Capítulo Três: Como Deseja Ser Servido em Nossa Casa

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2414 palavras 2026-02-07 16:40:04

Sheng Mingzhu fez um biquinho, fingindo-se de magoada:

“Não sou tola. Quando estava no palácio, só tinha meu irmão, o imperador, como apoio. A imperatriz-mãe tratava-me como filha apenas na aparência. Mas, alguém perspicaz como você, meu caro, não percebe logo as intenções ocultas dela?”

“Veja só o homem que hoje à noite você executou, enviado pelo palácio. A imperatriz-mãe, usando o meu nome, quis humilhá-lo. Se realmente me considerasse filha, tomaria tal atitude? Antes eu não tinha escolha, precisava me apoiar nela e manter boas relações com Sheng Mingrou. Agora, com você ao meu lado, do que devo temer?”

Enquanto desabafava, ela se ergueu da cama e, segurando a mão de Rong Wuwang, balançou-a suavemente, a voz açucarada e dengosa:

“Meu bom senhor, não irá me proteger?”

O olhar de Rong Wuwang percorreu as feições delicadas e belas dela, detendo-se por fim nos lábios vermelhos e entreabertos, e então sorriu.

“A boca da princesa só sabe dizer palavras tão doces quanto o mel.”

As palavras dela foram tão bem ditas que nem mesmo Sheng Mingzhu sabia se ele acreditara ou não; no fim das contas, ela própria já estava quase convencida. Estendeu a mão com a qual batera em Sheng Mingrou diante de Rong Wuwang:

“É noite de núpcias, por que deixar estranhos estragarem o momento? Minha mão dói, olhe só, senhor.”

Rong Wuwang arqueou a sobrancelha, pegou delicadamente os dedos finos dela e examinou-os: estavam rubros, prova de quanta força usara. Ele olhou para a manhosa à sua frente, entre divertido e sério, e perguntou:

“A princesa disse durante o banquete que queria que eu a servisse bem. Como deseja ser servida?”

Mal terminou de falar, Sheng Mingzhu sentiu um arrepio percorrer a palma da mão. Rong Wuwang inclinou-se suavemente e pousou ali uma série de beijos leves.

Por fim, ergueu os olhos encantadores, sorrindo de modo provocador:

“E então, princesa, está satisfeita com este serviço?”

À luz do candelabro nupcial, a mancha de carmim na testa dele cintilava, dando-lhe o ar de uma criatura sedutora e perigosa.

Naquele momento, Sheng Mingzhu sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha.

Como podia esse maldito eunuco ser tão habilidoso em provocar alguém?

Tentou puxar a mão de volta, mas ele não cedeu nem um milímetro.

Com as bochechas coradas, Sheng Mingzhu resmungou baixinho, depois se lançou nos braços de Rong Wuwang, mordendo-lhe de leve o pescoço.

Não foi forte, mas sim instigante.

A respiração de Rong Wuwang ficou subitamente mais pesada e ele apertou-a ainda mais contra o peito.

Sheng Mingzhu franziu o cenho. Algo duro pressionava sua cintura, incomodando-a.

Instintivamente, buscou o objeto com a outra mão e o agarrou; Rong Wuwang reprimiu um gemido, o belo rosto marcado por uma expressão de dor.

“Meu bom senhor, por que traz uma adaga à cintura em plena noite de núpcias? Pretende, acaso, assassinar sua própria esposa?”

Rong Wuwang ficou sem palavras, a veia na testa saltando. Soltou Sheng Mingzhu e a empurrou de leve, afastando-se um pouco; ela também largou o objeto, quase sem perceber.

“A princesa Mingrou certamente irá reclamar à imperatriz-mãe. Amanhã, ao voltar ao palácio, terá de lidar com ela. Descanse cedo, prepare-se.”

Dito isso, ele virou-se e saiu.

Sheng Mingzhu, observando suas costas, sentiu que ele partia quase como se fugisse.

Será que esse eunuco realmente planejava matá-la e ela descobriu? Quanto mais pensava, mais achava possível. Afinal, em sua vida anterior, na noite de núpcias, Rong Wuwang a trancafiou numa gaiola para cães!

Viu que conquistar o grande eunuco seria tarefa árdua e longa.

Sem mais se preocupar, sabendo que no dia seguinte enfrentaria a imperatriz-mãe, Sheng Mingzhu deitou-se para dormir, sem esperar o retorno de Rong Wuwang.

Ele, por sua vez, tomou um banho gelado antes de conseguir apagar o fogo que lhe ardia por dentro.

Sheng Mingzhu era um demônio tentador, de uma beleza sem igual.

Ao vestir-se, uma sombra silenciosa surgiu ao lado dele.

“Senhor.”

“Fale.”

“Do outro lado andam inquietos. Começaram a infiltrar espiões na mansão do Príncipe.”

Rong Wuwang riu friamente:

“Arranque-os. Continue vigiando e me traga notícias.”

“Sim!”

O vulto fez uma reverência e, ao sair, foi chamado de volta:

“Arrume mais alguns para vigiarem secretamente a princesa.”

Sheng Mingzhu estava agindo de forma estranhamente diferente. Embora, aparentemente, Rong Wuwang tivesse feito uma aliança provisória com ela, ainda não confiava em sua essência.

Mais ainda: queria desvendar que tipo de pessoa Sheng Mingzhu era, afinal.

Ao retornar para o quarto, encontrou-a já adormecida.

Toda a agressividade desaparecida, restava-lhe uma serenidade e delicadeza improváveis.

Deitou-se ao lado dela, o olhar profundo, e pousou a mão sobre o pescoço da jovem. Sentia a crueldade pulsar em seu corpo.

Tão delicado, tão belo: bastava um pouco de força, poderia quebrá-lo.

De repente, a bela adormecida gemeu baixinho, revirou-se incomodada e, sem qualquer cerimônia, aninhou-se sobre Rong Wuwang, procurando a posição mais confortável, roçando-se suavemente antes de voltar a dormir.

Parecia um gato doméstico sendo acariciado.

Rong Wuwang percebeu que o desejo, recém apagado pelo banho frio, ameaçava reacender.

Cerrando os olhos com força, tenso, percebeu que, em mais de vinte anos, jamais estivera tão próximo de alguém.

Deixaria, por ora, viva aquela pequena fera, para ver que truques ela tramava. Talvez lhe servisse de distração.

Na manhã seguinte, Sheng Mingzhu acordou e viu Rong Wuwang em pé, vestindo-se ao lado da cama. Do outro lado, ainda sentia o calor deixado por ele, sinal de que passara ali a noite.

Dormira relativamente bem, como se abraçada a algo… Seria Rong Wuwang?

“A princesa acordou?”

Rong Wuwang, notando o movimento, voltou-se para ela.

Antes que Sheng Mingzhu respondesse, uma mulher entrou sem bater.

Sheng Mingzhu a reconheceu: era Fuyáo, a principal criada da mansão do Príncipe, responsável por tudo e confidente de Rong Wuwang.

Na vida anterior, Fuyáo sempre demonstrou hostilidade para com ela — algo que, à época, Sheng Mingzhu não entendia, mas agora compreendia bem.

O olhar de Fuyáo para Rong Wuwang transbordava paixão mal disfarçada.

Chegou a ser tola o suficiente para se aliar a Sheng Mingrou a fim de envenenar Rong Wuwang lentamente. Por essa razão, o veneno, que só deveria se manifestar após cinco anos, agiu em três.

No fim, após a morte de Rong Wuwang, ela se matou, batendo a cabeça.

Tola e maldosa: assim Sheng Mingzhu definia Fuyáo.

Pelos seus cálculos, ela já havia começado a envenená-lo.

Com uma bacia nas mãos, Fuyáo ignorou a presença de Sheng Mingzhu e dirigiu-se diretamente a Rong Wuwang:

“Senhor, permita-me ajudá-lo a lavar-se.”

Rong Wuwang, ao colocar o chapéu, interrompeu-se, o semblante gélido:

“Já disse muitas vezes, não preciso de ajuda.”

Não gostava de proximidade; sempre cuidara dessas tarefas pessoalmente, e Fuyáo deveria saber disso.

Na cama, Sheng Mingzhu virou-se preguiçosamente:

“Hum, uma criada que entra no quarto sem bater não teria vez na mansão da princesa. Seria punida com trinta varadas! Mas, por ser você a principal criada do Príncipe, darei só quinze. Saia e receba seu castigo!”