Capítulo Vinte e Oito: Herói Salva a Donzela
A carruagem balançou ao parar diante da loja de penhores.
As duas entraram e empenharam a maior parte dos tesouros que haviam conseguido no palácio. O gerente do estabelecimento nunca tinha visto tantas joias e relíquias preciosas, temendo que Ming Shu desistisse da venda, ofereceu preços generosos. Ming Shu avaliou as ofertas e percebeu que eram ainda mais altas do que imaginara. Aceitou a negociação com igual generosidade. Nos olhos do gerente, misturavam-se incredulidade e ganância, enquanto Ming Shu bebia chá com serenidade, como se aqueles objetos de valor inestimável fossem apenas ferro velho. Ao contrário, Chuntao olhava tudo com pesar e relutância, lembrando como a princesa costumava adorar adornos e joias, e agora nem sequer lhes dava atenção. Tudo culpa da imperatriz viúva; não fosse ela, a princesa não teria mudado tanto.
Ming Shu escolheu um título de dez mil taéis de prata e partiu com Chuntao. O gerente sorria lisonjeiramente às suas costas: "Senhorita, cuidado com o degrau. Se tiver mais tesouros, traga-os aqui, não dê vantagem aos outros estabelecimentos." Quando a carruagem desapareceu na esquina, o gerente mudou de expressão, chamou o assistente e fez um gesto cortando o pescoço.
"Duas moças... está feito."
O assistente hesitou: "Elas chegaram com tanto dinheiro, aquela senhorita sequer mostrou o rosto, talvez não seja alguém comum. Se fizermos isso, pode causar um grande tumulto."
"E de quem é a culpa? Ela é que veio aqui cheia de riquezas! Não parece ser filha de família conhecida. Nem quis mostrar o rosto, deve ser alguma concubina de um senhor, roubou os tesouros da madame para vendê-los. Estamos prestando um serviço, entendeu?"
O assistente coçou a cabeça, ponderou e achou razoável, logo chamou os colegas para agir. Embora não tivesse visto o rosto da moça, só de observar sua postura elegante sabia que, sob o véu, era tão bela quanto uma deusa sob a lua. Com dinheiro e uma mulher, era um golpe de sorte.
E aquela concubina, já acostumada a furtos, mesmo se o caso viesse à tona, não ousaria reclamar, temendo que seus segredos fossem revelados.
Ming Shu pediu a Chuntao que guardasse o título de prata e fechou os olhos para descansar. Até que a carruagem sacudiu violentamente, despertando-a abruptamente.
A voz do cocheiro era aguda: "Quem são vocês? Como ousam interceptar nossa carruagem?"
Alguém ousava barrar a carruagem da princesa? Que imprudência!
"Não só vamos parar sua carruagem, queremos seu dinheiro e, também, a bela dama que está a bordo."
O riso lascivo dos homens ecoou dentro da carruagem. Chuntao ficou pálida de medo, tentando esconder Ming Shu e enfrentar os ladrões sozinha.
Ming Shu permaneceu calma, mas já tinha a mão sobre as facas de arremesso escondidas na manga. Lâminas finas como asas de cigarra, capazes de abrir caminho sangrento. Foi seu mestre quem a obrigou a aprender, pois as facas são leves e podem salvar vidas; sua pontaria sempre foi excelente, aprendendo sem esforço.
Pelo som, havia oito homens lá fora. Para lidar com um cocheiro e duas mulheres frágeis, enviaram tantos, demonstrando determinação.
"Princesa, depois eu lhe darei cobertura, monte em um cavalo e fuja o máximo que puder," murmurou Chuntao, com decisão de sacrificar-se.
"Não é necessário. Quero ver do que são capazes," respondeu Ming Shu, sem temer oito ladrões de habilidades medíocres; já enfrentara perigos muito mais graves em sua vida anterior. Isso era apenas um aperitivo.
"Princesa! Você é preciosa, devo protegê-la!"
"Ah!"
O grito agudo de um homem foi silenciado, seguido pelo odor intenso de sangue.
"Tsc, um cocheiro ousando impedir minha lâmina?"
"Bela dama, estou chegando."
No momento em que a cortina foi levantada, Ming Shu disparou duas agulhas prateadas, cegando os olhos do bandido. Com o cocheiro morto, ela pegou Chuntao e montou num cavalo para escapar.
"Maldita mulher, não sabe o seu lugar! Vou te matar!"
O homem, incapacitado pela dor, só conseguia rolar no chão. Mais homens avançaram, Ming Shu os enfrentou com golpes certeiros, mas eram muitos, e sua habilidade não era suficiente para lidar com todos ao mesmo tempo.
Depois de derrubar cinco, mudaram de tática; um deles tentou puxá-la do cavalo, mas ela o afastou. Infelizmente, o animal se assustou e disparou, quase a derrubando. Por sorte, ela segurou firme as rédeas e não caiu.
Os homens levantaram-se e tentaram alcançá-la.
"Não deixem ela fugir! Se escapar, perdemos o dinheiro!"
Dispararam flechas curtas, acertando as pernas do cavalo, que relinchou e tombou.
Ming Shu praguejou por dentro: "Está tudo perdido!"
Quando foi jogada para fora, uma figura esguia e elegante, vestida de vermelho, surgiu e a segurou pela cintura, pousando-a com segurança em outro cavalo.
Assustada pelo ocorrido, Ming Shu, temendo ser derrubada novamente, abraçou com força a cintura magra do homem. Desta vez, não soltaria por nada.
"O modo como a princesa chega é realmente peculiar," comentou Rong Wuwang, que não gostava de ser tocado, e Ming Shu o apertava quase sem ar.
Ela ficou surpresa: que coincidência! Em perigo, encontrara o próprio senhor do submundo.
Durante a luta, o véu caíra e alguns respingos de sangue em seu rosto tornavam sua beleza ainda mais arrebatadora, quase sobrenatural. Bastava franzir a testa para despertar compaixão; sem lágrimas, era mais tocante do que gritos de desespero.
Rong Wuwang passou levemente os dedos pelo rosto dela: "O que aconteceu?"
"No caminho, cruzamos com ladrões assassinos."
Ming Shu recuou alguns centímetros; com o perigo afastado, não havia mais razão para medo. Mas Rong Wuwang não gostava que ela só se aproximasse quando precisava, e a afastasse depois.
Ele segurou-lhe a cintura, impedindo qualquer recuo, com um olhar invasivo fixo nela.
"Por que não levou Ping Er e An Er com você?"
Aquele olhar parecia penetrar todos os seus segredos.
Com as habilidades de Ping Er e An Er, enfrentariam facilmente tantos adversários.
Ming Shu pensou: Não posso dizer que tenho meus próprios segredos, não é? Se contei tudo, que segredo resta?
Ela sorriu, charmosa, encostando-se ao peito firme dele: "Era apenas um passeio comum, quem imaginaria uma emboscada? Além disso, se fosse com tanta gente, não teria liberdade nas ruas."
"Você acha que essa desculpa me convence? Use-a para enganar seus amantes, talvez."
Rong Wuwang segurou o queixo dela com dois dedos, obrigando-a a erguer o rosto. Seu pescoço era perfeito, até na curva.
Ming Shu sorriu ainda mais docemente: "Então, da próxima vez, que Vossa Excelência me acompanhe. Com sua habilidade, nem cem bandidos seriam problema."
Rong Wuwang soltou um sorriso frio, claramente rejeitando a proposta.
Enquanto conversavam, os guardas já saltavam e dominavam os criminosos.