Capítulo 0084 A Estreia de "Em Busca da Arma" (Peço seu voto mensal)

Este astro do cinema só quer passar em concursos Senhor Jiang Abau 3052 palavras 2026-01-30 12:21:53

— Ah, podemos aceitar apresentações de canto também; eu e Bóris sabemos cantar. E você, Shunliu, canta bem? — Hao Yun precisava arranjar dinheiro, pois estava praticamente sem um tostão.

— Eu... não sei cantar! — Wang Shunliu respondeu, sentindo-se envergonhado.

— E instrumentos musicais? — perguntou Huang Bóris.

Se não cantasse, ao menos poderia tocar algum instrumento; assim, os três poderiam formar uma banda, quem sabe chamada de “Areia Azul”.

Ressurgir das cinzas...

Não, melhor: renascer das próprias cinzas.

— Também não! — disse Wang Shunliu, já se resignando.

— Esqueça essas ideias mirabolantes — interrompeu Hao Yun, cortando as fantasias dos amigos. — Os trabalhos que vamos conseguir serão em casamentos e funerais, provavelmente em vilarejos, nada a ver com arte.

— Pagando, a gente faz! — Huang Bóris, que antes tinha um quê de artista, já fora moldado pela vida dura.

Os três conversavam sobre o futuro enquanto bebiam. Depois de se fartarem, cada um seguiu seu caminho.

Cada um tinha sua própria vida.

Wang Shunliu e Huang Bóris sabiam que não podiam depositar suas esperanças no agente de Hao Yun.

Wang Shunliu planejava continuar alugando uma cama em algum porão. Dos dois mil que recebera pelo seu papel em “Poço Cego”, enviara mil e quinhentos para casa para ajudar a pagar dívidas, restando apenas quinhentos para suas despesas.

Ele queria pagar a refeição, mas Wu Lao Liu, sorrateiramente, já havia quitado a conta.

Instalado, Wang Shunliu decidiu continuar indo cedo todos os dias para a porta da Academia de Cinema de Pequim, esperando vagas para figurante, dublê ou qualquer trabalho disponível.

“Poço Cego” parecia não ter mudado nada em sua vida.

De certo modo, ele era ainda mais resiliente e simples que Huang Bóris — este, vindo de uma família menos humilde, jamais faria qualquer trabalho como Wang Shunliu.

Já Huang Bóris continuava estudando para os exames durante o dia e à noite cantava em bares.

A família, ao saber que ele obteve boas notas em provas de habilidades artísticas, ficou empolgada e lhe ofereceu alguma ajuda financeira, mas, nos últimos anos, já haviam se sacrificado muito e não podiam dar mais.

Huang Bóris e Xiaou também se mudaram para perto da Academia de Arte Dramática.

Wu Lao Liu não foi diferente; alugou um pequeno apartamento simples nos arredores.

Se Hao Yun também fosse morar fora, ele certamente alugaria algo melhor.

Mas, estando sozinho, não fazia questão; bastava água, eletricidade e aquecimento para não morrer de frio.

Seu único foco agora era ganhar dinheiro.

Não ligava para conforto.

Hao Yun e Huang Bóris precisavam obrigatoriamente morar no dormitório da universidade, pois, nos últimos anos, as faculdades haviam proibido aluguel de moradias externas. Algumas ainda faziam inspeções noturnas: se não estivesse no dormitório e não tivesse justificado, haveria problemas.

A Academia de Cinema era um pouco mais flexível, e muitos alunos alugavam quartos fora.

No entanto, Hao Yun valorizava muito a vida universitária.

O dormitório abrigava seis pessoas por quarto, vivendo juntas, compartilhando quatro anos inesquecíveis.

Em 8 de maio à tarde, Hao Yun foi ao Cine Nova Dong’an para a estreia oficial de “Em Busca da Arma”.

Primeiro exibiram o filme, depois houve uma conversa.

O elenco era de peso: Jiang Wen, Ning Jing, Wu Yujun, além do diretor Lu Chun, o diretor de fotografia Xie Zhengyu e quase toda a equipe principal estavam juntos no palco.

Dessa vez, ninguém faltou.

Na plateia, várias celebridades e figuras importantes; as duas primeiras fileiras estavam cheias de rostos conhecidos. Os desconhecidos provavelmente eram representantes dos produtores e distribuidores.

A apresentação foi conduzida por Ma Dagang e Li Xia. Li Xia era apresentadora profissional, Ma Dagang era o principal diretor da Tia Hua, e seu último filme, “O Grande Chefão”, tinha Guo You como protagonista.

Hao Yun ficou impressionado com Li Chengru, que em 328 palavras interpretou um empresário do ramo imobiliário com distúrbios mentais, consagrando-se instantaneamente: 86 segundos, um plano-sequência, tudo de uma só vez.

Dizia-se que, após aquela cena, Li Chengru ficou tão tenso e envolvido que sua mão tremia ao acender um cigarro.

Guo You, no filme, tinha uma fala que mostrou a Hao Yun que o roteirista conhecia a vida real.

— Havia um sanatório. Havia tantos loucos, todos idiotas, e poucos médicos e enfermeiros. Então o diretor teve uma ideia: fez os pacientes cuidarem dos pacientes.

O filme estava repleto de falas memoráveis, que provavelmente continuariam atuais daqui a dez ou vinte anos.

— Depois de assistir ao filme, peço que todos ajudem na divulgação. Lu Chun é um iniciante, por favor, sejam compreensivos — iniciou Ma Dagang.

Apesar de, em outros tempos, ser submisso, agora era uma figura respeitável.

— Nem parece que foi dirigido por um estreante... — comentou Li Xia, arrependendo-se em seguida; não era falta de profissionalismo, mas sim que a divulgação estava difícil naquele dia.

— Tenho algo a dizer há tempos — Ma Dagang olhou para Lu Chun, tentando aliviar o clima. — Você é mais afortunado que eu, conseguiu Jiang Wen como protagonista. Sempre quis fazer um filme com ele, mas só consegui uma série, “Pessoas da Capital em Nova Iorque”, anos atrás.

— Quando escrevi o roteiro, só pensava em Jiang Wen. Só ele poderia interpretar este filme...

Apesar das mágoas, Lu Chun decidiu manter as aparências; afinal, todos os sacrifícios anteriores não teriam valido nada.

Você me fere mil vezes, e eu te trato como o primeiro amor!

Na plateia, Wang Zhongjun só podia balançar a cabeça e suspirar.

Lembrava-se de Lu Chun chorando ao telefone durante as filmagens, desabafando sua dor.

O que ele poderia dizer?

De jeito nenhum tiraria Jiang Wen do filme, então apenas aconselhou: — Seja concubina ou amante, primeiro tenha o filho!

Lu Chun chorou ainda mais ao ouvir isso.

Ouviu-se dizer que depois houve muitos desentendimentos, mas Lu Chun nunca deixou de acreditar que Jiang Wen era o mais adequado para o papel.

Isto é amor.

— Hoje temos uma boa notícia: a Sony Columbia comprou por um milhão e quinhentos mil dólares os direitos internacionais de “Em Busca da Arma”. O filme já entrou no mercado americano! — Lu Chun anunciou, olhando para a plateia com orgulho.

Hao Yun, entre os demais, ficou surpreso.

Assim, não haveria mais pressão de bilheteira.

Afinal, o orçamento do filme era de apenas sete milhões.

Um milhão e quinhentos mil dólares equivaliam a uns doze milhões em moeda local.

Porém, Lu Chun, você está se achando por quê? Será que não sabe o motivo de as empresas comprarem?

Com Jiang Wen no elenco, poucos davam atenção ao diretor, e os jornalistas só faziam perguntas ao ator.

Hao Yun acabou envolvido na conversa.

— Professor Jiang Wen, dizem que Hao Yun precisou de trinta tomadas suas. Isso significa que ele não é bom ator?

— Que lógica absurda... Se ele não fosse bom, nosso diretor não teria dado trinta chances — teria mandado embora na primeira. Dar trinta oportunidades mostra o potencial deste jovem.

Jiang Wen negou veementemente a afirmação, protegendo Hao Yun.

Essa defesa deixou Lu Chun ainda mais desconfortável.

Nas entrevistas seguintes, ele não conseguiu se conter...

— Como jovem diretor sem experiência, já que teoricamente sou o diretor deste filme, devo me esforçar para imprimir minha voz nele. O público já está cansado das vozes dos veteranos; uma voz nova, mesmo que estranha, traz frescor. Não creio que alguém consiga me calar por completo...

Que tipo de discurso era aquele? “Teoricamente sou o diretor”, “as vozes dos veteranos já são demais”, “ninguém pode me calar completamente”...

Parecia um tom provocador.

No geral, a estreia foi animada, com muitos pontos para a imprensa explorar.

Hao Yun não se destacou demais, o que era uma forma de protegê-lo.

Sem obras sólidas, tentar conquistar espaço no mundo do entretenimento só com criatividade era perigoso.

Após a estreia, houve um jantar de comemoração.

Reuniram-se principalmente produtores, distribuidores e a equipe principal para celebrar a venda dos direitos internacionais.

Hao Yun acompanhava Jiang Wen, com Ning Jing do outro lado.

— Diretor Ma, admiro muito seu “De Um Lado Para o Outro”!

— Hao Yun, não é? Belo nome. Depois deste filme, você deve estourar — Ma Dagang cumprimentou Hao Yun, apertando sua mão em consideração a Jiang Wen.

Hao Yun ficou surpreso.

Achava que Ma Dagang revelaria alguma característica de sabedoria, de direção, ou algo ligado ao seu talento.

Jamais esperaria...

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