Capítulo 0126: Ei, irmão (bônus para assinantes 1/17)
"Que tal escalarmos um estrangeiro para o papel do grande vilão?"
O grupo discutia o filme e logo o assunto recaiu sobre os personagens que ainda não tinham intérpretes definidos.
"Um vampiro vindo da Europa, um estrangeiro funcionaria bem, e ainda ajudaria a aumentar a receita internacional." O produtor Long Biyi, sendo ele próprio um estrangeiro, naturalmente não se opôs.
"Ele precisa ser muito bom de briga. Minhas coreografias de ação serão complexas, que estrangeiro daria conta disso?" Donnie Yen, sentindo-se humilhado por estrangeiros em Hollywood, falava sem rodeios.
"E precisa ser muito bonito. Neste filme, Zheng Yijian e Chen Guanxi são nossos rostos principais; o ideal seria encontrar um vilão também atraente." Lin Chao-hsien desta vez decidiu apoiar Donnie Yen.
Talvez suas concessões constantes não fossem o caminho certo.
"E tem que ser barato. Não sobra muito dinheiro para contratações, certamente não poderemos pagar Liu Furong", lembrou o produtor He Qing.
"O Tingfeng poderia fazer uma participação especial?", perguntou Donnie Yen. Xie Tingfeng era agenciado pela Emperor, era bonito e não custaria caro.
"De jeito nenhum." Devido a um escândalo, ele havia anunciado sua saída da cena musical; embora ainda pudesse atuar, seu nome estava no centro de uma polêmica.
"Que saiba lutar, seja bonito e barato!", resumiu Lin Chao-hsien, acrescentando: "Quanto ao mercado externo, não precisamos nos preocupar, com Jackie Chan no elenco, o mercado internacional está garantido."
Pagar dez milhões a Jackie Chan era um preço de amigo. Caso contrário, nem por vinte milhões seria possível contratá-lo. O objetivo era o mercado estrangeiro, que atualmente idolatrava Jackie Chan; onde quer que ele aparecesse, os ingressos seriam vendidos, e a um preço nada baixo.
"Eu conheço alguém assim, embora não seja famoso", disse Donnie Yen coçando a cabeça. "Conheci durante as filmagens de 'Herói' no continente. É um gênio das artes marciais, bonito e com uma movimentação elegante... Deixe-me lembrar o nome dele."
"Alguém do continente serve. Sendo vilão, a falta de fama significa que será barato", frisou o produtor He Qing, focado no orçamento. Certamente não poderiam escalar um ator do continente como protagonista, mas para vilão, não havia problema.
"O nome dele é fácil de lembrar..." Donnie Yen deu um tapa na própria testa, tentando recuperar a memória. De repente, uma luz brilhou.
"Hao Yun!", disparou Donnie Yen. "É esse o nome."
"Hao Yun? O Yun-zai? Aquele com pouco mais de 1,80m, uns vinte anos, com aquela cara de quem está sempre desdenhando de tudo?", perguntou Chen Guanxi, que também estava presente.
"Mais ou menos isso, mas ele é bem humilde, não tem essa cara de arrogante", respondeu Donnie Yen, convencido de que falavam da mesma pessoa.
"No nosso último filme, 'Conflitos Internos', ele interpretou a versão jovem do meu personagem. Ah, lembrei! Foi o Tony Leung quem o recomendou. Quando ele estava filmando, Liu Furong também o recomendou para o filme de Johnnie To", detalhou Chen Guanxi.
"Tony Leung? Então é ele mesmo. Nós bebemos juntos num bar uma vez", confirmou Donnie Yen, sem sobrar dúvidas.
"Ele é realmente bom de briga?", perguntou Chen Guanxi, que achava já ter uma alta estima por Hao Yun.
Ele não esperava que Hao Yun tivesse habilidades ocultas.
"Muito forte. O principal é que ele aprende muito rápido. Se eu crio uma coreografia, ele quase não precisa de treino para atingir o nível que eu exijo." Foi por isso que Donnie Yen se lembrou dele. Como diretor de lutas, o maior pesadelo é um ator com cérebro de porco, que além de não entender a coreografia, não tem coordenação motora, obrigando o uso de dublês. Não que usar dublês seja proibido, mas muitos closes de impacto e cenas estilosas não podem ser filmados dessa forma.
"Se for ele, quanto vamos pagar de cachê?", perguntou Chen Guanxi. Como alguém que ele respeitava, não queria que oferecessem migalhas a Hao Yun. Seria um insulto ao rapaz e a ele mesmo.
"Que tal vinte mil dólares de Hong Kong?", sugeriu o produtor He Qing. O filme tinha um orçamento de cinquenta milhões; descontando o valor de Jackie Chan, restavam quarenta milhões. Vinte mil não era muito, mas para alguém do continente, era um valor aceitável. Tsui Hark, em "Zu: Guerreiros da Montanha Mágica", pagou apenas algumas dezenas de milhares a Wu Jing.
"Ele interpretou um papel importante em 'Conflitos Internos' e trabalhou com Johnnie To. No continente, já participou de duas novelas baseadas nas obras de Jin Yong e, este ano, prestou o vestibular, ficando entre os três melhores de sua província. Ele já tem uma boa popularidade por lá", argumentou Chen Guanxi. Ele não estava satisfeito, mas também não dividiria seu próprio cachê de um milhão com Hao Yun.
"Cem mil dólares de Hong Kong. Cem mil é um valor justo", decidiu Donnie Yen. Ele não sabia muito sobre a situação atual de Hao Yun, mas cem mil já era uma quantia muito respeitável. As gêmeas do grupo Twins, Charlene Choi e Gillian Chung, ganhavam algumas centenas de milhares. Mas elas eram as protagonistas, e o filme inteiro girava em torno delas.
Como Donnie Yen deu a palavra final, a equipe de produção não se opôs; afinal, cem mil não era um valor exorbitante.
"Eu mesmo farei a ligação. Com certeza vou convencê-lo", disse Chen Guanxi, sentindo-se o responsável pelo sucesso da contratação. Ele não mencionou que Hao Yun recebeu apenas alguns milhares por "Conflitos Internos"; se falasse, talvez nem os vinte mil iniciais quisessem pagar.
Hao Yun estava lendo quando recebeu a ligação de Chen Guanxi.
"Ei, irmão, o que você está fazendo?"
"Nada demais, apenas filmando. Passo a maior parte do tempo lendo quando estou livre. Por favor, fale em mandarim, meu cantonês é péssimo", respondeu Hao Yun. E, aliás, quem é seu irmão, seu pervertido que gosta de filmar mulheres?
"Estamos com um filme aqui. O grande vilão precisa ser bonito e saber lutar. Você tem interesse?", Chen Guanxi foi direto ao ponto.
"É um libertino?", perguntou Hao Yun instintivamente. Ele não se importava em fazer o vilão, afinal, em quase todos os seus papéis, ele era o vilão.
"Como assim?"
"O grande vilão é um tarado ou um estuprador?", insistiu Hao Yun.
"Não! É um vampiro, um zumbi", respondeu Chen Guanxi, sem entender o porquê daquela preocupação.
"Vampiro? Deve ser um vampiro velho, né? Você acha que eu tenho cara de velho?", perguntou Hao Yun, que não sabia da reunião e aproveitou para enrolar, já que o tempo de ligação era pago por minuto.
"É um vampiro, mas ser jovem não impede de ser velho", disse Chen Guanxi, explicando brevemente o papel.
"Já acabei com cinco príncipes, agora vou acabar com o sexto... Espere, por que não sete? Lembro que precisa de sete para invocar o dragão, e os anões são sete, os irmãos Hulu são sete...", Hao Yun tinha um pouco de TOC. Por que seis? Morrer por causa de um a mais?
"Você vai aceitar ou não?", Chen Guanxi achava que Hao Yun era maluco.
"Quanto pagam?", perguntou Hao Yun, desanimado. Ir tão longe por um vilão num filme que parecia ser bem ruim... Filmes ruins não eram um problema, desde que o pagamento fosse bom.
"Cem mil dólares de Hong Kong."
"Cem mil... é um pouco baixo, mas pelo seu convite, eu considero. Só que tenho compromissos no continente. Quanto tempo vai levar? As cenas de luta são concentradas?"
Cem mil! Hao Yun ficou chocado. Ele sabia que os atores de Hong Kong ganhavam bem, mas não imaginava que fosse tanto. Em "Conflitos Internos", ele recebeu apenas alguns milhares.
"Espere um pouco..." Chen Guanxi tapou o microfone, perguntou ao diretor e respondeu: "Suas cenas são divididas em duas partes, bem concentradas. São basicamente lutas, no máximo duas viagens de uma semana cada."
"Vou pedir a agenda ao diretor amanhã. Se puderem coordenar, não tem problema. Ah, quem é o diretor de cenas de ação?"
Hao Yun tentou manter a voz calma. Ele não queria fazer filmes ruins, mas o pagamento era tentador, além do convite especial do seu "irmão".