Capítulo Seis: O Cultivo Alcança Resultados
Capítulo Seis – O Cultivo Traz Resultados
Sem saber para que servia aquele medalhão de jade, Zuo Xiaoyao decidiu se concentrar apenas nos “livros” feitos de um material desconhecido. Como os caracteres nos “livros” eram todos da nova escrita que ela havia acabado de aprender, a leitura não lhe trouxe dificuldades.
Como seu objetivo no momento era bem definido, mesmo percebendo que a maioria daqueles “livros” se dedicava a apresentar ervas espirituais, suas características de crescimento, ilustrações, modos de plantio e propriedades medicinais, Zuo Xiaoyao não se deteve nos detalhes. Sem prestar atenção ao tempo que o relógio marcava, ela só se deu conta do quanto se passara quando, após examinar mais da metade de duas estantes, finalmente encontrou dois volumes ilustrados que explicavam tanto os fundamentos da cultivação quanto a constituição dos meridianos do corpo humano.
Foi então que soube que, para trilhar o caminho da cultivação, era necessário possuir uma constituição especial chamada de raiz espiritual; sem ela, jamais se adentraria de fato nesse mundo. Mesmo que se tivesse acesso às técnicas, elas serviriam apenas para prolongar a vida e fortalecer o corpo, jamais permitindo absorver o qi, transformar em essência ou construir uma base sólida.
Dormia quando se cansava, recomeçava ao acordar, e assim, após vários dias imersa nos “livros”, Zuo Xiaoyao enfim compreendeu o básico sobre cultivação. Só ao sentir novamente a fome no estômago e checar o relógio percebeu que, naquele espaço onde não havia distinção entre dia e noite, seis dias se haviam passado.
No mundo real, já era meio-dia. Pediu uma refeição rápida, comeu depressa e voltou imediatamente ao espaço de Ziyuan para tentar cultivar. Recitando o mantra da técnica, aliando-o ao método respiratório especial, tentou mais de dez vezes sem qualquer resultado. Já se questionava se não estaria ansiosa demais, pensando em descansar antes de continuar, quando sentiu um fiozinho de energia percorrendo seus meridianos, trazendo uma leve sensação de cócegas. Zuo Xiaoyao explodiu de alegria.
Foi só então que se livrou de vez da dúvida sobre possuir ou não a tal constituição espiritual. Embora já soubesse que essa qualidade se dividia em inferior, média, superior e suprema, o fato de conseguir absorver qi indicava que tinha potencial. Quanto ao grau exato, isso lhe era impossível saber.
Sem tempo para se apegar à dúvida, repleta de confiança, Zuo Xiaoyao voltou sua atenção para a prática. Percebeu que a energia aumentava a cada ciclo da técnica, o que a empolgou ainda mais. Esqueceu-se do tempo, do cansaço, mergulhando no cultivo.
Só quando percebeu que, por mais que se esforçasse, não conseguia mais reproduzir o estado anterior, ela encerrou a sessão. Suas pernas estavam dormentes de tanto tempo sentada, o estômago roncava de fome. Olhou o relógio: ainda faltavam oito dias para o alarme soar; isso significava que havia cultivado por quase cinco dias seguidos!
Espantada, Zuo Xiaoyao achou notável como o tempo passava depressa no cultivo. Esse era seu maior assombro agora, mais do que lamentar ter levado cinco dias para sentir um fio de energia, o que talvez revelasse que sua aptidão...
Ela já havia percebido que, naquele espaço, o tempo corria dez vezes mais rápido que no mundo real, e que suas necessidades fisiológicas também se ampliavam proporcionalmente. Era um fenômeno misterioso: sentir-se saciada com apenas uma refeição a cada cinco ou seis dias... prático, embora estranho!
Tomada de intensa alegria pelo progresso, deixou o espaço para buscar comida, sentindo-se radiante. Já era noite. Numa pequena lanchonete próxima ao condomínio, pediu comida e, sem se importar com os olhares alheios, devorou três pratos e quatro tigelas de arroz, o dobro ou triplo do que costumava comer.
Retornou ao espaço de cultivação, com seis dias até o próximo alarme. Dormiu a maior parte do “dia”, reorganizou os pensamentos e voltou à prática. Desta vez, porém, o estado de cultivo se manteve por apenas dois dias; ao emergir, percebeu que, mesmo tentando, não conseguia mais retornar ao mesmo estado. Decidiu, então, alternar descanso com treinamento. Nos intervalos, lia os “livros” que podia, mesmo sem compreender tudo ou conseguir memorizar.
Chegando o dia combinado com Wang Zijia, arrumou-se rapidamente. Era fim de semana e, planejando visitar a casa da amiga, hesitou e resolveu ligar antes para perguntar se seria conveniente.
— Xiaoyao, hoje... é melhor não vir — disse Wang Zijia, com a voz surpreendentemente abatida.
Zuo Xiaoyao estranhou e baixou o tom: — Aconteceu alguma coisa?
...
Após longo silêncio, Wang Zijia começou a chorar: — Meu pai... tem outra... e me ensinou... minha mãe já sabe... estão brigando...
— O quê?!
— Você também está surpresa, não está? Eu também! Nunca imaginei que meu pai fosse esse tipo de pessoa! Ele tem uma amante, até teve um filho, e agora apareceram aqui... É irônico! Que ironia! Nunca pensei que algo assim pudesse acontecer comigo...!
Gritando quase à beira do desespero, a voz de Wang Zijia transbordava raiva, mágoa, tristeza e decepção. Ela sempre acreditou que sua família era perfeita. Por ouvir o desabafo, Zuo Xiaoyao sentiu certo alívio.
Ela estava surpresa, sim, mas não tanto quanto Wang Zijia imaginava. Zuo Xiaoyao já sabia dos casos extraconjugais do “tio Wang” — e não era só um. Também sabia que a mãe de Wang Zijia estava ciente e investigava, em segredo, os bens do marido. Quem nunca soube de nada, sempre fora Wang Zijia!
Talvez os pais de Zijia soubessem disfarçar bem demais. Aparentavam um amor perfeito e enganaram a todos. Não fosse Zuo Xiaoyao ter descoberto esse cruel segredo por acaso, também acreditaria que aquela era uma família feliz e rara nos tempos modernos.
Depois disso, mesmo sendo bem tratada pelos pais de Zijia, Zuo Xiaoyao passou a evitar visitas à casa deles. As muitas ocorrências em sua própria família, ao longo do ano, também ajudaram a disfarçar sua mudança de atitude.
Quando cai a máscara, a realidade sempre se mostra fria e impiedosa. Lembrando-se de como Wang Zijia, ao ver notícias sobre lares destruídos por amantes ou disputas financeiras, sempre agradecia por sua própria família, Zuo Xiaoyao sentiu a boca seca, sem saber como consolar a amiga.
Quando soube da verdade, Zuo Xiaoyao pensou em contar a Wang Zijia, mas a razão venceu o impulso. Já havia sentido o gosto da traição familiar e preferiu que a amiga vivesse um pouco mais na ilusão, ainda que a felicidade fosse apenas uma bolha prestes a se romper.