Capítulo Vinte e Nove: Ciúmes
— Onde está esse suposto amante? Vossa Excelência está com ciúmes? — disse Mingzhu, aproximando-se e depositando um beijo leve como uma pluma nos lábios dele, como se fosse um agradecimento pela salvação.
Na verdade, queria evitar que ele continuasse a interrogá-la.
Com a astúcia quase sobrenatural de Rong Wuwang, se insistisse muito, acabaria por desvendar todos os seus planos.
Mas ela não desejava deixar qualquer prova nas mãos de Rong Wuwang; isso lhe roubava toda a segurança.
Ao redor, os subordinados de Rong Wuwang fecharam os olhos, fingindo nada ter visto.
Dizia-se por toda parte que a princesa e Rong Wuwang eram inimigos irreconciliáveis; casar-se com ele era como entregar-se ao lobo, arriscando a própria vida.
Mas ninguém esperava que, ao passar pela rua, Rong Wuwang ao ver a carruagem familiar, parasse e encontrasse a princesa em perigo.
Sem hesitar, ele a salvou com uma determinação jamais vista em seus olhos.
Se isso ainda fosse considerado desavença, então ninguém seria capaz de se dar bem com Rong Wuwang.
A princesa, de beleza incomparável, jogava-se aos seus braços, oferecendo-lhe até um beijo — onde estaria a rivalidade?
Eles, míopes, só enxergaram ternura e paixão.
Fica claro: os rumores do povo não são confiáveis.
Rong Wuwang soltou um riso irônico; queria interrogá-la sobre onde ia, mas de repente perdeu o interesse.
Mingzhu percebeu que o perigo passara, suspirou aliviada; Rong Wuwang, apesar da fama sanguinária, era fácil de agradar.
Isso lhe surpreendeu.
Na vida passada, Rong Wuwang era uma máquina de matar sem sentimentos.
Ela passou três anos sobrevivendo sob seu domínio, sentindo apenas um frio que penetrava nos ossos.
Agora, podia esconder-se em seu abraço acolhedor para fugir da perseguição, e sentia-se tocada.
Rong Wuwang, vendo-a distraída, pensou que ela estava pensando no amante, e torceu os lábios com desprezo, ordenando friamente:
— Matem! Depois de mortos, arranquem-lhes a pele para fazer lanternas.
Os criados sacaram as espadas e avançaram, matando sem piedade.
O beco estreito encheu-se do cheiro intenso de sangue.
Mingzhu detestava sujeira, não suportava aquele odor, por isso se aninhou no peito dele, inspirando o aroma suave de ervas.
— Viciada em abraços? — perguntou Rong Wuwang, achando que sua frieza e crueldade a assustariam, mas ela apertou-se ainda mais.
— Que mal há em abraçar o próprio marido?
Afinal, quem segura o apoio principal não larga tão fácil.
Rong Wuwang hesitou, mas deixou que ela o abraçasse, acelerando de propósito a marcha dos cavalos pelas ruas.
Mingzhu, temendo ser novamente sacudida e cair, ficou pálida e se encolheu ainda mais no abraço dele.
Falou cedo demais; Rong Wuwang era imprevisível.
Ao chegarem à mansão, o som familiar dos cascos alertou Fuyao, que ajoelhou-se ereta, com olhos lacrimejantes e esperançosos.
Ela estava de joelhos há três horas, quase destruindo-os.
Antes de Mingzhu entrar na mansão, Rong Wuwang jamais a havia punido.
Apesar de se apresentar como criada, sempre foi tratada como dona da casa.
Mas desde a chegada de Mingzhu, foi rebaixada e castigada constantemente, sua posição pior que lama.
Tudo culpa daquela mulher desprezível; se não fosse por ela, Rong Wuwang jamais teria ignorado anos de afeição.
Agora que ele retornava, Fuyao pretendia se lamuriar.
Do lado de fora,
Mingzhu permaneceu sobre o cavalo, hesitando ao olhar para o animal, bem mais alto que ela.
Ao ver Rong Wuwang entrando, pediu a Xiaozhu que a ajudasse.
Antes que Xiaozhu pudesse agir, Rong Wuwang voltou-se, puxou-lhe o braço e a ergueu com facilidade.
— Tem coragem de trocar olhares com outro homem na minha frente?
Sua voz, indiferente, trazia um frio mortal.
Xiaozhu assustou-se e ajoelhou-se imediatamente, prostrando-se no chão.
Da última vez que Rong Wuwang mostrou aquela expressão, morreu uma sala inteira de pessoas.
Se queria viver, era melhor ajoelhar e não arriscar ser decapitado no próximo instante.
— Não consigo descer desse cavalo alto.
Mingzhu não entendia o motivo da fúria, mas aninhou-se com doçura em seus braços, sem querer dar um passo.
— Coincidentemente, machuquei o tornozelo; Vossa Excelência pode me carregar até o quarto.
Para evitar que Rong Wuwang a jogasse ao chão, ela prendeu-se firmemente ao pescoço dele.
Rong Wuwang encarou seu rosto, depois lançou um olhar casual a Xiaozhu.
— Vá receber seu castigo.
Xiaozhu respirou aliviado; se não fosse pela princesa acalmando Rong Wuwang, teria perdido a vida hoje.
— Vossa Excelência... pobrezinha de mim...
Com os passos se aproximando, Fuyao começou a gritar de forma lastimosa, tentando despertar a piedade de Rong Wuwang e aumentar seu desprezo por Mingzhu.
Mas ao levantar a cabeça, viu Mingzhu com cabelos soltos, roupas desarrumadas, aninhada no peito de Rong Wuwang.
Mingzhu lançou-lhe um olhar leve, e Fuyao sentiu uma humilhação jamais experimentada.
Maldita mulher! Seduzindo Rong Wuwang em plena luz do dia! Que coração perverso!
Rong Wuwang passou por ela sem parar, dizendo de modo casual:
— Isso foi escolha sua.
Sempre foi rigoroso; só pelo passado não a matou de imediato.
Fuyao quis se defender, mas Xiaozhu foi rápido e lhe deu um tapa brutal.
— Cale a boca! Você ousa desobedecer às ordens de Vossa Excelência? Agora que ele está com a princesa, para que se mete?
— Você, um servo, ousa me bater?
Fuyao lançou-lhe um olhar furioso, quase querendo arrancar-lhe um pedaço do rosto.
Antes, Xiaozhu a tratava como irmã; agora, ousava agredi-la? Ficou louco?
— Você não conhece seu lugar; sou servo, mas e você? Não se ache tão nobre.
Xiaozhu não era cego como Fuyao; todos diziam que Rong Wuwang odiava a princesa, mas ele viu o contrário ultimamente.
É sábio adaptar-se aos tempos.
Essas palavras eram um aviso; se Fuyao insistisse em se autodestruir, seria culpa dela.
Fuyao viu Rong Wuwang partir, impotente, e ainda levou um tapa do eunuco. Quis revidar, mas de repente sentiu dor e coceira, e começou a inchar visivelmente.
Sua boca ficou como uma linguiça, mal podia falar, o rosto transformou-se em uma cabeça de porco e, ao chorar, só piorou a dor.
Mingzhu voltou ao quarto e, cansada, queria dormir; Rong Wuwang saiu para tratar de assuntos.
Chuntao preparou o banho da princesa, cuidando com delicadeza de seus longos cabelos negros.
— Vossa Alteza sofreu injustamente, culpa minha.
— E que culpa tem você? Nesta cidade, sempre foi cheia de perigos.
Tudo que Mingzhu podia fazer era buscar meios de se proteger.
— Aqueles certamente vieram da casa de penhores; Vossa Alteza não pode perdoá-los.