Capítulo Nove – Tomando o Pulso

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2451 palavras 2026-02-07 16:40:18

Aninha era a jovem de rosto arredondado e olhos grandes, que sorria docemente para Mingxu, falando com uma voz igualmente suave e melodiosa.

Mingxu não demonstrou qualquer superioridade e apenas disse: “Já que o mordomo encarregou-se de trazer vocês até aqui, preciso deixar algo claro. Daqui em diante, basta ouvirem minhas ordens. Quanto ao que outros disserem, não precisam se preocupar.”

“Sim,” responderam docilmente Ping e Aninha.

Mingxu conversou um pouco mais com elas e logo soube que eram irmãs, flor de uma mesma primavera, órfãs desde cedo, recolhidas por Rong Wuwang, que as criou e educou em sua residência.

Havia diferenças em relação ao que lembrava de sua vida anterior, mas não fazia diferença. Afinal, eram pessoas de confiança de Rong Wuwang e, se não estavam dispostas a se abrir de coração, era compreensível, desde que não lhe causassem mal.

“Preparem bastante água quente. Se hoje à noite alguém tentar invadir o pátio, quero que o imobilizem,” ordenou ela.

“Sim,” responderam as duas, trocando um olhar antes de saírem para aquecer a água.

Embora não entendessem ao certo as intenções de Mingxu, seguiram as ordens de Rong Wuwang.

Tendo organizado tudo, Mingxu limpou cuidadosamente as agulhas de ouro que seu mestre lhe deixara e, enfim, deitou-se para dormir. Uma batalha difícil a aguardava naquela noite, precisava economizar energia.

No pátio—

“Aninha, fique aqui aquecendo a água, vou procurar o soberano.”

“Certo, irmã, volte logo e não deixe a princesa desconfiar.”

“Sim.” Ping espiou cautelosamente para dentro, certificando-se de que Mingxu dormia, e só então fechou a porta e correu para o escritório, onde encontrou Rong Wuwang e lhe contou tudo que Mingxu ordenara, perguntando o que ele desejava fazer.

“Já que fui eu quem as entregou a ela, daqui em diante basta obedecer às ordens da princesa,” respondeu Rong Wuwang, sem desviar o olhar dos decretos em suas mãos.

No entanto, seus pensamentos estavam longe dali. Alguém tentaria invadir o pátio esta noite? O que Mingxu sabia? Ou será que ela própria armara algo?

“E quanto a esta noite…?” Ping hesitou, sentindo que algo importante estava para acontecer.

“Obedeça às ordens dela.”

“Sim.” Com a palavra do soberano, Ping não hesitou mais e voltou para junto de Aninha, onde continuaram a preparar a água.

Quando Ping partiu, Rong Wuwang girou o anel de jade no dedo e chamou uma sombra silenciosa.

“Há algum movimento do lado da princesa?”

“Senhor, há pouco a princesa mandou a jovem Yiqin sair. Colocamos alguém para segui-la e percebemos que ela visitou diversas farmácias, comprando muitos ingredientes. Já retornou, mas foi muito cuidadosa. Não conseguimos descobrir exatamente o que comprou.”

“Entendido. Continue vigiando,” Rong Wuwang acenou, dispensando o mensageiro sombrio.

Seus dedos brancos apertavam o decreto. Uma suspeita lhe preenchia o peito. Antes, Mingxu dissera que dominava a medicina, que poderia curar o veneno em seu corpo. O pensamento trouxe-lhe uma esperança que há muito não sentia.

...

O tempo passou rápido. Ao cair da tarde, Yiqin despertou Mingxu.

“Princesa, é hora de levantar. O soberano enviou alguém para convidá-la a jantar no salão principal.”

Mingxu acordou sonolenta; o céu já escurecera. Após se lavar, viu Ping e Aninha ainda ocupadas no pátio.

“Como está a água quente?”

Ping respondeu: “Está tudo pronto, princesa. Mantivemos várias jarras aquecidas, prontas para uso.”

“Muito bem.” Por algum motivo, Mingxu percebeu que a atitude de Ping estava ainda mais respeitosa. Teria ocorrido algo enquanto dormia? Não conseguiu imaginar, mas achou bom sinal.

Junto de Yiqin, dirigiu-se ao salão principal, onde Rong Wuwang já a aguardava.

Ela olhou ao redor e, não vendo Fuyao, assentiu satisfeita.

“Quem organizou o jantar esta noite?” perguntou casualmente ela, ao sentar.

Uma criada desconhecida respondeu: “Foi a cozinha pequena, princesa. O soberano quis saber de suas preferências e mandou preparar os pratos especialmente...”

“Cale a boca,” interrompeu Rong Wuwang, frio, olhando para Mingxu. “Coma.”

Vendo a cena, Mingxu sentiu-se radiante por dentro, mas não perdeu a oportunidade de brincar: “Meu caro soberano, o senhor realmente sabe cuidar das pessoas.”

Afinal, aquele era um pequeno progresso. Rong Wuwang começava a cuidar dela.

Ao terminar o jantar, Mingxu conduziu Rong Wuwang apressada de volta ao pátio.

“Senhor, há algum outro assunto para resolver esta noite?”

Pela lógica, alguém de posição tão elevada quanto Rong Wuwang, mais ocupado que o próprio chanceler, raramente tinha folga, mas devido ao casamento, teria quinze dias de descanso conforme as tradições.

“Nada a tratar. A princesa tem algo a solicitar?” perguntou, arqueando uma sobrancelha, sentindo inesperadamente uma onda de emoção.

As palavras de Mingxu pela manhã ainda ecoavam em seus ouvidos — “Então, à noite, deixe-me ver o quanto o senhor é corajoso.” Só de lembrar, Rong Wuwang sentiu uma inquietação incomum.

“Se não há nada, sente-se. Quero tomar o seu pulso,” disse Mingxu, sorrindo, enquanto o puxava para uma cadeira, colocando diante dele uma pequena almofada retirada do estojo de remédios, esperando que ele lhe entregasse o braço.

Rong Wuwang, agora ainda mais convencido de suas suspeitas, deixou que ela segurasse seu punho.

Ao iniciar o exame, Mingxu assumiu uma expressão séria. Diferente do tom brincalhão com que conversava com Rong Wuwang, seu olhar era atento e concentrado, sentindo o pulso com cuidado.

Rong Wuwang ficou fascinado, perguntando-se qual seria o verdadeiro rosto daquela jovem.

Após um momento, Mingxu soltou-lhe a mão. Agora compreendia quase totalmente a condição do corpo dele. O exame secreto da tarde não fora tão detalhado quanto agora.

“A princesa percebeu algo de errado?” Rong Wuwang recolheu a mão, lançando-lhe um olhar curioso.

“Certamente há um problema. Sei exatamente que veneno o senhor carrega.” Mingxu sorriu. “É um veneno agressivo. Quem o sofreu — no caso, sua mãe — deveria ter morrido instantaneamente. Mas, grávida, parte do veneno foi absorvida por você, permitindo que ela sobrevivesse e o desse à luz em segurança. Por isso, o veneno também ficou em seu corpo.”

“Esse veneno não tem cura conhecida, mas meu mestre e meu irmão mais velho estudaram-no profundamente. Embora seja complicado, não é impossível de tratar.”

Ao ouvir isso, Rong Wuwang sentiu ainda mais confiança na habilidade médica de Mingxu. Durante todos esses anos, consultara inúmeros médicos: uns diziam que teria vida curta, outros que sua condição viera do útero materno, outros ainda sugeriam envenenamento, mas ninguém era claro e preciso como Mingxu.

“Então, princesa, pretende me desintoxicar esta noite?”

Mingxu sorriu enigmaticamente: “Sim, e ao mesmo tempo, não.”