Capítulo Cinquenta e Seis: Mãos Manchadas de Sangue
ps: Peço a todos que apoiem bastante assinando, amanhã haverá dois capítulos, ah, vou tentar garantir que ambos não custem apenas seis centavos para quem for iniciante na assinatura!
Observando friamente o carro que, depois de buscar alguém nos arredores, voava em direção ao centro da cidade S, mesmo com certa hesitação no coração, Zuo Xiaoyao não abandonou de forma alguma o que precisava fazer. As pessoas devem pagar o preço por seus atos, esse sempre foi seu princípio!
— Então, quer dizer que o velho já foi atrás daquela garota da família Zuo?
Ao ouvir o jovem sentado no banco de trás fazer essa pergunta pensativo, Wang Quanjin, que dirigia pessoalmente, apressou-se em concordar.
— Sim, o velho estava muito nervoso e ansioso. Assim que descobriu o paradeiro de Zuo Xiaoyao, não só mandou o senhor Liu ir imediatamente vigiar, como também entrou em contato com Zhao Jingru, pedindo que ela desse um jeito de segurar a garota. Está realmente levando isso muito a sério, e eu não faço ideia do motivo.
Tentando descobrir, sem ser notado, o que em Zuo Xiaoyao poderia justificar tamanha importância, o jovem não conseguiu esconder o desagrado, resmungando antes de responder friamente:
— O que o velho faz não cabe a nós questionar! Não se preocupe tanto, apenas faça bem a sua parte. A julgar pelo rendimento deste trimestre, a Hongxin tem deixado a desejar ultimamente!
Wang Quanjin sentiu um frio na espinha, sua mão tremeu no volante, e o carro fez um leve ziguezague. Antes que o jovem o repreendesse, ele engoliu todo o orgulho de presidente do Grupo Hongxin e passou a se desculpar nervosamente:
— Desculpe, desculpe! Lamento tê-lo assustado, senhor Yuan!
O jovem de sobrenome Yuan soltou outro resmungo, então perguntou, como se fosse algo casual:
— Você avisou ao velho sobre minha volta?
— Não, não avisei. Já que o senhor não mandou, não me atrevi a tomar tal iniciativa.
Na verdade, o velho havia instruído antes de viajar que, se ele não entrasse em contato, não deveriam perturbá-lo sob hipótese alguma. Mas essa verdade só passou pela mente de Wang Quanjin por um instante. Vendo pelo retrovisor que o semblante do jovem suavizava, percebeu que sua resposta o agradara e sentiu certo alívio.
Pensava se justificaria a queda do desempenho do grupo com as condições do mercado, quando sentiu que o carro, descendo uma ladeira, perdeu o controle e foi de encontro ao guard-rail. Tudo aconteceu de repente. Esse Mercedes-Benz novíssimo parecia ter vontade própria, não respondendo a nenhum comando, nem mesmo ao freio.
Diferente de outra noite, quando, embriagado, quase atropelou um pedestre por pura imprudência, agora era o medo de ser ele mesmo a vítima de um acidente terrível.
— Senhor... senhor Yuan... a situação... não... ah!
Infelizmente, quando Wang Quanjin, já desesperado, olhou para o jovem no banco de trás esperando que, com seus supostos poderes sobrenaturais, encontrasse uma saída, percebeu que o jovem estava pálido. Ficava claro que uma força dominava o carro, que, depois de destruir o guard-rail, caiu desgovernado pelo barranco de pedras ao lado, e o jovem, privado de qualquer energia espiritual, não podia fazer nada.
O barranco, reforçado com cimento e pedras, era tão íngreme quanto profundo. Mesmo sendo um excelente automóvel, depois de rolar e bater várias vezes sob uma força sobrenatural, ficou irreconhecível, e seus ocupantes, em situação lastimável.
Vendo que o carro, como desejara, repousava de cabeça para baixo ao final do barranco, Zuo Xiaoyao, que sequer tocava o solo, estabeleceu uma barreira ao redor, olhou para os dois berrando de dor dentro do carro e, primeiro, recuperou o rastreador e escuta escondidos atrás do banco do motorista. Diante do olhar arregalado e aterrorizado de Wang Quanjin, que sangrava e estava preso, mas ainda consciente, lançou um olhar zombeteiro ao jovem Yuan, igualmente imobilizado no banco de trás, e, num tom gélido, disse:
— Espero que tenham gostado do presente que preparei todos esses anos.
Só então Wang Quanjin, como se esquecesse de toda a dor, implorou em prantos:
— Zuo Xiaoyao, você é a Zuo Xiaoyao! Por favor, tenha piedade, salve-me! Nunca te fiz mal, somos parentes, sua irmã é minha nora, seu pai é meu irmão de consideração, dei a eles uma vida confortável, você não pode fazer isso comigo, eu...
— O que você faz com os outros não me diz respeito. Meio mês atrás, você causou um “acidente” que matou uma pessoa; agora, o acidente é com você. Como se sente? Carma existe, e não falha.
A cena era realmente cruel, mas Zuo Xiaoyao, com um sorriso frio, não sentia nenhum arrependimento ou desconforto, pelo contrário, uma satisfação sutil crescia em seu peito. Talvez esperasse por isso desde que, dez dias antes, ao monitorá-lo, viu Wang Quanjin atropelar deliberadamente um desconhecido, um caso que acabou arquivado oficialmente por “autor não identificado”. Que retribuição poderia ser mais prazerosa do que aplicar a mesma moeda ao culpado?
Lançou um olhar ao jovem Yuan, agora desmaiado por causa da técnica que lhe aplicara. Satisfeita com o “acidente” que arquitetara, Zuo Xiaoyao não planejava deixar rastros, mesmo sabendo que sua decisão poderia trazer-lhe grandes problemas; só restava apagar o máximo de vestígios possível. Antes da chegada da polícia ou dos bombeiros, incendiou o tanque quase cheio do carro.
Certa de que nada escapara, vendo que ambos não poderiam sobreviver, Zuo Xiaoyao, envolta no véu de fuga, voltou rapidamente ao apartamento alugado e só então respirou aliviada. Mesmo não sendo seu “lar”, servia como refúgio temporário.
Se pensasse bem, era a primeira vez que cometia um ato tão extremo; tirar duas vidas de uma vez. Agora, ao refletir, percebeu que o rancor entre eles nem era tão grande assim. E, sem sentir ter vocação para se tornar uma assassina, a satisfação da vingança logo deu lugar a um sentimento complexo, quase duvidando se fora ela mesma a responsável por tudo aquilo.
Mas, reconstituindo mentalmente todos os motivos, o desenrolar e o desfecho do ocorrido, percebeu que não se arrependia. Não lamentava ter manchado as mãos de sangue, e, quanto aos dois que mantinha presos, também não pretendia perdoá-los.
Zuo Xiaoyao queria uma vida simples, sem intrigas ou lutas, sem precisar desconfiar das pessoas com quem mantinha relações cordiais. Mas a vida nunca é tão simples, sempre força as pessoas ao limite do cansaço.
Assim como nunca poderia imaginar, dois anos atrás, que entraria no caminho da cultivação, Zuo Xiaoyao também jamais pensara, àquela altura, que, para se proteger e sobreviver, seria capaz de planejar e executar algo tão sangrento.
Contudo, agora que estava nesse caminho, não cogitava recuar, mesmo que o preço fosse alto, e o que perdesse jamais pudesse recuperar. O que precisava fazer, faria. Organizando as informações “vistoriadas” de Liu Cheng e seus comparsas, e observando-os confusos e assustados, Zuo Xiaoyao logo recuperou a lucidez no olhar.
— Ah!... Sua demônia, ousa destruir meu cultivo? Eu vou te matar! Cuidar de um tigre só traz desgraça! Se soubesse antes...
Ignorando os gritos de ódio de Liu Cheng, agora livre das restrições, e protegida por uma barreira de som que impedia qualquer incômodo aos vizinhos na madrugada, Zuo Xiaoyao respondeu friamente:
— Meu avô sempre te tratou como um filho, e você o traiu por causa desse tesouro da família He que imagina existir?
Através de sua técnica, só pôde ver os acontecimentos marcados na memória de Liu Cheng, não seus pensamentos ou motivos. Em tempos difíceis, ele, um órfão que mendigava para não morrer de fome, foi salvo pelo avô de Zuo Xiaoyao, que o acolheu como criado. Sobreviveu graças a isso.
Talvez por sorte, enquanto o avô trabalhava como mestre numa escola rural, Liu Cheng chamou a atenção de um cultivador que passava, e o avô, mesmo sem entender, deixou que ele seguisse aquele destino.
Ao ouvir as palavras de Zuo Xiaoyao, Liu Cheng hesitou, a lembrança que sempre evitou encarar voltou, e, embora tenha cometido muitos crimes desde que se tornou cultivador, aquela traição sempre o envergonhou, sem conseguir encontrar desculpa para conspirar contra Zuo Xuanhui, seu benfeitor.
Nessa fração de segundo, a fúria por ter perdido todo o seu poder diminuiu, e, cabisbaixo, respondeu, como se falasse consigo mesmo:
— Eu só queria saber o que havia naquela caixa, só queria saber onde estava o tesouro da família He. Se aquela caixa era o maior tesouro da família, lá haveria pistas, mas o jovem senhor nunca quis entregá-la, só me repreendia, nunca quis entregar... Eu não queria fazer mal a ele...
A voz era fraca, mas Zuo Xiaoyao, com sua audição apurada, ouviu tudo. Controlando sua raiva, respondeu, sarcástica e dura:
— Não queria fazer mal? Matou com as próprias mãos quem o salvou da morte, forçou o único filho a fugir e viver no exílio, e mandou vigiar minha avó durante décadas. Não sente culpa? Por isso, com esse seu talento, seu cultivo nunca progrediu. Isso é o que se chama justiça!