Capítulo 0025 Você Realmente Escreve um Diário

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 2537 palavras 2026-01-30 12:12:42

Sejam rumores ou experiências próprias, Hao Yun registrava todas essas histórias interessantes na forma de um diário.

Em determinado dia, a cadeira de diretor, símbolo da posição de Lu Xuan, foi arremessada ao chão por Jiang Wen. Quebrou-se em pedaços, assim como o coração de Lu Xuan, pisoteado sem piedade. Lu Xuan começou a arrumar as malas, parecia decidido a voltar para Gao Lao Zhuang. Naquela tarde, Jiang Wen comprou uma cadeira nova para Lu Xuan e conseguiu acalmá-lo com sucesso. A velha cadeira, testemunha do conflito, foi consertada por mim. Meu avô era ferreiro e, de vez em quando, também consertava móveis comuns do campo.

Com a cadeira nova, e ainda por cima um presente de Jiang Wen, Lu Xuan já não queria saber da antiga, mesmo que fosse um presente do pai, Lu Tianming, para a direção de seu primeiro filme, custando alguns milhares de yuans e comprada havia poucos dias. Estava decidido a não querer mais. Um verdadeiro apaixonado, com certa inclinação para o sofrimento.

Jiang Wen decidiu então dar a cadeira para mim. Assim, no dia 13 de setembro, finalmente ganhei uma cadeira só minha. Faltava exatamente um mês para meu aniversário de dezenove anos.

Em outro dia, percebi que Jiang Wen falava com Ning Jing num tom bem mais baixo do que com os outros. Seria só porque eles já dormiram juntos no passado? Que desprezível. Mas não havia sinais de reaproximação entre eles. Ning Jing foi embora logo após gravar as duas cenas dela; precisava ir filmar "O Segredo da Imperatriz Xiaozhuang".

Outro dia, Jiang Wen e Wu Yujun gravaram uma cena romântica. A antiga beldade Yuan Ziyi agora se tornara uma senhora, e era impossível não lamentar o passar do tempo.

Outro dia, Han Sanping chegou.

Hao Yun não começou a escrever diário ontem. Só que, quando chegou à Cidade dos Estúdios de Hengdian, dividia o quarto com sete ou oito pessoas, sem condições de registrar nada. Seria até vergonhoso se alguém descobrisse que ele escrevia um diário. Por exemplo, nos dias em que dividiu a cama com Jiang Wen, este ficou estupefato ao descobrir o hábito de Hao Yun. Chegou a dizer: "Gente séria não escreve diário." O que uma coisa tem a ver com a outra? Será que você quer que eu te arranque os cabelos?

Hao Yun não ligava e continuava firme em seu diário. Mesmo que não escrevesse diariamente, pelo menos um resumo semanal era sagrado. Registrava ali, inclusive, muitas reflexões sobre atuação. Mais vale uma caneta gasta do que uma memória afiada, ainda mais que sua memória não era das melhores. Rever os próprios pensamentos também é um ótimo método de aprendizado.

Assim como estava escrito no diário de Hao Yun, Han Sanping chegou. Cruzou milhares de quilômetros só para prestigiar Jiang Wen e ainda fez uma ponta como policial. Han Sanping e Jiang Wen eram amigos de longa data, a ponto de Jiang Wen poder mandar nele. “Me traz aquilo ali.” Jiang Wen nem levantava a cabeça. “Ah, é isto aqui?”, respondia Han Sanping, cuja reação física sempre era mais rápida que o pensamento. Para ele, só existia Jiang Wen; o diretor Lu Xuan era solenemente ignorado, e todas as tentativas de conversa de Lu Xuan eram tratadas com desdém. Essa indiferença deixava Lu Xuan ainda mais ressentido. No entanto, ele sabia que, se reclamasse de Jiang Wen para Han Sanping, não era Jiang Wen que seria trocado, mas sim o diretor.

Lu Xuan já não tinha mais papel relevante na equipe. Se nem ele era levado a sério, Hao Yun tampouco queria se aproximar. No dia seguinte à partida de Han Sanping, finalmente chegou a vez de Hao Yun gravar suas cenas. O maquiador trabalhou por duas horas em seu belo rosto, diminuindo seu charme em setenta por cento. Ele interpretava um ladrão que, ao tentar furtar uma bolsa, era descoberto por Ma Shan. Ma Shan subia numa bicicleta e o perseguia. Desesperado, o ladrão sacava uma arma e atirava em Ma Shan, mas a arma era de mentira, decepcionando Ma Shan.

"Entendeu bem o roteiro e as falas?", perguntou Jiang Wen, que só selecionava atores de primeira linha. Hao Yun era o único novato. Zhang Xianchun, que cuidava do elenco junto com Lu Xuan, inicialmente planejava dar a ele um papel insignificante. Mas, depois de conhecer Hao Yun, percebeu que era um verdadeiro fã seu, não do tipo que só bajula, mas alguém que realmente estudou sua técnica de atuação, imitando com perfeição, a ponto de Jiang Wen quase cogitar aceitá-lo como discípulo. Não chegou a esse ponto, mas acabou concedendo a Hao Yun o papel importante do ladrão. Se interpretasse bem, poderia até ganhar algum prêmio de revelação.

“Entendi tudo”, assentiu Hao Yun. Não era excesso de confiança: já estava no set havia mais de quinze dias e participara ativamente das revisões do roteiro com Jiang Wen. Conhecia não só suas falas, mas as dos outros também. A perseguição ao ladrão era, na verdade, fruto da imaginação de Ma Shan. O roteiro trazia dois detalhes reveladores: uma bicicleta que aparecia do nada e Ma Shan correndo o tempo todo sem perder o fôlego. Nada disso fazia sentido; até com a esposa, ele mal conseguia terminar sem ficar ofegante. Por que Ma Shan imaginaria um ladrão?

Porque Jiang Wen nunca perdeu a arma; ele só queria se convencer disso. Sua segunda personalidade encontrou uma pistola de brinquedo nas mãos do ladrão imaginário...

“Sabe andar de bicicleta? Precisa treinar?”, perguntou o responsável pelos adereços, já que os dois teriam que pedalar atrás do carro de filmagem em breve. “Quase posso voar numa bicicleta”, Hao Yun respondeu, fazendo um gesto de OK. Ele ia e voltava pedalando para a escola, tanto no ensino fundamental quanto no médio; nos dias frios, colocava as mãos nos bolsos e pedalava sem nem tocar no guidão. Se caísse, bastava apoiar as duas longas pernas e já estava salvo.

“Preparar, gravando!”, gritou Lu Xuan. Após o claquete do assistente de câmera, Hao Yun partiu pedalando. Maldito Lu Xuan, sempre usando inglês, o que deixava Hao Yun nervoso, já que nem tinha passado no exame de inglês nível quatro.

Hao Yun vinha acumulando pontos de atuação. Além dos acumulados no certificado de ator convidado, tinha muitos outros prontos para uso, e sempre renovava os que estavam para expirar. Depois de mais de dez dias de gravação, só agora tinha sua chance de brilhar. Era preciso dar tudo de si.

Só que, nas cenas de perseguição, atuação não era tão necessária. A primeira tomada era Hao Yun pedalando com tudo, de costas para a câmera, enquanto vozes gritavam "peguem o ladrão". Claro, só se ouvia, porque não havia ninguém de fato. O filme tinha pouquíssimos personagens, exigência e estilo de Jiang Wen.

“Corta, precisa ser mais solto; você é um ladrão sendo perseguido”, comentou Lu Xuan. Ele ainda era, pelo menos no nome, o diretor, e sabia lidar com cenas simples. Hao Yun voltou rapidamente ao ponto inicial e, na segunda tentativa, conseguiu entregar a cena que Jiang Wen queria. Depois, seguiram filmando as perseguições em diferentes trechos da rua.

Para quem cresceu pedalando, e ainda aprendeu a cavalgar nas estepes, esse tipo de cena era fácil. No primeiro dia, gravaram muitas tomadas. No segundo, continuaram. Agora, a dificuldade aumentava: havia closes e mais diálogos.

“Não está bom, falta algo!”, disse Jiang Wen, rejeitando a cena que Lu Xuan já tinha aprovado. Hao Yun admirava Lu Xuan; como conseguia aguentar tantas humilhações de Jiang Wen sem perder a paciência? Foram treze tomadas seguidas sem passar de uma manhã inteira.