Capítulo 121: Pistas Encontradas
— Um cheiro estranho? — Yi Qin franziu o nariz, movendo-o para cima e para baixo, mas não sentiu absolutamente nada.
Ela chegou a levantar-se para verificar todos os cantos do cômodo, mas só conseguiu sentir o aroma de ervas medicinais que emanava de sua senhora. Esse perfume não era amargo como os habituais; pelo contrário, carregava uma doçura sutil que era, na verdade, bastante agradável.
— Senhora, não sinto cheiro de nada. — Yi Qin recolheu o lenço que Sheng Mingshu havia usado e disse, um tanto confusa: — Será que a senhora não se enganou?
Sheng Mingshu franziu a testa profundamente. Ela era versada em medicina e extremamente sensível àquela fragrância. Embora o odor tivesse durado apenas um instante, ela estava convencida de que não poderia ter se enganado.
— Não, eu certamente senti. Vá perguntar às pessoas neste andar se alguém sentiu um cheiro como se algo estivesse queimando. Não é um odor pungente, mas provoca uma sensação de sede.
Yi Qin pensou que talvez sua senhora estivesse entediada por passar tanto tempo deitada e agora se preocupava com um cheiro que ninguém sabia de onde vinha. Contudo, ela ficou feliz em ver Sheng Mingshu ocupada com algo; era melhor do que vê-la na cama remoendo suas próprias mágoas.
— Está bem, vou perguntar agora mesmo.
Dito isso, Yi Qin virou-se e saiu rapidamente. Sheng Mingshu colocou uma almofada macia atrás da cintura e tentou rememorar o cheiro, sentindo que já o tinha encontrado em algum lugar. Além disso, sentia uma aversão instintiva por ele. O fato de não conseguir identificar a origem do odor a deixava profundamente inquieta. Por mais que tentasse, não encontrava uma resposta.
Algum tempo depois, Yi Qin retornou com uma expressão estranha.
— Senhora, algumas pessoas disseram ter sentido o cheiro, mas a maioria afirmou não ter notado nada de incomum.
— Chame-os para me ver.
Ao dizer isso, Sheng Mingshu notou a hesitação de Yi Qin e perguntou: — O que houve? Você descobriu algo estranho?
Yi Qin hesitou, mas acabou falando: — Quando perguntei, disseram-me que o cheiro talvez fosse de frutos do mar que eles estavam assando escondidos no convés inferior. Senhora, tem certeza de que quer chamá-los aqui?
— Frutos do mar? — Sheng Mingshu não pôde evitar olhar pela janela.
Eles estavam navegando pelo Rio Cang Sul. Mesmo que aquelas pessoas tivessem conseguido algo escondido para comer, não seriam frutos do mar. Sheng Mingshu franziu as sobrancelhas delicadas e perguntou: — Onde eles teriam conseguido frutos do mar?
O mercado marítimo de Qisheng não era aberto, mas também não era proibido. No entanto, o mar era perigoso; desde tempos antigos, poucas pessoas se aventuravam nele, restando apenas alguns pescadores que viviam na costa e dependiam da pesca para ganhar a vida. Embora o Rio Cang Sul acabasse desaguando no mar, a distância era grande demais; era impossível que houvesse frutos do mar à venda por ali.
— Disseram que trocaram com o pessoal do convés inferior.
Embora o segundo e o terceiro convés estivessem completamente separados do primeiro, todos estavam no mesmo navio, tornando fácil subir ou descer para conversar. Algumas pessoas, curiosas sobre os que estavam embaixo, foram visitá-los e acabaram trocando mantimentos por frutos do mar.
A capital ficava no interior, longe de qualquer litoral ou rio. No passado, o antigo imperador, querendo apreciar a paisagem fluvial, chegou a viajar incógnito e ordenou que o Ministério das Obras construísse um navio-dragão imenso chamado "Dragão Submerso", levando sua concubina favorita para passear pelo rio. Na época, a imperatriz viúva, ainda uma concubina, sentiu tanto ciúme que quase enlouqueceu, conspirando pelas costas de todos.
— Chame-os, quero perguntar a eles.
Tendo sido alertada por Rong Wuwang, Sheng Mingshu sabia que as pessoas do convés inferior eram peculiares e exigiam cautela, por isso havia proibido seu pessoal de entrar em contato. Ela não esperava que alguém de seu andar já tivesse feito contato e até mesmo trocado bens. Pelo visto, eles já tinham algumas informações sobre o pessoal de baixo. Sheng Mingshu, sem nada melhor para fazer, estava curiosa para entender a situação daquelas pessoas.
— Sim.
Yi Qin saiu novamente e logo voltou, acompanhada por alguns criados. Eram responsáveis por cuidar da bagagem e faziam o trabalho pesado. Sheng Mingshu tinha uma vaga lembrança deles e, antes que pudesse falar, viu mais uma pessoa entrar no grupo.
— Wuwang? — Sheng Mingshu ficou surpresa. — Por que veio aqui a esta hora?
Rong Wuwang ocupava cargos importantes e, mesmo fora da capital, tinha muitas responsabilidades. Sheng Mingshu sabia que ele mantinha sua própria rede de contatos; Yi Qin comentara que, mesmo após entrarem no rio, pombos-correio chegavam diariamente para ele. Ela também gostaria de usar os pombos de Rong Wuwang para enviar mensagens à capital, mas não encontrou uma justificativa adequada. Além disso, suas redes na capital eram seu último trunfo; embora pudesse cooperar sem reservas com Rong Wuwang, não ousava expor seus outros subordinados. Caso algo desse errado, aqueles na capital estariam seguros, e seria difícil para Rong Wuwang atingi-los.
— Por quê? Não posso vir?
Sheng Mingshu hesitou: — Não é isso. Apenas pensei que estivesse ocupado com assuntos oficiais.
Rong Wuwang sorriu de forma enigmática: — Cansado de trabalhar. Às vezes, vir ouvir você conversar com os outros é bem interessante.
Sheng Mingshu soltou um suspiro, sem saber o que responder.
— Sirva-lhe chá.
A ordem de Sheng Mingshu foi um consentimento tácito para que ele ficasse. Yi Qin lançou um olhar rápido para Rong Wuwang, acenou com a cabeça e foi preparar o chá. Rong Wuwang não agiu como um estranho; sentou-se ao lado de Sheng Mingshu, com uma expressão preguiçosa.
Com a proximidade, Sheng Mingshu notou olheiras profundas sob os olhos de Rong Wuwang. Não sabia se ele não dormira bem ou se estava exausto. Ela abriu os lábios, querendo sugerir que ele fosse descansar, mas temeu que ele interpretasse como uma tentativa de expulsá-lo, então permaneceu em silêncio.
Rong Wuwang lançou um olhar frio e indiferente para ela. Só quando viu que Sheng Mingshu se endireitara é que desviou o olhar para o grupo de criados. Eram apenas servos comuns, sem nada de especial.
— Ouvi dizer que comeram frutos do mar?
Os criados tremeram, querendo implorar por clemência, mas pensaram que comer frutos do mar não violava nenhuma regra ou estatuto de Qisheng. Eles se entreolharam e, por fim, o mais velho deu um passo à frente: — Respondendo à senhora, somos gulosos e de fato comemos alguns frutos do mar.
Yi Qin aproximou-se com o chá quente. Rong Wuwang pegou a xícara, sentiu o aroma e fez um gesto de desdém: — Leve embora.
Yi Qin olhou para Sheng Mingshu, desamparada. Sheng Mingshu sabia que Rong Wuwang era exigente e temia que o chá de Yi Qin não fosse do seu agrado, então disse: — Traga para mim.
Yi Qin entregou-lhe a xícara rapidamente. Rong Wuwang observou-a tomar um gole, seus lábios avermelhados tornando-se ainda mais vivos pelo calor do chá. Ele engoliu em seco, sentindo, de repente, uma sede inexplicável.
— Prepare outra xícara para mim.