Capítulo Trinta e Cinco – Não é da sua conta
A princesa Sheng Mingshu gostava de apostas em que a diferença de habilidades era evidente; só fazia sentido se pudesse humilhar Meng Yueguang, esfregando seu rosto no chão. Ao redor, o burburinho das discussões aumentava.
“A princesa enlouqueceu? Como ousa desafiar o jovem Marquês em uma disputa de pintura? Não é pedir para ser humilhada?”
“No mundo, ainda não nasceu alguém capaz de competir em pintura com o jovem Marquês. Quem deu coragem à princesa?”
“Você deve estar certa, desde que ela se casou com o Duque Qiansui, não tem agido de forma normal.” A jovem tocou a testa, dando a entender. Antigamente, a princesa era tímida e sensível, mas quando provocada, explodia em acessos de fúria, raramente mostrando inteligência. Todos a viam como uma inútil, e comparada à princesa Mingrou, era como o céu e a terra.
Até mesmo Chuntao hesitou antes de alertar Sheng Mingshu: “Vossa Alteza, se for competir, escolha algo em que seja boa. Se for sobre pintura, quase não temos chance de vencer.” Chuntao estava realmente preocupada. Se a princesa insistisse nesse duelo, perderia feio e mais uma vez viraria motivo de riso na capital. Ao longo dos anos, as chacotas só se acumularam; ela temia que Sua Alteza cometesse outra imprudência.
“Já que ninguém acredita, mais motivo tenho para vencer e provar-lhes.” Sheng Mingshu disse com firmeza: “Será sobre pintura! Se eu ganhar, o jovem Marquês deverá pintar dez retratos meus, pendurá-los em casa e contemplá-los todos os dias, sem jamais tirá-los. E toda vez que me encontrar, deverá prestar uma grande reverência.”
“Você!” Mingrou ficou vermelha de inveja. Por que o jovem Marquês teria de contemplá-la dia e noite? O jovem Marquês pareceu surpreso, depois corou, sentindo uma raiva humilhada. Sempre foram moças que penduravam seus retratos, consumidas de saudade; ele nunca se rebaixaria a suspirar por alguma dama. Se isso se espalhasse, pareceria apaixonado por Sheng Mingshu sem ser correspondido! Por outro lado, sabia que não perderia, então a artimanha da princesa não teria efeito.
“E quanto a você, se eu ganhar, não poderá mais aparecer diante de mim. Caso contrário, apanha cada vez que eu vir.” Sheng Mingshu lançou um olhar frio à jovem de rosto arredondado, o rosto ainda inchado, e falou secamente.
O público ficou inflamado; todos cerravam os punhos, indignados. “Que habilidades tem a princesa para ousar falar assim diante do jovem Marquês?”
“Só sabe bancar a forte agora. Quando perder feio, vai querer sumir de vergonha.”
“Espere para ver. Ela só fala bonito; quando perder, pedirá desculpas à jovem Fang.”
“Calma, irmãs. O jovem Marquês é famoso por suas pinturas; todos perdem para ele, menos ele para os outros.” Algumas jovens tentavam acalmar Mingrou. O humor sombrio de Mingrou se iluminou um pouco: “Exatamente. O jovem Marquês é o melhor do mundo, jamais perderia para esta inútil da Sheng Mingshu.” Nunca ouvira dizer que ela pintasse; que talento seria esse agora?
“Espere para ver. Quanto mais arrogante agora, mais humilhada estará depois.” Todos aguardavam para rir dela, esvaziando as mesas e preparando pincéis, tinta, papel e tinteiros em duas delas. Acenderam um incenso para marcar o tempo da disputa.
Meng Yueguang, confiante, pegou o pincel de pelo de lobo; seus longos dedos deslizavam pelo papel de arroz. “Como deseja competir, princesa? Estou à vontade para qualquer desafio.” Seu rosto estampava arrogância e desdém. Não importava a escolha, era certo de vencer.
“Vamos ver quem cria a pintura mais primorosa e vívida.” Sheng Mingshu pegou o pincel com descaso e riscou algumas linhas no papel. Até os entendidos não compreendiam o que era.
Mingrou não se conteve e zombou: “Você sabe pintar? Se não sabe, admita logo a derrota e poupe nosso tempo. De qualquer forma, sua vergonha é inevitável.”
“Aproxime-se, responderei a você.” Sheng Mingshu recostou-se com languidez, frágil mas de uma beleza arrebatadora.
Mingrou deu dois passos à frente, curiosa para saber que disparate ouviria. Não esperava que, ao recostar-se, Sheng Mingshu girasse o punho, lançando uma trilha de tinta no rosto e nas vestes luxuosas de Mingrou.
“Ah! Meu rosto! Minhas roupas!” Mingrou, vermelha de raiva, quase perdeu os sentidos, mas, com o jovem Marquês presente, não pôde se exceder e engoliu em seco.
Sheng Mingshu, olhando-a de relance, cobriu os olhos: “Você está feia a ponto de me ferir a vista.”
Mingrou fez beicinho, os olhos marejados, mas nada pôde contra Sheng Mingshu. Aproximou-se de Meng Yueguang, queixando-se com ar de vítima: “Irmão Meng, tem que derrotá-la! Não deixe que ela continue tão arrogante!”
“Não perderei.”
O olhar de Meng Yueguang transbordava autoconfiança.
Sheng Mingshu ouviu o tom afetuoso dos dois e soltou uma risada fria, desprezando ambos. Para não serem perturbados, a maioria foi retirada do Pavilhão dos Oito Tesouros, deixando o espaço para os dois pintarem em paz.
Sheng Mingshu pintava com rapidez e despreocupação; ninguém conseguia entender o que ela fazia, achando que era apenas rabiscos. Já Meng Yueguang, de postura elegante e movimentos fluidos, desenhava com precisão do começo ao fim, de suor na testa, mas sem se deter para enxugar.
Sheng Mingshu trocou de papel várias vezes, o que gerou comentários: “Se não sabe pintar, não adianta fingir. Por mais que tente disfarçar, será desmascarada.”
“Por que nos preocupar? Estamos aqui para rir dela.”
“Finalmente uma chance de zombar dela. Pensávamos que, após casar-se com o Duque Qiansui, ele a protegeria. Mas está só.”
“Com aquela frieza, o Duque jamais a defenderia. Se pudesse, já teria se livrado dela. Ha!” Todos sabiam que Rong Qiansui detestava o casamento.
Chuntao, ao ouvir tais insultos, tremia de raiva. Que direito tinham de menosprezar a princesa? Só porque era nobre, mas sem apoio e à mercê dos outros? Mas ela era a verdadeira princesa herdeira! Irmã única do imperador! Se não fosse pela perda de influência, jamais teria de suportar tanto desprezo.
“O tempo acabou, larguem os pincéis!” Mingrou, de olho no incenso, gritou assim que se consumiu.
Sheng Mingshu largou o pincel displicentemente e, sob olhares curiosos, cobriu sua pintura com uma folha em branco.
“O que está fazendo?” Mingrou queria espiar, mas Sheng Mingshu foi rápida e não deixou ver nenhum detalhe.
“Primeiro veremos a do jovem Marquês, depois a minha.” Sheng Mingshu queria ser a última a revelar.
“Está com tanta vergonha que não tem coragem de mostrar seu trabalho ridículo?”