Capítulo Cinquenta e Um - Tentativa

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2468 palavras 2026-02-07 16:42:34

Fuyáo ainda segurava a barra das vestes de Rong Wuwang, sem querer soltá-lo. Ela não acreditava que seu senhor, tão sensato, pudesse se deixar enfeitiçar por aquela raposa sedutora. Eles carregavam um ódio de sangue profundo, e ela o acompanhara durante todo esse caminho!

No alto, soou uma voz serena.

— Afinal, ela serviu à nossa casa como a principal criada por muitos anos. Basta que tire um pouco do ressentimento.

Sheng Mingshu ergueu as sobrancelhas graciosas, mas Fuyáo já estava tão atônita que não sabia como reagir.

— Mestre! Como pode...

Um olhar gélido e cortante foi lançado em sua direção, fazendo-a calar-se imediatamente.

Fuyáo sempre fora adequada e competente, mas desde que Sheng Mingshu pisara na mansão, muita confusão havia surgido, e de fato ele já estava cansado.

— Fuyáo, quem comete erros, deve ser punida.

O coração de Fuyáo estremeceu. Depois de tantos anos ao lado de Rong Wuwang, como não reconheceria o alerta contido nessas palavras?

Na noite anterior, ao retornar ao quarto, notou que o vaso de flores junto à janela havia mudado sutilmente de posição. Atenta aos detalhes como sempre, soube de imediato que alguém estivera em seus aposentos. Ao espiar debaixo da cama, confirmou que o objeto escondido desaparecera.

Ainda assim, não se desesperou. Mesmo que o Grão-Duque soubesse de suas manobras, que mal faria? Se Sheng Mingshu ousava acusá-la abertamente diante da família imperial, era porque já deixava claro ser partidária da Imperatriz Mãe.

De qualquer forma, Rong Wuwang, que desprezava mentiras, não a perdoaria facilmente.

Mas por que, por que sempre que algo envolvia Sheng Mingshu, tudo saía do controle?

Um ciúme feroz impedia Fuyáo de manter a calma.

Rong Wuwang, impassível, retirou a barra de sua roupa das mãos de Fuyáo. Olhou para o doce mordido por Mingshu, e sem qualquer hesitação, levou à boca o pedaço que ela deixara.

O coração de Sheng Mingshu disparou, sem entender ao certo qual era o jogo daquele homem à sua frente.

Mas, se fosse para atuar, ela estaria sempre pronta.

Mingshu estendeu a mão, passando delicadamente o dedo mínimo pelo indicador de Rong Wuwang, o olhar cheio de sedução.

— Que o senhor volte cedo, Mingshu sente-se tão entediada sozinha na mansão.

Os dedos de Rong Wuwang se contraíram quase imperceptivelmente e ele respondeu apenas com um “hum”.

Fuyáo, ajoelhada no chão, assistia a tudo, quase partindo os dentes de tanto ranger.

Ao ver a silhueta de Rong Wuwang se afastando, cerrou os punhos e, entre dentes, murmurou:

— O mestre por acaso já esqueceu da senhora?

Os passos de Rong Wuwang pararam bruscamente, e uma aura gélida e assustadora emanou de seu corpo.

Virando-se, seus olhos de fênix estavam carregados de perigo sombrio.

Até Sheng Mingshu ficou paralisada por um instante diante daquela expressão, os pelos do corpo se eriçando.

Todos no pátio empalideceram de medo, sem ousar pronunciar uma só palavra.

Fuyáo, recobrando a consciência, percebeu de súbito o erro cometido. Certas coisas jamais poderiam ser mencionadas naquela casa.

Aterrorizada, abaixou a cabeça, o medo intenso a fazia até esquecer como respirar.

— Se acontecer de novo, a Mansão do Grão-Duque não terá mais lugar para você — a voz fria ecoou no pátio.

Os olhos de Fuyáo esvaziaram-se, e ela desabou, sem forças, no chão.

Rong Wuwang partiu a passos largos, sem olhar para trás.

Sheng Mingshu lançou um olhar a Ama Rong.

A velha compreendeu de imediato e acenou para dois dos pequenos criados que, juntos, levantaram Fuyáo e a levaram embora.

O olhar de Sheng Mingshu foi, pouco a pouco, se tornando frio.

Antes de Rong Wuwang se tornar o lendário e temido Grão-Duque, ninguém se importava com sua verdadeira identidade. Sabia-se apenas que era implacável, frio e estrategista, ascendendo rapidamente nos círculos do poder.

Quando alguns curiosos tentaram investigar seu passado antes do palácio, todos os envolvidos morreram de maneira estranha ou tiveram fins trágicos, sem sobreviventes. Assim, seu passado tornou-se um mistério.

Agora, suas atitudes eram igualmente enigmáticas. Detinha poder suficiente para, se desejasse, derrubar o governo e tomar o trono, mas tratava Sheng Mingzhe com respeito e deferência, como um súdito leal.

No entanto, se era lealdade, por que enfrentava a facção da Imperatriz Mãe com igual ferocidade?

Por isso mesmo, na vida anterior, Sheng Mingshu foi usada pela Imperatriz Mãe para combater Rong Wuwang sob a acusação de traição, e terminou morrendo naquele calabouço úmido e sombrio.

Sheng Mingshu semicerrava os olhos.

Aparentemente, Fuyáo ainda guardava muitos dos seus segredos.

Yiqin massageava suavemente as têmporas de Mingshu e, ao perceber que ela estava absorta, perguntou em voz baixa:

— Princesa, ainda vamos ficar sentadas?

Sheng Mingshu abriu os olhos, agora serenos.

Que importavam os segredos que ele escondia? O que ela precisava saber era que, por ora, tinham um objetivo comum: não permitir que a Imperatriz Mãe tivesse paz.

Ela se levantou, um sorriso aberto no rosto.

— Troque de roupa, vamos sair da mansão!

— Ah? — Yiqin arregalou os olhos. — Mas, princesa, seus ferimentos ainda não sararam, o médico disse que precisa repousar!

Sheng Mingshu já se afastava, e Yiqin, mordendo os lábios, correu atrás. Não havia mais o que fazer!

Ambas vestiam compridas túnicas de gola redonda, os cabelos longos presos no alto da cabeça por uma simples presilha de jade branco.

Sheng Mingshu ainda colara um bigode cômico no centro do rosto.

A ponta do bigode fazia cócegas em seu rosto, e ela não resistiu a coçar.

Yiqin, atrás dela, teve que conter o riso, cobrindo a boca com a mão antes de ceder à curiosidade:

— Mestre... O que estamos fazendo?

Mingshu abriu o leque com elegância, assumindo um ar charmoso e despreocupado.

— Temos um assunto importante a resolver — respondeu, prolongando o final da frase, com um ar misterioso e ainda mais divertido.

Yiqin não perguntou mais nada, apenas seguiu silenciosa.

Logo chegaram diante de uma loja.

Em contraste com as lojas movimentadas e lucrativas da Imperatriz Mãe, esta diante delas estava quase deserta. O próprio dono parecia não ter ânimo para trabalhar; a porta entreaberta, o beiral do telhado tomado por grossas teias de aranha.

A expressão de Sheng Mingshu não mudou; ela friccionou levemente os dedos sob a manga antes de entrar.

Apesar do dia claro lá fora, o interior era escuro, com janelas fechadas e mesas cobertas de poeira, há muito tempo sem serem limpas.

Mingshu olhou ao redor, não viu uma alma viva.

Yiqin tirou um lenço da manga e limpou cuidadosamente uma cadeira, colocando outro lenço limpo como proteção.

Sheng Mingshu se sentou e começou a tamborilar a mesa com os dedos.

Yiqin, tranquila, permaneceu atrás dela.

O som ritmado ecoava no vazio da loja, tornando-se ainda mais evidente.

Do outro lado da cortina, o atendente ouviu o barulho, espreguiçou-se preguiçosamente e, sem abrir os olhos, falou com desdém:

— Não atendemos clientes aqui, por favor, vá embora.

Desde que a Imperatriz Mãe assumira a administração das lojas deixadas pela mãe de Mingshu, o movimento caíra e os antigos empregados, sem condições de manter o negócio, foram saindo por conta própria. Agora, nem sequer tentavam disfarçar o desprezo pelo lugar.

Sheng Mingshu manteve a calma e falou suavemente:

— Duas moedas de prata, uma jarra de vinho clarificado, percorrendo o mundo mil vezes, livre e leve como o vento.

Essa era a frase que aquela pessoa costumava repetir ao seu ouvido. Na juventude, era cheio de vigor e sonhos, mas desde a morte da mãe, nunca mais se ouviu falar dele.

Na vida passada, Sheng Mingshu pensou que ele houvesse partido pelo mundo, buscando liberdade. Só quando a Imperatriz Mãe descobriu o segredo escondido naquela loja e, à beira da morte, ela soube que, por amor à mãe, ele ousara até atentar contra a vida da Imperatriz Mãe. Só então percebeu que, desde a morte da mãe, aquela ferida nunca cicatrizara em seu coração.