Capítulo Dezessete: Embriaguez

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2460 palavras 2026-02-07 16:40:41

Fuyáo sorria com ostentação, como quem obtém o que deseja sem nenhum esforço. Se o milorde soubesse que a princesa real tramava contra ela desse modo, como poderia continuar a dar-lhe atenção? Ela precisava voltar depressa e contar essa conspiração ao milorde.

Ao receber a notícia, Rong Wuwang serviu-se de uma taça de vinho, com a expressão despreocupada e voz gélida que atingia o âmago de quem o ouvia.

— De onde veio essa informação?

Fuyáo ficou surpresa, pois, embriagada pelo próprio êxito, quase esquecera o essencial.

— Ouvi por acaso ao sair, senhor.

Rong Wuwang não acreditou; algo como roubar o selo militar não seria escutado casualmente ao acaso.

— Você sabe que não tolero traição.

Ele já intuía o curso dos acontecimentos, mas não queria expor a trama cedo demais, pois isso tiraria toda a graça. Queria ver até onde a imperatriz viúva ousaria ir.

Fuyáo tremia, os dentes batiam. A última pessoa que traíra o milorde acabara esfolada, transformada num abajur de pele humana.

— Fique tranquilo, senhor... Esta serva é leal ao seu amo, jamais ousaria duvidar.

Ela preparou o chá para ele, a voz doce e delicada:

— O vinho faz mal, milorde deveria abster-se. O chá foi preparado especialmente para o senhor, quer provar?

Rong Wuwang fitou o chá incolor, lembrando do aviso de Sheng Mingshu sobre Fuyáo envenenar sua comida. Estaria ela, impaciente, tentando matá-lo outra vez? Seus olhos se estreitaram, divertido com a encenação tosca de Fuyáo. Por ora, manter-se-ia imóvel, curioso para ver que outros truques a imperatriz viúva tentaria.

— Milorde...

Uma voz aveludada soou, doce a ponto de derreter os ossos. Um perfume suave preencheu o aposento. Sheng Mingshu, vestida com um delicado traje de gaze azul-clara, entrou trazendo uma caixa de quitutes, caminhando com tanta graça quanto uma flor de lótus florescendo a cada passo.

Na cintura, uma corrente prateada balançava, emitindo um tilintar melodioso, destacando ainda mais sua silhueta esguia, que cabia em um único abraço.

O olhar de Rong Wuwang brilhou de calor. Ela, em passadas rápidas, sentou-se ao seu lado, ignorando completamente Fuyáo.

— Preocupada que o senhor estivesse cansado do trabalho, preparei um caldo de ginseng e alguns petiscos para a noite.

Sheng Mingshu sorriu, apoiando o rosto nas mãos, olhando para ele cheia de expectativa.

Fuyáo, sentindo-se ignorada de novo, apressou-se:

— Senhor!

Parecia alertá-lo: aquela mulher estava de olho no selo militar, por isso se aproximava tanto. Não se deixasse seduzir por sua beleza!

— Saia!

O olhar de Rong Wuwang ordenou que ela se retirasse, não admitindo interrupções na conversa dos dois. Fuyáo, temendo desobedecê-lo, bateu o pé e saiu rebolando.

— Espere.

Sheng Mingshu falou devagar:

— Você serve ao milorde com afinco, então este chá é um presente para você.

Os passos de Fuyáo pararam, rígidos como se estivesse pregada ao chão.

— O que foi? Não reconhece sua posição perante mim? Esqueceu quem é?

Sua voz agora trazia uma frieza cortante. Como ousaria uma criada desobedecê-la? Corrigir uma serva era seu direito, ou então, logo estaria sendo sobrepujada por ela.

Fuyáo olhou, suplicante, para Rong Wuwang, que permaneceu impassível, sem sequer lhe lançar um olhar. Foi como se jogassem um balde de água fria sobre ela, da cabeça aos pés.

Resignada, fechou os olhos e bebeu o chá de um só gole. Logo sentiu o estômago revirar e saiu correndo.

Sheng Mingshu pegou a taça e ofereceu vinho a Rong Wuwang:

— O senhor está animado, posso acompanhá-lo na bebida?

Rong Wuwang queria ver como ela tentaria roubar o selo militar, então entrou no jogo, bebendo cada taça que ela lhe servia.

O sorriso de Sheng Mingshu crescia, enchendo-lhe o copo repetidas vezes. Rong Wuwang, bem-humorado, aceitava todas. Até que sua pele, antes alva, ficou levemente rosada, realçando o sinal de nascença rubro entre as sobrancelhas, tornando-o ainda mais sedutor. Seus olhos, turvos pelo álcool, demonstravam embriaguez iminente.

Sheng Mingshu suspirou fundo, e quando foi servir mais, Rong Wuwang segurou seu pulso delicado.

— Por que só eu bebo? A princesa real não toca em uma gota?

Sheng Mingshu, de pouca resistência ao álcool, pegou uma taça, pronta para beber.

— Não se apresse, senhor, agora mesmo eu bebo.

Mas antes que a taça tocasse os lábios dela, Rong Wuwang a tomou, bebendo tudo de uma só vez. Antes que ela reagisse, segurou-a pela nuca, transferindo-lhe todo o vinho num beijo profundo.

Rodeada pelo aroma e calor do vinho, Sheng Mingshu sentiu os sabores e a suavidade daquele contato. Só quando suas pernas amoleceram com o beijo, Rong Wuwang tombou sobre a mesa e adormeceu.

Sheng Mingshu o chamou suavemente:

— Senhor? Embriagou-se?

A única resposta foi a respiração profunda e regular de Rong Wuwang.

O formigamento em seus lábios persistia, mas não havia tempo para devaneios: o prazo de sete dias expirara, e ela precisava obter o selo militar.

O selo estava preso à cintura dele, mas deitado de bruços, ela tentou várias vezes sem sucesso. Sem alternativa, envolveu suavemente a cintura dele com as mãos, retirando o selo com extrema delicadeza. Quando sentiu o peso do objeto nas mãos, finalmente acalmou o coração.

Antes de partir, ainda arrastou Rong Wuwang para a cama, cobrindo-o cuidadosamente para que não se resfriasse com o orvalho da noite.

Seus longos cabelos espalhavam-se pelo travesseiro, e suas feições, nobres e frias, suavizavam-se durante o sono, tornando-o ainda mais belo, quase etéreo.

Sheng Mingshu não pôde evitar um suspiro:

— Que pena ser um eunuco.

Se fosse um homem de verdade, quantas mulheres não se perderiam por ele?

Na penumbra, soaram dois apitos discretos: era o código da imperatriz viúva, apressando-a. Ela olhou uma última vez para Rong Wuwang antes de desaparecer na noite.

Logo depois, Rong Wuwang abriu os olhos e tateou a cintura.

— Sheng Mingshu, foste tu quem buscou a própria ruína.

Assim, tudo o que a princesa dissera sobre lealdade era falso. No fim, obedecia à imperatriz viúva. Ele e a imperatriz eram inimigos mortais; Sheng Mingshu pertencia ao lado dela, portanto, estavam em lados opostos.

No jardim dos fundos, próximo à porta lateral, Sheng Mingshu caminhava suavemente como uma flor de lótus. Madame Zhou já se impacientava, andando de um lado para outro. Ao ver a princesa real coberta por um manto, apressou-se:

— Alteza, sabe as horas?

Murmurava em pensamento sobre a lentidão dela, forçando-a a esperar tanto tempo. A princesa, antes tímida diante da imperatriz, sempre dependera dela, a ponto de até as amas se atreverem a maltratá-la.

— Eu sou a princesa, faço você esperar o quanto quiser.

Sheng Mingshu encarou-a friamente, envolta pelo clarão frio do luar.

Madame Zhou assustou-se com sua postura, recolhendo-se e falando respeitosamente:

— Alteza, foi um engano, só temi que a imperatriz se impacientasse. Conseguiu o selo militar?

— É claro. Leve-o à imperatriz.

Sheng Mingshu entregou-lhe um embrulho onde estava o selo.

Separaram-se, e a princesa retornou ao Pavilhão do Bambu, mas Rong Wuwang já não estava lá.

Seu coração disparou: teria ele despertado? Percebera a ausência do selo junto ao corpo? Suspeitaria dela?