Capítulo Setenta e Nove – As Dificuldades de Shuobing

A Jornada do Cultivo: Capítulo do Mundo Celestial Pequeno Duan, o laureado explorador 3096 palavras 2026-02-07 11:36:45

— Se não está fora do quiosque, então só pode estar dentro dele! — pensou Xiao Hua, girando os olhos enquanto dava um passo no vazio e subia ao topo do quiosque para examinar cuidadosamente os intrincados desenhos. De fato, as gravuras eram estranhas; onde pousava o olhar, surgiam imagens ilusórias, mas, infelizmente, eram fragmentadas e impossíveis de decifrar.

— Maldição, o que isso significa afinal? — Xiao Hua, já impaciente, quase pulava. Mas foi ao abaixar a cabeça distraidamente que avistou sua própria sombra projetada sobre a mesa de apoio!

— Ah! — suspirou ele, enfim compreendendo o enigma. — Se tivessem colocado vinho ou frutas celestiais aqui dentro, tudo bem, pois num cenário assim, beber e festejar seria apropriado. Mas instalar uma mesa que mais parece um espelho... seria para admirar-se de si mesmo? Eu sabia que havia algo errado, era isso o que me incomodava!

Postou-se diante da mesa, semicerrando os olhos para encarar o tampo espelhado. Os desenhos coloridos no teto do quiosque refletiam-se ali, mas, após algum tempo, continuavam sendo apenas ornamentos, nada além disso. Xiao Hua voltou a duvidar de sua própria dedução. Hesitou, levantou a cabeça para o lado em que a névoa celestial se dissipava e murmurou:

— Do outro lado da galeria está o palácio, que certamente faz parte da verdadeira morada do imortal. Estou perdendo tempo aqui, quando seria mais proveitoso buscar ali!

Com a mente inquieta, cada vez menos percebia alguma coisa. Não resistiu e começou a se afastar, mas, após alguns passos, rangeu os dentes e disse:

— Chega! Que me importa essa morada do verdadeiro imortal? Eu só vim parar aqui por acaso, não faz sentido me preocupar. O mais urgente é conseguir uma técnica fundamental para o cultivo do meu núcleo de energia. Tendo isso, terei poder celestial, possuo a semente do Dao e o Qi primordial, por que teria de me preocupar com a morada do imortal? Hoje, quero ver qual é o mistério deste quiosque!

Decidido, sentou-se de pernas cruzadas no ar, fitando os desenhos refletidos na superfície espelhada.

Ao abandonar todos os pensamentos dispersos, após o tempo de uma refeição, as gravuras começaram a se distorcer. O olhar de Xiao Hua aprofundou-se no abismo daqueles traços, e uma porta para o tempo lentamente se abriu...

— Ah... — não se sabe quanto tempo passou até que seu olhar, antes disperso, se tornasse novamente focado. Então, soltou um longo suspiro: — Dizem que, nas alturas, o frio é insuportável. Eu, que já fui soberano entre os homens e vi de tudo um pouco, sou insignificante diante do ancião Sete Espíritos. O verdadeiro destino adverso pertence a ele! Mesmo após sofrer as cinco decadências celestiais, não escapou das garras do destino. É realmente digno de compaixão.

Terminando, Xiao Hua desceu do ar, curvou-se respeitosamente em direção a um ponto da montanha e declarou:

— Ancião Sete Espíritos, este humilde Xiao Hua se oferece para cumprir seu desejo não realizado, para que encontre paz no além!

Um suspiro inexplicável ecoou do topo do quiosque. Em seguida, as gravuras do teto começaram a se romper, o vermelho profundo do quiosque se dissipou e, por fim, condensou-se numa gota de sangue reluzente com fios prateados.

— Isto... — Xiao Hua ficou atônito, mas logo compreendeu. Curvou-se novamente e prometeu:

— Fique tranquilo, ancião. Guardarei este objeto e cumprirei sua vontade.

Dito isso, tirou uma garrafa de cristal e recolheu a gota de sangue.

No instante em que o sangue desapareceu, todo o quiosque começou a desmanchar-se como água corrente, encolhendo em um piscar de olhos até caber na palma da mão!

Xiao Hua olhou para o pequeno quiosque, piscou repetidas vezes, estendeu a mão e o agarrou. No mesmo instante, uma centelha de luz brilhou sobre ele, e Xiao Hua sentiu tudo ao redor distorcer-se. Seu corpo, sem controle, foi lançado pelo espaço distorcido; quando enfim se estabilizou, não pôde evitar um arrepio de espanto...

Enquanto isso, Shuo Bing, ao emergir da lua outonal, ainda trazia no rosto o susto do perigo passado. Virou-se para encarar o luar verde-escuro e, pela primeira vez, sentiu o frio cortante daquela luz. Não compreendia por que, nos fragmentos do continente banhados pela lua, a Fera Devoradora de Almas, inimiga natural dos seres espirituais, ignorava os outros e perseguia justamente a si, uma imortal. Lembrando-se do ataque em que bandos daquelas feras, envoltos na luz verde, pareciam pesadelos a dilacerar seu corpo, experimentava novamente a sensação de sobreviver por um fio.

Olhou para o braço esquerdo: o novo membro era tão alvo e delicado quanto antes, mas ao lembrar-se de como fora arrancado pela fera, e do som terrível de seus ossos sendo mastigados, Shuo Bing cerrou os dentes e prometeu a si mesma: "Não esqueça. É uma lembrança indelével e, mais que isso, uma provação. Só assim poderei sobreviver mais forte. Preciso encontrar, aqui nas Montanhas Sete Espíritos, uma maneira de controlar os espíritos demoníacos. Só assim poderei retornar ao Portão de Jade e não serei abandonada!"

A determinação renasceu em seu semblante. Observou os arredores, acelerou o passo e voou em direção às Montanhas Sete Espíritos.

Com um grito agudo, uma águia azul celestial alçou voo, surgindo sob Shuo Bing. Ela olhou friamente para a criatura e, leve como o vento, desceu sobre suas costas. Com asas abertas, a águia mergulhou com ela na névoa celestial. Ao ver os palácios surgindo através das brumas, Shuo Bing não se surpreendeu; diferente de Xiao Hua, já estava habituada a tais cenários no Portão de Jade.

A águia azul pairou diante de um grande palácio de cor branca, cujas portas estavam cobertas por runas prateadas. Shuo Bing não ousou entrar de imediato. Olhou em volta, tomou alguns elixires para recuperar-se e só então, com um gesto da mão, abriu silenciosamente as portas.

No interior, não havia luz e sua percepção espiritual não podia atravessar o espaço. Incerta se aquele era mesmo o destino desejado, hesitou, mas voltou atrás, retirou de sua bolsa um Olho de Imortal escurecido e, após examinar os arredores, confirmou que não havia outra passagem. Lançou um último olhar ao portal aberto e murmurou:

— Da última vez que fui treinar na Neve Eterna com Xiao Xiangzi, conquistei muito, mas, por descuido, acabei possuída por um espírito demoníaco. Se a seita soubesse, só haveria um fim: o extermínio. Nem mesmo ao mestre ousei contar. Felizmente, o destino me favoreceu e, por acaso, descobri um segredo da verdadeira morada imortal nas Montanhas Sete Espíritos. Segundo os registros, a caverna de purificação ali pode expulsar o espírito demoníaco do meu corpo. O mestre me enviou a Chaotianque, e agora, embora o demônio tenha despertado, estou diante da morada imortal. Só preciso encontrar a caverna de purificação. Mas, sendo este lugar tão vasto e cheio de restrições, como poderei achá-la facilmente?

— Pensar demais não adianta. O que resta é seguir adiante; morrer aqui ainda é melhor do que ser dominada por um espírito demoníaco ou exterminada pela seita.

Recomposta, tomou seu sabre celestial e subiu as escadas do palácio. Dessa vez, não hesitou na porta e entrou como o vento.

Apesar de preparada para qualquer eventualidade, ao adentrar o salão, não pôde evitar um estremecimento. Um terror indizível surgiu em seu rosto.

No centro do grande salão, uma lua outonal pairava alto, espalhando luz verde sobre o chão — exatamente igual ao fragmento do continente de onde ela acabara de escapar.

Quase sem pensar, Shuo Bing recuou instintivamente, mas, ao virar-se, percebeu que a porta por onde entrara desaparecera. Atrás dela, havia apenas uma noite profunda e infinita.

— Estou perdida! — pensou, e logo outro pensamento, ainda mais absurdo, emergiu irresistível: "Se ao menos o ancião Guan estivesse aqui..."

No instante em que esse pensamento estranho surgiu, ouviu-se ao longe o bramido característico da Fera Devoradora de Almas. Shuo Bing cerrou os dentes, ergueu o sabre e lançou-se em direção ao som!

Mal voara alguns quilômetros quando, de repente, uma luz cortou o céu noturno sobre seu braço esquerdo. Era uma aura agressiva, cuja claridade e estrondo podiam ser sentidos de longe. Surpresa, Shuo Bing sentiu esperança e apressou-se a voar naquela direção. A luz também pareceu notá-la e mudou o curso para encontrá-la. Quando se aproximaram, a luz se dissipou, revelando um jovem imortal de túnica amarela, e Shuo Bing não pôde evitar um sentimento de decepção.

— Garotinha... — disse o jovem, com ares de arrogância. — Que lugar é este?

Shuo Bing hesitou, mas logo sondou o nível de cultivo do jovem com sua técnica imortal. Assim que o fez, seu rosto mudou de cor e ela se curvou respeitosamente:

— Respondo ao senhor: estamos nas Montanhas Sete Espíritos.

— Montanhas Sete Espíritos? O que há aqui? — O jovem parecia confuso, mas não insistiu, apenas continuou: — Sabe se há algum lugar especialmente perigoso ou, quem sabe, algum bom esconderijo?

— Mestre... — respondeu Shuo Bing — esta é a morada do verdadeiro imortal nas Sete Espíritos, repleta de perigos em cada canto. É minha primeira vez aqui, não sei dizer onde seria seguro.

Nesse instante, Shuo Bing quase revelou sobre a caverna de purificação, mas conteve-se a tempo.

— Morada do verdadeiro imortal? — O jovem ficou atônito, exclamando incrédulo: — Não pode ser! Entrei aqui por acaso e isto é mesmo a morada do verdadeiro imortal?

Ps: Novo livro publicado! Amigos que gostam da obra, peço que se inscrevam, recomendem, adicionem aos favoritos, contribuam! Agradeço todo tipo de apoio!