Capítulo 0035 — Você Está Me Humilhando

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 3054 palavras 2026-01-30 12:13:54

— Você estudou canto profissionalmente? — perguntou Zhou Xun, curiosa.

Ela gostava de rapazes bonitos, especialmente daqueles com um ar artístico. Hao Yun encaixava-se perfeitamente nesse perfil. Mesmo que agora estivesse flertando com Li Guanpeng, isso não a impedia de seguir seus impulsos.

A expressão de Chen Kun, porém, era um tanto complexa. Alguns dias antes, quando Hao Yun fora cantar no karaokê com o grupo, ele não cantara tão bem assim. Ainda assim, não chegava a considerá-lo alguém calculista. Para se destacar no meio artístico, ingenuidade não servia para muita coisa.

— Aprendi tudo sozinho: teoria musical, canto... Recentemente, tenho tido aulas de violão com um professor indicado pela produção — respondeu Hao Yun.

Seu nível de violão já havia evoluído de “Brilha, Brilha Estrelinha” e “Duas Tigres” para músicas como “Desejo” e “Infância”. Agora conseguia tocar “Infância” fluentemente. Principalmente porque não parava de extrair tudo o que podia do professor. A cada vez que absorvia um pouco mais das habilidades dele, sentia sua técnica melhorar em pouco tempo, além de compreender a experiência e a visão do professor no próprio ato de tocar. Em poucos dias, já demonstrava bons resultados.

Com o aprendizado do violão, Hao Yun percebeu que era melhor não estudar sozinho. Ter um professor não só oferecia ensino formal, como também permitia “aproveitar” ao máximo a experiência alheia — até que o professor ficasse sem mais nada para ensinar, e ele aprendesse tudo.

Enquanto conversavam, alguém colocou uma flor diante de Hao Yun e, sem trocar palavras, voltou ao seu lugar.

Mas que situação era aquela? Estaria num bar para o público LGBTQ? Quem dera, pois quem lhe dera a flor fora um homem. Hao Yun quase perdeu o sorriso.

Socorro...

— Vinte yuan por flor, pode trocá-las com o dono do bar — explicou alguém. Logo, mais pessoas compraram flores ao dono e vieram oferecê-las a Hao Yun.

— Ah, entendi... Quando canto em bares em Hengdian, o público dá gorjeta direto — comentou ele, percebendo que aquilo era dinheiro.

Imediatamente, sentiu-se menos nervoso e agradeceu com alegria a cada pessoa que lhe entregava uma flor.

Num piscar de olhos, já havia recebido seis flores frescas.

Se um dia fosse visitar conhecidos em Tóquio e precisasse de um nome japonês, poderia se chamar Grande Escultura das Seis Flores.

— Então você também já cantou em bar, não me admira ser tão à vontade no palco.

— Sou apenas um amador. Era num bar pequeno, o dono era tão pobre que não podia pagar por músicos profissionais — respondeu Hao Yun, modesto.

Aproveitou para entender por que estavam lhe dando flores. Descobriu que não era exatamente por cantar bem, mas porque Pu Shu, embora presente naquela noite, não estava no clima para subir ao palco — e, para ele, isso já era motivo suficiente. Hao Yun cantou “Aquelas Flores”, de Pu Shu, e sua performance foi tão fiel ao estilo do cantor que caiu no gosto do público.

Visto que o motivo era Pu Shu, Hao Yun apressou-se em entregar as flores ao próprio. Pu Shu olhou para as flores com expressão inalterável, tão absorto que nem percebeu o cigarro quase queimando a mão.

“Você está me insultando...”

— Não importa quem recebeu as flores, depois é só levá-las ao caixa — Zhou Xun interveio, descontraída, encerrando o constrangimento.

Assim, nem Hao Yun, nem Pu Shu, tiveram mais qualquer objeção.

Depois de algum tempo, foi a vez de Zhou Xun subir ao palco. Cantou uma canção de sua autoria, “Vento Errante”, cuja letra dizia: “Você não estava nos meus planos, bagunçou o compasso tranquilo da minha vida...”

Muitas pessoas lhe ofereceram flores, e Hao Yun também retirou uma de suas seis para presenteá-la.

— Já ganhei o suficiente para pagar as bebidas de hoje — disse Zhou Xun, juntando as flores que recebeu às de Hao Yun, antes de acender outro cigarro. Ofereceu um a Hao Yun, mas ele recusou.

— Você nem fuma, quer mesmo ser cantor? — brincou ela.

Ela já tinha contrato com uma gravadora, mas isso não a impedia de fumar um cigarro atrás do outro. Pu Shu, também músico, não largava o cigarro.

— Na verdade, sou ator... — respondeu Hao Yun, inocente. Cantava apenas para se sustentar, assim como Zhou Xun fizera no início.

O ambiente agora era melhor do que na época em que Zhou Xun cantava em bares. Ganhava mais dinheiro, e ninguém mais tentava apalpar-lhe o traseiro.

— Ele atuou em “A Escultura” — comentou Chen Kun.

Zhou Xun ficou surpresa:

— Em qual versão?

— Na mesma que você está gravando agora, são do mesmo elenco. Hao Yun, qual é o seu papel? — perguntou Chen Kun.

— Yin Zhiping! — respondeu Hao Yun, quase querendo chorar. Se um dia fizesse sucesso, provavelmente aquilo seria seu “passado negro”.

Zhou Xun ficou sem palavras. Não chegaria ao ponto de perguntar, com ares de diva, por que não interpretara Guo Jing ou Yang Kang.

— Na nossa nova série, ele vive meu amigo de infância com problemas mentais — suspirou Chen Kun. Hao Yun realmente era digno de compaixão.

Seu início de carreira não fora tão sofrido quanto o de Hao Yun. E o rapaz ainda tinha boa aparência, à altura da de Chen Kun. Sua atuação também não era ruim, e Chen Kun percebia isso nas cenas que dividiam. É fácil interpretar um personagem normal; difícil é dar vida a um personagem com transtornos mentais.

— Suas oportunidades são mesmo escassas. Devia se juntar a uma empresa — sugeriu Zhou Xun. Ela mesma viera do mercado independente, mas depois de entrar numa companhia, seus recursos ultrapassaram rapidamente os da maioria das estrelas de primeira linha.

— Tenho um amigo que é empresário, e ele acha melhor esperarmos até ter mais trabalhos no currículo, assim podemos negociar um contrato melhor com alguma empresa — explicou Hao Yun. Ele e Wu Lao Liu já haviam discutido isso várias vezes, inclusive enviado currículos a algumas agências.

As grandes empresas nem responderam; as pequenas ofereciam condições muito rígidas. Concluíram que o melhor era esperar, ao menos até que “A Escultura” e “Em Busca da Arma” fossem ao ar. Talvez, nessa altura, nem precisassem se candidatar: as empresas é que viriam atrás.

É como procurar emprego: se você se candidata, só oferecem o salário mínimo para iniciantes. Mas se um headhunter te procura, tudo muda.

Hao Yun evitou beber muito. No meio artístico, era sempre melhor agir com cautela. Vai que acordava com o traseiro dolorido...

Depois de concluir as cenas com Chen Kun, restavam-lhe apenas três: uma em que já estava recuperado, outra em que ambos apanhavam de delinquentes, e uma em que tocava violão numa lembrança do personagem de Chen Kun.

No entanto, com o retorno de Lin Xinru, suas cenas foram adiadas.

Quem tem pouco prestígio só pode esperar. Em situações absurdas, pode-se gravar uma cena no início das filmagens e outra só quase no encerramento. Só resta esperar — e estar sempre disponível.

Nesse meio-tempo, Wu Lao Liu levou Hao Yun a dois testes.

O primeiro foi para “A Dama Disfarçada”, estrelado por Huang Yi, no papel do filho do marquês, Dongfang Sheng. Foi rejeitado na hora: embora sua atuação fosse boa, era considerado jovem demais para o papel.

O segundo teste foi para “Rede de Paixão”, estrelada por Lu Yi, concorrendo ao papel do terceiro protagonista masculino, Zhou Wei. Pediram que aguardasse notícias, mas no dia seguinte anunciaram oficialmente que o papel ficara com Tong Dawei.

Essas duas derrotas seguidas deixaram Wu Lao Liu mais realista. Para conquistar papéis importantes como terceiro ou quarto protagonista, não era fácil para Hao Yun.

Mesmo sem conseguir papéis ou passar nos testes, Hao Yun não ficou ocioso. Dedicou mais tempo às aulas de violão.

O único problema era sua professora: às vezes, reclamava que o violão pressionava seu peito e, para aliviar, apoiava os seios no recorte do instrumento. A cena era de uma ousadia duvidosa.

Mas Hao Yun não tinha esse tipo de preocupação.

Seu progresso era tão rápido que a professora o considerava um gênio. No fim de outubro, mesmo sem “adquirir” mais habilidades para si, já conseguia tocar fluentemente “Amor Incontrolável”, de Harlem Yu — tema de “Jardim de Meteoros”, sucesso daquele ano.

Às vezes, também ia ao Bar Doce, onde treinava canto e tocava violão. Embora não tivesse mais o mesmo destaque da primeira vez em que cantou “Aquelas Flores”, sempre ganhava uma ou duas flores como recompensa — o suficiente para pagar as bebidas.

Chegou a encontrar Wang Feng por lá. Seguindo o lema de “aproveitar toda oportunidade”, conseguiu extrair dele mais 100 pontos de habilidade em canto.

Com comida, moradia e aulas de violão gratuitas, Hao Yun estava satisfeito com a vida. De vez em quando, ajudava a produção como figurante, sem aparecer em cena.

Por exemplo, numa gravação noturna com Chen Kun e Lin Xinru: Chen Kun cantava no palco, enquanto Lin Xinru o fitava apaixonadamente — o enredo da série era bem dramático.

Hao Yun misturava-se à plateia, balançando bastões luminosos para animar Chen Kun. Quando a cena terminou, foi sentar-se na sua cadeira para descansar.

No meio da multidão, sem querer, adquiriu uma nova habilidade.

Habilidade de furto +20!

Que surpresa... Havia um larápio infiltrado no grupo.