Capítulo Cinquenta e Sete: Ele Voltou

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2385 palavras 2026-02-07 16:42:48

O rapaz ouviu as palavras de Rong Wumang, baixou a cabeça e desviou o olhar, planejando antes enviar alguém discretamente para informar, mas agora que Sua Excelência falou, cortou completamente seu caminho. Isso era um grande problema!

Enquanto o jovem ponderava ansioso sobre como lidar com a situação, uma voz melodiosa soou de repente.

— Estou aqui.

Sheng Mingshu saiu de trás de uma cortina. Naquele dia, ela usava um vestido longo de seda azul-claro e flores no cabelo; no vestido, havia flores de ameixeira bordadas por uma famosa bordadeira do palácio, as cores eram usadas com engenho, combinando perfeitamente com o azul da roupa. No rosto, um leve toque de maquiagem, e seus olhos brilhavam como estrelas, irradiando vivacidade e encanto.

— Mais cedo havia muita gente, e como vi que os serviçais estavam lidando bem, fui descansar um pouco na sala dos fundos — explicou suavemente, aproximando-se de Rong Wumang e, sem a menor hesitação, enlaçou seu braço diante de todos.

— Como é que hoje você teve tempo de vir? Não estava ocupado?

— É a inauguração da sua nova loja, eu tinha que vir — respondeu ele.

A conversa entre os dois era corriqueira, mas carregava uma doçura sutil. Os criados que tinham vindo com outros propósitos logo arranjaram uma desculpa, pegaram as mercadorias e saíram apressados.

Se fosse gente comum, uma cena assim não teria nada de especial, mas tratava-se do temido Rong Wumang e da princesa herdeira do império! Tão harmoniosos e afetuosos assim?

Como ficariam agora os aliados da imperatriz-viúva e os partidários de Rong Wumang?

Tal notícia precisava ser levada imediatamente aos seus senhores.

Quando a multidão se dispersou, Sheng Mingshu olhou para Rong Wumang e reclamou em tom de brincadeira:

— Está vendo? Acabou de dar mais assunto para eles.

Rong Wumang baixou o olhar.

— Eles não têm nada melhor para fazer, é bom dar-lhes ocupação.

Sheng Mingshu levantou a mão e lhe deu um leve tapa no peito, parecendo uma esposa manhosa e um marido indulgente e protetor.

Não era a primeira vez que Ming Shu demonstrava tamanha intimidade com Rong Wumang em público; para ela, tudo não passava de uma encenação para os outros.

E das palavras dele, ela não acreditava nem um pouco. Rong Wumang era de mente profunda, provavelmente desconfiado de seus subordinados e querendo verificar pessoalmente se ela tramava algo pelas sombras.

Rong Wumang observou aquele jeito de menina mimada, seus olhos se aprofundaram. No palácio, embora ela às vezes o bajulasse, nunca era com tamanha doçura ou teatralidade.

Para quem seria aquele espetáculo?

Naquele momento, Luo Shang saiu por uma porta secreta e viu Ming Shu abraçada ao ombro de Rong Wumang, a cabeça apoiada em seu peito, e seu olhar escureceu. Ao ver o sorriso de Ming Shu para Rong Wumang, Luo Shang franziu a testa.

Que ela se apaixonasse por qualquer um, menos por Rong Wumang! Além de suas limitações físicas, havia a tragédia que se abatera sobre sua família anos atrás — entre ela e ele, nada seria possível!

Mas agora os dois estavam ligados, e para enfrentar a imperatriz-viúva, Ming Shu decidira usar o poder de Rong Wumang...

Os olhos de Rong Wumang cruzaram com o olhar inquisitivo de Luo Shang. Esse homem estava observando Ming Shu o tempo todo?

No mesmo instante, Luo Shang desviou o olhar, baixando a cabeça em gesto de respeito, admirado com a perspicácia de Rong Wumang, a lenda que aterrorizava a corte.

Mas Rong Wumang não desviou os olhos, fitando Luo Shang com intensidade. Por que achava aquele homem tão...

Ming Shu acenou diante de seus olhos:

— Em que tanto pensava? Nem ouviu o que eu disse.

Rong Wumang escondeu a profundidade do olhar, tomou a mão de Ming Shu e brincou com seus dedos, a voz suave.

— O que disse a princesa herdeira?

Ming Shu sorriu:

— Perguntei se há algum prato aqui que lhe agrade. Se gostar, podemos levar alguns para casa.

Rong Wumang balançou a cabeça.

— Não é necessário. Se você quiser, pode levar.

Ming Shu também negou, os olhos sorridentes:

— Em casa tenho o chef imperial que você trouxe especialmente para mim, por que precisaria dessas iguarias? Seria desperdiçar sua consideração.

— Hoje a loja abriu sem problemas, os funcionários não causaram confusão. Estou com preguiça de ficar aqui o tempo todo. Já que veio me buscar, vamos juntos para casa.

Ela transformou o questionamento de Rong Wumang em preocupação de casal, suas palavras cheias de carinho e dependência, quase parecendo que eram mesmo um casal comum.

Rong Wumang olhou para a serenidade do rosto dela, engoliu em seco e respondeu:

— Está bem.

Os dois saíram lado a lado.

Sheng Mingshu lançou um olhar discreto ao local onde Luo Shang estivera; ao notar que ele já não estava ali, reprimiu seus pensamentos e apertou ainda mais o braço de Rong Wumang.

Os negócios da loja seguiam organizados, e os mensageiros da imperatriz-viúva também tinham enviado cartas em segredo, todas desviadas habilmente por Ming Shu.

Todos os dias ela continuava visitando as lojas, até chegar ao Pavilhão Si Huang, onde ficava por longos períodos.

Luo Shang já reunira antigos aliados e discretamente recrutava talentos; com o crescimento do grupo, logo seria preciso encontrar um local fixo.

Ming Shu também já fazia seus próprios planos.

Como de costume, os dois discutiram assuntos por longo tempo no pátio antes de Ming Shu se retirar.

Ultimamente, ela não conseguia prever o temperamento de Rong Wumang; bastava ele ter um tempo livre e, sem avisar, aparecia em frente ao Pavilhão Si Huang — sem jamais entrar, apenas ficava parado com as mãos às costas, à porta.

Dizia que vinha buscá-la, encenando um papel de marido devotado.

Mas com sua fama de “Rei dos Infernos”, quem ousaria entrar na loja com ele na porta? Melhor tirá-lo dali o quanto antes.

Naquele dia, quando Sheng Mingshu saiu pela porta secreta e olhou instintivamente para a entrada, não viu a figura costumeira.

Abaixou os olhos, sentindo uma vaga decepção cuja origem não sabia explicar.

O ser humano, afinal, não deve criar expectativas.

Recolheu seus sentimentos e, amparada por Yiqin, subiu na carruagem. Quando estava prestes a entrar, sentiu uma dor súbita nas costas. Uma agulha de prata apareceu sob sua manga e seu olhar se tornou gélido, fixando-se intensamente numa coluna atrás de si.

Yiqin também percebeu algo errado e imediatamente protegeu Ming Shu.

Então, de trás da coluna, surgiu lentamente uma figura.

O jovem era de pele alva, vestia uma túnica simples, e sua aparência etérea parecia de outro mundo, de fazer qualquer um perder o fôlego.

— Princesa herdeira, tanto tempo sem notícias, parece que nem sentiu minha falta. Teria encontrado um novo favorito?

Ao abrir a boca, seu tom era provocador.

Ao reconhecê-lo, o rosto de Ming Shu passou da cautela à alegria; recolheu a agulha de prata e desceu rapidamente da carruagem, apressando-se ao encontro do recém-chegado.

— Por que voltou sem avisar? Não enviou nenhuma carta para mim.

Não era outro senão Gu Hezhen, que havia sumido por um tempo.

Olhando para a carruagem do poderoso marquês atrás dela, ele fez uma expressão magoada.

— Veja só, até tenho coragem de perguntar? Mesmo fugindo, não deixei de me preocupar com você. Não sei como está o veneno no seu corpo, e como demorou tanto a me mandar notícias, não pude ficar tranquilo e resolvi voltar para ver você.

Ming Shu olhou para trás e, segurando o pulso de Gu Hezhen, arrastou-o para um beco próximo.

Yiqin continuava fielmente em seu posto de guarda.

Gu Hezhen abaixou os olhos para o local onde ela o segurava, e seu olhar se aprofundou por um instante, voltando logo ao ar desleixado assim que percebeu a ansiedade dela.