Capítulo Oitenta e Dois: Encontrando um Obstáculo Intransponível
Só então Rong Wuwang se lembrou de que Sheng Mingshu estava com o corpo debilitado; sem o apoio dele, mal conseguia se manter de pé. Um traço de arrependimento lampejou em seus olhos límpidos, e Rong Wuwang rapidamente estendeu o braço, envolvendo a cintura de Sheng Mingshu e puxando-a para junto de si.
Sheng Mingshu caiu diretamente em seus braços, a ponta macia do nariz batendo no peito rígido e frio dele. O choque a fez sentir uma pontada de dor e lágrimas brotaram em seus olhos.
Ela parecia tão desamparada naquele momento que até Rong Wuwang sentiu o coração apertar, questionando-se se não havia sido brusco demais.
A cena enfureceu ainda mais a mulher vestida de vermelho. Ao dar ordens, ela já havia se arrependido um pouco, temendo desobedecer aos ensinamentos do pai ou acabar encontrando alguém poderoso demais, mas, consumida pela inveja, já não se importava com a identidade dos dois à sua frente. O único desejo era separá-los.
— Estão surdos? Vão logo separar esses dois! Aquela mulher está com o rosto pálido e tossindo sem parar, certamente tem tuberculose! Não podemos permitir que ela contagie os outros!
Desta vez, os subordinados não puderam continuar fingindo indiferença. Erguendo as cabeças, aproximaram-se do casal com expressões resignadas.
Diferente da arrogante filha do governador, eles estavam acostumados a lidar com situações delicadas. Reconheciam facilmente pessoas de posição: ambos eram belos e de porte distinto, óbvio que não se tratava de alguém comum, talvez um jovem nobre em viagem com a esposa recém-casada. Se algo acontecesse a eles, seria uma enorme dor de cabeça. Contudo, a filha do governador era notoriamente tirânica; mesmo a contragosto, não lhes restava outra opção senão obedecer.
Afinal, desagradar forasteiros talvez não trouxesse grandes consequências, mas desafiar a filha do governador poderia significar a ruína de toda a família. Fecharam os olhos em agonia, tomados de tristeza.
Quem poderia imaginar que, tão perto da capital, a poucos dias de viagem, o povo de Liancheng viveria tão sofridamente? O governador dominava tudo a seu bel-prazer, e sua filha era ainda mais despótica. O povo da cidade gemia em silêncio, temendo pela segurança dos familiares, incapaz até mesmo de se rebelar.
Dizia-se que o imperador era uma criança, a imperatriz-mãe governava, e o governador de Liancheng era alguém que já tivera a simpatia da regente. O povo, sem ter a quem recorrer, caía cada vez mais no desespero.
Não lhes era permitido sequer lutar por si mesmos. A filha do governador saqueava jovens belos por toda parte; quem não a ajudasse a cometer seus abusos caía no mais baixo degrau social, sujeito a todo tipo de humilhação e violência. Para garantir a sobrevivência da família, só restava obedecer.
— Perdoem-nos.
Com essas palavras, os homens se prepararam para separar Rong Wuwang e Sheng Mingshu.
Os olhos dos dois brilharam ao ouvirem aquilo. O olhar de Sheng Mingshu percorreu os rostos à sua frente e, segurando a mão de Rong Wuwang, murmurou:
— Marido...
O tom era suave e melódico; para os outros, soava como um pedido de proteção diante do medo, mas Rong Wuwang percebeu uma intenção diferente nas palavras dela.
Ela pedia que ele não ferisse aqueles homens.
Rong Wuwang riu amargamente por dentro, seu rosto tornando-se ainda mais frio e severo. Mesmo naquela condição, ela ainda se preocupava com estranhos. Para proteger o irmão, ela realmente não poupava esforços!
A raiva fervia em seu peito, sem que soubesse explicar por quê. Era natural que Sheng Mingshu cuidasse do irmão, já que dependiam um do outro. Mas pensar que ela estava sempre preocupada com aquele irmão inútil, sempre calculando por ele, o deixava sufocado.
O irmão dela era um caso perdido. Se ela fosse sensata, saberia o que fazer. Mas, apesar de ser inteligente, Sheng Mingshu parecia cega quanto a isso. Desde o início da parceria, ela sempre fora passiva, tentando ganhar sua confiança apenas quando suspeitada, revelando os conhecimentos médicos somente para sobreviver, nunca lhe contando espontaneamente o que fazia nos bastidores.
Tudo isso mostrava que, embora buscasse a aliança, não confiava realmente nele. Pelo menos nas questões importantes, evitava depender dele, a menos que fosse absolutamente necessário.
No passado, Rong Wuwang não se importava com isso, mas agora sentia-se profundamente irritado.
— Guardas!
Considerando a fragilidade dela, Rong Wuwang nada fez contra os homens. Gritou com voz gélida, e, de imediato, seus subordinados entraram, afastando os outros à força.
Rong Wuwang ergueu um medalhão dourado reluzente e, com uma autoridade irresistível, ordenou:
— Mandem chamar o governador de Liancheng para me ver imediatamente.
Ao verem o medalhão cintilante, os presentes ficaram atônitos; os guardas à frente caíram de joelhos com um baque, e a jovem de vermelho arregalou os olhos, tomada de terror.
Tinha mesmo encontrado alguém poderoso demais para desafiar?
...
Residência do governador.
O governador Yao Zhongliang lia uma carta. Era uma mensagem urgente da capital. Tendo dominado Liancheng por anos, agia livremente graças à proteção que possuía em Pequim. Todos os anos oferecia grandes quantidades de ouro e belas mulheres ao seu protetor, e, em troca, podia agir à vontade em Liancheng.
Era impossível que, estando tão perto da capital, nenhuma informação escapasse. Ainda assim, aquele protetor cuidava pessoalmente de eliminar as ameaças, fazendo com que qualquer um que tentasse denunciar acabasse morto, junto com toda a família. Com o tempo, poucos se arriscavam a reclamar em Pequim.
Os habitantes de Liancheng eram facilmente manipulados, incapazes de oferecer resistência.
Após ler a carta num relance, Yao Zhongliang sorriu, satisfeito:
— É sempre bom ter proteção poderosa. Embora a imperatriz-mãe tenha se recolhido ao templo, enquanto aquele senhor estiver no poder, continuarei livre para agir. O jovem imperador governa agora, mas demorará até que tenha influência aqui. Poderei lucrar ainda mais este ano! Pelo visto, posso dobrar o ouro que enviarei para o meu protetor no ano que vem.
Os criados à porta baixavam a cabeça, fingindo não ouvir nada. Eram todos servos nascidos e criados ali, com suas famílias sob o controle do governador. Mesmo ouvindo algo proibido, jamais ousariam contar a alguém. Para proteger suas famílias, aprenderam havia muito a manter a boca fechada.
De repente, passos apressados se aproximaram. Os criados se agitaram um pouco, mas sem alarde. O homem à porta franziu o cenho, repreendendo:
— Mantenham a ordem diante do senhorio! Que pressa é essa?
O recém-chegado, suando e ofegante, respondeu entre respiros:
— Senhor, aconteceu uma desgraça!
Yao Zhongliang franziu a testa, espiando pela porta:
— O que houve?
— A senhorita foi capturada pelo inspetor real!