Capítulo 0072: Eu só quero provar que sou extraordinário

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 3249 palavras 2026-01-30 12:20:19

Nesta cena, os dois tinham movimentos de câmera idênticos: ambos seguravam as plaquinhas de identificação, sendo fotografados pela polícia de diferentes ângulos para arquivo. Hao Yun vinha se preparando para esse momento havia muito tempo. Chegou a pensar em não usar os atributos, confiando apenas no próprio talento para atuar. Porém, hoje havia tanta gente assistindo, todos curiosos para saber o quanto ele realmente se parecia com Liang Chaowei. Afinal, Hao Yun era apenas um jovem de vinte anos. Nos últimos dias, ele, vindo do interior, estava em Hong Kong, um lugar estranho, onde frequentemente sentia pequenas discriminações e dificuldades. Felizmente, sua força interior e mente singular o sustentavam; do contrário, já teria sucumbido à saudade e ao desânimo.

Agora, diante de uma chance de provar seu valor, ele não hesitou em aplicar em si mesmo 120 pontos dos atributos de Liang Chaowei, mergulhando rapidamente no personagem e imitando deliberadamente o astro. Sim, era imitação. Não esperava acertar de primeira, queria apenas mostrar a todos o que significava realmente ser semelhante. Não era apenas parecido, era praticamente idêntico!

“Lá vem ele!” Liang Chaowei apoiou a testa na mão, tomado por uma sensação de pesadelo que voltava a invadir sua memória. Vejam só! Esse é, sem dúvida, meu fã número um. Mas, antes, devido ao ângulo e distância no estacionamento subterrâneo, não tinha enxergado com tanta clareza quanto agora. Suspeitava que acabaria tendo pesadelos: um dia, esse rapaz tomaria seu lugar, gastaria seu dinheiro, dormiria com sua esposa e amantes...

“Como pode ser tão parecido? No dia a dia, não se percebe”, murmurou Mai Zhaohui. Ele costumava ver Hao Yun trabalhando no set, com muitas oportunidades de vê-lo ao lado de Liang Chaowei, e, a seu ver, não havia semelhança alguma. “Não é só imitação, captou mesmo a essência do Wei”, comentou Liu Furong, um tanto atônito. Embora Liang Chaowei fosse, de fato, um ator excepcional, com mais prêmios que ele, em termos de fãs, Liu Furong tinha confiança de que podia superá-lo facilmente—seus seguidores eram dez vezes mais numerosos. Mas de que adiantava? Os fãs de Liang Chaowei já estavam imitando seu ídolo até os ossos, enquanto os seus ainda só elogiavam sua beleza. O nível era outro.

O jovem Chen Yongren entrou na delegacia, detido pelo jovem Liu Jianming, interpretado por Chen Guanxi. Ao ver Hao Yun atuar, Chen Guanxi também se desconcertou. Isso era poderoso demais. “Você está deixando o nível tão alto, como vou desempenhar meu papel de Liu Jianming?” Pensava que, inevitavelmente, seriam comparados. Ele, um prodígio, acabaria virando mero coadjuvante.

“Espere... não pode!” Só agora Liu Weiqiang recuperou a voz, pigarreando antes de dizer: “Lucky... digo, Yun, você atuou muito parecido, mas lembro que conversamos sobre isso: o Chen Yongren jovem e o de meia-idade certamente são diferentes.” Liu Weiqiang até queria guardar esse take, seria um chamariz e tanto para o público, mas sua devoção ao cinema não o permitia.

“Entendo, estou pronto, vamos refazer”, respondeu Hao Yun, satisfeito por ter alcançado seu objetivo—até Liu Weiqiang deixara de chamá-lo de Lucky. Isso sim era respeito de verdade. Só quando você se torna forte é que eles te respeitam do fundo do coração. Caso contrário, você é só um peixinho pequeno.

De volta diante da régua de altura, Hao Yun assumiu um novo estado de espírito. Ainda era possível ver rastros de Liang Chaowei, mas agora havia muito mais ingenuidade. No olhar, brilhavam teimosia, rebeldia e uma energia juvenil sem fim.

“Ok, próxima cena, Edison, Edison! Por que está parado aí?” Liu Weiqiang mal conseguia se conter para não dar um tapa no colega. Olhe para Hao Yun!

Chen Guanxi, ao filmar, achava-se já muito bom como ator, até melhor que muitos no set, por isso nunca se dedicava de verdade nas cenas. Além disso, gostava de sair à noite, voltando tarde ou simplesmente nem voltando, sempre com cara de quem não dormiu.

“Podemos começar, estou pronto”, disse Chen Guanxi, acenando com a cabeça. Ao gravar, logo agarrou o dedo de Hao Yun para colher as impressões digitais e o empurrou para a régua de altura. Era a primeira vez que contracenavam de verdade, disputando atuação. “Eu, Chen Guanxi, vou mostrar quem é o verdadeiro talento aqui!”

“Corta! Por que está fazendo tanta força?” Liu Weiqiang quase pulou para dar um tapa em Chen Guanxi.

“Não fiz força! Yun, doeu seu dedo?” Chen Guanxi protestou, dizendo que queria apenas competir na atuação e jamais machucaria Hao Yun durante as gravações.

“Não doeu!” Hao Yun sorriu.

“Falo da sua atuação, está forçando demais. Relaxe, essa parte não precisa de tanto esforço, Liu Jianming é um sujeito contido”, explicou Liu Weiqiang, meio rindo, meio chorando. Todo mundo percebia a postura competitiva de Chen Guanxi, mas já no primeiro confronto ficou claro quem era superior. Hao Yun estava muito mais relaxado.

“Ah...” Chen Guanxi perdeu o ânimo.

No filme “Entre o Inferno e o Crime”, as cenas de Hao Yun eram bem espaçadas—num dia de dez horas, no máximo meia hora era de gravação, o resto era espera. Só as cenas em que ele, no papel de bandido, cometia crimes levaram quase três dias para serem concluídas. Durante o dia, interpretava um marginal; à noite, era policial no set de “PTU”. Com dois projetos simultâneos, quase não lhe sobrava tempo para estudar. Mas havia muitos atributos para aproveitar nos dois lados, a maioria relacionada à atuação, mas, de vez em quando, também de canto—Liu Furong sabia cantar, e as convidadas Xiao Yaxuan, Chen Huilin e Zheng Xiuwen eram todas cantoras profissionais.

Além disso, haviam atributos de direção, tiro, fotografia, roteiro, inglês... tudo o que se podia imaginar. Especialmente o inglês, que era ótimo para decorar vocabulário e gramática para vestibulares.

Xiao Yaxuan, Chen Huilin e Zheng Xiuwen não contracenavam com Hao Yun; não eram frias com ele, mas tampouco calorosas. A diferença de status era grande demais. Xiao Yaxuan dominava o cenário musical daquele ano com “O Grande Irmão Porco do Amor”. Chen Huilin já havia consolidado sua posição de cantora de primeira linha com o sucesso “Caderno de Anotações”, produzido por Xiao Gang e Zhou Chuanxiong.

Zheng Xiuwen, tanto no cinema quanto na música, mantinha as duas carreiras, firmando um estilo único de hits dançantes ao reinterpretar canções de Li Zhenxian. E Hao Yun... quem diabos sabia quem era Hao Yun, ainda mais sendo do continente.

No final de março, muita coisa aconteceu em Hong Kong. Xie Tingfeng, dirigindo sua Ferrari F360 Modena preta, sofreu um acidente na Rua Hongmian, em Admiralty. As autoridades suspeitavam de armação para encobrir o real responsável e corrupção, repassando o caso para a Comissão Anticorrupção. Já Chen Guanxi foi envolvido no “caso do pacote postal”: o correio o notificou sobre uma encomenda, e Guan Hai, ao abrir, encontrou fios de seda, suspeitando que fosse droga. Por falta de provas, o caso foi arquivado.

Em abril, Hao Yun já estava lá havia mais de quinze dias, com o visto vencido—o pessoal do filme tratou de renovar para ele. Depois de mais de dez noites de filmagem em “PTU”, chegou a maior cena do longa: duas equipes da unidade policial tática, uma equipe da divisão de crimes graves, o ator de olhos arregalados que já interpretara Huo Yuanjia, o careca que perdera o filho, além de uma gangue de assaltantes... Diversos grupos se enfrentavam sob o outdoor da modelo Zhu Yin de biquíni, numa troca de tiros com o típico estilo de Du Qifeng. Toda a tensão acumulada se libertou naquele instante.

A arma de Hao Yun era um revólver cenográfico. Claro, era falso, mas muito realista. Às vezes, filmes de Hong Kong até usam armas de verdade, pois o custo não é alto e empresas especializadas cuidam disso. Só que, nessas ocasiões, não se coloca pólvora nas balas—fica só a cápsula, que produz faíscas ao disparar, mas sem o poder de uma bala real. Mesmo assim, pode machucar. Por isso, atores sempre trabalham com instrutores especializados em cena de tiros.

A arma de Hao Yun era cenográfica—sendo um rapaz do interior, não podiam confiar uma de verdade a ele. Pena que não podia levar consigo; não importa se era real ou falsa, jamais passaria pela segurança do aeroporto. No entanto, Hao Yun conseguiu pegar um casaco de chuva do “PTU” como lembrança. Du Qifeng não dificultou, já que a equipe tinha vários desses, sem valor.

Depois da grande cena, gravaram mais algumas pequenas sequências à noite e “PTU” encerrou as filmagens. O filme deveria ter sido rodado em 2000, foi retomado em 2001 e só agora, após mais de vinte dias, ficou pronto. Pelo que Hao Yun sentiu, pelo menos não seria um filme ruim.

Vários tipos interessantes passaram pelo set. Havia um gordo que, de dia, era dono de uma loja de discos em “Entre o Inferno e o Crime” e, à noite, virava capanga do careca em “PTU”. Ainda mais curioso era Zheng Baorui—diretor, mas desta vez interpretava um informante da divisão de crimes graves. Só que, nesse papel, parecia não ser muito leal: sua principal cena era apanhar e ser forçado a engolir água mineral durante o interrogatório. Um papel bem sofrido.

O problema é que esse sujeito se parecia um pouco com Deng Chao. Quando Hao Yun o viu pela primeira vez, quase pensou que Deng Chao também tivesse vindo a Hong Kong tentar a sorte como ator.