Capítulo 0049: Segundo protagonista masculino? Sexto irmão, você está se achando demais!

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 2875 palavras 2026-01-30 12:16:38

Ao abrir, viu que o número começava com 00852.

Hao Yun ficou um pouco confuso. Que código de área era esse? Mas, sendo alguém do meio do entretenimento, sempre atendia ligações. Vai que era um aviso de teste para um papel. No máximo, ficaria só um pouco chateado com o custo da ligação.

“Alô, aqui é Hao Yun, com quem falo?”

“Você fala cantonês? Então vou ser breve. Aqui é Shen Qiongmin, produtora executiva do projeto ‘O Infiltrado’. Tem um papel que combina muito com você...”

Do outro lado da linha, uma mulher falava em cantonês. Sorte que Hao Yun, nos bastidores de “Herói” e “O Atirador do Arco”, já havia aprendido muito do idioma e aproveitava para praticar sempre que podia. Agora, ouvir e falar não era mais problema.

“Precisa de teste?” Hao Yun perguntou, animado.

Era a primeira vez que alguém o convidava diretamente para um teste. Todo o esforço de tirar fotos e pedir para Wu Lao Liu enviá-las aos estúdios finalmente dava algum resultado.

“Não precisa. O papel é pequeno, o cachê é de doze mil dólares de Hong Kong. As filmagens começam em 14 de março. O ideal é que você chegue dois ou três dias antes. Algum problema?” O tom do outro lado era impessoal, evidente que não estavam avisando só Hao Yun.

“Tudo certo”, respondeu ele sem hesitar.

Difícil ser um golpe, pensou. Viajaria até Hong Kong só para ser enganado? Será que iam vender seus órgãos?

“Vou mandar o endereço e contato por mensagem. Prazer em trabalhar com você.”

Antes que Hao Yun pudesse responder, a ligação foi encerrada abruptamente.

Que decisão rápida! Nem se conheciam ainda.

Quem seria o grande nome por trás desse convite?

“O Infiltrado”, 14 de março.

Hao Yun ficou atônito. As informações eram poucas. Esperou um pouco e recebeu uma mensagem.

Agora sim, havia mais detalhes. Não só o nome do projeto, mas também os dos diretores: Liu Weiqiang e Mai Zhaohui.

Liu Weiqiang, ele sabia, era um grande diretor do cinema de Hong Kong, autor da série “Os Sedutores” e do filme “O Destino dos Heróis”.

Mai Zhaohui também não era estranho, por causa de Wu Zhenyu, Hao Yun já tinha assistido “Amor e Honestidade”, do diretor.

Mas ele nunca tivera contato com nenhum dos dois.

Ou seja, alguém havia o recomendado.

Das pessoas que conhecia em Hong Kong... Liang Chaowei, Zhang Manyu, Zhen Gongfu, talvez, mas nenhum deles teria motivo para recomendar um figurante como ele.

Hao Yun ligou para Wu Lao Liu e contou o ocorrido.

Wu Lao Liu também não fazia ideia. Ele realmente havia enviado o material de Hao Yun para vários estúdios, mas era quase um jogo de sorte. Mandou dezenas de vezes, mas só quatro ou cinco resultaram em convites para testes, e dois deles nem deram em nada.

Além disso, nunca enviou nada para Hong Kong. O mercado cinematográfico de lá estava em crise, mas os profissionais ainda se achavam superiores e raramente contratavam atores da China continental, quanto mais um figurante sem nenhum filme lançado como Hao Yun.

“Quando termina de gravar ‘O Atirador do Arco’?” perguntou Wu Lao Liu.

“Já terminei. Hoje vejo o Sr. Jin e em breve volto para Hengdian”, respondeu Hao Yun, sem intenção de permanecer mais ali. A produção da série, se não era descuidada, também estava longe de ser meticulosa. Trabalhava-se o dia inteiro, mas não havia muito que ganhar.

“Não volta para Hengdian, vai direto para a capital. Tem um projeto lá procurando um segundo protagonista masculino...” Wu Lao Liu era incansável, nunca desistia.

Dessa vez ele queria um papel de segundo protagonista. Hao Yun, apesar do reconhecimento inesperado do cinema de Hong Kong (?), não achava que conseguiria um papel tão grande.

O medo era crescer demais e não ter mais onde buscar oportunidades.

Se fosse o segundo protagonista e o primeiro não tivesse talento, de onde tiraria experiência para crescer?

“O investimento é de uns dois ou três milhões, o cachê é só dois mil. Não é nada demais, conheço o assistente de direção, não posso garantir, mas há uma boa chance. Quer tentar?” Wu Lao Liu não tinha trabalhado em vão.

As maiores receitas de Hao Yun vieram de um casamento em que cantou e do programa “Só Você”, ambos conseguidos por Wu Lao Liu.

“Vou, ainda mais que tenho um concurso de guitarra no Ano Novo. Se não houver conflito de datas, vou tentar ganhar um prêmio...” Hao Yun concordou.

Desligou e esperou pacientemente ser chamado para ver o Sr. Jin.

E esperou uma ou duas horas. Quando o Sr. Jin vinha visitar o set, todos os rituais tinham de ser cumpridos. Chegavam até a enviar crianças carregando bandeiras coloridas para recebê-lo.

Assistiu a algumas cenas das gravações de “O Atirador do Arco” e, só então, o Sr. Jin parou para descansar.

Foi nesse momento que Ju Jueliang lembrou Zhang Jizhong de que ainda havia um Yun Zhonghe esperando para mostrar seu trabalho ao Sr. Jin. Finalmente, avisaram Hao Yun.

Ele não ficou muito nervoso.

Alguns meninos do interior chegavam tímidos, inseguros, com medo de tudo.

Hao Yun era diferente, não temia nada nem ninguém.

Ainda mais agora, com o sistema como trunfo, não havia motivo para temer um velho.

“Venha se apresentar”, chamou Zhang Jizhong.

Os gestos e expressões de Hao Yun já estavam ensaiados. Seguiu o protocolo: “Boa tarde, Sr. Jin. Eu me chamo Hao Yun.”

Vestia-se de preto, com feições marcantes e elegantes.

Só que seus olhos traziam um quê de irreverência e descuido, o que prejudicava um pouco sua imagem.

O Sr. Jin o observou por um momento e perguntou: “Quantos anos você tem?”

“Fiz dezenove há pouco tempo, já posso dizer que tenho vinte.” Por ter crescido no campo, Hao Yun não tinha a pele delicada, e seus traços eram fortes e bonitos, o que fazia parecer mais velho do que realmente era.

“A aparência é boa, até daria para fazer o Duan Yu”, riu o Sr. Jin. Ele não conhecia Hao Yun, mas também conhecia poucos artistas. Achou que fosse mais um dos ídolos que surgiram nos últimos anos.

“Já temos alguém para Duan Yu”, Zhang Jizhong apressou-se a dizer. “Quero tentar algo diferente com o personagem Yun Zhonghe.”

Zhang, de fato, tinha talento, mas o que se destacava mesmo era sua habilidade de autopromoção. Se para o papel de Huang Yaoshi ele precisava de alguém como Tang Guoqiang, como deixaria um desconhecido como Hao Yun interpretar Duan Yu? Nem se Hao Yun fosse seu próprio filho.

“Faça uma cena. Senhorita Qin Qin, pode ajudá-lo? Improvisem juntos”, sugeriu o Sr. Jin. Ele tinha certa influência, mas não total autonomia.

A parceria com a China continental era seu objetivo. Zhang Jizhong era o indicado pela Huashi para assumir seus projetos. Vender direitos autorais por um preço simbólico era apenas estratégia para entrar no mercado continental.

Zhang Jizhong o deixava opinar por cortesia, e ele precisava retribuir da mesma forma.

Se o personagem Yun Zhonghe era uma referência ao primo dele, ou se achava que Hao Yun era bonito demais para o papel, nada disso importava diante dos negócios.

Além do mais, tantos anos se passaram. O primo já era pó, e ele mal se lembrava do rosto dele. Sua própria vida estava se apagando aos poucos. Ficar ressentido não fazia sentido.

Hao Yun e Jiang Qinqin se olharam, ambos um tanto constrangidos.

Havia muita gente ali, inclusive fotógrafos.

Mas, sendo profissionais, logo se prepararam. Jiang Qinqin, caracterizada como Mu Nianci, se colocou pronta para a cena de provocação de Yun Zhonghe.

Hao Yun já tinha pensado sobre Yun Zhonghe, ou sobre vilões de seu tipo: o que eles realmente queriam? Apenas possuir?

Com sua habilidade, era dos melhores em levesa e furto, riquezas de famílias nobres não lhe faltavam. Com dinheiro, poderia se divertir em casas de música, rodeado de belas mulheres, até mesmo cortesãs de alto nível.

Habilidade invejável, roubo exímio, charme irresistível...

Parece familiar, não? Sim, igual ao famoso Chu Liuxiang, o Príncipe dos Ladrões.

Ser sedutor é melhor que ser vulgar.

Portanto, Yun Zhonghe buscava mais que posse: ele queria...

Emoção!