Capítulo 108: Um Incidente Inesperado

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2482 palavras 2026-03-31 17:39:00

Iqin naturalmente concordou.

Ela sempre fora devota a Sheng Mingshu, e, além disso, nesses dias, Iqin observava como Rong Wuwang tratava sua senhora. Embora ainda sentisse medo dele, sua aceitação havia crescido um pouco.

— Senhora, lá embaixo parece que houve um tumulto, o Jinyiwei já controlou a situação — disse Iqin em voz baixa, como se temesse que um terceiro ouvisse.

— O que aconteceu? — perguntou Sheng Mingshu.

Iqin balançou a cabeça: — Só ouvi o barulho lá embaixo, não sei exatamente o que houve.

Sheng Mingshu ponderou por um momento antes de dizer: — Vá verificar.

Ela também estava preocupada com aquele grupo.

Como Rong Wuwang dissera, a presença daqueles homens naquele barco era realmente uma coincidência estranha.

Os assuntos de Liancheng ainda não estavam esclarecidos, e Sheng Mingshu não queria mais problemas.

— Sim, senhora, aguarde minhas notícias.

Iqin tinha um talento especial para esse tipo de coisa, e logo voltou acompanhada de um jovem recém-chegado.

— Senhora, não imaginei que a história dessas pessoas fosse tão interessante! — seu rosto estava rosado de empolgação, e seus olhos brilhavam com alegria sem disfarce.

— Conte-me.

Se Iqin estava tão agitada, o suposto tumulto provavelmente não passava de uma questão menor.

Mas algo digno de atenção, que poderia se transformar em escândalo se espalhasse.

E, de fato, Iqin começou a narrar um episódio que era ao mesmo tempo risível e preocupante:

— Aconteceu que um dos homens desceu com sua esposa, mas todos estavam exaustos, e alguém acabou entrando no quarto errado, adormecendo abraçado à esposa de outra pessoa.

— Apesar de o homem ter garantido que nada aconteceu, só cansaço, o marido não acreditou.

— A discussão entre eles chamou atenção, e logo descobriram que havia outro casal que também se confundira de quarto.

— As duas mulheres ficaram muito injustiçadas, tentando explicar, mas ninguém acreditava. Os maridos estavam furiosos, quase querendo matar quem os havia traído. Foi essa confusão que causou o alvoroço.

Sheng Mingshu ouviu atônita.

Errar o quarto não era comum, principalmente porque as cabines do navio estavam alinhadas, e só alguém embriagado até perder a noção poderia se confundir a ponto de não encontrar seu próprio quarto.

E, ainda assim, aconteceu com ambos os grupos.

— E agora, como estão? — perguntou Sheng Mingshu, intrigada por uma coisa tão inusitada acontecer numa embarcação tão pequena.

Iqin respondeu: — Ainda discutiam, mas não sei quem sugeriu que descansassem primeiro. Afinal, vieram juntos e não podiam estragar a harmonia. Dividiram-se em dois grupos e foram para quartos diferentes discutir as soluções.

Sheng Mingshu arqueou a sobrancelha: — O que haveria para discutir?

Uma situação tão simples para ela seria esclarecida com uma rápida investigação — quem entrou em qual quarto, se houve contato ou não, tudo poderia ser confirmado com facilidade.

Por que precisariam de tanto alvoroço?

— Eles não são tão perspicazes quanto senhora. Essas pessoas discutem sem parar porque claramente querem uma compensação — explicou Iqin.

— Na verdade, são gananciosos, e embora as senhoras sejam as vítimas, os maridos insistem em colocar toda a culpa nelas. O mundo sempre vê as mulheres como fáceis de enganar. É revoltante.

Sheng Mingshu semicerrava os olhos.

Em sua vida passada, como uma princesa pouco estimada, conhecera a dureza do mundo. No palácio, poucos a respeitavam; sob a pressão de Sheng Mingrou e da imperatriz viúva, sua posição caiu drasticamente. Depois de se casar com Rong Wuwang, sua vida no domínio dele foi ainda mais amarga.

O mundo era cruel, e para uma mulher, resistir era quase impossível.

— Fique de olho em tudo. Se houver novidades, me informe imediatamente — ordenou Sheng Mingshu.

Ela sentia que havia algo estranho naquela confusão.

Um incidente aparentemente comum, mas que trazia um aroma de conspiração.

— Pode deixar, senhora, já estou monitorando — disse Iqin.

Mal ela terminou, ouviram uma batida na porta.

— Senhora, está acordada? — perguntou uma voz do lado de fora.

Sheng Mingshu e Iqin trocaram um olhar.

— Sim, estou acordada. O que foi? — respondeu Sheng Mingshu, já se levantando e cobrindo-se com uma capa.

A voz do lado de fora abaixou o tom: — As pessoas do primeiro andar dizem que precisam falar com a senhora. Estão de joelhos na escada, e o jovem mestre não quer receber visitantes. Já fazem muito tempo que estão assim...

Os olhos de Sheng Mingshu brilharam.

Achava estranho o tumulto lá embaixo, e agora eles vinham até ali.

Ela e Iqin trocaram um olhar novamente.

Iqin assentiu e saiu com uma expressão curiosa, mas impaciente:

— Eles não moram todos no primeiro andar? Por que subiriam até aqui? Dizer que precisam de ajuda? O que podemos fazer por eles?

Sua voz foi propositalmente elevada. O navio era espaçoso, e certamente aqueles do lado de fora poderiam ouvir.

Quem tivesse vergonha na cara sentiria desconforto e teria partido, não continuaria incomodando.

Mas aquele homem parecia não ter essa noção e começou a gritar em resposta:

— Por favor, senhora, salve-nos...

— Salve-nos, senhora...

— Não temos outra escolha. Se não encontrarmos proteção, temo que nunca veja novamente a terra firme. Talvez algum dia me joguem no mar sem aviso, e eu vire um fantasma das águas...

— Por favor, seja misericordiosa e nos ajude...

O barulho aumentou um pouco, a ponto de talvez incomodar Rong Wuwang. Sheng Mingshu franziu a testa e foi até a porta.

Lá, encontrou Gu Hezhen com uma expressão impaciente.

— O que aconteceu? — perguntou ela.

Gu Hezhen nunca gostava de se meter nesses assuntos. Apesar de gostar de viajar e conhecer lugares, não tolerava confusão. Parecia gentil com todos, mas tinha um senso rígido de justiça.

Sheng Mingshu percebeu o cheiro de ervas medicinais nele; provavelmente ele estivera estudando alguma receita.

— Houve um problema lá embaixo. Se você estiver ocupado, pode continuar. Eu cuido disso — disse Sheng Mingshu.

Gu Hezhen revirou os olhos.

— É justamente por sua causa que fico inquieto.

— Seu corpo está em condições lamentáveis, e você ainda quer bancar o valente? Acha que ninguém pode te alcançar?

Ele resmungou, indignado:

— Você gosta de se meter, mas não percebe que outros estão claramente te atacando?

— E onde está Rong Wuwang? Ele não estava agindo tão cortês antes? Por que agora desapareceu?

Sheng Mingshu achou que Gu Hezhen devia estar enlouquecendo.

Se alguém ousasse falar assim com Rong Wuwang, provavelmente seria morto na hora. Gu Hezhen era como um novato audacioso, que não temia o perigo e não levava Rong Wuwang a sério.

— Irmão mais velho — começou ela.

Antes que terminasse a frase, um estrondo ecoou, e Rong Wuwang foi “convocado” por Gu Hezhen.