Capítulo Cinquenta e Três: Quero um Abraço

O Poder dos Eunucos Sob as Saias 2405 palavras 2026-02-07 16:42:39

Ao ouvir a pergunta de Luo Shang, Mingzhu soltou um suspiro quase imperceptível, temendo apenas que ele guardasse as dúvidas para si. Certas questões, quando esclarecidas desde o início, são preferíveis a uma desconfiança constante.

Não era de se estranhar que Luo Shang tivesse receios; afinal, dizem que é mais fácil mudar de império do que de natureza. Antes de experimentar a morte trágica em sua vida passada, Sheng Mingzhu também acreditava que a Imperatriz-Mãe era sincera com ela e com Zhe’er.

Mas essas palavras não podiam ser ditas em voz alta.

Mingzhu serviu-se de uma taça de vinho, bebeu de um só gole e, ao encontrar o olhar de Luo Shang, manteve-se límpida e honesta.

— Ao crescer e passar por tantas experiências, o discernimento entre sinceridade e manipulação se torna mais claro. A Imperatriz-Mãe realmente não me tratou mal; no palácio, permitiu-me todas as extravagâncias, criando em mim um temperamento arrogante. Só que, pensando bem, isso também não deixa de ser uma armadilha travestida de adulação.

— Por respeito a ela, muitas vezes recebi sugestões, diretas ou veladas, de que Rong Wuwang representava um grande perigo para Zhe’er. Fui incitada a enfrentá-lo mais de uma vez. Se Rong Wuwang realmente fosse indiferente, temo já ter morrido em suas mãos incontáveis vezes.

— Pensando assim, fica claro se era afeto ou mera manipulação.

Luo Shang assentiu, aliviado. Na corte, gostavam mesmo de tais estratagemas vis. Sempre temeu que Mingzhu não enxergasse através deles, mas a jovem via tudo com clareza, já havia se resguardado.

— E o que pretende fazer em relação à Imperatriz-Mãe? Não são poucos os que a apoiam no governo.

Sheng Mingzhu sorriu friamente.

— Apoiam-na ou apenas apoiam o uso do nome de Zhe’er? No conselho, há de fato ministros iludidos por ela, mas isso é assunto para depois. Agora, Zhe’er nutre profundo respeito pela Imperatriz-Mãe e acredita cegamente em suas palavras. O que quero é arrancar a máscara dela, fazer com que Zhe’er veja quem realmente é a mulher a quem devotou anos de respeito.

Fazia sentido. Tradicionalmente, as mulheres do palácio não podiam interferir nos assuntos do Estado. A Imperatriz-Mãe, aproveitando-se da juventude de Zhe’er e de sua inexperiência, ocupou-se do poder sob o pretexto de auxiliá-lo. Sem essa justificativa, ela não passaria de uma simples dama do harém, e qualquer ambição maior seria sufocada.

Sheng Mingzhu voltou ao presente.

— Não procurei meu tio antes porque, ao me casar com o Duque, não tinha a confiança de Rong Wuwang e não ousava agir levianamente. Também temia que meus movimentos despertassem suspeitas na Imperatriz-Mãe, por isso investiguei sobre o senhor em segredo. Só depois de recuperar, por artifícios, os pertences de minha mãe das mãos da Imperatriz-Mãe, ousei me mostrar.

— O encontro de hoje é justamente para tratar desse assunto. Preciso de sua ajuda, tio.

— Fale sem reservas!

Sheng Mingzhu foi direta:

— Preciso reabrir esta loja, transformando-a em um estabelecimento comercial para vender sal de poço.

— O sal é monopólio estatal. Na capital, ainda é possível, mas nas demais cidades, o povo mal pode pagar por sal caro, e a venda de sal comercial exige impostos elevados ao governo todos os anos.

Se fosse para ganhar dinheiro, o sal não era a melhor escolha.

Sheng Mingzhu sorriu:

— Não venderemos sal comercial, e sim sal clandestino.

Luo Shang assustou-se, franzindo o cenho:

— Sabe que o tráfico de sal ilegal é punido com rigor, podendo ser condenado à morte!

— Sei muito bem — Mingzhu tamborilou os dedos na mesa. — Mas venderemos sal clandestino apenas de fachada, e faremos questão de que todos saibam que por trás da loja está Rong Wuwang. Por isso, disfarcei minha identidade hoje e vim como um criado.

— Ficou louca? — Luo Shang desaprovava totalmente. — Os métodos de Rong Wuwang são cruéis e impiedosos. Se você atribuir esse crime a ele e o irritar, não vai se importar se você é princesa, matará sem hesitar!

A má fama de Rong Wuwang era de fato notória.

Sheng Mingzhu explicou pacientemente:

— Fique tranquilo, tio. Tudo será feito com o aval de Rong Wuwang, como parte de um plano. Apenas faça o que for necessário.

— Só peço uma coisa: a reforma da loja e a inauguração devem ser grandiosas. Não se preocupe com despesas.

Vendo a determinação no rosto dela, Luo Shang finalmente assentiu.

Com uma questão resolvida, Sheng Mingzhu hesitou antes de perguntar:

— Tio, disse antes que a maioria dos nossos já se dispersou. Quantos restam agora?

Luo Shang ergueu o olhar e, ao perceber a intenção oculta de Mingzhu, fez um gesto com a mão. Ela ficou alarmada.

Tão poucos!

— Fechamos várias lojas por falta de recursos.

Era um lembrete claro do problema real: manter tantas pessoas exigia dinheiro e mantimentos indispensáveis.

Sheng Mingzhu ponderou e logo decidiu:

— Tio, deixe comigo a questão do dinheiro. Quero manter todos, e ainda não são suficientes. Se alguns quiserem voltar, que sejam aceitos; além disso, precisamos recrutar muitos mais.

Luo Shang fitou Mingzhu, tentando sondar-lhe a alma, mas acabou cedendo diante do olhar resoluto dela.

— E onde pretende acomodar tanta gente? As facções do governo estão em disputa silenciosa; qualquer movimento impensado pode levar à destruição total.

Sheng Mingzhu já tinha um plano.

— Confie em mim, tio, tenho meios para isso.

Os dois, após tanto tempo sem se ver, analisaram a situação entre goles de vinho e petiscos, até que, ao cair da tarde, Yi Qin veio avisar que já era muito tarde.

Despediu-se de Luo Shang, vagueou mais um pouco pelas ruas, comprou um novo traje e só então voltou para o palácio.

Estava especialmente alegre nos últimos dias, e o álcool subia-lhe forte à cabeça.

Com o apoio de Yi Qin, caminhava ainda trôpega. Ao chegar à porta do palácio do Duque, tropeçou nos degraus e quase caiu.

Foi amparada por braços firmes, que a envolveram de súbito.

Rong Wuwang, sentindo o cheiro de vinho, franziu o cenho.

— Andou bebendo?

Yi Qin, vendo que Mingzhu nada sofreu, ficou em silêncio atrás deles, fingindo não ouvir.

Ao deparar-se com o rosto austero de Rong Wuwang, Mingzhu abriu um sorriso, passou os braços ao redor do pescoço dele e murmurou, doce:

— Hoje estou feliz.

Disse isso e se deixou pender, encostando-se no peito do homem.

Rong Wuwang a ergueu nos braços com um suspiro resignado e ordenou a Yi Qin, que fingia nada ouvir:

— Prepare uma sopa para ela se recuperar do vinho.

— Sim! — respondeu Yi Qin, sorrindo antes de se retirar.

Rong Wuwang lançou um olhar sarcástico:

— As pessoas ao seu redor são iguais a você, sabem bem como fingir.

Levou-a ao quarto, deitou-a com delicadeza e, vendo sangue reaparecer no ferimento em seu peito, não pôde esconder o desagrado.

— Sai ferida e ainda perambula por aí. A partir de amanhã, está proibida de sair do palácio.

Sheng Mingzhu, com os olhos semicerrados, fitou o belo homem à sua frente e ergueu os braços no ar.

— Quero um abraço...

Rong Wuwang franziu a testa; como podia, após beber, ela se comportar como uma criança?

Com paciência, ele colocou as mãos dela sob o cobertor.

— Comporte-se. Se o ferimento abrir, não vou cuidar de você.

O álcool forte já a deixava febril, e o cobertor só aumentava seu desconforto.

Ela puxou o colarinho e resmungou:

— Calor...