Capítulo 0099: Passeando com Chen Guanxi (Peço seu voto mensal)
Quanto ao motivo de Chen Guanxi procurar Hao Yun, era simplesmente porque, além de Hao Yun, ele não conhecia mais ninguém. Além disso, com aquele jeito arrogante de olhar as pessoas de cima, poucos conseguiam chamar sua atenção. Quando Hao Yun estava filmando “Conexão Infernal”, ele imitou deliberadamente Liang Chaowei em uma cena, impressionando não só toda a equipe, mas também conquistando o respeito de Chen Guanxi, que sempre foi muito orgulhoso.
Desta vez, ao vir para o continente, ele entrou em contato com Hao Yun pelo ICQ. E o que Hao Yun podia fazer? Só restava recebê-lo, e como um bom anfitrião do continente, era seu dever mostrar a esses visitantes, que normalmente não valorizavam o continente, o que era realmente um desenvolvimento rápido. Claro que, em troca, ele não deixaria de aceitar as quatro entradas para o show.
— Chen Guanxi é bem famoso por lá. Mas o pessoal de lá costuma ser bem extravagante, algumas atitudes deles parecem normais para eles, mas aqui seriam consideradas escandalosas... — Wu Lao Liu não continuou a frase. Ele percebeu que com Hao Yun não era necessário ser tão explícito. Recentemente, houve aquele episódio do pacote postal de Chen Guanxi, e ninguém acreditaria que ele fosse totalmente inocente.
— Fique tranquilo, sempre mantenho distância desses caras — respondeu Hao Yun, sabendo exatamente do que Wu Lao Liu falava.
No dia seguinte, Hao Yun primeiro confirmou com a professora Li Meng sobre o torneio. Daqui a alguns dias haveria um confronto entre crianças de dez anos, e Hao Yun queria que a professora Li Meng o acompanhasse. Com um responsável junto, esse “menino de dez anos e cento e vinte meses” não teria medo. Após receber uma resposta positiva, Hao Yun foi buscar Chen Guanxi no hotel.
— Este é o seu carro? — Chen Guanxi ficou surpreso ao ver que Hao Yun tinha um carro; ele mesmo tinha perguntado aos organizadores se poderiam emprestar um veículo para o passeio daquele dia.
— Sim, é só para locomoção. Sobe logo, não seja exigente — Hao Yun, de óculos escuros, fez sinal para Chen Guanxi entrar pela janela que baixava lentamente.
As estrelas vindas de Hong Kong estavam hospedadas naquele hotel, atraindo muitos fãs que rondavam a região. Naquela época, os fãs eram quase todos de estrelas de Hong Kong e Taiwan, incluindo grupos como o F4, que tinham estourado no ano anterior.
— O carro é até bom — elogiou Chen Guanxi, sem muita convicção.
Como filho de família rica e já com altos rendimentos após entrar no meio artístico, Chen Guanxi era apaixonado por Ferrari, possuindo vários modelos. Não só tinha carros, como também gostava de correr com eles. Entre as estrelas de Hong Kong, ele e Xie Tingfeng frequentemente competiam corridas. Xie Tingfeng corria para aliviar o estresse, já Chen Guanxi era movido pela paixão por carros de alto desempenho, especialmente esportivos.
Ele costumava dirigir um 360 Modena azul a toda velocidade. Desta vez, Xie Tingfeng teve problemas numa corrida, e Chen Guanxi quase se complicou por causa do pacote postal, então ambos mantiveram-se discretos por um tempo. Mas era evidente que esses filhos da elite nunca valorizavam essas “novas oportunidades”.
Hao Yun conversava com ele sem muito compromisso, levando-o propositalmente para as áreas mais movimentadas, para que aquele rapaz, criado em Vancouver e vivendo agora em Hong Kong, pudesse ampliar seus horizontes. Não era uma competição com Hong Kong, mas sim para mostrar a esses visitantes relutantes o quanto o continente estava crescendo.
Essa vaidade, na verdade, era quase risível. Para quê se importar com o que os outros pensam? O importante é viver bem. Se a vida não é boa, pouco adianta os elogios, o que conta é o povo viver com qualidade.
— Nosso filme já começou a ser divulgado, avisaram você? — perguntou Chen Guanxi. Parecia que não havia muita divulgação no continente, provavelmente porque o filme não seria exibido por lá.
— Não, quando pretendem lançar? — Hao Yun não se importava muito; era apenas um coadjuvante, o sucesso ou fracasso da bilheteira não mudaria nada em sua vida.
— Dia doze de dezembro, uma data escolhida pelo Dragão Rei — respondeu Chen Guanxi, com um meio sorriso.
— Espero que venda bem — desejou Hao Yun, enviando um pouco de sorte.
— Da última vez que bebi com Andrew (Liu Weiqiang), ele mencionou a possibilidade de uma segunda parte. Não te interessa? — Chen Guanxi olhou para o perfil de Hao Yun, que seguia sem expressão.
Óbvio, que expressão ele poderia ter? Ele já tinha aproveitado bastante das vantagens de Chen Guanxi, conseguiu até um pouco de habilidade com direção, mas depois percebeu que tinha caído numa armadilha. Primeiro, as regras de trânsito eram diferentes. Segundo, havia um impulso de querer voar com o carro. Parecia aquele momento de segurar o que já está pronto para sair; é difícil não ficar sério.
— Pode continuar, só que comecei a dirigir há pouco tempo e preciso me concentrar.
— Ele disse que, se o filme tiver uma boa bilheteira, vão fazer uma continuação — comentou Chen Guanxi com um sorriso de desdém. Tão velho e só agora aprendendo a dirigir.
— Já sabia disso, não é novidade — respondeu Hao Yun, sem entender o porquê da pergunta. Claro que se der dinheiro, vão continuar, se não, abandonam. O mercado de Hong Kong não permite mais riscos. Ouvi dizer que Zhou Xingxing está preparando um filme e conseguiu um investimento de vinte milhões. Mas o vinte milhões dele não tem nada a ver com o de “Conexão Infernal”; é em dólares americanos. Impressionante! O capital de Hong Kong já não arrisca tanto, e quem investiu em Zhou Xingxing foi a Columbia Pictures dos Estados Unidos.
— Você sabia que o roteiro de “Conexão Infernal 2” já está pronto? Você e eu vamos continuar, com mais destaque — confidenciou Chen Guanxi a Hao Yun.
— Não vão fazer uma continuação? — Hao Yun ficou surpreso.
— Chen Yongren morreu, como fazer uma continuação? Vai ser um prelúdio, centrado em você e em mim — explicou Chen Guanxi, sabendo que seria protagonista, talvez até o principal. Com o filme montado, Liu Weiqiang e a equipe ganharam muita confiança, por isso já pensam em como realizar “Conexão Infernal 2”.
— Não vão escolher outro ator para fazer o jovem Chen Yongren? — Hao Yun não tinha grandes expectativas, mas ao saber que teria mais destaque, não conseguiu evitar a empolgação.
— Quem mais poderia ser? — rebateu Chen Guanxi.
— Se eu assumir o papel, será que eles vão se sentir incomodados? Um papel tão grande para um ator do continente — Hao Yun riu, sem receio de comentar isso diante de Chen Guanxi.
Curiosamente, ao ouvir Hao Yun brincar sobre o cinema de Hong Kong, Chen Guanxi passou a respeitá-lo ainda mais.
Esses jovens, se quisermos ser gentis, são audaciosos; se quisermos ser críticos, não têm noção dos próprios limites. Adoram desafiar as regras estabelecidas pela geração anterior.
— Você devia considerar se mudar para Hong Kong, de qualquer modo, lá as oportunidades são maiores. O mercado está difícil, mas o capital ainda é forte — sugeriu Chen Guanxi, achando que Hao Yun teria futuro no mundo do entretenimento de Hong Kong. Falava cantonês, atuava como Liang Chaowei, poderia criar um personagem chamado “Pequeno Liang Chaowei”, e os papéis cairiam no seu colo.
— Se surgir oportunidade, com certeza vou — respondeu Hao Yun, sem recusar. Seja por fama, dinheiro ou para aprender com um mercado mais maduro, não fazia sentido limitar-se ao cinema do continente. E, além do mais, por aqui, só lhe davam papéis de ladrão de prata.
Era mesmo difícil.
Passaram o dia visitando vários pontos turísticos e comerciais, e à noite Hao Yun levou Chen Guanxi ao Candy Bar. Hao Yun era até mais frequente que Park Shu e sua turma, sendo quase um cantor residente. Muitos clientes antigos o reconheciam, e não faltavam gorjetas; aquela noite, certamente não pagaria pelas bebidas.
— Você canta bem, músicas que nunca ouvi — comentou Chen Guanxi, que não era muito fã desse tipo de bar musical, preferia discotecas, mas Hao Yun não o levou. Ele era o príncipe das pistas, e conhecendo gente nova podia até tirar algumas fotos artísticas.
— São minhas músicas, só lancei um EP, te dou uma cópia depois — respondeu Hao Yun, sem beber, porque ainda teria de dirigir para levar Chen Guanxi de volta.
— Por que não participa do show? — perguntou Chen Guanxi sem pensar.
— Por que você não tenta ser presidente dos Estados Unidos? — retrucou Hao Yun, direto.
— Hahaha! — Chen Guanxi caiu na risada.
Rindo daquele jeito, era impossível não chamar atenção, ainda mais ao lado de Hao Yun, o que fez com que logo fosse reconhecido.
— É o Chen Guanxi?
— O Chen Guanxi de Hong Kong!
— Parece mesmo, ele é o cantor mais promissor do ano no CCTV-MTV de Hong Kong...
— Deve estar aqui para o show.
— Chen Guanxi, gosto muito de você, pode me dar um autógrafo?
Ele estava na estrada há apenas dois anos, e não era só famoso em Hong Kong e Taiwan, mas também tinha muitos fãs no continente, alguns adoravam seu jeito meio blasé. E todos achavam que ele era muito simpático, com uma aparência semelhante ao nosso tio Zhao Benshan.