Capítulo Trinta e Dois: O Prestígio da Bela
Com uma audição aguçada, mesmo que o grupo estivesse a quase trinta metros da fogueira, sem recorrer à percepção espiritual, Xiaoyao Zuo e Hongtian Luo já conseguiam ouvir claramente a conversa dos recém-chegados, que acabavam de surgir da floresta próxima.
Ao olhar em resposta às vozes, viram cinco jovens correndo cambaleantes em direção ao local onde eles estavam: três rapazes e duas moças, todos com cerca de vinte anos. As roupas estavam rasgadas em vários pontos, deixando-os com um aspecto bastante desleixado. Ofegantes, carregavam mochilas de montanhismo, mas era evidente que os três rapazes suportavam um peso maior.
Durante mais de um ano vagando por Shennongjia, nunca tinham encontrado uma alma viva — bem, exceto os homens selvagens. E hoje, surpreendentemente, cruzaram primeiro com um companheiro cultivador e agora com esse grupo de jovens radiantes, claramente estudantes explorando a região. Xiaoyao Zuo se perguntava silenciosamente que tipo de dia estava tendo.
Ao se aproximarem da fogueira, um dos rapazes, o mais alto do grupo, foi o primeiro a falar: “Olá! Somos estudantes da Faculdade de Medicina T. Podemos nos juntar a vocês? Desculpem o incômodo!”
Ambos, embora não fossem excessivamente solícitos, sentiram simpatia por aqueles cinco, que, apesar da situação precária, haviam se apoiado mutuamente para chegar até ali. Hongtian Luo, que acabava de descartar a espinha de peixe que devorara e usava um lenço para limpar a boca, assentiu: “Podem se juntar por enquanto. Sentem-se e descansem um pouco.”
Soltando o braço da colega a quem dava apoio, um dos rapazes — o de óculos e estatura baixa — sentou-se imediatamente ao lado de Hongtian Luo, demonstrando certa familiaridade e exclamou, com um tom de orgulho: “Shennongjia é mesmo enorme! Que dia de azar o nosso. Mal escolhemos o lugar para acampar, nos deparamos com um lobo. Um lobo de verdade! Felizmente era só um e não parecia faminto, não nos perseguiu com afinco. Senão, estaríamos em apuros! Ah, de onde vocês são? Só dois por aqui, não acham perigoso?”
Uma das moças, de aparência delicada, agachou-se animada diante de Xiaoyao Zuo, tentando acariciar o urso branco dócil em seu colo: “Uau! Um urso branco de Shennong! Nunca pensei que realmente encontraríamos um. Parece tão fofo! ...Por que ele não me deixa tocar?”
O urso respondeu com um rosnado impaciente, balançando a cabeça, mas Xiaoyao Zuo, sem explicar que também haviam encontrado o animal naquele dia, apenas sorriu gentilmente: “Ele é um pouco desconfiado. Não somos estudantes, apenas estamos de passagem.”
Discretamente observando Hongtian Luo e Xiaoyao Zuo, a outra moça, de traços finos e belos, sorriu suavemente: “Não esperava que profissionais como vocês também gostassem de aventuras. Tomara que, quando começarmos a trabalhar, possamos fazer algo assim! Ah, esquecemos de nos apresentar. Eu sou Liu Yingyue, do curso de Medicina Tradicional da Faculdade T. Eles são meus colegas: Zhang Jingfeng, Li Shiqiang, Bai Xiang e Feng Zheng.”
Hongtian Luo, lançando um olhar aparentemente casual a Liu Yingyue, respondeu com indiferença: “Meu sobrenome é Luo. Minha amiga se chama Xiao. Está ficando tarde, comam algo e descansem.”
Pegando uma das últimas peças de peixe assado, Zhang Jingfeng, o rapaz de óculos, falou sem cerimônia: “O cheiro desse peixe está ótimo! Vocês têm talento. Ainda tem mais? Yingyue, essa é pra você!”
Liu Yingyue aceitou naturalmente o peixe, enquanto Bai Xiang virou o rosto e fez uma careta, e os outros rapazes não demonstraram surpresa. Hongtian Luo, mantendo a voz calma, respondeu: “É o último.”
Na verdade, com suas habilidades, tanto Xiaoyao Zuo quanto Hongtian Luo poderiam facilmente capturar mais peixes, coelhos ou aves selvagens, se quisessem. Mas a maneira pouco educada dos estudantes já lhe causava irritação. O sorriso de Xiaoyao Zuo também se tornou mais contido — não se importava com quem comia o peixe, mas ver seus pertences sendo oferecidos assim, sem cerimônia, lhe causava desconforto. Não gostava da postura daqueles jovens, que tratavam os dois como se fossem velhos amigos.
Sem perceber a mudança de atitude de Hongtian Luo e Xiaoyao Zuo, Zhang Jingfeng exclamou novamente, de forma exagerada: “Sério? Só isso para o jantar? Trouxeram mais comida? A nossa ficou para trás...”
“Jingfeng, tenho alguns lanches aqui. Se está com fome, coma isso primeiro.” Feng Zheng, o rapaz mais introvertido, finalmente interrompeu.
Zhang Jingfeng aceitou alegremente a caixa de biscoitos, agradecendo em alto e bom som: “Obrigado, cara! Você é esperto, conseguiu salvar comida mesmo naquela situação! ...Xiao... Qual é seu nome completo? Você parece mais jovem que nós, por que não está estudando?”
Mesmo com comida, não conseguia parar de falar. Xiaoyao Zuo, com um sorriso que parecia gentil, mas já impaciente, alimentou a fogueira e respondeu friamente: “Meu nome é Xiao Yao. Já me formei.”
“Mas você terminou o ensino médio ou técnico? Tão jovem, já trabalhando... que pena!” Bai Xiang comentou, saboreando macarrão instantâneo, exibindo a superioridade de quem é universitária.
Xiaoyao Zuo, vendo que os dois não entendiam o que significa respeito mútuo, e que eram excessivamente diretos, sentiu-se desconcertada. Por sorte, Li Shiqiang — o primeiro a cumprimentá-los — percebeu o clima e interveio: “Isso é assunto particular da senhorita Xiao. Não precisamos saber tanto. Comam logo e descansem, ainda temos que fazer vigília à noite!”
Li Shiqiang parecia ter certa autoridade entre os cinco. Apesar da insatisfação, Zhang Jingfeng e Bai Xiang aquietaram-se por um tempo. Mas logo a conversa mudou de foco: vestindo roupas de marca e com traços elegantes, Hongtian Luo, que acabara de comer o peixe, foi alvo das perguntas de Liu Yingyue, que, curiosa, investigou sua vida como se fosse um registro de residência. No fim, Hongtian Luo, já impaciente, respondeu com a testa franzida: “Sou como Xiao Yao. Vivo nas montanhas, sem carreira, sem diploma universitário, nem esse salário anual que você perguntou.”
Com isso, o ambiente ficou tenso. Após um breve silêncio, Feng Zheng, desconfortável, sugeriu: “Já que todos comeram, melhor descansarmos. Vocês podem dormir primeiro. Eu cuido da vigília até a meia-noite, depois Shiqiang assume, e Jingfeng fica de madrugada.”
O assunto foi desviado e o clima se aliviou. Liu Yingyue, que estava em situação embaraçosa, recuperou-se um pouco. Embora Xiaoyao Zuo e Hongtian Luo não quisessem se envolver demais com três dos cinco estudantes, por consideração a Feng Zheng e Li Shiqiang, decidiram não abandoná-los, mesmo que a presença da grande cobra de gelo no lago tivesse afugentado outros predadores da região.
Percebendo que Hongtian Luo não era nada parecido com o que sua aparência elegante sugeria, Liu Yingyue, acostumada a ser admirada, sentiu-se desconcertada pela falta de cortesia do rapaz. Ela não sabia, contudo, que por sua verdadeira identidade não poder ser revelada, as perguntas que fazia eram impossíveis de responder, independentemente da riqueza ou status de Hongtian Luo, pois ele não pretendia inventar uma história para si.
A boa impressão inicial com os cinco jovens se dissipara por completo; agora só restava impaciência. Sentindo-se tratado com desrespeito, Hongtian Luo não se dispunha a se humilhar diante daqueles estudantes comuns. A beleza da moça não era algo que ele considerasse; para ele, só importava o cultivo e o caráter. Afinal, criado desde pequeno em um mundo onde o respeito se baseia na força, seu primeiro critério para avaliar alguém era sempre o nível de cultivo.
ps: Obrigado à Garota Confusa pelo apoio! Segundo capítulo publicado!