Capítulo 0045: Eu só quero aparecer na televisão
“Dêem mais close nele, filmem de perfil, assim ficará muito bonito.”
Zhang Yimou sentou-se atrás do monitor por um tempo, depois correu para o meio dos atores, reorganizando suas posições. Entre os sete grandes mestres do Palácio de Qin, tirando Hei Zi, o chefe, todos tinham participações equivalentes, curtas, inclusive Hao Yun. E, por ser mais alto, quando os seis se alinhavam, ele acabava sempre na ponta da fila.
Agora, após o ajuste de ângulo feito por Zhang Yimou, Hao Yun tornou-se o mais destacado na cena. Não há como negar: o velho Zhang, vindo da fotografia, realmente tinha um olhar apurado para a beleza.
“Preparar... Três, dois, um... Ação!”
Hao Yun e seus companheiros foram lançados ao chão um a um, mas Chang Kong, interpretado por Zhen Gongfu, não foi cruel. Ao se levantarem, Hao Yun e os outros ainda saudaram Zhen Gongfu com respeito.
Os fortes sempre despertam admiração.
“Corta!” Zhang Yimou ficou satisfeito. Aquilo era apenas um aperitivo; nos próximos dias, o verdadeiro destaque seriam as cenas de Zhen Gongfu e Li Lianjie.
Depois, gravaram mais dois takes dos sete alinhados nas laterais.
E foi só isso.
Só isso?
A duração era realmente irrisória, não é de se estranhar ter recebido apenas oitocentos yuan. Quase não havia cenas, e, se fosse num filme de Wang Jiawei, provavelmente seriam cortadas sem piedade.
Terminadas as filmagens, Hao Yun deixou a equipe de “Herói”.
Não foi se despedir de Li Lianjie ou Zhen Zidan; seria pretensão demais. Se lembrassem de seu nome, era graças ao nome que escolhera.
Agora precisava voltar ao set de “O Arqueiro Heróico”.
Naquele momento, a equipe estava também em Jiangsu e Zhejiang — na Cidade Cinematográfica de Wuxi, querendo conversar com ele sobre aumentar sua participação.
O diretor anterior, Wang Rui, era meticuloso, mas por questões de orçamento e agenda dos atores, cortou vários detalhes do roteiro. O personagem de Hao Yun, Yin Zhiping, teve muitas cenas suprimidas.
Aquela já tinha sido sua principal aparição; no máximo, gravaria alguns complementos se necessário.
Porém, nessa produção, o diretor não tinha a palavra final.
O produtor Zhang Jizhong vivia em conflito com ele.
O atrito chegou ao limite: após as cenas nas estepes, restavam ainda poucas em Ilha das Flores em Zhoushan, e Wang Rui deixou a equipe.
O novo diretor era Ju Jueliang, conhecido por produções longas e melodramáticas em Hong Kong.
Além dele, havia Yu Min — pupilo de Zhang Jizhong.
Com Ju Jueliang, a tendência era alongar tudo; Yin Zhiping tornou-se indispensável, então Hao Yun foi chamado de volta.
Se aceitasse, ótimo; senão, trocariam o ator e refariam suas cenas rapidamente, já que eram noturnas.
Não iriam pedir o cachê de volta, mas certamente ele perderia espaço.
“Vou atuar, atuar é minha maior prioridade!” Hao Yun declarou firmemente ao novo diretor. “Independentemente de quantas cenas acrescentem, estarei sempre à disposição.”
Claro que aceitaria; aparecer era o mais importante.
Dizem que há agências dispostas a pagar por cenas extras para dar visibilidade a novatos.
Ju Jueliang gostou da atitude de Hao Yun, acenou e disse: “Vá falar com Gao para assinar o aditivo.”
Hao Yun correu até Guo Degao, o chefe de produção.
“Irmão, o diretor pediu para assinar um aditivo!”
“O diretor comentou se aumentariam seu cachê?” Gao perguntou em voz baixa.
Ele gostava muito de Hao Yun — sempre ajudava no set, recolhia lixo, impossível não simpatizar. E tinha uma postura exemplar.
Enquanto outros só aprendiam a montar, ele, mesmo sem muitas cenas a cavalo, treinou até galopar pelas estepes.
“Não falou nada. Aliás, achei que já estava incluso no contrato anterior.” Hao Yun respondeu com sinceridade.
“Tudo bem, vou te dar o valor máximo.” Gao piscou para ele.
Preencheu o aditivo, entregando para Hao Yun assinar — o cachê subira seis mil yuan.
Com os dois mil anteriores, somava oito mil.
“Irmão, hoje à noite eu pago a rodada!” Hao Yun sorriu satisfeito. Eis a vantagem de criar laços.
Se fosse ingênuo, nem mesmo com um sistema a seu favor conseguiria progredir.
Nesses meses, parecia ter ganhado um talismã — pegou vários trabalhos e ganhou um bom dinheiro.
“O Arqueiro Heróico”: oito mil.
“Em Busca da Arma”: cinco mil.
Show de casamento: dez mil.
“Só Você”: vinte mil.
Exceto a metade retida de “O Arqueiro Heróico”, o resto já estava na conta.
“Só Você” também finalizou; dos vinte mil, descontando impostos, recebeu uns dezesseis mil e oitocentos, ficando com quatorze mil e passando o restante para Wu Lao Liu.
Afinal, ele também precisava ir para casa no Ano Novo.
Os dois últimos trabalhos foram indicados por Wu Lao Liu, então merecia uma comissão.
Os dois primeiros, Hao Yun conseguiu por conta própria.
Descontados impostos, salários e comissões, ele ficava com cerca de vinte e sete mil ou vinte e oito mil.
No início do novo milênio, era raro ter dez mil em mãos.
Em sua vila, muitos que iam trabalhar fora recebiam seiscentos yuan por mês; descontando o tempo de plantio e festas, levavam três mil por ano — já eram considerados ricos.
Com quatro ou cinco mil, já se construíam três cômodos de alvenaria na vila.
De volta ao set, Hao Yun retomou sua tática de aproveitar oportunidades.
A produção não oferecia benefícios como aulas gratuitas de equitação ou violão; havia o Lago Taihu ali perto, mas não pagavam para aprender caiaque.
Dá para imaginar Huang Rong fugindo de caiaque com o irmão Jing?
“Ei, Hao Yun, você chegou!” Zhou Xun acenou de longe.
Ela nunca foi do tipo recatada. Agora, interpretando a espirituosa Huang Rong, e com Li Guanpeng, seu “irmão Jing” dentro e fora das telas, estava ainda mais animada.
“Zhou Jie, Li Ge!” Hao Yun cumprimentou Zhou Xun e Li Guanpeng, que vinha junto.
Li Guanpeng respondeu com um aceno; claro que conhecia Hao Yun, já haviam atuado juntos nas estepes.
Só não entendia como sua namorada o conhecia, já que quase não tinham contato.
Ainda assim, não era do tipo ciumento ou vingativo.
No meio artístico, todos eram profissionais; no máximo, apenas ficava atento, pois tinha confiança em seu talento.
“Ouvi dizer que você participou de ‘Herói’?” Zhou Xun perguntou.
“Eu? Aquilo não é participação, só um figurante. Como soube disso?” Hao Yun ficou surpreso.
Zhang Yimou e Zhang Jizhong eram bem diferentes.
Zhang Jizhong gostava de alardear cada produção, gerando notícias a cada cidade que passava.
No campo, Qu Ying foi anunciar o noivado; em Hengdian, Qu Ying chorou ao ir e ao voltar. Agora, em Wuxi, ainda não houve escândalos, mas era questão de tempo.
Já Zhang Yimou, fora um acidente de carro, mantinha tudo em sigilo.
“Vi uma notícia: o pessoal de ‘Herói’ foi beber, e na foto que publicaram estava sua assinatura. Está se saindo bem!” Zhou Xun, da última vez, até sugeriu que ele procurasse uma agência.
Mas quem diria, já estava tão bem relacionado. Parecia um polvo de tantos contatos.
“Que nada, só levei o pessoal para o bar onde canto, nem somos próximos. Se tiver bons contatos, Zhou Jie, não esqueça deste irmãozinho.” Hao Yun não viu Jiang Qinqin e aproveitou para se aproximar de Zhou Xun.
Não imaginava que aquela foto viraria notícia, e se teria repercussão na internet.
Antes do sistema, ele frequentava lan houses, agora já fazia tempo que não ia.
“Contatos eu até tenho, só não sei se você vai querer.” Zhou Xun parecia falar sério.
“Eu sou figurante, aceito qualquer coisa.” Hao Yun manteve a humildade.
Ainda não tinha fama; o mais importante era aparecer, qualquer valor servia, desde que fosse para a TV.
Com trabalhos realizados, poderia buscar oportunidades melhores e ganhar mais.
Só restava saber o que ela queria.
Agora que Zhou Xun e Li Guanpeng estavam juntos, mesmo se houvesse alguma parceria, Zhou Xun certamente não ligaria para fofocas.