Capítulo 0042 O Magnata dos Recursos do Carvão (Peço seu voto de recomendação)
Assim, após alguns dias no set, Hao Yun finalmente recebeu o treinamento do coordenador de ação, Huang Weilong.
O diretor geral de ação deste filme seria originalmente Dong Wei. No entanto, por divergências com Zhang Yimou, ele foi substituído por Cheng Xiaodong. O estilo de Cheng Xiaodong é mais livre e poético, o que se encaixa melhor nas exigências de Zhang Yimou.
Sob o comando do diretor geral de ação estavam três coordenadores de artes marciais, e Huang Weilong era apenas um deles. Ele era bastante competente, membro do famoso grupo de dublês de Jackie Chan.
Além de Hao Yun, outros seis estavam no treinamento, incluindo Hei Zi, o mais habilidoso dos sete e com a maior participação no filme. Hei Zi, nome verdadeiro Zhang Yonggang, já interpretou Huo Du na versão de Ren Xianqi e o Buda Wutian em “A Sequência de Jornada ao Oeste”. Este último papel, em especial, era considerado extremamente marcante.
O maior ponto de crítica de “A Sequência de Jornada ao Oeste” era o fato de uma única cena de ação ser repetida várias vezes, claramente enchendo tempo de tela. Fora isso, Hao Yun e seus colegas assistiam com entusiasmo.
Ver o Buda Wutian em pessoa deixou Hao Yun até um pouco emocionado. Por sorte, depois de passar dias vendo Chen Daoming, Li Lianjie e Zhang Yimou diariamente, ele já estava imune à presença de celebridades.
Huang Weilong pediu primeiro que todos improvisassem com a espada, pretendendo observar o nível de cada um antes de orientar de forma específica.
Hei Zi tinha uma base sólida. Os outros atores, também com experiência em artes marciais, manuseavam as espadas com destreza. A maioria vinha do grupo de Jackie Chan ou do de Cheng Xiaodong.
A exceção era Hao Yun, que nunca tinha sequer segurado uma espada. Sua apresentação foi completamente desordenada.
A situação era evidente: Hao Yun era o mais fraco do grupo, sem qualquer noção de esgrima. A única forma que conhecia era o tai chi, aprendido observando velhinhos praticando na rua.
Felizmente, nos últimos tempos, Hao Yun vinha usando muitos pontos de atributo em artes marciais. Ao gastar esses pontos, não só fortalecia corpo e mente, mas também criava certa memória muscular.
Mesmo sem técnica, ainda era possível ver um traço de tai chi em seus movimentos. Por isso, Huang Weilong não o dispensou de imediato.
O olhar dos demais, porém, era estranho: tão bonito, mas tão ruim... Ou entrou por influência, ou por mérito próprio. Suspeitavam que ele fosse um daqueles “apadrinhados” misteriosos.
“Desenhei para esta cena coreografias de espada, com movimentos amplos e poderosos. Seus adversários usam lanças longas...”, explicou Huang Weilong, alinhando todos em fila, cada um com uma espada real nas mãos.
Não eram adereços, mas armas de verdade. Huang Weilong queria que sentissem o peso e a sensação de uma espada real, pois sem conhecer, tocar ou brandir uma, seria impossível passar veracidade em cena.
Normalmente, cada arma tinha várias versões: algumas reais, outras falsas. Para posar e portar, usava-se a verdadeira; para lutas, sempre a falsa. Do contrário, com um instrumento de quinze quilos, o braço não aguentaria nem meia hora.
No ensino, Huang Weilong também usava espadas falsas. Ele demonstrou a coreografia, pedindo que todos observassem atentamente.
“Esta é a primeira parte. Conseguem reproduzir?”
Todos balançaram a cabeça em uníssono. Claro que não; não eram gênios para aprender de primeira.
“Certo, vou mostrar mais uma vez...”
“Posso tentar?” A voz era de Hao Yun, o mesmo que improvisara sem sentido há pouco.
Nem ele sabia se conseguiria, mas queria aproveitar enquanto a espada ainda “guardava” aquele atributo. Melhor absorver logo.
“Você...? Bem, tente,” disse Huang Weilong, entregando-lhe a espada.
Vamos lá, coragem!
[Detectado atributo absorvível!
Artes Marciais +80 (em decréscimo)
Duração: 5 minutos.
Retenção: 24 horas]
Perfeito! Era exatamente isso que ele queria. Hao Yun absorveu o atributo, pousou a espada verdadeira no chão, foi até o centro, prendeu a respiração como se meditasse (na verdade, ativando o atributo) e repetiu os movimentos de Huang Weilong.
Desordenado? Nada disso.
Huang Weilong ficou boquiaberto, olhos arregalados, como se visse um extraterrestre.
Era mesmo o mesmo iniciante desajeitado de antes?
Os outros seis “mestres de Qin”, inclusive Hei Zi, também arregalaram os olhos.
Huang Weilong tinha certeza de que nem ele nem Cheng Xiaodong haviam ensinado nada a ninguém. Só mostrara uma vez e o rapaz reproduziu de forma idêntica.
Seria esse o tal prodígio lendário das artes marciais?
“É assim, não é?” Hao Yun parou, embora o atributo ainda não tivesse expirado; dali em diante, ele já não saberia o que fazer.
Ser ator de ação era divertido. Viu, então, que valia a pena aprender de verdade os estilos de cada escola e talvez tirar uma certificação, acumulando atributos.
Só restava saber se esses estilos realmente tinham valor prático.
“Sim, exatamente assim!” O olhar de Huang Weilong para Hao Yun se encheu de simpatia.
Mas nem sempre Hao Yun tinha tanta sorte. Da segunda vez, o atributo absorvido foi cantonês, totalmente inútil para o momento.
Ele admitiu não ter entendido a coreografia. Os atributos só surgiam mediante uso; se Huang Weilong demonstrasse novamente, teria nova chance de absorver.
Foi assim que ele “tirou proveito” de Jiang Wen, anteriormente.
Ao ver que Hao Yun também falhava, o grupo deixou de duvidar da própria realidade, e o temor logo deu lugar ao respeito.
Prodígios assustam, gênios despertam admiração.
Fora Hei Zi, os demais tinham poucos minutos em cena. Huang Weilong, em meio dia, fez todos dominarem suas sequências.
Primeiro ensaiavam a coreografia, depois desmontavam os movimentos em detalhes.
Quando estivessem afiados, treinariam algumas vezes com Zhen Kung Fu, e então poderiam filmar de verdade.
Com as cenas de Li Lianjie e Chen Daoming concluídas, o cronograma avançou para a sequência em que Liang Chaowei, como Espada Quebrada, tentaria assassinar o Rei de Qin.
Liang Chaowei e Zhang Manyu chegaram pontualmente ao set em Hengdian.
Ambos carregavam muitas histórias e boatos; muita gente acreditava que já tinham sido amantes.
Em 1984, Zhang Manyu tinha 19 e Liang Chaowei, 21 anos, quando se conheceram. Atuaram juntos em “Policiais em Ação”, com Liu Jialin em papel coadjuvante. No filme, Liang Chaowei diz a Liu Jialin, apontando para Zhang Manyu: “Nesta vida, só amarei uma pessoa: ela.”
Com o tempo, trabalharam juntos cada vez mais. Liu Jialin parecia aquela segunda protagonista silenciosa, apaixonada, e às vezes os três dividiam a cena.
No Festival de Cannes de 2000, Liang Chaowei caminhava de mãos dadas com Zhang Manyu à esquerda e segurava a mão de Liu Jialin à direita. Os três juntos formaram uma imagem marcante no tapete vermelho, alimentando a imaginação do público.
No entanto, o destino levou Zhang Manyu a casar-se com seu namorado francês, enquanto Liang Chaowei se uniu à segunda protagonista do filme.
A presença dos dois animou ainda mais Hao Yun.
Os atributos absorvidos de Chen Daoming e Li Lianjie não duravam muito, mas ele ainda queria captar algo novo e fresco.
Embora as cenas de Liang Chaowei e Chen Daoming envolvessem ação, o foco maior era a intensidade dramática.
Assim, Hao Yun absorveu principalmente atributos de atuação.
Em cenas dramáticas, Chen Daoming permitia a absorção de até duzentos pontos em atuação; nas de ação, muito menos.
Zhang Manyu participava pouco das cenas, e como atriz, era protegida pela equipe. Hao Yun só conseguiu absorver um atributo dela, e era de cantonês.
Liang Chaowei, por sua vez, em estado estável, podia fornecer entre cem e cento e cinquenta pontos de atuação.
Não era que Liang Chaowei fosse inferior a Chen Daoming; apenas não tinha tantas oportunidades de brilhar com o chamado “olhar cênico”.
Com tantos atributos acumulados, Hao Yun não pretendia desperdiçá-los. Decidiu usar os pontos de atuação de Liang Chaowei para praticar cenas focadas no olhar.
Escolheu um trecho de “A Flor Oculta”.
Esse filme, estrelado por Liang Chaowei e Lau Ching-wan, é um clássico da Milkyway Image, onde ambos entregaram atuações memoráveis.
Hao Yun, num canto do estacionamento, encenava sozinho.
Uma hora era Yiu Tung, personagem de Lau Ching-wan; outra, era Ah Chun, de Liang Chaowei.
“Você já sabia que eu ia te trair, mas mesmo assim deixou que eu te prendesse. Já pensou que eu poderia te matar?”
Então corria para o outro lado.
“Sim,” respondeu Hao Yun como Yiu Tung, com um toque de desdém: “Com esse seu jeito, você nunca entende direito as coisas...”
A cena se passava na prisão.
Hao Yun até usou o cantonês. Nos últimos dias, conviveu bastante com atores e coordenadores de Hong Kong, absorvendo muitos atributos desse tipo.
Seu cantonês já estava avançadíssimo, e ao focar, chegava ao nível máximo.
O que ele não sabia era que, enquanto encenava, uma figura sentava-se lentamente no banco traseiro de uma van próxima.
Quando terminou a cena, ainda restavam dois atributos de Liang Chaowei.
Como estavam prestes a expirar, Hao Yun suspirou e escolheu outra cena para atuar.
Reencenou o momento em que Ah Chun, manipulado pelo Sr. Hung, está prestes a fugir, mas encontra o arqui-inimigo George, tornando-se a arma que mataria George.
A expressão final de desespero de Liang Chaowei era absolutamente marcante.
Se Hao Yun estivesse presente no set durante a gravação, certamente teria absorvido duzentos pontos de atuação.
Aplicou o atributo em si, caminhando e simulando um gesto de pistola, atirando em George e seus guarda-costas.
Acertava os outros, mas também era atingido.
Ao ser baleado, seu rosto inteiro se contorcia de dor.
No fim, apoiava-se na “janela”, vendo o barco que levava sua esperança partir.
Tudo era transmitido pelo olhar.
Encostado numa pilastra, Hao Yun refletia sobre a interpretação de Liang Chaowei, mergulhando num momento de contemplação.
Dois atributos, duas performances.
Tudo foi observado à luz fraca da garagem pelo passageiro da van.
Este olhava, curioso, Hao Yun atuar como se fosse um louco.
Não sabia se Hao Yun percebia sua presença e estava ali para impressionar, ou se apenas ensaiava sozinho sem notar o observador.
De qualquer forma, não importava. Não tinha intenção de se mostrar.
Se ele queria atuar, que atuasse.
Só que, convenhamos, sua atuação era incrivelmente parecida com a de verdade.
Naquele estacionamento frio e deserto, era impossível não sentir um calafrio.