Capítulo 0106 - Basta Soprar Bem (Anne Sai de Casa sem o Urso, Acréscimo de Patrocinador 1/3)
Na parte da tarde, Yuan Bin finalmente apareceu.
Zhao Jian era considerado um bom coordenador de lutas no continente, mas não chegava nem aos pés de Yuan Bin. No disputado cenário dos coordenadores de ação de Hong Kong, Yuan Bin estava facilmente entre os dez melhores.
Se fosse para estabelecer uma hierarquia, Yuan Bin com certeza seria o coordenador-chefe. Mas como “Os Oito Dragões Celestiais” era uma produção continental e Zhao Jian era de confiança de Zhang Jizhong, o nome dele vinha antes do de Yuan Bin nos créditos.
Estar à frente significa trabalhar mais. Por isso, Zhao Jian praticamente vivia ali, liderando uma equipe de dublês para os treinos intensivos dos atores, enquanto Yuan Bin só aparecia de vez em quando.
Dessa vez, Yuan Bin veio por causa de Lin Zhiying. Porém, como Lin só chegaria dali a uns dias, resolveu ajudar a criar as coreografias de habilidades leves para Hao Yun.
“Eu sou Hao Yun, muito prazer, Mestre Yuan Bin.” Hao Yun foi ao encontro dele e apertou sua mão. A mão de Yuan Bin era robusta e forte, inconfundível para quem treinava a força física constantemente.
Artes Marciais +230!
Ótimo, este sim tem habilidade de verdade!
“Você é da Província de Cantão?” Yuan Bin ficou surpreso.
Hao Yun cumprimentou-o com um cantonês fluente. Yuan Bin, na verdade, falava mandarim muito bem; sem isso, não teria conseguido se firmar no continente. Mas encontrar alguém falando cantonês ali o fazia se sentir em casa. Esse sentimento de pertencimento regional era comum em todo o país.
“Aprendi quando filmava em Hong Kong, com o pessoal da equipe. Não falo muito bem, espero que não se incomode.” A frase de Hao Yun era carregada de informações.
O principal era destacar que já trabalhara em Hong Kong.
De fato, assim que ouviu isso, Yuan Bin ficou curioso: “Com quem você trabalhou?”
“Liu Weiqiang, Mak Siu Fai, e o diretor Du Qifeng.” Atualmente, para prosperar nesse meio, era preciso saber se vender.
Se você não se promovesse, seria apenas mais um figurante, talvez nem entre os vinte primeiros do elenco de uma série, praticamente um extra.
Mas depois dessa apresentação, Yuan Bin, que antes não ligava muito para Hao Yun, imediatamente ficou atento.
Liu Weiqiang e Du Qifeng eram, sem dúvida, diretores de primeira linha em Hong Kong.
Se Hao Yun conseguiu um papel nas equipes deles, mesmo que secundário, era sinal de competência.
Sem falar que, durante as gravações, Hao Yun ainda aprendeu cantonês.
Contudo, Yuan Bin era experiente demais para acreditar em tudo que ouviam e perguntou casualmente: “O novo filme do Du Qifeng, que estilo tem?”
Ele havia trabalhado com Du Qifeng em “Flores Negras”, como coordenador de lutas.
“Parece um pouco com ‘Fogo Cruzado’, mas o enredo é bem diferente. Eu fiz o papel de policial, acompanhando Ren Dahua patrulhando pela cidade o dia todo.” Hao Yun respondeu sem hesitar.
“PTU, né?” Yuan Bin lembrou. Esse filme estava em produção há anos e, ao que tudo indicava, finalmente tinha sido concluído.
“Isso, esse é o nome.”
“Com esse visual, atuando como policial do PTU, deve ter ficado estiloso demais.”
“Tive sorte de sobreviver até o final, ninguém de nós morreu.”
“Isso é raro, nos filmes do Du Qifeng geralmente os protagonistas morrem.”
“Pois é, foi sorte mesmo. Na última cena, fiz uma pose ajoelhado, durante o tiroteio, ficou super estiloso...”
“Quando estreia? Preciso assistir.”
“Não faço ideia, talvez no ano que vem.”
Os dois conversavam animadamente, deixando os outros ao redor boquiabertos, com vontade até de trazer papel amarelo e galinha para selar uma irmandade.
Quebrar a cabeça de uma galinha, queimar papel amarelo, jurar fraternidade eterna.
“Esse papel que você escolheu não é bom, tem pouco destaque. Você já trabalhou com Du Qifeng e ainda assim pegou um papel tão pequeno?” Yuan Bin não se conformava por Hao Yun.
Será que ele só gostava de papéis assim?
“Não teve jeito, conheci o Mestre Zhang antes, e aquele outro filme ainda nem estreou. Em dezembro, tem ‘Entre o Céu e o Inferno’, espero ganhar um pouco mais de fama.” Hao Yun encarava a situação com leveza, nunca esperou crescer de uma vez só.
“Ok, vou caprichar na sua coreografia, o Zhang Jizhong já disse que podemos inovar um pouco.”
Yuan Bin era assim: falava e agia. Primeiro, avaliou a altura e o porte físico de Hao Yun.
No romance original, Yun Zhonghe era descrito como magro feito um frango, mas Zhang Jizhong não exigiu que Hao Yun emagrecesse; estava satisfeito com o físico dele.
Ou seja, essa versão de Yun Zhonghe seria uma ruptura em relação ao livro e às adaptações anteriores.
O nome “Yun Zhonghe” já fora usado como pseudônimo por outros antes, dentro e fora das histórias de artes marciais, sempre como um mestre em técnicas leves.
Claro, o que mudava era só a imagem de Hao Yun; o personagem continuava sendo um ladrão libidinoso, apenas um pouco mais recatado no gosto e nos métodos.
Agora ele preferia moças respeitáveis — e quem não gosta? — sonhando em ter uma amizade “biológica” com elas. Quando não aceitavam, ele tentava à força.
A malícia era dominante, mas o charme também estava presente.
Pelo menos não era tão baixo.
Além da mudança visual, o mais importante eram as coreografias.
“Leve como a garça nas nuvens, à beira d’água como a gaivota. Convidado das montanhas, pairando e prometendo ficar. Ainda há o Príncipe Montado na Baleia, voando pelos oito cantos, imponente como o outono. Banquete à luz da lua, vinho e poesia fluem.”
“Relembrando o passado, cresce a inspiração, chamando a barca celestial. Quem pode se prender, com os olhos turvos na poeira? Vai direto às estrelas, sobe ao palácio de jade, e lá se diverte. Ao olhar para trás, o mundo é apenas um banco de areia.”
Esse poema foi escolhido por Zhang Jizhong e Zhou Xiaowen para o perfil do personagem.
Serviria para resumir os movimentos de Yun Zhonghe.
E o motivo para trabalhar tanto nesse personagem não era porque Hao Yun tinha fama de “dar socos no asilo do sul e chutes na creche do norte”.
Como responsável pelo legado das obras do Sr. Jin, Zhang Jizhong quebrava a cabeça para inovar.
Repetir as versões anteriores estava fora de questão.
Mesmo com melhores efeitos especiais e locações, o preconceito do público seria fatal.
A única chance era dominar a ideia de “subversão”.
Yun Zhonghe era sua cobaia.
Apesar de ter pouco tempo em cena, o personagem chamava atenção: era um dos Quatro Grandes Vilões, “salvou” Wang Yuyan, e fora considerado o alter ego do autor fora dos romances.
Se essa reinvenção fosse bem aceita, poderia-se ampliar a ousadia.
Se fracassasse, não haveria grande perda.
Quanto ao futuro de Hao Yun, pouco importava para Zhang Jizhong.
“Depois avise o figurinista para criar roupas largas e com mangas compridas, assim, voando, parecerá uma garça.” Yuan Bin mergulhou no trabalho e logo encontrou uma solução.
Com esse nome, Yun Zhonghe, o ideal era buscar leveza e graça.
O “Passo das Ondas” de Duan Yu era marcado pelo caminhar sutil, com foco no “pisar”, ou seja, um “frango” que só andava pelo chão.
Já Yun Zhonghe, também de estilo etéreo, teria movimentos de “planar”.
Um salto direto ao céu.
Um voo, uma fuga, sumindo no ar.
Zhang Jizhong não permitia quebrar a lógica do livro — o poder e a leveza de Yun Zhonghe não poderiam ser alterados — mas desde que ficasse bonito, não era problema.
Em termos de força, Yun Zhonghe nem entrava no ranking.
Mas em técnicas leves, ele podia estar entre os melhores — caso contrário, como um ladrão desses teria sobrevivido?
“Assim?” Hao Yun abriu os braços e pulou no mesmo lugar.
Sentiu-se mais como uma galinha do que como uma garça.
“Vai ter que usar cabo de suspensão. Já trabalhou com isso? Tem medo de altura? Nosso conceito é te levantar bem alto.” Yuan Bin só então percebeu que havia esquecido de perguntar.
“Fique tranquilo, estou só começando nas artes marciais, mas já sou um praticante.”
Com um coordenador tão dedicado, não seria o medo de altura que iria detê-lo.
Hao Yun não tinha medo de altura; se não fosse pela gravidade, queria até voar para ombrear com o sol.
Yuan Bin mandou os dublês prepararem tudo.
O centro de treinamento tinha todo tipo de equipamento.
O treinamento de atores não era para aprender a lutar de verdade, isso nunca era ensinado — não era necessário para as filmagens.
O foco era desmontar os movimentos, fazer com que cada ator soubesse usar seu próprio corpo em cena.
Mais importante ainda era se adaptar ao uso dos cabos.
Assim evitavam descobrir, no meio das filmagens, que o ator tinha medo de altura e, ao ser içado, acabava se borrando ali em cima.
“Última checagem dos equipamentos, tudo certo? Ok, três, dois, um... 1, 2, 3, 4, puxem, ok, 1 e 2 puxam, 3 e 4 soltam, rápido... Perfeito!”
Yuan Bin, com o rádio na mão, mandou içar Hao Yun.
Assim que foi levantado, Hao Yun fez uma pose de “garça de asas abertas”, primeiro subiu, depois voou rapidamente para trás.
O resultado ficou ainda melhor do que Yuan Bin imaginara.
Alguns atores, mesmo concordando em serem içados, ficavam duros como peixe morto, sem ajudar em nada.
Já Hao Yun cumpriu no ar quase todos os movimentos exigidos, controlando bem o ângulo e a expressão.
Com esse nível profissional, ele poderia ser o principal nome do elenco.
No centro de treinamento, ninguém mais treinou, todos viraram plateia.
Hu Jun babava de inveja.