Capítulo 0011 - Como Hão Yun poderia deixar de vir?
— Cantou muito bem, não quer cantar mais uma? — O dono do bar, sorrindo, empurrou um copo de cerveja para perto de Hao Yun.
— Não estou sentindo vontade — Hao Yun levantou o copo e engoliu tudo de uma vez.
— Não pensa em trabalhar aqui como cantor residente? Seis músicas por noite, pago duzentos reais. — Era um valor bem melhor do que o que se ganhava como figurante.
Mas Hao Yun, com um ar pretensioso, balançou a cabeça:
— Só canto quando tenho vontade. Se der vontade, eu canto.
— Entendi... — O dono do bar, por mais paciente que fosse, não tinha como ficar satisfeito com essa resposta — Se você fosse ele, o que pensaria?
Ele falou com indiferença:
— Você cantou duas músicas hoje, vou te dar cinquenta pelo serviço.
— Obrigado, chefe! — Hao Yun, por outro lado, ficou bastante satisfeito. Cantar duas músicas e ganhar cinquenta reais? Era dinheiro fácil demais.
O dono do bar abriu a caixa registradora e entregou uma nota de cinquenta a Hao Yun. O combinado era para ser cumprido.
Mas, se Hao Yun tivesse aceitado o posto de cantor residente, hoje teria recebido cem.
Ele sempre cantava músicas românticas, além de ser bonito, o que atraía muitas garotas para o bar. Com mais garotas, o movimento do bar estava garantido.
— Vou voltar ao trabalho — Hao Yun não saiu correndo com o dinheiro, mas continuou cumprindo a promessa de trabalhar de graça naquela noite. Claro, se encontrasse algum atributo perdido por ali, não hesitaria em pegar.
Nos bares de Hengdian, era comum a presença de atores e gente de bastidores. Esse pessoal era mais moderno e tinha mais dinheiro para gastar.
Hao Yun ainda conseguiu recolher mais quatro atributos depois.
Vigor +20, Inteligência +10, Cantonês +20, Habilidade +10.
Infelizmente, quase todos eram de pouca utilidade. Ou se dissipariam sozinhos com o tempo, ou ele os testava para ver se serviam para algo.
O desperdício era inevitável. O certificado de ator convidado até permitia acumular mais pontos, até duzentos e cinquenta. Mas só permitia guardar atributos relacionados a atuação, falas e canto.
A habilidade de montar a cavalo, que tinha conseguido de He Rundong, não pôde ser guardada e acabou usando sem querer durante o dia.
Não achou nenhum cavalo, nem burro, nem mesmo um porco robusto. Então, como na infância, pegou um pedaço de pau mais arredondado e montou.
E, de fato, estava muito melhor do que quando era criança. Mesmo acelerando, não se machucava.
Porém, a sorte parecia sorrir para Hao Yun naquele dia. Enquanto ajudava o dono a limpar o salão, encontrou um atributo raro.
Atuação +60.
Duração: 5 minutos.
Prazo para usar: 24 horas.
Provavelmente era de alguém do meio artístico. Uma pessoa comum, mesmo que talentosa, dificilmente deixaria escapar tanto assim.
No dia seguinte, bem cedo, Hao Yun correu para o estacionamento do hotel Marriott, esperando sua chance junto com outros trabalhadores madrugadores.
Nas duas primeiras chamadas, não conseguiu vaga. Na terceira, pediam pessoas acima de um metro e setenta e cinco, com boa aparência. Com sua altura, foi escolhido pelo grupo de produção de “O Jovem Wong Fei Hung”.
No entanto, por problemas com o protagonista, não houve gravações durante toda a manhã.
Isso não era grave — gravando ou não, o pagamento era garantido. Só era uma pena não ter atributos para coletar.
Em Hengdian, esse tipo de situação era comum. Às vezes chamavam oitenta figurantes e usavam apenas quarenta, o resto aproveitava para dormir em algum canto.
Agora, sem gravação e sem permissão para sair, não havia muito o que fazer além de dormir ou jogar cartas.
Mas Hao Yun era diferente. Enquanto descansava, pegava o livro emprestado e lia com atenção. De vez em quando aplicava algum atributo em si mesmo. O de inteligência era o mais útil; vigor e resistência, por enquanto, estavam sobrando, então usava tudo para estudar.
O efeito não podia ser melhor.
Se tivesse conseguido esse “poder” antes, ficaria o dia todo colado nos professores e nos melhores alunos, roubando inteligência. Quem sabe até teria conseguido entrar numa universidade.
Enquanto ele lia, em um hotel na capital, a equipe de “O Arqueiro Heróico” decidia a lista de atores para a cerimônia de abertura.
Quem dava a palavra final não era o diretor, mas o produtor Zhang Jizhong.
Em produções audiovisuais, há dois tipos de organização: uma centrada no diretor, outra no produtor. Em Hollywood, a centralidade é do produtor — por isso, eles são mais famosos que os diretores. Na China, o comum é o diretor ter mais prestígio.
Zhang Jizhong era um dos poucos produtores que mandavam mais do que os diretores.
Diretores vêm e vão, mas o produtor é fixo.
Sua produção anterior, “Sorriso Orgulhoso no Mundo”, teve bom desempenho, mas dessa vez a pressão era ainda maior.
A versão de 1983 de “O Arqueiro Heróico” era um clássico absoluto. As versões de 1988 e 1994 foram tão criticadas que muitos nem sabiam de sua existência.
Desta vez, Zhang Jizhong queria superar a versão de 83.
— Já conseguimos chamar quase todos os que queríamos. No fim das contas, o que importa é o resultado das gravações. Não faz sentido ficar obcecado com a lista — o diretor Wang Rui discordava em alguns pontos.
Wang Rui era acadêmico e mais idealista.
Zhang Jizhong não discutiu, apenas olhou para a lista, distraído, começando a examinar os nomes mais abaixo.
— Ei, quem é esse aqui?
Wang Rui espiou e disse:
— Hao Yun. Dias atrás, quando fui entrevistar Xiu Qing em Hengdian, aproveitei para selecionar uns coadjuvantes. Ele fez teste para interpretar Yin Zhiping.
— Será que Hao Yun vem? Haha, será que Hao Yun vem mesmo? — Zhang Jizhong repetiu o nome, caindo na risada de repente.
— Ele só tem alguns minutos de cena — Wang Rui franziu a testa.
— Como é que a gente vai começar sem Hao Yun? Liga para ele, faça questão de que venha — Zhang Jizhong sentiu seu coração inquieto se acalmar um pouco.
Mesmo sem Weng Meiling, pelo menos eu tenho Hao Yun!
— Certo, peço para o assistente resolver — Wang Rui não quis discutir coisa pequena. Já estava arrependido de aceitar esse projeto.
Como diretor-geral, era constantemente pressionado por Zhang Jizhong.
Até para uma simples coletiva de imprensa era preciso discutir por horas. Sobre o roteiro e as filmagens, então, nem se fala.
Hao Yun recebeu a ligação na hora do almoço, enquanto pegava sua marmita.
Mesmo sem filmar, tinha direito à comida.
Abriu o celular flip com um estalo, atendendo sob o olhar surpreso dos outros figurantes.
Ter celular não era raro, mas entre figurantes era incomum.
O assistente do diretor de “O Arqueiro Heróico” ligou, convidando-o para a cerimônia de abertura. As despesas de viagem, estadia e alimentação seriam reembolsadas.
Hao Yun aproveitou para perguntar quando receberia o cachê.
Ainda devia dois mil reais ao velho Wu.
Disseram-lhe que metade seria paga na cerimônia de abertura, o restante ao final das gravações.
Com o elenco principal completo, as filmagens começaram à tarde.
O protagonista era Shi Xiaolong, famoso ex-ator mirim, nascido em 1988 e já tão famoso. Hao Yun, nascido em 1982, só podia invejar.
Hao Yun tentou coletar atributos dele, mas não obteve nada.
Quem lhe rendeu um bônus inesperado foi Hao Lei, que interpretava a “Tia Treze”. Conseguiu dela, facilmente, um “Atuação +50”.
— Obrigada, já te vi ontem — Hao Lei, ao receber o leque de Hao Yun pela segunda vez, puxou conversa inesperadamente.
— Hein? — Hao Yun ficou surpreso.
Pronto, será que essa “senhora” se interessou por mim?
Não queria flertar.
Era só para aproveitar a oportunidade.
Mas, se ela quisesse pagar, quem sabe dava para conversar.