Capítulo Trinta e Um: Socorro

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2419 palavras 2026-02-07 16:41:33

Xiao Luo Xue vinha de uma família comum, mas era dona de uma beleza rara e de um talento incomum, sendo o sonho de muitos rapazes da capital. Ela se habituara a ser adorada por todos, mas jamais se importou verdadeiramente com nenhum deles. O único homem que lhe despertava interesse era aquele capaz de surpreendê-la por toda a vida.

Desde que, três anos antes, em uma recepção, avistara o extraordinário Rong Wu Wang, jamais conseguiu esquecê-lo. Embora ele fosse um eunuco, seu brilho intelectual era incomparável e, em Qi Sheng, detinha um poder absoluto — era exatamente esse tipo de homem que ela sempre sonhara.

Porém, casar-se com um eunuco feria-lhe o orgulho. Durante três anos, ela sofreu em silêncio, consumida pela saudade. Felizmente, o Senhor Mil Anos mantinha boas relações com seu pai e, vez ou outra, vinha à mansão tratar de assuntos importantes, oportunidade em que ela podia vê-lo, e, se a sorte sorrisse, trocar algumas palavras para aliviar a saudade.

Contudo, sempre que estava diante dele, sua atitude era fria, sem alegria ou tristeza, tornando impossível a Xiao Luo Xue decifrar seus sentimentos. Em tese, nenhuma mulher passaria incólume diante de sua presença, mas nos olhos de Rong Wu Wang jamais havia espaço para ela.

Ainda assim, Xiao Luo Xue se convencia de que, sendo ele um eunuco, era natural não se interessar por mulheres. Logo, sua indiferença era compreensível.

Tudo mudou no dia em que ela viu Rong Wu Wang com Sheng Ming Shu. O coração de Xiao Luo Xue desmoronou. Afinal, ele podia sorrir para uma mulher, podia beijá-la, podia olhar alguém com uma ternura infinita. Mas a escolhida era justamente aquela mulher de reputação infame.

Ela não podia aceitar ter sido derrotada por alguém como Sheng Ming Shu. No coração do Senhor Mil Anos, só havia espaço para ela; Sheng Ming Shu não passava de um nada.

— Ah, dói! — murmurou a criada.

Sem expressão, Xiao Luo Xue virou-se, baixando os olhos. Viu no dorso da mão da criada uma ferida sangrando, provocada por ela mesma instantes antes.

— Que tolice — disse, recolhendo a mão com desprezo e limpando cuidadosamente os dedos com um lenço, temendo sujar-se com o sangue impuro da criada.

A criada, apavorada com a possibilidade de enfurecê-la, tremia ajoelhada aos seus pés.

— Perdoe-me, senhora, não foi de propósito. Não resisti à dor e acabei gemendo. Se a senhora não gosta, nunca mais o farei.

— Não se trata de gostar ou não. Não se preocupe com isso.

Xiao Luo Xue sorriu docemente. Assim que voltou à mansão, vendeu a criada para mercadores. Não precisava de gente tão inútil ao seu lado.

Montanha Longhu.

Gongxi Peng avançava com cautela, consultando o mapa. A jovem Sheng o advertira: o caminho era perigoso, com feras selvagens e o risco de ser seguido. Su Zi Chao era agora um dos mais procurados pelo império, com uma recompensa generosa por sua captura – não podia ser descoberto. Caso a tentativa de resgate fracassasse, não só Su Zi Chao morreria, mas também Gongxi Peng e toda a sua família seriam condenados.

Gongxi Peng não temia pela própria vida, mas não queria envolver sua pequena família em tal tragédia. Desta vez, era mais precavido do que nunca.

Felizmente, o mapa de Sheng Ming Shu era claro e detalhado, com todos os pontos importantes assinalados, facilitando muito sua busca. Surpreendia-se com a memória dela, capaz de desenhar com precisão as trilhas tortuosas da Montanha Longhu. Admirava também sua inteligência, pois, mesmo a uma centena de léguas dali, sabia exatamente onde Su Zi Chao estaria escondido.

Ao encontrar Su Zi Chao, este estava cercado por uma multidão de serpentes. As víboras coloridas estendiam o corpo, sibilando ameaçadoramente. Famintas, magras depois de tanto tempo na floresta, não pretendiam deixar escapar uma presa tão suculenta. Já se encaravam havia uma noite inteira.

Su Zi Chao estava coberto de sangue seco, formando crostas escuras em vários pontos do corpo. Apesar do estado miserável, mantinha as costas eretas, ainda ostentando o porte de jovem general. A tocha em sua mão estava prestes a se apagar e, sem o fogo, as serpentes perderiam todo o receio.

No instante em que a chama vacilou, Su Zi Chao sacou a espada quebrada, pronto para lutar até o fim. Foi então que Gongxi Peng, rápido como um raio, lançou um punhado de pó sobre as serpentes, que logo ficaram lentas e desabaram, uma após a outra.

Gongxi Peng olhou surpreso para os répteis caídos. Não imaginava que o veneno dado por sua senhora fosse tão eficaz – em segundos, toda a horda estava imóvel.

A lâmina de Su Zi Chao apontou para Gongxi Peng, que bradou:

— Quem é você?

Afinal, ele se escondera no recanto mais remoto da montanha. Ainda assim, seria perseguido até ali?

Avaliou rapidamente suas chances caso tivesse de lutar contra Gongxi Peng.

— Venho em missão: salvar sua vida.

— Salvar-me? — atordoado, Su Zi Chao achou que ouvira mal. Toda a capital queria sua cabeça — quem o salvaria, um "traidor"?

— Não precisa saber quem sou. Basta guardar o nome de minha senhora.

Gongxi Peng entregou-lhe medicamentos, mantimentos, roupas e prata.

— Lá fora há um cavalo veloz, suficiente para que escape da capital o quanto antes.

— Por que me salva?

No rosto íntegro de Gongxi Peng, Su Zi Chao não viu malícia; tudo parecia mesmo verdade.

— Cumpro ordens. Se quiser agradecer, agradeça à minha senhora.

Gongxi Peng lhe entregou metade de um pingente de jade, talhado com dragões e fênix – claramente parte de um par. A outra metade, sem dúvida, estava com a senhora.

— Quem é sua senhora?

A pergunta pegou Gongxi Peng desprevenido, pois jamais ousara perguntar-lhe a identidade. Pelo porte e presença, sabia que não era pessoa comum. Já que a senhora não queria revelar-se, ele tampouco perguntaria.

— Por ora, não precisa saber. Minha senhora o salva porque reconhece sua inocência. Quando retornar à capital, lembre-se de sua generosidade.

Assim que transmitiu o recado de Sheng Ming Shu, Gongxi Peng partiu. O ar na montanha era pesado; não queria demorar.

Salvo de modo inexplicável, Su Zi Chao acariciou o pingente e notou um caractere gravado: "Shu". Seria uma jovem? Uma donzela capaz de planejar com tamanha astúcia?

Em seu peito, o coração, antes árido, voltou a pulsar. Um brilho sanguíneo atravessou seu olhar – todo ele era vingança, e um dia encontraria o verdadeiro responsável por seu sofrimento.

E a jovem que lhe salvara a vida, essa, ele jamais esqueceria. Pagaria sua dívida com toda gratidão possível.