Capítulo Doze: Ameaça
— Ela ousaria desobedecer? Seu irmão mais querido está em minhas mãos, não é possível que me desobedeça.
A Imperatriz Viúva estava tão furiosa que sentia tonturas, mas mesmo assim ordenou ao vice-ministro da Guerra, Zhou You, que capturasse Su Zichao.
Su Zichao era um herói cujos méritos superavam os do próprio soberano, e ela já há muito queria agir contra ele. Agora, finalmente encontrara um pretexto; certamente não deixaria de condená-lo à morte.
Contra rebeldes, é preciso eliminar até as raízes.
— Enviem uma carta ao pequeno imperador nas Montanhas dos Cinco Elementos, digam-lhe que não precisa cultivar-se mais por lá, que retorne imediatamente à capital.
Ora, o pequeno imperador era o ponto fraco de Sheng Mingshu. Com ele em mãos, como poderia ela escapar de seu controle?
Mansão do Nobre de Mil Anos.
Rong Wuwang pressionava Sheng Mingshu sob seu corpo, as grandes mãos cingindo-lhe a delicada cintura, e o calor abrasador atravessava o tecido fino, tingindo sua pele de um suave tom rosado.
Estavam colados um ao outro, os peitos juntos sem deixar espaço. O encontro entre dureza e suavidade fazia o calor de ambos aumentar ainda mais.
A cintura de Sheng Mingshu tocava aquele objeto familiar, e ela se remexeu desconfortável.
Rong Wuwang soltou um gemido surdo; afinal, não era realmente um eunuco, e não podia resistir à provocação daquela jovem.
O vermelho em seus olhos se aprofundou, como um redemoinho pronto a engolir. A marca de cinábrio entre as sobrancelhas parecia mais vívida, prestes a pingar.
O sangue em seus corpos quase fervia.
Sua respiração era pesada, os dedos apertaram e já haviam rasgado a fina roupa dela.
As pernas dela sentiram o frio do ar, a pele estremeceu em ondas, e ela se encolheu instintivamente no peito dele, as pernas longas e delicadas enlaçando sua cintura, buscando um pouco de calor.
As pontas dos dedos de Rong Wuwang passaram com força pelos lábios rubros dela, já tomado pelo desejo. Mesmo na cama, sua arrogância e distanciamento eram inegáveis.
Do lado de fora, ouviu-se de novo batidas na porta.
— Milorde, aconteceu uma desgraça. A senhorita Fuyáo foi envenenada. Peço que venha depressa, não sei se sobreviverá à noite.
Rong Wuwang levantou-se rapidamente da cama, vestiu-se em instantes, cobriu-se com o manto e partiu, levando consigo a frieza da neve.
Antes de sair, ainda puxou uma colcha de brocado para cobrir as curvas delicadas de Sheng Mingshu.
Nos olhos dela, lampejou um brilho afiado.
Fuyáo, para disputar o favor, estava recorrendo a muitas artimanhas.
Rong Wuwang se importava ainda mais com ela; mesmo em tal momento, conseguiu se afastar.
Mas o tempo é longo, e no futuro, quem realmente dará as ordens nessa mansão ainda está por ver.
Assuntos sem desafio não despertam seu interesse.
Rong Wuwang não voltou durante toda a noite, mas Sheng Mingshu dormiu tranquilamente, envolta na colcha quente, adormecendo ao encostar a cabeça no travesseiro.
Na manhã seguinte, Rong Wuwang, ao vê-la dormindo tão profundamente, seu belo rosto ficou tingido de irritação.
Que mulher de coração despreocupado!
Na verdade, Fuyáo não fora envenenada, apenas sofrera de uma indisposição alimentar. Mas, como era filha adotiva da mãe dele e sempre estivera ao seu lado, Rong Wuwang cuidava dela com mais atenção.
Fuyáo, chorosa, reclamava das amarguras dos últimos dias e ainda o alertava de que Sheng Mingshu era um cão de guarda da Imperatriz Viúva, com quem tinham inimizade mortal.
O Nobre de Mil Anos não podia se deixar iludir pela beleza e esquecer seus deveres.
Rong Wuwang apenas mandou que Fuyáo cuidasse da própria vida e não se intrometesse nos assuntos dele.
Mesmo contrariada, Fuyáo preferiu calar-se.
Rong Wuwang jamais se esquecera do ódio profundo do passado. Sheng Mingshu, por sua vez, era diferente do que ele imaginara, o que só aumentava sua curiosidade.
Ela agia sempre de modo imprevisível, e ele queria ver quais seriam seus reais intentos.
Ao acordar, Sheng Mingshu arrumou-se com esmero, radiante de beleza. Com tantos acontecimentos recentes, não podia perder o ímpeto.
Ao sair, sua presença ofuscava toda a beleza do jardim na primavera.
Fuyáo, de rosto fechado, estava à beira do lago, vestida de forma exuberante, tentando competir em vaidade, mas acabava sendo completamente ofuscada.
O olhar gélido de Sheng Mingshu passou por ela, ignorando-a como se fosse ar.
Pessoas como Fuyáo, quanto mais atenção recebem, mais se inflam.
Enfurecida, Fuyáo aproximou-se e bloqueou seu caminho, fitando-a com arrogância e proclamando, cheia de orgulho, sua posse:
— Alteza Real, não pense que por ter se casado nesta mansão conquistará o coração do nobre. Na noite passada, ele dormiu comigo. Isso prova que sou eu a predileta, você não passa de um brinquedo.
Consumida de ciúmes pelo favor concedido a Sheng Mingshu, Fuyáo veio cedo importuná-la.
Sheng Mingshu, desinteressada, tocou-lhe o ombro e respondeu, pausadamente:
— Se veio tão depressa se exibir diante de mim, é sinal de que ontem meu marido lhe deu uma lição, não? E para que se humilhar de novo em minha frente?
Embora Rong Wuwang não tenha voltado naquela noite, ela sabia que ele jamais se interessaria por Fuyáo. Do contrário, Fuyáo não estaria tão descontrolada nesta manhã.
Mas Sheng Mingshu não era o tipo que se deixa humilhar. Era hora de dar-lhe uma lição.
Fuyáo ficou tão furiosa que seu rosto se contorceu. Para ela, aquela mulher ao lado do Nobre de Mil Anos era um desastre; precisava revelar-lhe a verdadeira face de Sheng Mingshu.
Nesse momento, Rong Wuwang entrou no pátio, e Sheng Mingshu trocou a expressão por um sorriso radiante, indo ao seu encontro.
— Milorde, já tomou o desjejum? Permita-me servi-lo.
Antes que terminasse de falar, ouviu-se atrás um forte estrondo de alguém caindo na água. Todos se viraram, e lá estava Fuyáo debatendo-se no lago, como um pato que nunca viu água.
A água gelada de início de primavera penetrava até os ossos.
Os guardas a retiraram, ela tremia de frio, completamente desmoralizada.
Rong Wuwang demonstrou impaciência nos olhos.
— O que está acontecendo?
Por que, sem motivo, pularia no lago para chamar atenção? Fuyáo nunca fora assim antes.
Fuyáo, chorosa, acusou Sheng Mingshu, o veneno no olhar evidente:
— Milorde, faça justiça por mim. Foi a Alteza Real quem me empurrou no lago.
Sheng Mingshu soltou uma risada fria:
— Você mente descaradamente. Eu estava dez metros de distância, como poderia empurrá-la? Melhor admitir que se jogou no lago para me incriminar.
Estando tão longe, se ainda conseguisse empurrar alguém, seria coisa de outro mundo.
Rong Wuwang viu tudo com seus próprios olhos e sabia da inocência de Sheng Mingshu.
— Fuyáo, que absurdo é esse que está dizendo?
Ele já estava no limite da paciência, o olhar cheio de irritação.
Mesmo sendo filha adotiva de sua mãe, ele não toleraria que ela causasse tumulto na mansão.
Fuyáo, ainda trêmula, continuou:
— Milorde, fui injustiçada. Meu corpo ficou dormente de um lado, perdi o equilíbrio e caí no lago. Com certeza foi a Alteza Real que fez algo comigo; se não foi ela, quem mais poderia ser? Por favor, veja quem ela realmente é.
Fuyáo se prostrou, tentando agarrar-lhe a barra da roupa, implorando por piedade.
Rong Wuwang afastou-a com frieza.
— Acusar falsamente a dona da casa em público: aceite vinte varas como castigo.
Não admitia que criados usassem artimanhas para manchar a reputação de alguém.
Fuyáo olhou para ele, atônita:
— Milorde, o senhor mudou. Antes sempre ficava do meu lado, agora me pune por causa de uma feiticeira?
— Trinta varas.
A ordem de Rong Wuwang era definitiva, não permitia contestação.