Capítulo Vinte: Salão das Joias

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2479 palavras 2026-02-07 16:40:48

Na noite passada.

Após receber o símbolo militar, a velha ama Zhou ainda o trouxe para que ela conferisse. A Imperatriz-mãe examinou-o minuciosamente por dentro e por fora, e era de fato o símbolo militar que costumava estar com Rong Wuwang.

Como poderia simplesmente desaparecer de uma hora para outra?

— Você era responsável pela guarda do símbolo militar. Se nem você sabe, quem mais saberia? — A Imperatriz-mãe semicerrava os olhos triangulares, lançando-lhe um olhar desconfiado.

Um frio subiu pelos pés da ama Zhou até o topo da cabeça. A garganta se apertou, e ela ficou prostrada no chão, sem ousar se mover.

— Depois que peguei o símbolo militar, guardei-o dentro do palácio. Por dentro e por fora, só havia guardas imperiais; nem uma mosca conseguiria entrar, quanto mais uma pessoa! — A ama Zhou não conseguia compreender de jeito nenhum. Nem viu sombra de alguém, como o símbolo poderia sumir do nada? Será que foi coisa de fantasmas?

Só de pensar nisso, estremeceu involuntariamente e, no íntimo, rezou diversas vezes.

— Então, a única explicação é que você se aproveitou do cargo para roubar! Guardas, torturem a ama Zhou, investiguem bem o que aconteceu do começo ao fim.

— Majestade, estou sendo injustiçada! Servi a Vossa Alteza por vinte anos, sempre fiel, nunca faria algo para trair a senhora. Não tenho nada a ver com isso!

A ama Zhou chorava copiosamente, quase querendo rachar a própria testa no chão.

A Imperatriz-mãe a observava friamente sofrer a punição: primeiro, levou vinte bastonadas; depois, foi para o suplício do torniquete, quase tendo os dedos esmagados.

Em questão de minutos, restava-lhe apenas um fio de vida.

— Diga, onde você escondeu o símbolo militar? — A Imperatriz-mãe pensava que, sob tortura, ela acabaria contando tudo.

No entanto, a ama Zhou só repetia as mesmas frases.

— Majestade! Sou inocente! Não roubei o símbolo militar. Ele estava no quarto, de repente sumiu sem explicação!

A Imperatriz-mãe bateu com força na mesa.

— Se não foi você, quem mais poderia ser?

Sheng Mingrou teve um lampejo de ideia, pensando em alguém que nunca desconfiariam.

— Mãe, será que não foi um plano de Sheng Mingshu para nos incriminar? E se, desde o início, ela nunca entregou o símbolo militar ao palácio?

A Imperatriz-mãe balançou a cabeça, rejeitando imediatamente a sugestão.

— Ontem à noite, quando o símbolo foi entregue, eu mesma conferi, não havia erro algum. Aquela Sheng Mingshu é tola feito um porco, como teria tanta astúcia?

Preferia acreditar que foi alguém do palácio que o roubou do que aceitar que fosse plano de Sheng Mingshu.

— E se ela estivesse em conluio com Rong Wuwang? Mãe, não se deixe enganar por aquela mulher sedutora. Ela finge melhor que qualquer um.

Sheng Mingrou, que vinha sofrendo nas mãos dela ultimamente, falava com ódio nos dentes.

O olhar da Imperatriz-mãe ficou agudo e, ponderando, achou possível.

— No próximo mês teremos o Banquete das Cem Flores, vamos testá-la. Se ela realmente se aliou a Rong Wuwang, não há motivo para deixá-la viva.

Do lado de fora, um eunuco veio anunciar que o jovem imperador Sheng Mingzhe tinha vindo visitar a Imperatriz-mãe.

O salão estava impregnado de cheiro de sangue. Trocaram olhares, até que a Imperatriz-mãe ordenou:

— Deixe-o entrar.

Sheng Mingzhe entrou no salão, franziu levemente a testa, mas manteve o semblante composto e fez a reverência.

— Saúdo a Imperatriz-mãe.

— Zhe’er, você ainda se recupera da doença, não precisa de tantas formalidades. Venha sentar aqui comigo.

Ela o chamou para perto, segurou sua mão e começou a relatar sobre a tentativa de assassinato de Rong Wuwang, terminando dizendo que, sem provas, não puderam fazer nada.

Sheng Mingzhe ouviu com o rosto tenso, os punhos cerrados.

— Imperatriz-mãe, isso é ultrajante! Esse Rong Wuwang está desafiando a dignidade da nossa casa imperial!

Ao vê-lo indignado, a Imperatriz-mãe sorriu friamente por dentro. Esse menino era mesmo fácil de manipular, muito mais manejável que Sheng Mingshu.

— Eu não me preocupo comigo mesma, mas sim com o seu futuro. Rong Wuwang é ambicioso, e um dia desafiará o seu trono.

— Não se preocupe, Imperatriz-mãe. Nunca o perdoarei e não permitirei que ele ameace o nosso império.

A Imperatriz-mãe sorriu satisfeita, acariciando a testa dele.

— Você é um bom menino. Só que ainda me preocupo com sua irmã.

— O que houve com a irmã? — Sheng Mingzhe ficou imediatamente apreensivo.

A irmã era a pessoa mais importante do mundo para ele, seu único parente. Preferiria que algo lhe acontecesse a ver a irmã em perigo.

— Desde que Mingzhu entrou na mansão do milenar, só escuta aquele Rong Wuwang; já nem olha para mim — suspirou profundamente, parecendo verdadeiramente magoada, como se Sheng Mingshu tivesse partido seu coração.

— Quanto à irmã, vou conversar com ela. Não se preocupe, Imperatriz-mãe. Ela sempre foi leal à família imperial, jamais se aliaria a traidores.

Sheng Mingzhe franziu as belas sobrancelhas, crente de que sua irmã jamais o trairia por causa de um traidor.

Sheng Mingshu acompanhou Rong Wuwang até o Pavilhão das Joias.

O guarda secreto ajoelhou-se, segurando a espada, e perguntou:

— Mestre, mandamos que todos os guardas recuassem?

Ao saber que o senhor milenar fora convocado ao palácio, prepararam-se para um possível golpe de estado.

Mas, para surpresa de todos, o senhor milenar saiu ileso do palácio.

— Recuem.

Rong Wuwang, vestido com um manto branco como a neve, exalava uma aura de nobreza inigualável.

Sheng Mingshu sentiu-se aliviada. Ainda bem que não ouvira a velha bruxa da Imperatriz-mãe para roubar o símbolo militar.

Agora, Rong Wuwang era alguém a ser temido. Se suas tropas de elite tomassem o palácio, ela, como traidora, seria a primeira a ser executada como exemplo.

— Entre, escolha o que quiser.

Rong Wuwang já vira de tudo do bom e do melhor; o Pavilhão das Joias, para ele, era irrelevante.

— Claro que devo escolher junto do senhor milenar.

Agora Sheng Mingshu não tinha nada, seu único dote estava com a Imperatriz-mãe. Os tesouros do Pavilhão das Joias eram uma dádiva para ela.

Mas não demonstraria ganância, para não despertar suspeitas de Rong Wuwang. Bastava-lhe uma parte.

Rong Wuwang fitou-a com olhos escuros como ônix e falou com voz preguiçosa e suave:

— Muito bem, você vá ao pavilhão leste, eu vou ao oeste.

No leste havia mais ervas medicinais, exatamente o que ela precisava.

Seu irmão Sheng Mingzhe fora envenenado com um veneno raro; precisava preparar-lhe o antídoto o quanto antes para não deixá-lo sob o controle da Imperatriz-mãe por muito tempo.

Ao sair do Pavilhão das Joias, Sheng Mingshu não viu sinal de Rong Wuwang.

Chun Tao explicou:

— Alteza, o senhor milenar ainda não saiu.

— Então aguardarei aqui.

Sheng Mingshu acariciava suavemente as preciosas ervas raras que havia escolhido.

A velha ama Lin, responsável pelo Pavilhão das Joias, estava com o rosto contorcido de dor.

— Acho que a princesa vai esvaziar o pavilhão hoje.

A Imperatriz-mãe não disse quanto deveria ser retirado, mas a ideia era levar só algumas peças.

Imaginava que a princesa, sendo sensata, pegaria duas ou três coisas, só para constar. Mas, assim que chegou, levou dezenas!

O imenso Pavilhão das Joias ficou bem mais vazio.

Se a Imperatriz-mãe souber, com certeza a culpará por não ter controlado a princesa.

— Só peguei umas poucas peças e já ficou vazio? Se a senhora diz isso, não levar nada seria injusto.