Capítulo Setenta e Sete – O Visitante Inesperado
— Quem... — Quando Guan Tianyue viu o recém-chegado agir com tamanha ousadia, não pôde deixar de se irritar, erguendo a voz. Porém, ao avistar uma figura prateada cortando o céu como uma espada, percebeu que, no instante em que a luz surgiu no horizonte, já era intensa e resplandecente, e antes que pudesse terminar sua frase, a figura já se aproximava, deixando para trás imagens distorcidas e esmaecidas no ar, enquanto sua luz se retraía a poucos metros de altura. Diante disso, embora Guan Tianyue ainda não distinguisse claramente o rosto do visitante, já percebia que havia algo de extraordinário naquele ser. Ao notar o manto de cor amarela-âmbar, sentiu um calafrio repentino e engoliu o grito, mudando o tom:
— Que amigo imortal nos honra com sua presença?
O recém-chegado parecia apressado, sem tempo para responder a Guan Tianyue, limitando-se a bradar:
— Saia da frente, rápido...
Em seguida, passou voando pelo lado esquerdo de Guan Tianyue, dirigindo-se diretamente para o canal em convulsão.
Guan Tianyue percebeu claramente: o estranho vestia um manto amarelo-âmbar com as mangas bordadas com um diagrama do Tai Chi; sua aparência era a de um jovem de vinte e poucos anos, rosto quadrado, sobrancelhas retas e olhos de tigre, exalando um misto de irreverência, arrogância e certo charme quase demoníaco.
Mas não teve tempo para maiores observações, pois os gestos do recém-chegado quase fizeram Guan Tianyue perder o controle. Ao vê-lo chegar ao canal, girou amplamente as mangas do manto, lançando um raio dourado sobre o escudo de luz rubra. O brilho do escudo quase se extinguiu; quando voltou a brilhar com força, o canal, que já se estreitava, piscou e quase se fechou num instante!
— Maldição! — Guan Tianyue já não se importava com o decoro. Canalizou sua energia imortal, condensando seu corpo de cem metros em um feixe de luz da grossura de um polegar, arremessando-se pelo canal que se fechava!
— Hahaha... — O recém-chegado gargalhou à frente, enquanto Guan Tianyue entrava logo atrás. Mal o feixe de luz penetrou no canal, o escudo rubro se fechou com estrondo! Logo depois, a cor sanguínea tremeu, dividindo-se em sete áreas que se retraíram; ao tocar a Montanha das Sete Almas, espalhou-se como tinta vermelha sobre papel de arroz. A montanha, que exalava um ar primitivo, fragmentou-se em pedaços, restando apenas sete árvores estelares que persistiam teimosamente no vazio.
Mas logo trovões ecoaram no horizonte, nuvens sombrias irromperam como marés, e as folhas das árvores estelares começaram a secar e cair. Em pouco tempo, as árvores se desfizeram em luz estelar, e a Montanha das Sete Almas desapareceu sem deixar vestígios.
Diante da montanha, inúmeros espíritos da Montanha dos Espíritos Primordiais perambulavam, seus desejos crescendo como ervas daninhas. Mas, ao ver o céu coberto de nuvens e armas brilhando como relâmpagos, esses seres, acostumados a ser caçados pelos imortais, fugiram em debandada, temerosos demais para permanecer.
Uma nuvem escura pairou sobre a montanha. Um imortal em armadura, segurando um artefato em forma de espelho quadrado, apareceu entre as nuvens. Examinou o artefato, seus olhos projetando um brilho prateado enquanto vasculhava os arredores, o rosto tomado por perplexidade. Logo, soprou um jato de energia imortal sobre o espelho, cuja superfície floresceu em luzes cintilantes. Depois de observar por um momento, recolheu apressado o artefato e alçou voo, mergulhando nas nuvens contínuas.
Uma voz autoritária retumbou:
— Por que parou aqui?
— Senhor... — respondeu respeitosamente o imortal, — o rastro do rebelde desapareceu neste ponto, não consigo determinar para onde foi!
— Donzela da Cachoeira de Gelo, ajude Xia Qing.
— Sim, senhor... — Uma voz cristalina respondeu, e logo triângulos de luz cristalina espalharam-se por centenas de quilômetros, enquanto milhares de raios prateados caíam do céu. Dentro da luz, surgiram visões misteriosas. Após algum tempo, os cristais sumiram e a voz feminina voltou a soar:
— Senhor, aqui há indícios de força estelar em fúria, como se alguém tivesse usado um artefato imortal para rasgar o caminho das estrelas. Se não me engano, o rebelde empregou alguma habilidade desconhecida para escapar...
— Maldição! — bradou a voz autoritária. — Há indícios da direção do caminho estelar?
— Existem quatro possibilidades. Já marquei as posições no artefato de Xia Qing!
— Rápido, dividam-se em quatro grupos... — ordenou a voz. — Não deixem que o rebelde fuja com o artefato!
— Sim, senhor! — responderam dois imortais em uníssono. As nuvens se dividiram, rolando em quatro direções. Na última delas, uma bela imortal envolta em luz prateada, graciosa como uma flor de pessegueiro, afastou as nuvens e revelou-se. Olhou para a montanha desolada abaixo e sorriu levemente:
— Não imaginei que tuas artimanhas fossem tão refinadas, que nem mesmo eu pude encontrar-te. Bem, cuida do teu próprio destino...
Enquanto isso, Xiao Hua voava há algum tempo quando sentiu uma estranha inquietação. Continuava a subir, mas o cume da montanha parecia sempre distante, como se realmente alcançasse os céus e a terra.
Xiao Hua parou, querendo sondar com sua mente a montanha em que meditava, mas de repente, uma sombra gigantesca emergiu silenciosamente do topo!
Sem hesitar, Xiao Hua ascendeu ainda mais rápido.
— Boom! — Um vendaval irrompeu sob seus pés. O vento, afiado como lâminas, atingiu a rocha, arrancando pedras e deixando profundas marcas.
— Gaaah! — O grito de uma ave, com bico de dezenas de metros, cortou o ar em sua direção, o vento assoviando como espadas!
— Maldição, como esse Peng Jun é tão poderoso! — Xiao Hua confiava sobretudo em sua arte de fuga, mas mesmo depois de subir milhares de metros, o Peng Jun quase o alcançou só com um movimento. Percebendo o perigo, murmurou um palavrão.
— Vai! — Xiao Hua lançou o Selo do Mar. O artefato girou no ar, projetando uma sombra de bronze sobre o bico do Peng Jun.
— Puff... — O bico abriu-se, e um vendaval esverdeado não só dissipou a sombra do selo, como também lançou o próprio artefato, impedindo-o de atingir o alvo!
— Vai, vai, vai! — bradou Xiao Hua, mais uma vez canalizando sua energia. O Selo do Mar brilhou intensamente em amarelo, e, naquele momento, o dragão, há muito ausente, rugiu e emergiu, agitando nuvens e assustando o Peng Jun. O dragão agarrou o selo e lançou-se sobre o adversário, que, por sua vez, desceu com suas garras gigantes.
— Puf, puf! — As garras rasgaram o dragão, mas o selo despedaçou a carne do Peng Jun.
— Auuuu... — O Peng Jun uivou de dor, tornando-se ainda mais feroz. Em um raio de cem quilômetros, furacões se formaram, sugando energia espiritual em direção a suas asas! Ele as abriu, investindo com força total contra Xiao Hua!
Xiao Hua recolheu o selo e preparou o Tesoura do Dragão Ascendente, mas ao examinar seu espaço interior, percebeu que o Mestre dos Trovões já havia devolvido seu Bastão dos Desejos!
Radiante de alegria, Xiao Hua encarou o Peng Jun, sentindo o vento violento balançar seu corpo diminuto. Diante de tal criatura, seu espírito de luta cintilava como o sol nascente.
— Avante! — gritou do fundo da garganta, erguendo o Bastão dos Desejos, sentindo um prazer selvagem mais intenso que o próprio poder imortal.
— Uuuuh! — O bastão desceu, o som do vento não se comparava ao desafio do Peng Jun. Este, ao ver o bastão, olhou com desdém, como se fosse um brinquedo.
— Pá! — O Bastão dos Desejos atingiu com precisão o crânio duro como pedra do Peng Jun!
O Peng Jun sentiu como se uma montanha desabasse sobre si. Tudo escureceu e, soltando um grito agonizante, caiu do céu.
— Ué? — Xiao Hua também se surpreendeu, não esperando que o bastão fosse tão eficaz. Desde que chegara ao mundo imortal, o bastão raras vezes tivera efeito semelhante ao do mundo humano, ficando aquém de sua fama ancestral.
Observando as asas trêmulas do Peng Jun, Xiao Hua compreendeu e riu alto:
— Esse pássaro miserável achou que meu bastão era igual ao Selo do Mar! Nem chegou a usar seu verdadeiro poder, mereceu! Hahaha...
Terminando a risada, viu que o Peng Jun já se reerguia no ar, então subiu ainda mais rápido, deixando apenas o eco de seu riso para trás.
Sem mais obstáculos, Xiao Hua logo atingiu o cume! Quando viu o brilho do sol poente se apagar e a noite cair, de repente percebeu: onde estava o Sol da Serpente Ascendente? Se o sol não nascia, então não estava no Pântano dos Sonhos.
Olhando para o extremo leste, onde a noite e as nuvens se uniam, viu uma escuridão densa engolindo tudo.
— Será que só eu entrei na Montanha das Sete Almas?
— E o Rei da Rocha? Como irá trazer os outros reis espirituais?
— Se for fácil para eles entrarem, todo o risco que corri pelo talismã terá sido em vão?
Tomado por dúvidas, Xiao Hua subiu ainda mais alto, sentindo ondulações no espaço ao redor. Num piscar de olhos, tudo escureceu, a vastidão sumiu, restando apenas uma montanha envolta em nuvens flutuando abaixo dele! De longe, via-se a relva e os frutos imortais, aves etéreas voando livremente, macacos furtivos entre os pomares de pessegueiros, águias planando entre as nuvens. Xiao Hua não pôde deixar de exclamar:
— Que cenário digno de uma verdadeira morada dos imortais!
Desviando o olhar, fitou o céu acima da montanha e avistou vários astros: o Sol da Serpente Ascendente, o Sol da Cotovia, o Sol do Corvo Vermelho, a Lua do Outono, a Lua da Alma do Louro, a Lua do Brilho Venerado, todos radiantes, de cujos interiores formas humanas ou espirituais emergiam, voando para o topo da montanha!
Ao olhar para trás, reconheceu o sol flamejante que pairava sobre a formação das Sete Estrelas: era o Sol da Aurora!
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