Capítulo 0093 - Concorrência Desleal
Na noite do dia 22, o telefone tocou diretamente no celular dele.
Naquele momento, Hao Yun estava sentado no tapete de palha ao pé da porta, segurando metade de uma melancia e cavando pedaços com uma colher para comer.
O calor de julho e agosto era realmente insuportável, e o ventilador mal fazia diferença.
Do outro lado da linha, começou uma apresentação, que realmente não soava como golpe. Depois de confirmar sua identidade, finalmente chegaram ao assunto principal.
— Hao Yun, seus resultados possivelmente atingem a linha de corte para a Universidade de Pequim, mas percebi que você não teve coragem de se inscrever. Isso é fácil de resolver: basta assinar um acordo conosco e faremos sua admissão antecipada.
— Com quantos pontos eu fiquei? — Hao Yun perguntou, curioso.
Afinal, estimar a nota era apenas uma suposição. Se errasse uma questão grande, a diferença poderia ser de mais de dez pontos, sem contar a redação, que era ainda mais difícil de prever.
— Não podemos divulgar isso agora, afinal, os resultados ainda não foram publicados. — Era claro que não podiam dizer; se contassem, Hao Yun não se preocuparia mais.
A disputa entre as duas melhores universidades era como um filme de espionagem: se você estivesse entre os dez melhores do vestibular estadual, nem mesmo poderia escolher seu curso sozinho.
Os professores responsáveis pela seleção em Tsinghua e Pequim saberiam sua nota na hora e ligariam sem parar.
Quem ligaria primeiro — Tsinghua ou Pequim — dependia de sorte e agilidade.
— Não precisam insistir, Tsinghua já me contou minha nota geral. Com um resultado tão bom, posso escolher qualquer universidade que quiser.
Hao Yun não se deixava abalar por essas pequenas jogadas — não esqueça que ele era um ator.
Seu talento para falas foi treinado ao absorver as melhores qualidades de Tang Guoqiang, Jiang Wen e Ge You, o que fazia dele um verdadeiro mestre em conversas cotidianas.
O professor do departamento de admissão de Pequim, ao ouvir isso, não achou que Hao Yun estava tentando enganá-lo, mas sim que o concorrente havia passado dos limites.
Nem era o melhor aluno de humanas, apenas o terceiro colocado, precisava mesmo de tanto esforço?
Concorrência desleal, que vergonha.
— Ora, Hao Yun, isso não é nada! Tsinghua só te contou a nota geral, isso não é nada demais. Nós podemos te dizer as notas detalhadas de cada matéria: Chinês, 125; Matemática, 142; Inglês, 127; Ciências Humanas, 249; totalizando 643...
Chinês, 125 — seis pontos a mais do que havia estimado; parece que a redação foi melhor do que esperava.
Matemática, 142 — uma agradável surpresa, o corretor reconheceu o valor; mesmo descontando pontos por passos, tirou só dois.
As notas de Ciências Humanas e Inglês estavam próximas do que havia previsto.
643 pontos — não sabia qual era sua posição.
Mas Hao Yun já não se importava.
Para entrar na Academia de Cinema de Pequim, 643 ou 343 não fazia diferença.
Em poucas palavras acalmou o professor do outro lado e encerrou a ligação com Pequim.
Logo depois, o telefone de Tsinghua tocou.
Todos os anos, as duas universidades lutavam pelo topo, e o corte do último admitido definia o prestígio de ambas.
Desta vez, Tsinghua foi ainda mais ousada: ao saber que Pequim havia revelado as notas de cada matéria, resolveram ir além e contaram a posição de Hao Yun.
Terceiro lugar!
O jovem Hao Yun, o terceiro colocado.
Também lhe disseram que o melhor aluno de humanas deste ano em AH tirou 656 pontos, apenas treze a mais.
Se tivesse acertado aquela questão de múltipla escolha em matemática...
Se gastasse mais três mil para contratar um gênio do inglês, poderia ter superado Shi Xiaoqiang, o aluno unilateral.
O melhor de humanas poderia ter sido ele.
As duas universidades, tentando conquistar Hao Yun, ofereceram todo tipo de vantagens: bolsas, isenção de mensalidade, escolha irrestrita de curso.
Tsinghua foi direta: para quem fica entre os cinco melhores do estado, uma bolsa de boas-vindas de dez mil ao entrar.
Além disso, cada faculdade tem seus próprios incentivos, podendo chegar a vinte mil no total.
Quatro anos de estudos sem gastar nada.
Era realmente tentador, até Hao Yun ficou balançado.
Mas Pequim também sabia jogar.
Dizem que certa vez, para conquistar o melhor aluno de exatas, a Escola Guanghua de Pequim ofereceu total liberdade de curso, bolsa ilimitada e, o mais ousado, admitiu até a namorada dele, que tinha uma nota um pouco abaixo, como condição do pacote.
Hao Yun não tinha namorada, nem queria ir para Pequim ou Tsinghua, então encerrou a ligação.
É claro, isso não significava o fim.
Nos próximos dias, certamente seu telefone tocaria sem parar — uma sensação que os alunos medianos jamais experimentariam.
Ligar ainda era o estágio inicial. Em breve, viriam pessoalmente à casa do estudante, e, se você não tivesse acordado, o grupo de admissão já estaria na beira da sua cama.
Os professores levavam os candidatos ao hotel, oferecendo comida e conforto, mas sem deixá-los sair, com medo de que alguém do lado de fora o convencesse a mudar de ideia.
Depois, o levavam de carro, quase como um sequestro, para acampamentos de verão.
Dizem que algumas universidades até levavam a família toda para viajar, para que as outras instituições não pudessem encontrá-los.
Se Pequim e Tsinghua já ligaram, as outras universidades não demorariam.
Mas, para surpresa de Hao Yun, quem ligou em terceiro lugar foi justamente a Academia de Cinema de Pequim.
O que era curioso.
Nas tradicionais disputas anuais por candidatos, as escolas de arte como a Academia de Cinema e a de Drama raramente participavam.
Não conseguiam competir, nem fazia sentido tentar.
De que adiantava trazer o melhor aluno do estado para a Academia de Cinema? Queria deixá-lo numa vitrine?
Mas este ano era diferente.
O diretor Zhang Huijun ficou atônito ao desligar o telefone; um amigo do sistema de admissão lhe contou que havia um candidato de AH com 643 pontos inscrito para o curso de Interpretação.
Só restava ligar para quem era responsável e pedir confirmação.
A escola já estava de férias, encontrar alguém era complicado, mas ao ver que o diretor estava perguntando, o responsável tratou de averiguar imediatamente.
Hao Yun.
Nota 93,8 no exame artístico — o melhor deste ano.
Prestou o vestibular de AH como candidato independente, somou 643 pontos, terceiro colocado em humanas no estado.
Pequim e Tsinghua estavam de olho nele.
Mas o que deixava a Academia de Cinema em situação delicada era que Hao Yun só havia colocado uma opção no formulário.
Academia de Cinema de Pequim, curso de Interpretação.
Não preencheu para Pequim, nem para Tsinghua.
Isso forçava a escola, que nunca ousara competir com as duas gigantes, a tomar uma atitude.
“Estamos dispostos a lutar até o fim, por que Vossa Majestade se rende primeiro?!”
Se não fizessem nada, o prestígio de mais de cinquenta anos da escola cairia por terra.
O colégio formou um grupo especial para discutir rapidamente: “O que podemos oferecer que Pequim e Tsinghua não podem?”
Ao final da discussão, para mostrar sinceridade, pensaram bem em quem faria a ligação.
Wang Jinsong!
Hao Yun fez a primeira e a terceira fase do exame artístico com Wang Jinsong como examinador, e ele seria o futuro orientador da turma de Interpretação de 2002.
Rumores diziam que Hao Yun e o professor Wang Jinsong tinham uma misteriosa sintonia.
Frequentemente trocavam sorrisos silenciosos.
Wang Jinsong...
Ah, aquele “louco que atira elásticos na janela dos outros”.
Hao Yun atendeu ao telefone com o rosto cheio de dúvidas.
Não fazia sentido.
Se a Academia de Cinema ligou, é porque queria “disputá-lo”.
Não era estranho que não fosse o diretor Zhang Huijun a ligar.
Na China, o respeito às relações é levado a sério; se o diretor ligasse para você, teria que se achar muito importante. Mesmo que estivesse ouvindo a conversa ao lado, jamais ligaria pessoalmente.
O diretor não ligar era compreensível, mas e os outros líderes?
Por que deixar um “louco” ligar?