Capítulo 0085: Você precisa me pagar!

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 2974 palavras 2026-01-30 12:21:59

Felizmente, Haoyun possuía uma habilidade. Mesmo quando se distraía, jamais perdia a compostura, como se uma nova personalidade tomasse conta de seu corpo.

— Obrigado pelas palavras, senhor Ma! — agradeceu Haoyun com elegância, afastando-se discretamente para trás de Jiang Wen e Lu Xun.

Algum tempo depois, Wang Chongjun se aproximou com uma taça de vinho. Ning Jing puxou Haoyun para o lado, puxando conversa e deixando espaço para que os grandes nomes pudessem discutir assuntos importantes.

Ela havia acabado de completar trinta anos, em seu auge de beleza e charme. Não havia motivo para evitar estar ao lado de Haoyun. Primeiro, pela diferença de idade — Haoyun tinha apenas vinte anos, dez a menos que Ning Jing. Segundo, ela já era casada: conhecera Paul Kesse em 1996 durante as filmagens de “Vale do Rio Vermelho”, casando-se no início do ano seguinte; em 1998, nasceu o filho deles, Rainer.

O papo girava em torno de atuação. Haoyun tinha uma maneira de pensar diferente da maioria, e Ning Jing achava suas conversas extremamente interessantes. Além disso, Haoyun tinha outro dom: à medida que absorvia atributos alheios e os usava como material de treino, tornava-se cada vez mais hábil em fazer diversas coisas ao mesmo tempo.

Conversando animadamente com Ning Jing, ele ainda conseguia prestar atenção ao que Jiang Wen e os outros discutiam. Falavam sobre um filme chamado “Celular”. Não era a primeira vez que abordavam o tema; o diálogo era vago, mas o objetivo era claro: queriam que Jiang Wen participasse da produção.

Jiang Wen estava proibido de dirigir por cinco anos, mas atuar não era problema — “Em Busca da Arma” já havia provado isso. Contudo, sua postura era clara: afirmou que papéis introvertidos não eram para ele, sugerindo que procurassem Ge You. Ma Dagang lamentou profundamente.

— Haoyun, não é? Você atuou muito bem. Tem interesse em vir para a Hua Yi? — Wang Chongjun dirigiu-se diretamente a Haoyun, que já havia percebido sua aproximação, mas não esperava que a conversa fosse dirigida a ele.

Com uma beleza como Ning Jing ao lado, não imaginava ser o centro das atenções. Tampouco esperava uma abordagem tão direta e ficou sem saber de imediato como responder.

No início do ano, discutira a possibilidade de entrar para uma companhia com Wu Laoliu, seu parceiro de juramento. Concluíram que pequenas empresas não faziam diferença e que entrar numa grande, como a Hua Yi, era praticamente impossível.

Agora, a Hua Yi estava convidando-o ativamente.

Realmente, trinta anos no Henan, trinta anos no Hebei — tudo pode mudar.

No entanto, Haoyun já havia consultado os dois veteranos da Academia de Cinema de Pequim sobre os prós e contras de entrar na Hua Yi. O magro afirmou: desde que Wang Jinghua foi para lá, a empresa estava repleta — ou melhor, abarrotada — de talentos, e as chances de virar figurante eram enormes. A curto prazo, não faltariam pequenos recursos, mas a longo prazo era prejudicial. E mais: a Hua Yi dominava o mercado, e sair não era fácil; poderia até ser banido.

Enquanto Haoyun hesitava, uma voz interrompeu:

— Ele não vai para a Hua Yi. Tenho outros planos para ele!

Só havia uma pessoa ali capaz de falar assim com Wang Chongjun: Jiang Wen. Nem mesmo Han Sanping ousaria tanto.

— Desculpe, senhor Wang — disse Haoyun sem hesitar, certo de que Jiang Wen não o prejudicaria.

— Que pena — respondeu Wang Chongjun, sorrindo antes de se retirar.

Na volta, Jiang Wen pegou carona com Wu Laoliu, que ultimamente não tinha muito o que fazer e já servia de motorista havia dois dias. Não se incomodava com esse “serviço”. Só de morar de graça na casa de Jiang Wen e de conhecer vários figurões, já valia a pena.

Sobre impedir Haoyun de ir para a Hua Yi, Jiang Wen tinha opinião semelhante à dos veteranos da Academia de Cinema. A empresa estava cheia de jovens bonitos: Qiao Zhenyu, Ren Quan, Tong Dawei, Xia Yu, Guo Xiaodong, Zhu Yuchen, Li Naiwen… E isso só entre os famosos — havia muitos outros. A Hua Yi contava com cerca de cem celebridades, quarenta só de artistas masculinos, e a atual presidente, Wang Jinghua, privilegiava seus próprios contratados.

Haoyun, que nem cogitava entrar, ficou ainda mais convicto.

Que se dane, melhor trabalhar por conta própria.

Com o tio Jiang por perto, não faltará trabalho!

O que ele não sabia era que Jiang Wen havia ficado profundamente incomodado ao ouvir o convite de Wang Chongjun. Haoyun o imitava com perfeição. Se se dedicasse, logo ganharia o apelido de “pequeno Jiang Wen”.

Por isso, Jiang Wen sentiu como se Wang Chongjun quisesse arrastá-lo para a cama, e por pouco não sacou sua enorme espada imaginária. Repugnante, desprezível!

Pior ainda seria se Wang Chongjun pedisse que Haoyun o imitasse chamando por ele… Céus!

Ao voltar, Haoyun olhou para os 80 pontos de atributo lascivo, perdido em pensamentos.

Por que havia absorvido tal característica?

Não conseguiu coletar atributos de direção ou outras habilidades, talvez porque Ma Dagang não estivesse trabalhando recentemente: seu último filme foi no fim do ano passado, e o próximo ainda estava em preparação. Talvez, naquela noite, estivesse pensando ou fazendo algo lascivo, e por isso surgiu esse atributo tão estranho.

Esses veteranos do show business são mesmo criativos — só assim para ter tantos atributos.

Dança sensual, troca de figurinos teatral, fogo em Chibi, golfe, sessões de manutenção corporal… Esse é o mundo do entretenimento.

Mas, afinal, deveria usar esse atributo?

Muitos atores, para interpretar bem um papel, optam por vivenciar a experiência, método conhecido como Escola da Experiência — uma das três principais abordagens de atuação, e a que exige mais do ator.

Esse método demanda uma verdadeira entrega e a capacidade de acreditar na situação.

Libertar-se, nesse contexto, não é atuar “naturalmente”, mas explorar emoções profundas e expor sentimentos comuns ao personagem. Por exemplo, ao interpretar um personagem homossexual, o ator precisa acessar toda a sua afeição genuína pelo mesmo sexo, não fingir gostar, mas realmente amar durante a performance.

É extremamente perigoso.

Hu Jun e Liu Ye, após atuarem em “Lan Yu”, de Guan Jinpeng, passaram a evitar qualquer contato. Cortaram relações por completo.

Provavelmente usaram esse método de atuação.

Se Haoyun fosse interpretar um ladrão sedutor, claro que não buscaria a experiência prática.

Com espírito de sacrifício, decidiu usar o atributo.

Cinco minutos depois, soltou um suspiro envergonhado.

Maldição, perdi minha pureza.

...

Os dias seguintes seguiram com música e provas.

Nesse período, Zhang Manyu e o diretor francês Olivier Assayas oficializaram o divórcio, e a banda Shin lançou o álbum “Amar Até Morrer”, que virou sucesso.

Durante esse tempo, Haoyun fez duas coisas.

Primeiro, entrou em contato com sua professora de violão, Li Meng.

Ela só atendeu depois de duas ligações, claramente guardando certa mágoa de Haoyun.

O pedido dele era simples: que ela o inscrevesse na prova de certificação de violão das férias e ficasse atenta a possíveis competições para iniciantes.

— Você ainda quer participar de competições para iniciantes? — Li Meng ficou espantada com sua cara de pau, mas, lembrando que ele a transformara em motivo de chacota no círculo de violão da capital e mesmo assim a contatava como se nada tivesse acontecido, não se surpreendeu tanto.

Esses dias, Meng Jie tinha vontade de quebrar um violão na cabeça de Haoyun.

— Só estou aprendendo há alguns meses, claro que tenho que participar das competições para iniciantes. Caso contrário, não ganho prêmio nenhum. Ah, e por favor, não me inscreva em concursos para crianças de seis anos, é muita vergonha. No mínimo, para nove anos ou mais.

Tirar um certificado de violão nas férias e ganhar um prêmio numa competição de violão. Se tudo corresse bem nas aulas de artes marciais, ainda conseguiria outro certificado nesta área — esse era o plano de Haoyun. Quanto às certificações avançadas de hipismo e tiro com arco, dependeria do tempo disponível.

— Vou tentar, mas, aliás, você não quer se matricular no meu curso de violão? Se não se inscrever, não vou te ajudar de graça, tem que me pagar! — Li Meng recusou firmemente qualquer tipo de favor.

— Por enquanto não tenho tempo para as aulas. Que tal te dar um EP meu depois? Ah, além do violão, você acha que eu deveria aprender outro instrumento? — Haoyun não via limites para sua busca por certificados.

Ultimamente, a preparação para o vestibular o tinha atrapalhado. Caso contrário, já teria uma coleção de diplomas.

O cartão de estudante da Academia de Cinema de Pequim também devia valer como certificado. Tantas horas e energia investidas, certamente tinha mais valor que o de ator convidado.

Atributos fixos, recompensas em baús...