Capítulo Cinquenta e Quatro – A Saúde do Eunuco
O calor em seu corpo era intenso. Mingzhu puxou a gola da roupa, deixando à mostra a pele alva como neve. Seu rosto ainda estava ruborizado pelo efeito do vinho, e o charme invisível era o mais mortal de todos.
Rong Wuwang inclinou-se, e com um movimento dos dedos começou a despir suas vestes, expondo o ombro delicado e perfumado ao ar, revelando também o peito alvo. Seus olhos de fênix semicerraram-se, exalando perigo.
Como era de se esperar, o ferimento em seu ombro voltou a abrir. Sheng Mingzhu, alheia ao tempo e ao lugar, dormia profundamente na cama, completamente entregue ao sono.
Rong Wuwang suspirou, controlando o temperamento para trocar cuidadosamente a gaze sobre o ferimento, limpando-a com um pano, cada gesto impregnado de uma ternura que nem ele mesmo percebia.
— Recuperar a loja de sua mãe te deixa assim tão feliz?
Ninguém respondeu às suas palavras.
Yiqin entrou com uma tigela de caldo para ressaca e, ao ver Sheng Mingzhu adormecida e Rong Wuwang sem qualquer sinal de aborrecimento, discretamente deixou a bandeja e saiu.
Rong Wuwang pegou o caldo, alimentando Mingzhu colher por colher. Quando a tigela se esvaziou, ele sentou-se em silêncio à beira da cama, contemplando-a.
Mingzhu dormia serena, os longos cílios tremulando suavemente. Quando chegou à mansão, era cautelosa, esforçando-se ao máximo para agradá-lo — talvez compelida pelas circunstâncias. Mas agora, todo o seu empenho e sacrifício em favor dele, por quê?
A antiga arrogância de Sheng Mingzhu parecia ter sido suprimida, restando apenas uma fachada de docilidade, fingindo ser facilmente manipulável, sempre se mostrando submissa.
Seria mesmo temor ao seu poder?
Se assim fosse, não teria ela se oposto a ele tantas vezes no passado?
Rong Wuwang deitou-se ao lado de Mingzhu, as mãos cruzadas sobre o ventre, virando o rosto para observá-la.
— O que é que você deseja, afinal? E quanto de tudo isso é real para comigo?
A mulher ao seu lado dormia profundamente. Após tomar o caldo, o calor em seu corpo dissipou-se, e um frescor se insinuou, fazendo com que Mingzhu procurasse instintivamente a fonte de calor ao seu lado.
Ela virou-se, braços e pernas envolvendo Rong Wuwang, a cabeça mergulhada em seu pescoço.
Dormindo profundamente, seu hálito cálido acariciava o pescoço dele, fazendo com que todo o corpo de Rong Wuwang enrijecesse.
De repente, ele girou o corpo, pressionando Mingzhu sob si, o rosto se aproximando lentamente do dela. No instante em que seus lábios quase se tocavam, ele abriu os olhos, desviou o olhar, reprimiu o desejo e saiu da cama.
A mulher adormecida nada percebeu, entregue a um sono inquieto pelo efeito do álcool. Rong Wuwang, enfim resignado, curvou-se para cobri-la novamente, depois caminhou até a escrivaninha, acendeu a lamparina e pôs-se a ler cartas.
Aquela foi, sem dúvida, a melhor noite de sono de Sheng Mingzhu nos últimos tempos.
Ao despertar, com a ajuda de Yiqin, surpreendeu-se ao perceber, pelo olhar sugestivo da criada, que algo estava fora do comum.
A essa hora, ele já não deveria ter ido ao palácio para a audiência matinal? Por que ainda estava em casa?
Ao sair do biombo, deparou-se com a figura ereta de Rong Wuwang, sentado à mesa já posta com várias iguarias.
Naquela manhã, os pratos tinham formatos graciosos, claramente pensados para agradar uma dama.
Mingzhu sentou-se ao lado de Rong Wuwang, sorrindo. Dizem que não se deve hostilizar quem se apresenta com um sorriso. Recordava vagamente ter se excedido no vinho em sua presença na noite anterior.
Afinal, como dona da casa, sair e voltar bêbada era motivo suficiente para que os inimigos de Rong Wuwang no tribunal usassem isso contra ele.
— Senhor, sobre ontem à noite...
— Coma — interrompeu Rong Wuwang, impassível, servindo-lhe um doce em uma pequena tigela dourada.
Era verdade: quanto mais se explica, mais se complica. Se alguém queria calá-la, Mingzhu também não se acanhava.
Ela levou um pedaço à boca; o sabor delicado e marcante estimulou-lhe o apetite.
Os olhos de Mingzhu brilharam: — Mudaram o cozinheiro? Estes pratos são diferentes dos habituais.
Rong Wuwang, sereno, saboreava o desjejum com elegância.
— Ontem, ao notar que não comeras nem um doce, imaginei que talvez não estivesses acostumada à comida da casa. Após a audiência, pedi permissão ao imperador para trazer um cozinheiro do palácio.
Por um simples gesto, ele percebera sua preferência. Deveria elogiá-lo pela sensibilidade ou pela astúcia? Se tal homem realmente desejasse agradar uma mulher, nenhuma dama de Qisheng resistiria a tanta atenção.
Ainda mais com tamanha beleza.
Mingzhu ocultou a emoção nos olhos e sorriu ainda mais docemente:
— Com tal cuidado, meu coração se alegra imensamente.
— Já que é assim, tenho outra boa notícia para lhe contar — seus olhos brilhavam como estrelas.
— Oh? — Rong Wuwang pousou os talheres, lavando as mãos auxiliado por Ping'er, mostrando real interesse.
— A loja que minha mãe deixou para mim, ontem fui vê-la e já mandei reorganizar tudo. Coloquei-a em seu nome: daqui em diante, todo o lucro da loja será seu.
— Já estou há algum tempo na mansão e não pude, até agora, aliviar-lhe os encargos da casa. Sinto-me envergonhada. Com a loja de minha mãe, haverá um fluxo mensal de receitas, o que certamente reduzirá as despesas.
Ela falou com clareza e sinceridade.
Rong Wuwang ergueu levemente os olhos, indagando o ponto crucial:
— E o que comercializa?
— Sal — respondeu Mingzhu, sem hesitar.
As sobrancelhas de Rong Wuwang arquearam-se. Era como se ela realmente quisesse atrelá-lo à culpa.
Mingzhu pousou a delicada mão sobre a de Rong Wuwang, expondo calmamente seu plano:
— Se tudo correr como previsto, a influência da Imperatriz-mãe será abalada e você só terá a ganhar.
Rong Wuwang analisou cuidadosamente a situação em sua mente; de fato, não havia falhas. Seus olhos de fênix se estreitaram, a marca vermelha entre as sobrancelhas ressaltando ainda mais o olhar.
Então, essa jogada estava planejada há tempos. Até mesmo o episódio em que ela se envenenou para ir ao palácio fazia parte do plano — tudo para conquistar a confiança da Imperatriz-mãe.
E com ele, seria apenas uso?
Suas sobrancelhas se cerraram lentamente.
Mingzhu, vendo a mudança em sua expressão, sentiu-se incapaz de decifrar os pensamentos desse homem de mil faces. Não era motivo de alegria poder enfraquecer a Imperatriz-mãe sem derramar uma gota de sangue e ainda fortalecer sua própria influência?
Por que então parecia aborrecido?
Ela ponderou a situação: não era hora de confrontá-lo, pois ainda precisava dele para um assunto importante.
Convencida do que fazer, Mingzhu balançou suavemente a mão de Rong Wuwang no ar, inclinando-se para mais perto dele.
— Tudo que disse antes são pequenas coisas. Agora há algo mais importante.
Rong Wuwang, mantendo a expressão tranquila diante de sua docilidade, sentiu sua irritação dissipar-se consideravelmente.
— E o que seria?
— Naturalmente, é sobre sua saúde! — Mingzhu sorriu docemente. — Na noite de núpcias prometi cuidar de você. Usei-me como isca para obter o bodhi das mãos da Imperatriz-mãe, tudo para aliviar seu sofrimento e desejar-lhe pronta recuperação.