Capítulo Vinte e Seis - Salão da Benevolência
Sheng Mingzhu adiantou-se para detê-lo.
— Não passa de um remédio, não é motivo para arriscar a vida.
Gong Xipeng ergueu o rosto, prestou-lhe uma saudação militar impecável, mesmo com o rosto cheio de hematomas; seus olhos, porém, brilhavam intensamente.
Agora, diferente de instantes atrás, quando se arrastava no chão, sua postura revelava que não era alguém comum.
— Não sei quem é a senhorita, mas a gratidão por salvar minha vida jamais será esquecida. Se um dia precisar de mim, darei minha vida sem hesitar. Quanto a este remédio, diz respeito à vida da minha irmã. O médico afirmou que, sem ele, ela não suportará até o amanhecer.
Gong Xipeng, que sempre se orgulhou de ser um homem de valor, agora estava à mercê do infortúnio após provocar Xu Hao, tornando-se incapaz de dar um passo sequer em toda a capital.
Nem mesmo para tratar a grave doença de sua irmã havia meios.
Sheng Mingzhu lançou um olhar curioso para as ervas espalhadas no chão e murmurou:
— Cangzhu, Xuan Shen... Não são remédios caros. Não seria difícil comprar uma nova porção.
Imaginava que se tratasse de um raro ginseng milenar ou de um cogumelo espiritual centenário — nesses casos, seria compreensível prezar tanto. Porém, o pacote de ervas que Xu Hao trouxera continha ingredientes absolutamente comuns. Por que, então, tanto zelo?
Gong Xipeng esboçou um sorriso amargo e balançou a cabeça.
— A senhorita não sabe: é de conhecimento geral que a maior farmácia da capital é a Sala Ji Shi da família Xu. Todas as demais apotecas obedecem às ordens deles, pois detêm o maior e mais completo estoque de remédios. Se eles se recusam, ninguém mais se dispõe a vender para mim. Mesmo que eu entregasse tudo o que possuo, não me venderiam sequer uma única erva.
Ao falar disso, Gong Xipeng sentia indignação e revolta, mas nada podia fazer: afinal, quem daria ouvidos a alguém tão insignificante?
— A Sala Ji Shi é ainda mais tirânica que a própria família imperial. Quem lhes deu tamanha audácia?
Sendo também alguém da medicina, Sheng Mingzhu não podia tolerar que vidas fossem tratadas com desprezo. O nome daquela farmácia parecia-lhe mais uma piada.
Chuntao ponderou:
— Se a Sala Ji Shi monopoliza todos os remédios da capital, isso significa que podem definir os preços como quiserem, lucrar o quanto quiserem e ninguém pode fazer nada a respeito?
Sheng Mingzhu assentiu. Se aquela farmácia não fosse detida, o povo viveria sempre em sofrimento.
Gong Xipeng, ao ouvir o diálogo, e ao lembrar do temor que Xu Hao demonstrava perante a jovem, compreendeu que sua posição não era comum.
Ele, porém, concluiu resignado:
— Senhorita, sendo mulher, é melhor não se envolver nessas questões, para não trazer desgraça para si.
Chuntao ergueu as sobrancelhas e respondeu, orgulhosa:
— Minha senhora não teme nada. Em toda a capital, são raros os que ousam enfrentá-la.
Gong Xipeng nada respondeu, apenas continuou a recolher cuidadosamente as ervas do chão, como se fossem tesouros, não lixo.
— É só um pacote de remédios. Eu... ajudarei a encontrar uma solução.
Nesse momento, um homem vestido com roupas simples e gastas chegou apressado até Gong Xipeng.
— Péssimas notícias! Sua irmã está com febre alta e não melhora. Venha logo, não sabemos mais o que fazer!
O rosto de Gong Xipeng empalideceu; sem hesitar, saiu correndo para casa. Após alguns passos, virou-se e disse, apressado, para Sheng Mingzhu:
— Não leve a mal, senhorita. Sua bondade será retribuída no futuro. Agora preciso cuidar de minha irmã.
— Suba na carruagem.
Sheng Mingzhu ofereceu-lhe carona, afinal, a carruagem era muito mais rápida que as próprias pernas.
Diante da urgência, Gong Xipeng não ousou recusar e, juntos, seguiram até uma velha cabana nos arredores da cidade.
A casa era pobre, mas limpa; havia apenas o essencial, nada mais.
Sobre uma cama de madeira jazia uma menininha de cinco ou seis anos, ardendo em febre, inconsciente, murmurando o nome do irmão.
Gong Xipeng, homem feito, mal pôde conter as lágrimas ao vê-la naquele estado.
— Xiaoxiao? Acorde! O irmão trouxe o remédio, você vai melhorar...
Desajeitado, apressou-se a preparar a poção.
Vizinhos solidários haviam trazido um médico idoso, que examinou a menina, observou suas pálpebras e suspirou, balançando a cabeça.
— Doutor, por que balança a cabeça? Ela está inconsciente, faça alguma coisa, por favor!
— Não é falta de vontade, mas o quadro está irreversível.
O velho médico lamentou o destino daquela criança tão jovem.
— Mas eu trouxe o remédio! Não serve para nada?
Gong Xipeng, incrédulo, segurava o pacote de ervas, imóvel, recusando-se a aceitar a realidade.
— Se tivesse usado há três dias, talvez ainda houvesse esperança. Mas agora? Ela já está à beira da morte, remédios não farão mais efeito.
O velho colocou-lhe a mão no ombro e afastou-se lentamente.
Gong Xipeng cerrou os punhos e, abraçado à irmã, chorou:
— Se alguém pudesse salvar Xiaoxiao, eu daria minha vida em troca!
Sheng Mingzhu afastou-se dele, determinada:
— Eu sei o que fazer.
Antes que Gong Xipeng reagisse, ela retirou agulhas de prata e, com destreza quase sobrenatural, aplicou-as em pontos vitais da menina.
Seus movimentos eram tão rápidos que deixavam rastros no ar.
A respiração de Xiaoxiao, antes quase inexistente, tornou-se mais evidente a cada aplicação das agulhas.
No início, Gong Xipeng duvidava da capacidade daquela jovem, mas, vendo com seus próprios olhos, não pôde resistir à verdade.
Sheng Mingzhu escreveu uma receita e pediu a Chuntao que, munida do brasão do Príncipe de Qiansui, fosse comprar os medicamentos.
Estava certa de que nem mesmo a Sala Ji Shi ousaria recusar alguém em nome de Rong Wuwang.
Chuntao foi e voltou com a máxima rapidez, e Xiaoxiao, ao tomar o remédio, milagrosamente despertou.
— Irmão, você voltou?
Xiaoxiao sorriu docemente, a voz ainda fraca, mas já fora de perigo.
O velho médico não conseguia desviar o olhar de Sheng Mingzhu, quase se ajoelhando de emoção.
— Senhorita, tão jovem e já domina a medicina mais do que este velho. Quem foi seu mestre?
Além de emocionado, sentia-se envergonhado: não fosse por aquela jovem, Xiaoxiao não teria resistido.
Sheng Mingzhu desviou:
— Apenas aprendi com um médico já falecido.
Enquanto isso, após algumas palavras à irmã, Gong Xipeng ajoelhou-se solenemente diante de Sheng Mingzhu.
— A senhorita salvou-me duas vezes do perigo. De agora em diante, minha vida é sua. O que quiser que eu faça, cumprirei sem hesitar.
Seu olhar para Sheng Mingzhu era de profundo respeito e gratidão.
Reconhecia-a sinceramente como sua senhora.
Embora ela fosse jovem e bela, e ele, um homem feito, o gesto não o envergonhava: ela salvara Xiaoxiao, e isso equivalia a salvar sua própria vida.
Dali em diante, não hesitaria em enfrentar qualquer desafio por ela.
— Tem certeza? Não poderá se arrepender.
Sheng Mingzhu, afinal, fizera tudo para chegar a este momento. Só ela sabia o quão afiada era a espada chamada Gong Xipeng.