Capítulo 0058: Aparição na Televisão (Peça por votos de recomendação)
— Ora, ora, não é o Yun Yun? Yun Yun voltou!
Com esse chamado, todos se aproximaram alguns passos, bem a tempo de ver Hao Yun sentado no banco do passageiro.
— Tia Yanrong, minha tia, tio Delin...
Hao Yun não teve escolha a não ser descer do carro e cumprimentar todo mundo, com um saco de sementes de girassol numa mão e um maço de cigarros na outra, sorrindo largamente.
Vocês são todos mais velhos, por favor, tenham piedade de mim, lembrem que ainda sou só uma criança.
— Yun Yun, ficou rico onde?
— Só estava trabalhando fora — Hao Yun ativou o modo defensivo.
— Trabalhar dá pra andar de carro? E parece até de marca estrangeira...
— Esse é meu patrão, ele só estava passando pelo caminho! — Hao Yun não ousava dizer que era patrão do Wu Lao Liu.
Se não, iam espalhar que ele estava roubando fios de eletricidade em Shandong.
— Yun Yun, quanto dinheiro você trouxe pra sua mãe? — O desejo de fofoca de todos ardia forte, e era sempre de primeira mão.
— Acabei de me formar, tô só aprendendo a técnica com o mestre, ainda não ganhei dinheiro.
Ele conhecia muito bem o jeito dessas mulheres. Antigamente, quando sentava com a avó na entrada da vila, passava horas só ouvindo, mesmo sem falar nada, achava tudo interessantíssimo.
— Yun Yun, a Dona Wang do vilarejo de trás quer te apresentar uma moça!
— Não, não, eu só tenho dezenove anos — Hao Yun tremia, Wu Lao Liu, você me matou.
Agora querem me apresentar alguém, daqui a pouco a vila inteira vai saber, e ainda vão dizer que fui eu quem não quis.
— Yun Yun, ainda quer ser famoso, virar estrela? Hahaha!
Agora todo mundo caiu na risada. Não havia maldade, mas achavam engraçado demais.
Hao Yun ficou pelo menos dez minutos parado fora do carro.
Depois de trocar cumprimentos, finalmente entrou no carro para seguir até sua casa, no lado oeste da vila.
Ele não fazia ideia do que iam inventar sobre ele.
Mas também não se importava.
Se nem as sementes de girassol e os cigarros calassem aquelas mulheres, que falassem à vontade.
Afinal, no ano seguinte Hao Yun faria sua estreia oficial.
Aí, sim, seria o maior assunto da vila.
Com tanta movimentação, sua mãe já espreitava da porta com uma tigela nas mãos. Não ousava se aproximar, pois, se fosse até lá, Hao Yun nem voltaria pra casa naquele dia.
Assim que desceu do carro, a mãe largou a tigela e foi ajudá-lo com as malas.
O pai também apareceu, atraído pelo barulho.
Ele não estava bem de saúde, e parecia ainda mais magro após tantos meses.
Wu Lao Liu cumprimentou chamando-os de tio e tia.
Ao saber que Wu Lao Liu viera dirigindo desde a capital, por mais de dez horas, o pai de Hao Yun insistiu para que ele entrasse, comesse e descansasse.
— Claro, aceito uma tigela de mingau.
Wu Lao Liu não fez cerimônia; ele e Hao Yun agora eram parceiros, não mais simples patrão e empregado.
Só não deixou a mãe de Hao Yun matar um frango para o almoço.
Durante a refeição, Hao Yun não contou que os dois estavam tentando a sorte no mundo do entretenimento.
Sem resultados concretos, seria tachado de sonhador, e todos o aconselhariam a ser mais realista.
Wu Lao Liu tomou uma tigela de mingau, comeu dois pãezinhos com feijão fermentado, observando o lugar onde Hao Yun crescera, tomado de emoção.
Ele já havia perguntado a Hao Yun sobre seus sonhos. Hao Yun não disse que queria ser famoso, mas que queria construir uma casa para a família.
Agora Wu Lao Liu entendia.
— Em no máximo dois anos, você vai conseguir construir uma casa para eles. Eu que não pensei direito, devia ter te emprestado o dinheiro primeiro para construir a casa, e não para comprar o carro — disse Wu Lao Liu, fumando no quintal de Hao Yun.
A casa era como um pequeno quadrado rural, mas faltava a ala principal.
Do muro baixo, dava para ver as casas das famílias ao fundo, como se a casa não tivesse rosto.
— Que nada, irmão Liu. O carro é nosso cartão de visitas fora daqui, precisamos mesmo de um. Na verdade, eu já poderia construir agora, tenho mais de trinta mil guardados, mas queria fazer uma casa boa, de dois andares — não é tanto para morar, mas para que meus pais sejam respeitados.
Conversaram um pouco mais, até que Wu Lao Liu partiu de carro.
Xuzhou não ficava longe, em poucas horas ele chegaria, e também sentia saudades de casa.
Depois do divórcio, os pais de Wu Lao Liu carregavam grande pressão, quase não conseguiam encarar os vizinhos.
Agora, chegando de carro, varreria todos os boatos.
Hao Yun passou o resto do ano estudando em casa, visitando alguns parentes.
Seus pais apoiavam totalmente a ideia de ele ir para a universidade, prometendo vender tudo para ajudá-lo.
Com isso, os planos de casamento que a mãe tanto pressionava ficaram suspensos.
Mas ainda se preocupavam com algumas atitudes do filho, como no primeiro dia, quando Hao Yun tirou cinco mil em dinheiro da bolsa e deu para eles, dizendo que era fruto do trabalho do semestre, que o negócio ia bem.
Mais estranho ainda era o fato de ele ter um celular.
Ninguém na vila tinha um.
Ele também mandou instalar um telefone fixo em casa, dizendo que assim poderia ligar mais fácil quando estivesse fora.
Trazia vários presentes da cidade.
Visitando parentes, era sempre generoso, principalmente com quem ajudara sua família em tempos difíceis.
Aquele Ano Novo trouxe muitas mudanças para casa.
Hao Yun planejava passar um feriado tranquilo; depois, partiria para a capital para o exame artístico e, em seguida, para Hong Kong gravar “O Infiltrado”.
No entanto, nem tudo sai como se espera.
— Toc, toc, toc!
As batidas na porta, misturadas à gritaria, deixaram a família confusa durante o almoço, sem saber o que estava acontecendo.
Ao abrirem, viram o tio e a tia.
O tio não era irmão de sangue do pai de Hao Yun, apenas um parente próximo — quase todas as famílias do vilarejo tinham o mesmo sobrenome, Hao, e eram de algum modo aparentados.
Depois que o pai de Hao Yun adoecera gravemente, sem poder trabalhar e precisando de remédios constantes, todos os parentes ajudaram como podiam, tanto com dinheiro quanto com trabalho.
Na época da colheita, muitos largavam suas próprias tarefas para ajudar a família de Hao Yun a recolher os grãos.
Até o dinheiro para a escola de Hao Yun vinha de pequenas doações de todos.
— Yun Yun, te vi na televisão agora há pouco, tenho certeza que era você. Seu tio dizia que eu estava enxergando mal — exclamou a tia, com a voz tão alta que quase dava vontade de tapar os ouvidos.
Naquela região, “tio” era chamado de “tio velho”, e “tia” de “tia velha”.
— Yun Yun não é tão branco daquele jeito — retrucou o tio.
— Mas ele está bem mais claro do que antes.
O casal vivia discutindo por qualquer motivo, grande ou pequeno.
— Era eu — Hao Yun teve que admitir.
Os dois iam começar a discutir de novo, mas a resposta os surpreendeu.
— Yun Yun, era mesmo você na televisão? — A tia, antes confiante, ao ouvir a confirmação, ficou em dúvida.
— Só fiz um comercial para alguém — respondeu Hao Yun, sereno.
Esse tipo de coisa não dá para esconder; se até a tia reconheceu, o resto do vilarejo também.
Naqueles tempos, os comerciais eram onipresentes, passavam o dia todo, em todos os canais, interrompendo as novelas pelo menos quatro vezes por episódio.
Logo, todos saberiam.
— Então, o trabalho com seu patrão era fazer comerciais? — A mãe de Hao Yun também se mostrou surpresa.
Ela já havia perguntado a Wu Lao Liu que tipo de serviço o filho fazia.
Wu Lao Liu dissera que ele vendia produtos, fazia qualquer coisa que desse dinheiro, e talvez esse tal comercial fosse parte do serviço.
— Sim, só por aquele comercial, pagaram dez mil.
Hao Yun sabia que não devia ostentar, mas também não podia esconder tudo — afinal, não queria que os pais continuassem vivendo na pobreza.
— Dez mil... — Todos ficaram sem palavras.
E, como esperado, naquela mesma noite já apareceram pessoas perguntando. No dia seguinte, véspera do Ano Novo, a notícia já tinha se espalhado pela vila: Hao Yun aparecera na televisão.
Gravara um comercial com uma bela atriz.
Diziam que a estrela, sem vergonha nenhuma, abria o botão da camisa de Hao Yun, o que despertava inveja em todos.
Naquele Ano Novo, todos em Haojiazhuang, de todas as idades, ficaram viciados no comercial.
Antes, interromper a novela para passar propaganda era motivo de raiva; agora, todos esperavam ansiosos pelo intervalo, só para ver Hao Yun no comercial.