Capítulo 81: Senti tanto a sua falta que chorei sozinho

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 2990 palavras 2026-01-30 12:21:30

Assim, Hao Yun começou a conversar animadamente com eles. Mas apenas conversar não bastava. Era preciso ganhar dinheiro, era preciso coletar atributos.

“Agradeço a todos por terem esclarecido tantas dúvidas sobre o vestibular. Agora vou cantar para vocês ‘Pássaro Voador’, do irmãozinho Qi.” Hao Yun, de forma indireta, lembrava-os do sistema de gorjetas.

“Você pode cantar ‘Sinfonia de Outono’? Não se acha a versão completa na internet.”

Quem já ouvira Hao Yun cantar sabia que ele dominava essa canção, cuja versão completa era impossível de encontrar online, e ainda a interpretava com grande emoção. Quase toda vez que ele aparecia, a cantava — já se tornara sua marca registrada.

“Desculpem, nunca lancei um single, por isso é normal não encontrarem. Depois peço a um amigo para gravar uma versão.” Hao Yun não planejava ser cantor; no momento, a popularidade era essencial para ele.

Aumentando a notoriedade, haveria chances de conseguir papéis melhores, contratos de publicidade, e, assim, transformar fama em dinheiro de verdade.

Hao Yun não queria apenas construir uma casa para a família — havia despesas grandes pela frente.

Primeiro, precisava pagar salário ao velho Wu: mil por mês, um valor fixo que não podia falhar. O velho Wu já investira muito tempo e dinheiro; não era justo abusar de sua boa fé.

Não podia simplesmente chegar e dizer: “Velho Wu, agora estou na escola, não preciso de empresário, você está demitido.”

Segundo, havia os custos de transporte. Seguindo a carreira de ator enquanto estudava, nem toda produção cobria deslocamentos diários, especialmente indo e vindo entre a escola e os sets.

Terceiro, as despesas com os estudos: dez mil por ano de mensalidade, novecentos de alojamento, e, numa escola de artes, comer também não era barato.

Além disso, havia a vida social — tudo era motivo para gastar.

“‘Sinfonia de Outono’ é sua essa música?” Parecia haver mesmo estudantes apaixonados por ela.

“Sim, compus junto com Pu Shu e Zhang Yadong.” Hao Yun respondia com naturalidade, mas cada gesto seu era cuidadosamente calculado.

“Em Busca da Arma Perdida”, “Sinfonia de Outono”, vestibular — tudo se entrelaçava para formar a imagem de um jovem talentoso, sonhador e determinado.

“Podemos gravar um demo completo?”

Algum estudante já preparava o gravador.

“Claro, só talvez a qualidade não fique das melhores. Vou contar até três, e começamos.” Hao Yun preparou seus melhores atributos de execução e técnica vocal, para que a gravação ficasse realmente boa.

Essa canção seria regravada por outros mais cedo ou mais tarde.

Se você é um compositor e não faz sucesso com sua própria música, mas uma versão cover explode de popularidade, nada é mais frustrante.

“Prontos!”

Eram todos estudantes da Universidade Shuimu, afinal.

Alguns tinham a mesma idade de Hao Yun, outros um ou dois anos a mais, mas no fim todos eram jovens.

“Três, dois, um, já!” Antes de cantar, Hao Yun fez uma breve introdução: “A próxima música, ‘Sinfonia de Outono’, surgiu no outono de 2001. Não é uma criação só minha — contei com a ajuda dos meus amigos Pu Shu e Zhang Yadong. Agora dedico a todos que gostam de me ouvir cantar...”

Era como carimbar o nome e se amparar na autoridade dos famosos.

Pu Shu, Zhang Yadong — quem ousasse criticar sua música precisava pensar duas vezes.

Desde que fora reconhecido, Hao Yun aumentou muito suas chances de coletar atributos na porta da universidade; mais gente vinha vê-lo, muitos dispostos a ajudá-lo com dúvidas sobre o vestibular.

Esses atributos eram realmente preciosos.

Vocabulário, gramática, redação, interpretação de texto, matemática, ciências humanas...

E o dinheiro também aumentou.

O brilho de um astro de cinema vale muito mais do que a vida de um músico de rua.

Afinal, ele atuara no novo filme de Jiang Wen.

Hao Yun normalmente cantava duas horas na Bei Da, duas na Shuimu, quatro horas ao todo, cerca de dez músicas por dia, faturando cem a duzentos yuan diariamente.

Já ganhava mais do que Huang Bo quando cantava em bares.

Até havia estudantes de outras universidades indo escutá-lo.

Como Hao Yun não bloqueava entradas nem fazia barulho, e ainda promovia “debates acadêmicos” entre as canções, ninguém da faculdade o incomodava.

A gravação do single já estava em pauta.

“Ainda bem que você me ligou ontem, senão eu teria ido para Pengcheng.” Zhang Yadong apareceu diante de Hao Yun tragando um cigarro.

“O que foi fazer lá? Brigou com a namorada?” Hao Yun preocupou-se.

Sabia que a namorada de Zhang Yadong, Gao Yuanyuan, ainda estava na capital. Teriam terminado? Ele voltaria para o sul?

Não era falta de qualidades do amigo, mas ele arranjara uma bela companheira.

“Não, não foi isso.” Zhang Yadong guiou Hao Yun para dentro, explicando: “É por conta da campanha contra pirataria, tem um evento lá na semana que vem. Aqui, seu serviço termina em meio dia.”

“Esse estúdio deve ser caríssimo, irmão Dong, você me conhece, estou quase passando fome.” Desde que entrara, as pernas de Hao Yun tremiam.

Era um dos melhores estúdios da capital.

Só queria gravar uma música simples, podia ter ido a um estúdiozinho de bairro, não precisava desse luxo.

“Não precisa pagar nada, Xu Wei está gravando aqui hoje, vamos aproveitar a estrutura deles...” Zhang Yadong sorriu.

Ele mesmo produziu o primeiro álbum de Xu Wei, que, mesmo sem divulgação, vendeu quinhentas mil cópias.

“Caramba, Xu Wei!” Hao Yun ficou boquiaberto.

A emoção de encontrar Xu Wei superava qualquer coisa.

Xu Wei e Pu Shu eram seus ídolos.

Xu Wei já preparava o novo álbum; o de Pu Shu, ninguém sabia quando sairia, e a última música dele fora um single encomendado pela Microsoft.

“Comporte-se.” Zhang Yadong advertiu com um sorriso.

Xu Wei estava gravando. Zhang Yadong levou Hao Yun até a sala de escuta e esperaram em silêncio no enorme sofá, sem interromper o trabalho.

Pelos alto-falantes, ouvia-se o som mais puro.

No coração, aquele mundo livre era tão límpido e vasto, florescendo eternamente a flor de lótus azul...

Radiante, brilhante!

O estilo parecia diferente do Xu Wei de antes.

Hao Yun esperava algo solitário e melancólico, afinal, esse sempre fora o tom do cantor.

Em 1999, gravando seu segundo disco, “Naquele Ano”, Xu Wei afundou numa grave depressão: “Todo dia lutava com dez mil pensamentos de suicídio e precisava de dez mil e um para superá-los.”

Após o fracasso do disco, Xu Wei voltou a Xi’an decidido a largar a música.

Mas desapegar não era fácil.

Agora, ao voltar, seu estilo mudara radicalmente.

Dava vontade de largar tudo e partir para longe, abraçar o verdadeiro espírito de liberdade.

Hao Yun quase teve vontade de vender a casa e partir pelo mundo, não fosse a discordância de Jiang Wen, o dono do imóvel.

Quando a música terminou, Hao Yun permaneceu atordoado, só voltando à realidade quando Xu Wei saiu do estúdio para cumprimentar Zhang Yadong.

O círculo musical era pequeno, quase todos se conheciam.

“Esse é meu amigo, Hao Yun.”

“Então você é o Xu Wei...”

“Gosto muito da sua música.” Hao Yun já estava calmo.

Afinal, quem o apresentava era Zhang Yadong, produtor renomado; demonstrar nervosismo seria perder prestígio.

Pelo que percebera, Xu Wei estava bem melhor do que as reportagens do ano anterior sugeriam.

“Obrigado!” Em um ano, Xu Wei exercitara o corpo, estudara psicologia, budismo, cultura tradicional, visitara o memorial de Xuanzang...

Finalmente, deixara de lado a obsessão de se tornar Cui Jian, disposto a ser apenas uma pessoa comum.

Após oito anos de “ilusões persistentes”, assinara com a EMI e preparava com afinco o terceiro álbum.

“Este é Li Yanliang, depois pegue o número dele. Se tiver dúvidas sobre guitarra, pode perguntar sem medo.” Zhang Yadong apresentou.

“Com esse rosto, você podia escolher qualquer profissão, mas resolveu entrar na música, deve ser loucura.” Li Yanliang olhou Hao Yun, balançou a cabeça e suspirou.

Já vira muitos sonhadores da música.

Muitos eram apaixonados, poucos realmente felizes.

“Estou só brincando.” Hao Yun sorriu tímido.

Por dentro, estava animado: acabara de coletar trezentos pontos de atributo de execução desse homem — a maior contribuição do dia.

Um verdadeiro mestre!

Li Yanliang vinha da banda Overdrive, considerado o maior guitarrista da China.

Além disso, era cantor e produtor musical.

Sua ex-namorada era Han Hong, e a música “Encontro Passageiro” fora escrita para ele. Ela cantava: “Sinto sua falta, sinto tanto que choro sozinha” — só nunca entendeu por que acabou gostando de mulheres.