Capítulo Vinte e Seis - Salão da Benevolência

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2407 palavras 2026-02-07 16:41:08

Sheng Mingzhu adiantou-se para detê-lo.

— Não passa de um remédio, não é motivo para arriscar a vida.

Gong Xipeng ergueu o rosto, prestou-lhe uma saudação militar impecável, mesmo com o rosto cheio de hematomas; seus olhos, porém, brilhavam intensamente.

Agora, diferente de instantes atrás, quando se arrastava no chão, sua postura revelava que não era alguém comum.

— Não sei quem é a senhorita, mas a gratidão por salvar minha vida jamais será esquecida. Se um dia precisar de mim, darei minha vida sem hesitar. Quanto a este remédio, diz respeito à vida da minha irmã. O médico afirmou que, sem ele, ela não suportará até o amanhecer.

Gong Xipeng, que sempre se orgulhou de ser um homem de valor, agora estava à mercê do infortúnio após provocar Xu Hao, tornando-se incapaz de dar um passo sequer em toda a capital.

Nem mesmo para tratar a grave doença de sua irmã havia meios.

Sheng Mingzhu lançou um olhar curioso para as ervas espalhadas no chão e murmurou:

— Cangzhu, Xuan Shen... Não são remédios caros. Não seria difícil comprar uma nova porção.

Imaginava que se tratasse de um raro ginseng milenar ou de um cogumelo espiritual centenário — nesses casos, seria compreensível prezar tanto. Porém, o pacote de ervas que Xu Hao trouxera continha ingredientes absolutamente comuns. Por que, então, tanto zelo?

Gong Xipeng esboçou um sorriso amargo e balançou a cabeça.

— A senhorita não sabe: é de conhecimento geral que a maior farmácia da capital é a Sala Ji Shi da família Xu. Todas as demais apotecas obedecem às ordens deles, pois detêm o maior e mais completo estoque de remédios. Se eles se recusam, ninguém mais se dispõe a vender para mim. Mesmo que eu entregasse tudo o que possuo, não me venderiam sequer uma única erva.

Ao falar disso, Gong Xipeng sentia indignação e revolta, mas nada podia fazer: afinal, quem daria ouvidos a alguém tão insignificante?

— A Sala Ji Shi é ainda mais tirânica que a própria família imperial. Quem lhes deu tamanha audácia?

Sendo também alguém da medicina, Sheng Mingzhu não podia tolerar que vidas fossem tratadas com desprezo. O nome daquela farmácia parecia-lhe mais uma piada.

Chuntao ponderou:

— Se a Sala Ji Shi monopoliza todos os remédios da capital, isso significa que podem definir os preços como quiserem, lucrar o quanto quiserem e ninguém pode fazer nada a respeito?

Sheng Mingzhu assentiu. Se aquela farmácia não fosse detida, o povo viveria sempre em sofrimento.

Gong Xipeng, ao ouvir o diálogo, e ao lembrar do temor que Xu Hao demonstrava perante a jovem, compreendeu que sua posição não era comum.

Ele, porém, concluiu resignado:

— Senhorita, sendo mulher, é melhor não se envolver nessas questões, para não trazer desgraça para si.

Chuntao ergueu as sobrancelhas e respondeu, orgulhosa:

— Minha senhora não teme nada. Em toda a capital, são raros os que ousam enfrentá-la.

Gong Xipeng nada respondeu, apenas continuou a recolher cuidadosamente as ervas do chão, como se fossem tesouros, não lixo.

— É só um pacote de remédios. Eu... ajudarei a encontrar uma solução.

Nesse momento, um homem vestido com roupas simples e gastas chegou apressado até Gong Xipeng.

— Péssimas notícias! Sua irmã está com febre alta e não melhora. Venha logo, não sabemos mais o que fazer!

O rosto de Gong Xipeng empalideceu; sem hesitar, saiu correndo para casa. Após alguns passos, virou-se e disse, apressado, para Sheng Mingzhu:

— Não leve a mal, senhorita. Sua bondade será retribuída no futuro. Agora preciso cuidar de minha irmã.

— Suba na carruagem.

Sheng Mingzhu ofereceu-lhe carona, afinal, a carruagem era muito mais rápida que as próprias pernas.

Diante da urgência, Gong Xipeng não ousou recusar e, juntos, seguiram até uma velha cabana nos arredores da cidade.

A casa era pobre, mas limpa; havia apenas o essencial, nada mais.

Sobre uma cama de madeira jazia uma menininha de cinco ou seis anos, ardendo em febre, inconsciente, murmurando o nome do irmão.

Gong Xipeng, homem feito, mal pôde conter as lágrimas ao vê-la naquele estado.

— Xiaoxiao? Acorde! O irmão trouxe o remédio, você vai melhorar...

Desajeitado, apressou-se a preparar a poção.

Vizinhos solidários haviam trazido um médico idoso, que examinou a menina, observou suas pálpebras e suspirou, balançando a cabeça.

— Doutor, por que balança a cabeça? Ela está inconsciente, faça alguma coisa, por favor!

— Não é falta de vontade, mas o quadro está irreversível.

O velho médico lamentou o destino daquela criança tão jovem.

— Mas eu trouxe o remédio! Não serve para nada?

Gong Xipeng, incrédulo, segurava o pacote de ervas, imóvel, recusando-se a aceitar a realidade.

— Se tivesse usado há três dias, talvez ainda houvesse esperança. Mas agora? Ela já está à beira da morte, remédios não farão mais efeito.

O velho colocou-lhe a mão no ombro e afastou-se lentamente.

Gong Xipeng cerrou os punhos e, abraçado à irmã, chorou:

— Se alguém pudesse salvar Xiaoxiao, eu daria minha vida em troca!

Sheng Mingzhu afastou-se dele, determinada:

— Eu sei o que fazer.

Antes que Gong Xipeng reagisse, ela retirou agulhas de prata e, com destreza quase sobrenatural, aplicou-as em pontos vitais da menina.

Seus movimentos eram tão rápidos que deixavam rastros no ar.

A respiração de Xiaoxiao, antes quase inexistente, tornou-se mais evidente a cada aplicação das agulhas.

No início, Gong Xipeng duvidava da capacidade daquela jovem, mas, vendo com seus próprios olhos, não pôde resistir à verdade.

Sheng Mingzhu escreveu uma receita e pediu a Chuntao que, munida do brasão do Príncipe de Qiansui, fosse comprar os medicamentos.

Estava certa de que nem mesmo a Sala Ji Shi ousaria recusar alguém em nome de Rong Wuwang.

Chuntao foi e voltou com a máxima rapidez, e Xiaoxiao, ao tomar o remédio, milagrosamente despertou.

— Irmão, você voltou?

Xiaoxiao sorriu docemente, a voz ainda fraca, mas já fora de perigo.

O velho médico não conseguia desviar o olhar de Sheng Mingzhu, quase se ajoelhando de emoção.

— Senhorita, tão jovem e já domina a medicina mais do que este velho. Quem foi seu mestre?

Além de emocionado, sentia-se envergonhado: não fosse por aquela jovem, Xiaoxiao não teria resistido.

Sheng Mingzhu desviou:

— Apenas aprendi com um médico já falecido.

Enquanto isso, após algumas palavras à irmã, Gong Xipeng ajoelhou-se solenemente diante de Sheng Mingzhu.

— A senhorita salvou-me duas vezes do perigo. De agora em diante, minha vida é sua. O que quiser que eu faça, cumprirei sem hesitar.

Seu olhar para Sheng Mingzhu era de profundo respeito e gratidão.

Reconhecia-a sinceramente como sua senhora.

Embora ela fosse jovem e bela, e ele, um homem feito, o gesto não o envergonhava: ela salvara Xiaoxiao, e isso equivalia a salvar sua própria vida.

Dali em diante, não hesitaria em enfrentar qualquer desafio por ela.

— Tem certeza? Não poderá se arrepender.

Sheng Mingzhu, afinal, fizera tudo para chegar a este momento. Só ela sabia o quão afiada era a espada chamada Gong Xipeng.