Capítulo 0057: O Posto de Informações na Entrada da Aldeia
— Seis, o que é isso?
Hao Yun, com a mochila às costas, tinha acabado de chegar em frente à pousada quando viu Wu Lao Seis, de óculos escuros, encostado de forma extravagante num carro prateado.
Há milhares de técnicas para conquistar mulheres, metade passa por ser romântico e ousado.
Com aquela pose, Wu Lao Seis conseguia certamente fazer qualquer moça que passasse se desmanchar.
— É um carro — respondeu Wu Lao Seis, girando e abrindo a porta.
— De onde saiu esse carro, Seis? Temos que ir embora, não dá mais pra sair por aí se exibindo. Se era pra pegar emprestado, devia ter feito isso antes — disse Hao Yun, já que estavam planejando voltar para casa naquele dia, com tudo pronto.
— Não conseguimos comprar as passagens, você sabe como é nessa época, com a volta para casa no Ano Novo.
— O quê, então não vamos mais hoje? — Hao Yun ficou pasmo. Faltavam ainda vinte dias para o Ano Novo, como assim não havia mais passagens?
— Por isso comprei um carro — Wu Lao Seis completou calmamente, como se fosse a coisa mais lógica do mundo.
Essa ostentação merecia nota máxima.
— Caramba, é sério isso? Você ficou maluco, Seis?
Hao Yun, que já ia entrando no carro, parou de repente. Deixou a mochila no chão e deu uma volta ao redor do veículo, quase sem acreditar no que via.
Era um Mazda, com um design interessante, mas os pneus meio gastos denunciavam que não era novo.
Comprado?
Como se fosse comprar repolho na feira.
— Mazda Fumeilai 323. Novo era impossível, então peguei um antigo, mas só tem dois ou três anos de uso. Gastei cem mil, e ainda me ajudaram a colocar uma placa — Jing A17888, tudo auspicioso, só coisa boa — explicou Wu Lao Seis.
— De tudo, você tinha que escolher um Mazda? Não tem medo de ficar preso no trânsito? — Hao Yun passava a mão no carro, examinando tudo.
O carro de Wu Lao Seis era, na prática, como se fosse seu também.
Ele nem reclamou do amigo ter comprado o carro sem avisar, seria muita ingratidão.
Sobre o trânsito...
Em 1997, Leung Ka Fai e Lau Fook Wing fizeram um filme chamado “Ouro Negro”.
Dito isso, quem concorda? Quem discorda?
Um momento clássico.
Como fã incondicional de Wah Jai, Hao Yun não queria admitir, mas no filme Lau Fook Wing foi completamente ofuscado por Leung Ka Fai, que brilhou de forma esmagadora.
E, numa negociação com rivais, Leung Ka Fai ironizou: “Nós andamos de Mercedes e Rolls-Royce. Você de Mazda, não me espanta ficar preso no trânsito.” Essa frase virou um clássico, jogando a reputação da marca no chão.
Wu Lao Seis pagou cem mil no carro, mas Leung Ka Fai, pelo menos, teria dado um desconto de trinta e três mil.
— Bem, como a marca está manchada, tive que investir na placa — admitiu Wu Lao Seis, resignado.
Só tinha decidido comprar o carro dias antes.
Se queria seguir no mundo do entretenimento, mais cedo ou mais tarde precisaria de um carro.
Por isso, pediu a um antigo conhecido que procurasse um Santana ou um Jetta usados.
Mas nenhum dos carros que viu o agradou.
No fim, deu de cara com esse Mazda, quase novo, com pouca quilometragem e em ótimo estado.
Um clássico dos sedãs médios, e ainda por cima o modelo mais completo.
O visual era ao mesmo tempo elegante e esportivo, bonito, mas com presença. O interior superava todas as expectativas de Wu Lao Seis.
Além do motor original 1.84, vinha com vidros e travas elétricas, bancos de couro e tudo mais.
Bem melhor do que os Jettas e Santanas de vidro manual.
Só que passou do orçamento.
Depois do divórcio, as economias de Wu Lao Seis já tinham quase ido embora nestes meses.
Sustentar Hao Yun era mais caro do que sustentar a ex-mulher.
— Vamos de carro para casa? — perguntou Hao Yun, já começando a entulhar as coisas no porta-malas.
Voltar triunfante?
Levar dois ou três mil para casa não contava como triunfo.
Tinha que ser de Mazda.
— Você tem carteira de motorista? — perguntou Wu Lao Seis.
— Ainda não... — Hao Yun até já tinha pago as aulas em Hengdian, mas não teve tempo de começar.
— Então por que está querendo ir pro volante? Desce daí! — Wu Lao Seis empurrou Hao Yun para o banco do carona, assumiu a direção e ligou o carro. Ele já tinha carteira há tempos e alguma experiência ao volante.
— Seis, esse carro conta como meu. Quando eu tiver dinheiro, te pago.
Hao Yun, mesmo confuso com tanto mimo do “presidente” Seis, sabia que comprar um carro era responsabilidade dele.
— A gente vê isso depois. Se não arrumarmos trabalho antes do Ano Novo, ano que vem temos que continuar tentando. Quem sabe não damos uma virada — disse Wu Lao Seis, dirigindo.
— Vai ser melhor que esse ano, com certeza. O filme “Em Busca da Arma” estreia em maio, e vou atuar com Jiang Wen.
Trabalhar com Jiang Wen, impossível não ganhar destaque.
— Maio ainda está longe — Wu Lao Seis também estava animado com a estreia do filme de Hao Yun.
O problema era que esses trabalhos eram só coadjuvantes.
O verdadeiro sucesso era como Chen Kun, que já estreou como protagonista em “Como Névoa, Como Chuva, Como Vento”, ou Huang Da’an em “O Amor Não É um Jogo”, também começando como principal.
Nesses casos, alguém importante te ajudava.
Escolhia um roteiro de destaque, e todos te lançavam no estrelato.
Assim, em pouco tempo, um desconhecido virava ator de segunda ou terceira linha, e bastava emplacar mais um ou dois trabalhos para virar estrela de primeira.
— Ah, lembrei, no Ano Novo vou aparecer num comercial, só não sei se vou aparecer no vídeo — Hao Yun comentou, ainda não tinha recebido, mas Zhou Xun prometeu pagar antes do feriado.
— Você conseguiu um comercial? — Wu Lao Seis não acreditou.
— Foi para Zhou Xun, ela pagou dez mil, mas acho que foi por pena de mim — Hao Yun já sabia que modelos ganhavam só uns poucos milhares.
— Ela é mesmo leal — Wu Lao Seis reconheceu.
Sempre aconselhou Hao Yun a não se aproximar demais de Zhou Xun, mas admitia que talvez fosse estreito demais — ninguém é perfeito, ainda mais nesse mundo do entretenimento.
— Na próxima esquina, vire à esquerda e depois já pegamos a estrada — orientou Hao Yun.
Ele consultava o atlas, guiando Wu Lao Seis. Naquela época, dirigir era com mapa de papel.
Em novembro de 2000, a autoestrada entre a capital e Xangai foi inaugurada, elevando a malha rodoviária da China para 16.000 km, terceira maior do mundo.
Hao Yun e Wu Lao Seis pegaram a via expressa Jinghu até LY.
Depois, saíram para a estrada nacional e logo entraram em Su Bei.
Mas Wu Lao Seis precisou dar uma volta para deixar Hao Yun em Huaibei, depois seguir para Xuzhou.
Ao amanhecer, sob a luz alaranjada do sol, o sedã prateado entrou naquela aldeia pacata.
A aldeia da família Hao era pequena, três fileiras de casas. Do leste ao oeste, atravessava-se com o prato na mão e a comida ainda quente.
Comer em casa era impossível.
Tinha que sair.
Uns levavam bancos, outros pegavam um tijolo.
Na entrada do vilarejo havia uma mercearia.
Debaixo do muro dessa casa, fora do período de colheita, um grupo de pessoas se reunia.
Vestidas de modo simples, mestres do disfarce, pareciam inofensivas, mas passavam o dia inteiro a fofocar sobre a vida alheia, sobre as noras que não lavam o rosto.
Até os cachorros precisavam de coragem para passar ali.
A chegada do carro chamou atenção de todos.
Hao Yun se encolheu no banco:
— Não para, vai embora!
Ele não queria ser alvo de olhares. Conversar com elas era impossível; você fala uma coisa, elas entendem outra.
E não podia sair antes delas, senão viraria tema da próxima fofoca.
Em poucas palavras, acabavam com sua reputação.
O primo de Hao Yun, filho do tio mais velho, era meio vadio, ficou anos sem voltar e logo disseram que tinha sido condenado a dez anos.
A tia entrou em pânico — assim não arranja esposa nunca.
Mandou o filho ir e voltar dez vezes do leste ao oeste da aldeia, achando que isso acabaria com os boatos.
Mas logo correram rumores de que ele foi libertado por bom comportamento.
Não podia ficar em casa para sempre, tinha que sair para trabalhar, aí disseram que ele tinha sido preso de novo.
Quando Hao Yun estava na escola, aquelas velhas não mexiam com ele, mas agora, já adulto, não haveria escapatória.
Nem pensava em descer para cumprimentar ninguém.
No entanto...
— Seis, o que você está fazendo! — Hao Yun viu, desesperado, a janela do carro baixar, expondo-o diante de todos.
— Não adianta fugir do destino, mais cedo ou mais tarde você vai ter que encarar.