Capítulo Quinze: A Queixa

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2412 palavras 2026-02-07 16:40:35

Segurando a tigela de remédio, Ming Shu não conseguia conter um sorriso frio. Lembrava-se de quando Ming Zhe era criança: sua saúde superava a dos outros, mas com o passar dos anos tornou-se cada vez mais frágil. No final, mal conseguia andar, preso a uma cadeira de rodas. Seu temperamento, deteriorando junto ao corpo, tornara-se ansioso e explosivo; a menor insatisfação levava-o a punir severamente ministros. Ming Shu tentava aconselhá-lo, mas ele nunca ouvia.

Mais tarde, a Imperatriz-Mãe o depôs sem resistência, assumindo ela mesma o trono. Aquilo era o império da família Ming, e acabou nas mãos da família Xu! Agora Ming Shu compreendia: a Imperatriz-Mãe vinha administrando, em segredo, um veneno sutil que controlava as emoções de Ming Zhe. No início era imperceptível; quando enfim se infiltrou nos ossos, ficou impossível de controlar. E a Imperatriz-Mãe, diante deles, fingia dedicação sincera, manipulando-os por anos.

“Não disse para cuidarem do imperador? Vocês, afinal, servem para quê?”
“Foi a princesa...”
Os eunucos jamais ousariam enfrentar a ira do imperador; certamente foi culpa da princesa. A Imperatriz-Mãe lançou um olhar cortante a Ming Shu e ordenou, severa: “Aqui não é lugar para você; volte. O imperador acaba de retornar, e já o deixa assim? Quer virar o palácio de cabeça para baixo?”

Ming Shu relutava em partir; queria ver como Ming Zhe estava antes de sair. Nesse momento, o barulho o acordou. Seus cílios longos e espessos tremeram, e ele murmurou, rouco: “Nada tem a ver com minha irmã, não a culpe, Imperatriz-Mãe. Meu corpo é fraco: dou dois passos e já desmaio.”

Mesmo irritado por sua irmã estar envolvida com Rong Wuwang, não queria que ela fosse insultada pela Imperatriz-Mãe, protegendo-a instintivamente. A Imperatriz-Mãe percebeu, mas não comentou: “Já que está melhor, descanse. Os assuntos do governo estão sob meu cuidado; não se preocupe, poupe suas energias.”

Virando-se, lançou um olhar frio a Ming Shu: “Vá.”
Ming Shu olhou para Ming Zhe, relutante, mas finalmente saiu decidida.
O vento da noite acariciava seu rosto.

Ela estava mais lúcida do que nunca; antes de acumular força, palavras vazias para Ming Zhe só fariam com que ele não acreditasse, ou até se irritasse. De volta à Mansão do Milênio, ela começou a consultar livros de medicina, buscando um antídoto. Por vários dias trancou-se em casa.

Depois que foi visitar a Imperatriz-Mãe, Rong Wuwang tornou-se completamente frio com ela, sem sequer pisar no pavilhão por dias.

O tempo passava entre ocupações, e ela não o via uma vez sequer. Desde que Fuyao caiu no lago, adoecera por dias, culpando Ming Shu incessantemente, e vinha provocá-la repetidas vezes.

Ming Shu nem lhe dava atenção; suas pequenas artimanhas eram insignificantes para ela.

“A princesa não era sempre tão arrogante? Agora perdeu o ímpeto? Finalmente percebeu que o senhor do Milênio não tem nenhum interesse por você?”

Fuyao estava debilitada pela doença; se não fosse por Ming Shu e seus esquemas, jamais teria caído na água.

“Quem pensa que é? Atreve-se a desafiar seus superiores?”

Ming Shu, preguiçosa, repousava no balanço de flores, levantando o olhar indiferente para Fuyao, sem sequer se dignar a encará-la diretamente. Temia que olhar demais lhe causasse dor nos olhos.

“De fato, você é princesa, mas aqui, na Mansão do Milênio, deve seguir as regras locais. Eu sempre fui a dona desta casa; mesmo que se case com o senhor do Milênio, obedecerá às mesmas normas.”

Fuyao, mãos na cintura, exibia uma arrogância insuportável. Passara tanto tempo ao lado do senhor do Milênio; como Ming Shu teria autoridade para afastá-lo de sua companhia?

“Onde estiver esta princesa, ali estará a lei. Pei'er, An'er, prendam-na.”

Ming Shu falou displicente, abraçando um gato persa. Achava que, após o último incidente, Fuyao teria aprendido, mantendo-se distante. Mas ela esqueceu a dor junto com a cicatriz, ignorando o quão humilhada estivera antes.

Pei'er e An'er, habilidosas, avançaram dois passos e facilmente a imobilizaram sobre a mesa de pedra. Nos olhos de Fuyao, além da raiva, havia um certo entusiasmo: se a princesa realmente a torturasse, teria provas para reclamar ao senhor do Milênio.

Ming Shu, pessoalmente, diante do olhar rancoroso de Fuyao, inseriu uma agulha de prata em seu corpo.

No início, Fuyao não entendeu o que estava acontecendo, mas logo percebeu que os métodos da princesa eram diferentes dos das damas comuns. A dor era tão intensa que ela tremia, vociferando insultos:

“Desgraçada! Se ousar fazer isso comigo, o senhor do Milênio jamais perdoará você! Espere pela morte! Ah! Dói!”

Nunca sofrera dor tão intensa em toda a vida.

Após uma segunda agulhada de Ming Shu, o pavilhão ficou completamente silencioso. Fuyao, mesmo se quisesse continuar gritando, não poderia. Ming Shu manteve a agulha por uma hora; Fuyao sofreu dores por dois longos períodos, molhando a roupa três vezes. Quando deixou o Pavilhão do Bambu, foi arrastada, quase rastejando.

Correu ansiosa a reclamar com Rong Wuwang, querendo que Ming Shu pagasse por todo sofrimento. Infelizmente, sem marcas físicas ou testemunhas, ninguém acreditou em sua história.

Fuyao chorava, sufocada, cheia de mágoa sem onde descarregar.

Rong Wuwang falou com voz fria como gelo: “Você nunca foi tão emocional; vá e cumpra seu papel.”

Temendo irritar o senhor do Milênio, já que ele não repetia suas ordens, Fuyao engoliu a humilhação em silêncio. Passou a guardar rancor, secretamente contactando Ming Rou.

O prazo de sete dias estava prestes a chegar.

Ming Shu, além de consultar livros médicos, passeava com Gu Hezhen, sem se preocupar com as ordens da Imperatriz-Mãe. Os enviados vinham todos os dias, sempre recebendo respostas negativas. A paciência da Imperatriz-Mãe se esgotava, ameaçando Ming Shu usando Ming Zhe.

No sétimo dia.

“Hezhen, conhece algum veneno capaz de controlar emoções, tornando alguém imprevisível e volátil?”

Gu Hezhen ficou arrepiado: “Por que pergunta de repente? Esse tipo de veneno é arte proibida em nossa montanha; poucos sabem preparar. Você viu algo assim em algum lugar?”

Ming Shu sorriu radiante, soltando a pipa, respondendo casualmente: “Li em um livro antigo, só estava curiosa.”

Gu Hezhen fixou o olhar em seu rosto, buscando algum indício. Sempre achou que sua irmã era incapaz de esconder emoções, tudo se estampava em sua expressão, fácil de ler.

Desta vez, além do sorriso sereno, seus olhos pareciam vastos como o mar de estrelas.

“Princesa, então é aqui que se encontra, encontrando-se em segredo com um homem de fora!”