Ao terminar essa viagem, ao retornar para a casa um tanto fria, deixou a mochila de lado e se jogou no sofá, onde ficou de olhos fechados, imóvel, por quase meia hora antes de pegar o telefone e pedir comida entregue em casa. Só depois de saciada e descansada, com o cansaço da viagem quase dissipado, levantou-se revigorada, trocou de roupa por uma veste mais confortável e, após uma higiene rápida no banheiro, finalmente teve ânimo para conferir o que havia trazido da viagem.
Não fora uma viagem comum. Sua intenção era realizar o desejo da avó, um sonho que ela nunca pôde concretizar. Esperava que, de algum lugar do paraíso, a avó pudesse acompanhar cada passo daquela jornada repleta de saudade. Por isso, durante toda a viagem, não teve cabeça para diversão, tampouco pensou em trazer qualquer lembrança típica do lugar.
Além da bagagem de ida e volta, algumas telas já finalizadas e incontáveis fotos no cartão de memória da câmera, havia ainda uma caixa de ferro, pequena, um pouco maior que a palma da mão, já enferrujada, mas ainda bem conservada, trancada com um minúsculo cadeado de bronze. Sem chave, abriria seria uma tarefa trabalhosa.
— Vovó, veja só, essas são paisagens da cidade X e do vilarejo X. Tem lugares mesmo muito bonitos, parecidos com o que você descrevia, mas tantos outros já mudaram completamente! Se você visse com seus próprios olhos, será que ficaria decepcionada? — murmurou ela, folheando as imagens da terra natal da avó na câmera, os olhos marejados e, ainda assim, um sorriso suave nos lábios.
— Pelo menos aquele templo ainda exi