Capítulo 124: Grande Herói Qiao, estou cuspindo sangue por sua causa
Somente ao cair da tarde chegou a vez de Hao Yun.
Isso já era um ótimo sinal; Hao Yun pensava que só seria chamado no dia seguinte.
Zhou Xiaowen, ao dirigir, gostava de estabelecer um centro de ação e fazer com que os outros atores girassem em torno desse ponto para realizar suas tarefas. Assim, independentemente de quantos atores estivessem em cena, nada saía do controle. Por isso, suas filmagens eram incrivelmente rápidas e eficientes. Além disso, como Yu Min e Ju Jueliang haviam formado uma segunda unidade para gravar cenas paralelas, Zhang Jizhong finalmente não precisava se preocupar com o cronograma de produção.
Na época de "A Lenda dos Heróis Condores", o maior conflito entre ele e Wang Rui era que o último era um perfeccionista, filmando na velocidade de uma tartaruga e, ainda por cima, insatisfeito com o trabalho de Yu Min. Só se podia dizer que ambos tinham seus problemas.
— Sua ação é simples: você voa, pega o cadáver cenográfico, tenta decolar e então Xiao Feng o detém. Você cai no chão, luta para se levantar e cospe sangue — explicou Zhou Xiaowen brevemente.
— Entendido. Mas esse roteiro é muito fraco, eu, um dos Quatro Grandes Vilões, não consigo nem aguentar um golpe — resmungou Hao Yun.
— Pense por outro ângulo: você recebeu um golpe da Palma dos Dezoito Dragões e apenas cuspiu sangue; isso também mostra que você é forte. Não há muito o que interpretar aqui, apenas faça o voo e a captura parecerem bonitos — disse Zhou Xiaowen, chamando Yuan Bin para ajudar.
Para esse tipo de cena, era preciso alguém profissional como Yuan Bin.
— Quando ele estiver voando, podemos fazer um close-up da subida — sugeriu Yuan Bin.
— E se eu girasse no ar? Não ficaria mais legal? — Hao Yun participou da discussão, tentando aumentar a dificuldade da cena, afinal, quanto maior a dificuldade, mais impressionante o resultado.
Embora o que Zhou Xiaowen e Yuan Bin tivessem planejado já fosse bom, Hao Yun temia que o público quisesse mais. O melhor era elevar o nível ao máximo.
— Pode ser, mas é melhor não vomitar, tem muita gente embaixo — brincou Yuan Bin.
— Vou me segurar!
Embora a participação fosse curta, foi dividida em várias tomadas. Após a cena do voo, veio a queda. Normalmente, os atores pediam dublês, mas Hao Yun fazia questão de fazer ele mesmo — ele não se achava superior a nenhum dublê.
— Fique aí! — Hu Jun rugiu e desferiu o golpe de palma.
Os cabos de aço puxaram Hao Yun, arremessando-o contra a mesa preparada no chão. Aquela mesa também era um objeto cenográfico; não dava para usar algo de alta qualidade que servisse como martelo o dia todo, mas também não podia ser de isopor para manter o efeito visual.
Hao Yun segurou o boneco que representava o cadáver e se chocou pesadamente contra a mesa de vinho, fazendo com que os figurantes ao redor sentissem um arrepio.
*Esse cara está se esforçando demais*, pensaram. Diziam que esse rapaz também tinha sido figurante em Hengdian, mas, por não se contentar com a rotina, "traiu" a base e foi prestar exame para a Academia de Cinema da Capital.
Hao Yun levantou-se cambaleando. Confirmado que a tomada estava boa, o aderecista correu para lhe entregar uma bolsa de sangue. O conteúdo era conhecido como "sangue de Kensington", uma mistura de xarope, água, amido de milho e corante, que parecia sangue real. Bastava morder e cuspir para finalizar a cena.
Tudo isso era uma atuação básica que, com os atributos de atuação que Hao Yun acumulava, tornou-se extremamente fácil. Os atributos não se acumulavam, mas podiam se fundir. Pontos de 80 e 50 se fundiam em um novo atributo de 80, mas carregando as características de ambos. E Hao Yun ainda adicionava sua própria interpretação.
— Pronto, sua parte acabou. A próxima cena é daqui a uma semana — disse Zhou Xiaowen.
Hao Yun era apenas um coadjuvante. Em uma série de dezenas de episódios, ele não aparecia mais de vinte vezes, e grande parte disso era como pano de fundo. Assim que terminou, Hao Yun trocou de roupa e tirou a peruca.
— Velho Wang, vamos jantar? — Agora que Hao Yun não estava tão pobre, começou a esbanjar um pouco. Comer fora era sua marca registrada.
— Espere um pouco, vamos todos juntos, pode ser? — Liu Tao ainda não tinha terminado sua parte. Na verdade, ela não estava interessada em Hao Yun, mas sim no cachorro dele.
Chen Hao também. Ela não tinha cenas há dias e pretendia ir embora de manhã, mas ficou encantada por Heidou. Então, decidiu ficar até o dia seguinte. Wang Shunliu achava que Heidou era apenas um vira-lata comum, mas Chen Hao sabia que era um Shiba Inu preto. Ela nunca tinha visto um exemplar tão bonito e com um temperamento tão dócil.
Os Shiba Inu de seus amigos costumavam ser teimosos, recusavam-se a obedecer e odiavam ser tocados. Comparado a eles, aquele cachorrinho era extremamente carinhoso. Duas belas atrizes querendo jantar com ele, mas sem qualquer interesse romântico, tudo por causa de um cachorro.
— Mestre Qiao, vamos jantar? — Hao Yun chamou. Ele e Hu Jun se davam bem.
— Você vai pagar? — Hu Jun estava se desfazendo da maquiagem.
— Não deveria ser você? Mestre Qiao, aquele golpe seu me fez cuspir sangue! — Hao Yun disse, sentindo-se injustiçado.
— Ei, eu nem encostei em você!
— Foi a energia interna! Você usou toda a sua força contra mim.
Hu Jun não sabia o que responder; sentia que não falava a mesma língua que Hao Yun. Eles tinham apenas 14 anos de diferença, não deveria ser um abismo tão grande.
No fim, cinco pessoas foram jantar, com Hu Jun, o ator mais bem pago, pagando a conta.
— Por que você trouxe o cachorro? — Hu Jun estendeu a mão para fazer um carinho, mas como o animal estava no colo de Liu Tao, ele recuou para evitar mal-entendidos. Atores precisavam ser cautelosos.
— Este é o Heidou. Veja como é fofo, é apenas um bebê — Liu Tao estava derretida.
— Ele tem um formato de coração no peito... Hao Yun, você vende o Heidou? Posso pagar um preço alto — Chen Hao sabia que era um pedido ousado. Ela era muito mais famosa que Hao Yun, tendo estreado em grandes produções. Ela estava em um nível que Hao Yun não poderia ofender.
— Pergunte a ele mesmo — Hao Yun nem levantou os olhos. O caminho que ele escolheria, ele mesmo decidiria.
— Heidou, a tia compra coisas gostosas para você, constrói uma mansão e arranja alguém para cuidar de você o dia todo. Você quer vir com a tia? — Chen Hao tocou o focinho do cachorro com o dedo, com uma voz doce e melosa.
— Psiu! — Hao Yun assobiou.
Assim que o som parou, Heidou começou a se agitar. Ele se soltou do colo de Liu Tao, balançou o rabo e subiu no colo de Hao Yun, latindo alegremente.
— ... — Um simples assobio e o cachorro o seguiu. Era impossível não ficar sem jeito.
Chen Hao ficou ainda mais fascinada. Ela até pensou em ajudar Hao Yun a conseguir um papel de coadjuvante importante em troca da posse de Heidou.
— Irmã Chen, você não disse que ia embora? Por que ainda está aqui? — An Xiaoxi, mascando um iogurte, encontrou Chen Hao no corredor do hotel.
— Decidi ficar, não tenho nada para fazer mesmo — Chen Hao cruzou os braços, e uma cabeça de cachorro surgiu por baixo da gola de seu sobretudo.
— *Soluço!* — An Xiaoxi se assustou e soltou um soluço. Era como ver um monstro de duas cabeças.
— Espere um pouco, Chen Hao, o Heidou é emprestado! — Liu Tao estava realmente irritada. Ela não tinha uma relação tão próxima com Chen Hao. Chen Hao era caprichosa e arrogante, e elas eram apenas colegas distantes. Liu Tao tinha pedido o cachorro emprestado para passar a noite, e enquanto ela buscava a ração e o cobertor, Chen Hao simplesmente roubou o bicho. *Vadia, roubou meu cachorro!*