipo de trabalho, mas não convém aparecer agora.

— Entendi, sem problema pra mim — Hao Yun não era ingênuo.

“Não convém aparecer” não era nada além de Li Guanpeng querer dividir o contrato, mas a empresa não querer pagar por dois garotos-propaganda. Daí ele se recusar a participar.

Para celebridades, comerciais são o negócio mais lucrativo.

— Agradeço desde já — disse Xun Zhou, sem mencionar dinheiro. Não se sabia se queria economizar ou se planejava tratar disso depois.

Quando Hao Yun chegou ao set, esperou dois dias até gravar suas cenas.

Durante esses dias, gravaram as sequências de Xun Zhou e Li Guanpeng se recuperando dos ferimentos em um quarto secreto, sempre com as palmas das mãos unidas; caso contrário, Li Guanpeng perderia o controle.

Hao Yun achou que o diretor não era lá muito profissional.

Em que história, alguém se cura com energia interna usando roupas? Não entendem nada do que o público quer ver.

De Xun Zhou, Hao Yun não conseguiu captar muitos atributos, sinal de que ela não interpretava com o coração. Era apenas um romance patrocinado.

Já Li Guanpeng, que antes era mão de vaca, agora e então dava alguma coisa. Tinha resistência e talento.

Parece que suas habilidades em interpretar tolos cresceram muito, o domínio do papel estava perfeito.

No terceiro dia, finalmente chegou a vez de Hao Yun.

O diretor da TVB, Ju Jueliang, estava ali para salvar as gravações. Zhang Jizhong só queria rapidez: se ficou bom, aceite, sem ficar repetindo os takes.

Isso facilitava as coisas.

Em comparação com a última vez, Hao Yun já havia melhorado muito. Nem precisava mais recorrer aos atributos de atuação para se sair bem.

Meu mestre, Qiu Chuji, ao ouvir falar por acaso que Huang Yaoshi queria matar os Seis Estranhos do Sul, mandou-me alertá-los.

Virei um simples mensageiro?

Nem para figurante servia!

Cheguei então à hospedaria Qu Lingfeng, nos arredores da Vila Niu, e dei de cara com Hou Tonghai, o Dragão de Três Cabeças, espancando Lu Guanying e Cheng Yaojia.

E eu, que já queria entrar numa briga.

O Dragão de Três Cabeças ainda teve a audácia de insultar os Sete de Quanzhen — que são justamente da minha escola.

Além disso, Cheng Yaojia era minha irmã sênior. E ainda era bonita.

Sem pensar duas vezes, entrei na luta!

Nós três contra ele, Hou Tonghai logo caiu no chão.

Nos tornamos amigos e conversamos animadamente.

Enquanto conversávamos, Huang Yaoshi entrou. Achou-me jovem e arrogante, desdenhando das artes marciais da Ilha da Flor de Pêssego, então me deu uma lição e arrancou metade de um dos meus dentes.

Fiquei com a boca cheia de sangue.

Não me rendi, me recusei a ceder. Decidi ir até o fim, custasse o que custasse.

Naquele momento, ou era a minha morte, ou eu acabava aniquilado!

Não esperava que minha teimosia conquistasse o respeito de Huang Yaoshi, que poupou minha vida.

Havia ainda algumas cenas a serem gravadas, o que só aconteceria dali a alguns dias.

As principais eram duas: numa, eu assistia a luta dos Sete de Quanzhen contra Huang Yaoshi, mas por ser fraco, desmaiei logo; na outra, durante a grande batalha na Torre das Chuvas e Névoas, era apenas figurante, e então poderia considerar meu trabalho concluído.

No primeiro dia, gravei tudo isso. O diretor da TVB era realmente impressionante.

O melhor é que a qualidade ainda passava pelo crivo de Zhang Jizhong.

— Daqui a uns dias, o senhor Jin visitará a cidade cenográfica. Prepare um figurino, faça uma maquiagem caprichada e vá encontrá-lo — Zhang Jizhong não esqueceu do combinado com Hao Yun.

— O senhor Jin... — de repente, memórias esquecidas vieram à tona na mente de Hao Yun.

Quase esquecera do papel de Yun Zhonghe.

Eu já bebi com Li Lianjie, Liang Chaowei, Zhang Manyu, Zhen Gongfu, Xun Zhou, Park Shu... e você quer que eu interprete Yun Zhonghe?

Isso é demais!

Neste "O Arqueiro Heróico", faço um mensageiro — um verdadeiro exemplo de alguém que, mesmo sem fazer nada, é taxado de ladrão de prata só por aparecer.

E na próxima, você quer que eu interprete justamente o ladrão de prata.

Chega de disfarces, é isso mesmo, sou o ladrão.

— Isso mesmo, ele ficou interessado em você, quer ver pessoalmente. Se se sair bem, pode ser chamado para "O Retorno do Herói" também, caso haja um papel adequado — Zhang Jizhong já contava com Hao Yun.

Se não faz sucesso, agradeça por ainda conseguir papéis, não reclame.

— Pode confiar, professor Zhang, darei o meu melhor! — prometeu Hao Yun.

Por dentro, não dava a mínima.

"O Retorno do Herói"? Vai querer que eu interprete o Grande Escultor, o Yin Zhiping ou o Gongsun Zhi? Não é possível, Gongsun Zhi já é um ladrão de prata veterano.

Enquanto aguardava as próximas cenas e a visita do senhor Jin, Hao Yun foi levado por Xun Zhou para gravar o comercial.

Sentado na van luxuosa de Xun Zhou, Hao Yun quase babou.

Não era porque Xun Zhou usava pouca roupa, mas porque a van era absurdamente sofisticada.

Nem se comparava ao Santana.

— Você é bonito e esforçado, logo poderá comprar uma dessas — disse Xun Zhou, acendendo um cigarro sem se importar com o ambiente.

Na verdade, o maior uso da van, além do transporte, era servir de esconderijo para fumar.

— Que suas palavras sejam proféticas! — respondeu Hao Yun.

Mas, no momento, seu maior desejo não era um carro ou qualquer outra coisa, mas juntar cinquenta mil para reconstruir a casa da família, que desabara havia dez anos.

— Se quiser facilitar sua vida, posso te apresentar uma milionária — brincou Xun Zhou.

— Nem pensar, quero conquistar tudo pelo meu próprio esforço! — Hao Yun recusou prontamente.

— Vejo que ainda não apanhou o suficiente da vida para saber como é doce depender de alguém — riu Xun Zhou.

Hao Yun ignorou e tirou do bolso um livro de exercícios do terceiro ano do ensino médio.

Wu Lao Liu já o inscrevera para os exames de admissão de artes e vestibular do ano seguinte. Se tudo desse certo, em setembro do próximo ano seria universitário.

E sendo universitário, não se pode ficar para sempre às sombras de uma mulher rica!

— Serão dois comerciais. Um comigo e duas garotas, e outro só com você. O orçamento é baixo, o cachê também, não vá se incomodar — explicou Xun Zhou.

— Fique tranquila, Zhou. Se não me pagar nada, não reclamo; se me der um milhão, também não acho ruim — respondeu Hao Yun, sem tirar os olhos do livro.

Nem beldades, nem milionárias eram mais importantes que aquele exercício de matemática.

— Ora, meu cachê todo não chega a um milhão! — exclamou Xun Zhou, achando graça na resposta espirituosa do rapaz.

— Um milhão! — Hao Yun ficou boquiaberto. Não esperava que o cachê de Xun Zhou fosse tão alto, achava que só estrelas de Hong Kong e Taiwan ganhavam acima disso.

No mercado, os cachês das celebridades do continente eram muito inferiores aos dos astros de Hong Kong e Taiwan. Lá, ultrapassavam facilmente o milhão, enquanto, no continente, eram de dezenas ou, no máximo, centenas de milhares. Os que realmente passavam de um milhão eram raros, e muitos inflavam os números.

Mas naquele momento, Xun Zhou claramente não tinha motivos para mentir.

— Fico com dez mil para você, não como cachê, mas como incentivo ao seu esforço — disse Xun Zhou generosamente.

Hao Yun largou a caneta, sem conseguir continuar.

Essas milionárias realmente têm dinheiro!

A gravação foi numa mansão. Primeiro, gravaram com Xun Zhou e as outras duas garotas; Hao Yun, mesmo aparecendo por poucos segundos, foi cuidadosamente preparado.

Roupa, cabelo, maquiagem.

Quando terminou, não restava vestígio do rapaz do interior.

O estilista ainda lhe ensinou poses, e ele parecia um autêntico jovem aristocrata.

Diante disso, Xun Zhou e o diretor de criação decidiram aumentar sua participação.

Inicialmente, Hao Yun só precisava deitar na cama como figurante, Xun Zhou passaria os cabelos no rosto dele, ele sentiria o perfume, apreciaria a maciez e, então, tocaria levemente.

Agora, além disso, colocaram uma cena em que a protagonista abria os botões de sua camisa.

Deixava espaço para muita imaginação.

Antes era inocente, agora ganhava um toque de malícia.

Claro, nada exagerado, pois o comercial seria exibido em várias emissoras.

Não era exatamente sua especialidade.

Hao Yun errou várias vezes, até em comercial errava, o que era um vexame.

Acabou usando um atributo de atuação raro, o de Chen Daoming, que trazia uma nobreza natural, um desperdício para um comercial desses.

Mas o efeito foi imediato!