Capítulo 0069: Vamos ver se hoje serei atingido por uma bala

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 2631 palavras 2026-01-30 12:19:59

Em 1998, Du Qifeng dirigiu um filme estrelado por Liu Qingyun e Li Ming, que continha duas cenas de humor memoráveis.

“Mestre, já que prevê tudo com tanta precisão, adivinhe se hoje tomarei um tiro.”

Era uma referência clara ao Rei Dragão.

A ironia era profunda e impiedosa.

Esse tipo de figura, como o Rei Dragão, agia como um intermediário de contatos no mundo do entretenimento. Os astros de Hong Kong costumavam atribuir seu sucesso à intervenção do mestre, em vez de ao próprio esforço, talvez porque o mestre funcionava também como um confidente. Havia acertos, mas muitos erros também; era o conhecido viés do sobrevivente — só os acertos ganhavam fama e eram contados e recontados.

Seus conselhos para os astros eram invariavelmente: seja humilde, não se ache demais, evite escândalos amorosos, tenha bom temperamento e seja filial.

Nada disso era, afinal, de todo ruim.

Hao Yun sentia vontade de perguntar ao mestre se ainda havia esperança para ele. Conseguiria superar Liu Furong em fama? Como andava sua sorte no amor? Teria muitas esposas, muitos filhos?

Infelizmente, o clima era tão solene que ninguém ousava pronunciar-se. Hao Yun, resignado, se aproximou do Rei Dragão depois de Chen Guanxi. Quando o Rei Dragão o tocou, o sistema avisou que havia um atributo disponível para absorver.

Sorte +200!

Que coisa era essa?

Devido ao próprio nome, Hao Yun sempre fora sensível a palavras que envolviam “sorte”. Era a primeira vez que ganhava um atributo relacionado à sorte.

Por analogia, imaginou que usando aquilo sua sorte estaria nas alturas.

Por que não se chamava “sorte” simplesmente? “Impulso” não era um termo muito positivo — por poder, muitos se submetem, ou são forçados a se submeter.

Ao final do ritual, o filme foi oficialmente iniciado.

Não seria possível filmar na Tailândia, então todos tiveram de voltar pelo mesmo caminho.

Como não tinha onde guardar aquele “impulso”, Hao Yun resolveu usá-lo em si mesmo, enquanto esperava pelo voo.

Nada aconteceu de imediato.

Os vinte minutos de impulso estavam quase acabando quando...

“Diretor Du, peço mil desculpas, o chefe Lin leva este filme muito a sério, investiu vinte milhões, e, sim, vai dar prejuízo, só esperamos perder menos. Se falta gente, é só chamar, desde que seja bonito. Diretor Du, não brinque, você mesmo pediu para eu não aparecer bonito... Um rebelde não serve, já trabalhou para Zhang Yimou, é irmão do Wei... Não complique, ainda é um garoto, o boné azul pode...”

Ali perto, Liu Furong parecia ao telefone.

Diretor Du...

Seria mesmo Du Qifeng?

O único filme que rendeu a Liu Furong o prêmio de melhor ator no Oscar de Hong Kong, “Duelo Sombrio”, foi dirigido por Du Qifeng.

Du Qifeng, junto de Wei Jiahui e You Naihai, fundou em 1996 a Galáxia Imagem, o mais brilhante selo do cinema de Hong Kong.

“Lucky!” Liu Furong desligou o telefone e veio sentar-se ao lado de Hao Yun.

“Irmão Furong, pode me chamar só de Hao Yun”, Hao Yun se inclinou respeitosamente antes de sentar.

Era inevitável: desde que chegara ali, todos insistiam em dar-lhe nomes em inglês.

Ele não pretendia adotar um nome estrangeiro. E, mesmo se quisesse, definitivamente não queria ser chamado de “Lucky”; sua professora de inglês já havia dito que, no exterior, esse nome era mais comum entre meninas ou animais de estimação.

Dez cachorros, oito se chamavam Lucky.

Mas ninguém dava importância à sua opinião, ele protestava e continuavam a chamá-lo assim.

“Hao Yun, vou te chamar de Yunzi, eles me chamam de Rongzi.” Para surpresa de Hao Yun, Liu Furong respeitou sinceramente sua opinião.

“Obrigado, irmão Furong!”

De verdade, Hao Yun ficou surpreso.

Quem era Liu Furong? E quem era ele? Só de sentar ao lado dele, Hao Yun já sentia que deveria ocupar apenas um terço da cadeira, por respeito.

Claro, Hao Yun era um outsider e nunca pensou em entrar de verdade para o círculo de Hong Kong.

Por isso, pouco se importava.

“Agora há pouco, Du Qifeng me ligou pedindo gente para atuar. Indiquei você para um papel de policial de boné azul, não é muito grande, mas exige boa aparência, seria o rosto bonito do grupo. Tem interesse?”

Policial de boné azul era o nome dado à unidade tática da polícia de Hong Kong, encarregada de lidar com emergências e proteger a população.

Seria esse o sentido dos +200 de sorte?

Foi um misto de surpresa e decepção: a surpresa porque a sorte realmente parecia funcionar, sem saber se era ciência ou misticismo; a decepção era simples: +200 de sorte, e tudo que conseguiu foi um papel menor de policial de boné azul.

Ainda assim, Hao Yun não tinha motivo para recusar. Ele estava participando de “Os Infiltrados” — não, agora era “Conexão Interna”, novo nome escolhido pelo Rei Dragão — também como um coadjuvante de poucas cenas.

Ter poucas cenas não significava terminar logo.

Ninguém adaptaria o cronograma só para ele. Quando precisassem, ele teria que estar lá.

Não havia como gravar uma cena e voltar para o continente, esperando ser chamado de novo. Não tinha tempo, nem dinheiro para tantas viagens.

Portanto, era melhor aceitar mais trabalho.

“Obrigado, irmão Furong. Só não sei se os horários vão bater.”

É claro, em Hong Kong eram muito flexíveis quanto a fazer vários projetos ao mesmo tempo.

Liu Furong, em 1991, atuou em treze filmes — o apelido dele era “Liu Treze”.

Mas esse nem era o recorde. Em 1989, fez dezessete em um ano.

Naqueles tempos, o cinema de Hong Kong vendia em todo o mundo, rios de dinheiro entravam, pedidos se acumulavam para anos à frente, e a indústria girava sem parar. Era comum trabalhar em vários filmes de uma vez, virou até regra do setor.

Como Hong Kong é pequena, era fácil se deslocar. Desde que houvesse organização, ninguém se importava se você atuasse em três, quatro filmes ao mesmo tempo.

E a qualidade?

Muitos clássicos nasceram desse ritmo. Um bom filme é bom, mesmo feito às pressas. Um ruim, por mais cuidado que receba, segue ruim.

É como fezes presas no intestino: quanto mais tempo seguras, mais fedidas ao sair.

“Não se preocupe com conflitos de agenda. Suas cenas aqui são quase todas de dia, as de lá, à noite. Só que o cachê não é alto. ‘PTU’ tem só quatro milhões de orçamento...”, Liu Furong, experiente, explicou.

“O cachê não importa, desde que dê para o táxi.” Hao Yun aceitou de pronto.

Era um projeto trazido pela sorte, improvável que fosse uma bomba. Ainda que o papel não brilhasse, valia a experiência.

“Com certeza cobre. Depois te explico direitinho, só me passa seu e-mail, eles te mandam os detalhes, e ao voltar você confirma para assinar contrato.”

Liu Furong era atencioso.

O mais raro: não se colocou como astro diante de Hao Yun.

“Te arrumei um papel, não faça feio, vai logo, representa bem, não me decepcione.” Mas dito de outra forma, tudo soava diferente.

Além disso, Hao Yun ouvira a ligação.

O que aconteceu: Du Qifeng pediu a Liu Furong que atuasse. Ele recusou para se dedicar a “Conexão Interna”.

Metade dos vinte milhões de Lin Jianyao eram por confiança nele, a responsabilidade pesava.

Du Qifeng não ficou satisfeito, reclamou dos novos tempos, dizendo que até para arranjar atores estava difícil.

Liu Furong então resolveu ajudar, e, iluminado, viu Hao Yun, garantindo-lhe um papel.

No começo, Du Qifeng queria dar-lhe um papel de rebelde, mas Liu Furong preferiu policial de boné azul.

Que consideração!